1.3.11

Revoada de luas



Lunaria annua L. (fotografada em Gordon Square, Bloomsbury, Londres)

Planta bienal, e por isso também designada Lunaria biennis Moench., esta crucífera tem folhagem caduca e opta ocasionalmente por um ciclo de vida anual, o que a denominação aceite (annua) assinala. É uma herbácea ramificada e alta, com vasto uso ornamental, o que facilitou a sua naturalização em recantos húmidos e sombrios longe do seu habitat natural, o sudeste da Europa e a região mediterrânica. As folhas ovado-cordiformes são largas e acuminadas, com margens serradas, sésseis as do topo, de pecíolo longo as basais para mais bem compor o ramalhete.

Os racimos vistosos de flores inodoras surgem na Primavera; o cálice tem sépalas de 1 cm a rodear quatro pétalas com cerca de 2 cm de diâmetro, violáceas ou brancas, dispostas em cruz como é típico na família Cruciferae. Mas são os frutos, enormes silíquas achatadas, com perfil arredondado e septos centrais acetinados, da cor do nácar, que persistem nos ramos depois que as sementes reniformes se disseminam, a razão maior da fama desta planta. A Lineu, lembraram eles a lua cheia. Para outros, são moedas de prata, a que a ironia popular juntou do-Papa ou de-Judas. Os ingleses chamam-lhe honesty talvez porque as vagens são translúcidas, permitindo entrever as sementes.

O género Lunaria agrupa umas oito espécies. Uma só delas, a L. rediviva L., é espontânea na Península Ibérica, distinguindo-se da L. annua por ser perene, por dar, no Verão, flores perfumadas de um roxo pálido, por ter todas as suas folhas pecioladas, e por preferir a montanha. Há registo dela em quase toda a Europa; em Portugal, segundo a Flora Ibérica, podemos encontrá-la, sempre acima dos 900 metros de altitude, no centro e sul - mas não conhecemos testemunho dessa presença.

1 comentário :

Nuno .Grancho disse...

gostava de saber onde posso adquirir esta planta. Nos viveiros onde tenho perguntado, nenhum tem para venda. Obrigado