9.10.04

A última brincadeira do Verão


Fotos: manueladlramos 0410- Frutos de butiá no Parque de S. Roque/ Porto
Nestas últimas horas, o Vento espantou definitivamente o Verão, mas há apenas uma semana, este ainda andava de mãos dadas com o Outono a passear pela cidade! Encontrei-os - aos três: Vento, Verão e Outono -no Parque de S. Roque a brincar com uma palmeira. Entrei na brincadeira e, sorte a minha, fui presenteada com uns frutinhos doirados, minúsculas tangerinas (ca. 2 cm. de diâmetro) que caíam ao menor sopro, de maduras que estavam. O canteiro, em redor do espique, ficou cor da tentação!
O seu aroma delicioso (descrito aqui como «sweet-tart flavor ... reminiscent of both apricots and a pineapple-banana mixture») engana perfeitamente quem pensa que estes frutos são tão saborosos como o perfume que exalam ou tão doces como a sua cor é quente! São mesmo muito ácidos.

.Butiá..
0410- Parque de S. Roque/ Porto
Alguns dos nomes brasileiros desta espécie de palmeira -que presumo ser uma Butia capitata- "Butiá-de-vinagre, butiá-azedo, coqueiro-azedo" são aliás elucidativos sobre o gosto do fruto. Deve ser essa uma das razões por que são usados (na terra delas: Paraguai, Brasil, Uruguai e Norte de Argentina) para se fazer geleia, licor, cachaça e vinagre. Usam? Será esta a palmeira da geleia?
(Como gostava que os nossos amigos brasileiros e uruguaios que nos visitam, nos esclarecessem ;-)

9 comentários :

Anónimo disse...

Já passei para o Brasil o seu pedido de informação. Certamente vão chegar respostas.
Pedro Foyos

Anónimo disse...

Tenho que ir fazer uma visita, urgente, a esse parque. Lindas fotografias. Bjs

Anónimo disse...

Inexperiência dá nestas coisas. Não assinei a mensagem anterior. Ermelinda (http://www.osabordaspalavras.blogs.sapo.pt)

Anónimo disse...

Olá, Manuela:

Sou do sul do Brasil e por aqui há diversas palmeiras nativas pertencentes ao gênero Butia, como o B. archeri, o b. capitata, o B. eriosphata, o B. microspadix e o B. paraguayensis. Em Santa Catarina, estado onde resido, conheço apenas o Butia capitata e o Butia eriosphata. O primeiro é encontrado nas regiões litorâneas, mais quentes, principalmente em regiões de dunas (areia). As palmeiras são pequenas, assim como os frutos, que por vezes são amarelos, outras vezes avermelhados. O sabor deles é agridoce e têm bastante fibras. Aquela capa que protege a floração (parece-me que se chama espadice), externamente é lisa. Quanto ao Butia eriosphata, é nativo nas regiões serranas e frias, suportando facilmente geadas fortes. O porte é maior que o primeiro. A parte externa da proteção das flores é revestida de pequenos pelos, parecendo aveludado. Quanto aos frutos, há grande variação. Uns são muito doces, outros extremamente ácidos. Quanto à cor, na maioria das vezes são amarelos, mas, por vezes, são avermelhados ou mesmo esverdeados. Podem ser consumidos in natura, em sucos muito gostosos, em geléias e existe ainda o costume de colocá-los na cachaça. Há quem classifique o Butia eriosphata como B. capitata. Pelas suas fotos, o Butia que existe ali é mesmo o Butiá nativo das regiões frias do sul do Brasil, ou seja, o Butia eriosphata. Teria fotos de ambos, mas não sei como anexá-las.



, pelo que conheço

manueladlramos disse...

Oba,oba um/a amigo/a do Brasil! Muito obrigada por comentar e responder ao meu apelo. Vou reparar melhor no espádice para ver se tem pelos ou não. E quanto à forma da parte superior do espique que dá o nome à espécie capitata, a Butia eriosphata também tem? Quanto às fotos se quiser (agradeço a sua gentileza)pode enviá-las para o mail: diascomarvores@sapo.pt
(Que pena não escrever seu nome!)
Mais uma vez obrigada.
Manuela

Anónimo disse...

Estou certo de que ele não se importará de indicar o seu nome: Anestor Mezzomo, de Florianópolis - SC (nome apropriado...). Bom amigo brasileiro, sempre pronto a ajudar em assunto de árvore.
Manuela, você deve saber que tem no Brasil (também) uns caras que só pensam mesmo em árvore, né?
Prazerosamente,
Foyos

Robson Freire disse...

Olá.
Não tenho o conhecimento apurado demonstrado por nosso colega sobre o gênero Butia.
Estudei por dois anos em Florianópolis, S.C. (na UFSC) onde tive ótimas aulas de Botânica Sistemática com o Professor Ademir Reis.
Realmente, há várias espécies diferentes no gênero. A esse respeito, o Instituto Plantarum de Estudos da Flora (www.plantarum.com.br), sediado em Nova Odessa, S.P., possui informações e divulgação interessantes.
De modo empírico, sei dizer que, popularmente, são conhecidos dois tipos bem distintos: o Butiá-da-Serra (ocorrente nas terras altas do sul, tolerante a temperaturas muito baixas) e o Butiá-da-Praia (ocorrente nas restingas e areais litorâneos, de modo algum tolerantes a baixas temperaturas.
Em Florianópolis tive a grata satisfação de experimentar um delicioso sorvete (de massa) feito com o fruto do Butiá. Isso foi em 1989.

Anónimo disse...

Oi gente! Eu sou interessada nesta história do Butiá eriosphata. Faz parte importante da minha infância com inúmeras peripécias. E hoje, a bela matriz continua dando butiá. Agora tô pensando em multiplicar e fazer render comercialmente também. Alguém sabe como é que se extrai o óleo comestível do coquinho de butiá? Gostaria de extraí-lo em casa, mas não imagino como seja. Alguém tem noção? Deve ser uma delícia e talvez aromático também.

carla disse...

Oi pessoal, tô querendo saber como é que se extrai o óleo comestível do coquinho do butiá. Alguém sabe?