20.10.06

Era uma árvore


Jacarandá do Parque de S. Roque, abatido em 2006

Era uma árvore no passeio
e fosse tempo claro ou feio,
havia uma paz de agasalho
dependurada em cada galho.

E foi vivendo. Viver gasta
músculo e flama de ginasta,
quanto mais uma arvorezinha
meio garota-de-sombrinha.


Carlos Drummond de Andrade, Viola de Bolso

7 comentários :

JRP disse...

Como é que foi possível...

aldina disse...

Será que toda gente já entende a forma de vida duma árvore?

Até sempre

manuela disse...

Há quem entenda e, tal como nós, ache insuportavelmente tristes os dias sem árvores ...

Manuela disse...

Por um breve momento até pensei, ao ler porteños, que estes jacarandás também eram de cá do Porto e que os desconhecia... Mas claro que não, sao de Buenos Aires e florescem em Novembro ;-)

Valemanso disse...

Realmente não dá para entender... mas a verdade é que cada vez vemos mais sitios a serem catalogados nos "Dias Sem Árvores".
Mas falamos de coisa boas!!
Mais ou menos por esta altura apanhei algumas "Castanholas" de Jacarandá e guardei-as até Fevereiro deste ano. Por curiosidade acabei por semear algumas e qual não foi o meu espanto quando algum tempo mais tarde verifiquei que tinham nascido.. acabei por trasnplantar as pequenas mudas muito cedo e só me restam neste momento 4 com já um palmo de altura. Estou a fazer recolha de castanholas neste momento e espero tentar para o ano mais uma vez.
Caso alguém tenha conseguido germinar Jacarandá e me possa dar algumas dicas sobre terra, cuidados, etc.. agradeço.
Vamos continuar a lutar para que o sitio sem árvores possa um dia deixar de existir.

azuki disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Ver disse...

Era uma árvore... Especial... Era uma árvore tropical que teve que se adaptar a um clima muito pouco tropical, e árvores como estas não se vêm todos os dias, muitas outras teriam morrido logo nos primeiros Invernos, mas esta árvore foi corajosamente sobrevivendo e ao mesmo tempo alterando a sua natureza de árvore tropical, conseguindo finalmente tornar-se numa magnifica árvore não tropical mas do Porto, que generosamente mostrava ano após ano o seu exuberante florir, pena que quem a matou não tenha reparado que ela era especial.
rosa