18.9.04

Crónica das águas novas



«Os ouriços estão mesmo, mesmo a abrir, amarelinhos e cerdosos como os seus irmãos cacheiros. Até à castanha a chuva ainda veio fazer bem!
Ouço cantar:

No alto daquela serra (oh meu bem!)
Tem meu pai um castanheiro,
Que dá castanhas em Maio (oh meu bem!)
Cravos roxos em Janeiro!


A poesia é isso: fazer com que os castanheiros dêem castanhas agora e cravos mais logo, sem transtorno do Mundo nem míngua do assador. E que chova! Chova do céu a água precisa, entre na terra a que baste, e empoce a restante até à evaporação. Com poças estreladas se fazem nuvens novas. Com nuvens novas se enchem as poças velhas, e assim por diante. Eterno retorno.»

Vitorino Nemésio, Viagens ao pé da porta (1949)

4 comentários :

manueladlramos disse...

No alto daquela serra
Tem meu pai um castanheiro,
Que dá castanhas em Maio
Uvas ferrais em Janeiro!

Variante no Cancioneiro de Trás-os-Montes e Alto-Douro (como não podia deixar de ser)
Então até já, debaixo do castanheiro que cá sabemos...
Castanheiro ou castanheira?

Carla de Elsinore disse...

olá Maria, segundo me escreve a Manuela , conseguiu saber o nome da flor cubana, é assim?

* belo excerto de V. Nemésio.

Maria Carvalho disse...

Olá. Os estames numerosos da sua flor cubana parecem indicar que a árvore é uma myrtaceae (família que contém os eucaliptos, os metrosíderos, a goiabeira, as eugenias, as accas,...) e do género syzygium (como o cravinho-da-Índia).

Carla de Elsinore disse...

obrigada , vou lá colocar essa informação