15.7.11

Douro, branco ou tinto

Doiro, rio e região, é certamente a realidade mais séria que temos. Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho; nenhuma outra nesga de terra nossa possui mortórios tão vastos, tão estéreis e tão malditos. (...) Patético, o estreito território de angústia, cingido à sua artéria de irrigação, atravessa o país de lado a lado. E é, no mapa da pequenez que nos coube, a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo. Miguel Torga, 1950


Anacamptis morio subsp. picta (Loisel.) P. Jacquet & Scappaticci (variedade alba)
Descoberta de Duarte Victorino Marques.

Estas são algumas das orquídeas que observámos em Maio durante uma expedição ao Douro organizada pela AOSP - Associação de Orquídeas Silvestres - Portugal. Atente o leitor às legendas para saber mais sobre cada planta.


Serapias perez-chiscanoi Acedo
Nova espécie para a flora do Douro.
População encontrada por Luísa Borges e Joaquim Pessoa.



Orchis ustulata L. [sinónimo: Neotinea ustulata (L.) R. M. Bateman, Pridgeon & M. W. Chase]
Nova espécie para a flora portuguesa.
Sete plantas localizadas em 2010 por José Monteiro.

7 comentários :

branco disse...

Que inveja !!! Cumprimentos aqui da Arrábida ! antonio.branco3@sapo.pt
www.flores.fotosblogue.com

Paulo Araújo disse...

Cumprimentos também daqui de cima. A Arrábida, em orquídeas, está muito mais bem servida que o Douro. Para nós, infelizmente, é um bocadinho fora de mão.

ZG disse...

Plantas boníssimas!!

ZG disse...

Que maravilha!!
Parabéns pelo excelente post!!

Carlos Aguiar disse...

Que surpresa, Orchis ustulata em Portugal! Excelente! Uma planta de prados de montanha no vale do Douro! O descobridor que não se esqueça de publicar uma nota florística, uma foto num blogue não chega.

Paulo Araújo disse...

Pois é, convinha que a descoberta fosse oficializada. Só uma nota: o local onde a Orchis ustulata foi descoberta, embora seja no Douro (concelho de São João da Pesqueira), fica a alguns quilómetros do rio, a uma altitude superior a 700 m, o que já parece estar de acordo com a ecologia da espécie. É um bom desafio para quem tenha tempo procurar a planta noutros cumes da região. Afinal, para chegar de Espanha até lá ela deverá ter cumprido algumas etapas intermédias.

Carlos Aguiar disse...

A 700m de altitude já está no andar do Q. pyrenaica. De qualquer modo trata-se de uma disjunção surpreendente. É que mais a norte, em Trás-os-Montes, existem prados com solos neutros onde a espécie nunca foi detectada. Há que procurar melhor.