6.12.11

Flor de cera



Cerinthe gymnandra Gasp.

1. Panículas de flores pendentes, de cinco pétalas coladas em tubo, protegidas por grandes brácteas e apoiadas em sépalas desiguais.

2. Folhas glaucas, sésseis e glabras mas de margens ciliadas a rodear o caule.

Tudo lembra a Cerinthe major, a erva-raposa, e já houve quem as visse como variedades de uma mesma espécie. A saber: C. major var. purpurascens Boiss. a de corola purpúrea com base amarela coberta de gotas de néctar; e C. major var. gymnandra (Gasp.) Rouy a de corola amarela ou branca, com o rebordo amarelo e uma banda violácea na base.

São ambas anuais com floração primaveril, de distribuição mediterrânica e ibérica, apreciadoras de solos ricos em azoto; ruderal a primeira, de prados e terrenos baldios, preferindo a segunda locais secos, dunas e rochedos litorais (segundo Amaral Franco). Mas há pelo menos uma razão para as separar mais na divisão taxonómica.

Se tivéssemos a crueldade de abrir uma flor, veríamos cinco estames escuros e curtos, presos a meio do cálice e sem estruturas a revestir-lhes as bases como noutras boragináceas; um estilete que ultrapassa a corola (é a ponta clara a espreitar em cada flor); e anteras pontiagudas, reunidas em apertada escolta à volta do estilete. A diferença morfológica mais notória, além da coloração das flores, está nestas estruturas masculinas: nas flores da C. gymnandra (que julgamos ter origem no grego gymnos, desnudo, e andros, homem), as anteras estão menos bem protegidas. A outra distinção faz-se pelo fruto, umas nozes pardas (na C. major) ou marmóreas (na C. gymnandra) que são maiores na C. major.

Por cá, estas duas espécies frequentam quase as mesmas seis províncias, sendo Trás-os-Montes, onde não há registo da C. major, aquela mais a norte onde a C. gymnandra (que é rara no nordeste da Península) ocorre. Em Espanha há notícia de mais duas plantas do género, a perene C. glabra Mill., com uma só população ibérica conhecida, e a naturalizada C. minor L. subsp. auriculata. Nada mau num planeta onde só se conhecem mais três.

5 comentários :

bettips disse...

Estas últimas sequências parecem-me inspiração para desenhos animados!
Felizmente existem e vocês as encontram.
Abçs

Carlos M. Silva disse...

Olá Maria. Como poderei agradecer-vos?
Vira este v/ post logo no dia seguinte e..à leigo..reconheci-a! Errado!
Hoje,vasculhando as minhas fotos algarvias-Cabo S.Vicente'10-vi,e será que vi bem? a foto,o nome que havia dado (C. major,só!)a estas estava errado,apesar de já ter fotografado na S.Aires-Candeeiros umas com a cor rosa-púrpura.No Douro,tenho umas parecidas mas pelo que vi agora dei-lhe o nome de Onosma echioides(tb rosadas)a partir de algum livro;outro erro!!?
Terei que voltar a ver aqui as v/ Boragináceaeas todas!!
Seja como for obrigado pela identificação da algarvia; mais uma com a v/precisosa ajuda.
Carlos M. Silva

Maria Carvalho disse...

As flores de Onosma echioides são muito parecidas com as das Cerinthe, compreende-se o engano. O sinal mais evidente de que é outra espécie é a penugem (na face inferior das folhas, nos cálices, nos caules), frequente nas boragináceas mas ausente no género Cerinthe. De qualquer modo, segundo a Flora Ibérica, o género Onosma não ocorre em Portugal.

Maria Carvalho disse...

bettips: É verdade, as fotos do Paulo chegam para animar o blogue.

Carlos: Gostaríamos de ver essas flores rosadas.
(Estão no Nature - The place where you live?)

Carlos M. Silva disse...

Olá Maria
Desculpa mas só hoje vi os teus comentários.
Não,não estão! Para já(?) só o que fotografei em casa é colocado;até perder a paciência!E vou ter muito que perder!!!
Decerto é alguma fuga de jardim,duma boraginácea; talvez algum Symphytum(?) pois estava na margem de uma pequena ribeira.É o que dá ler guias ingleses!
De qq modo envio-vos amanhã; bem..logo!!
Abraço.
Carlos Silva