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01/06/2007

2.º capítulo azul


Jasione montana

Encontrámos há dias este exemplar em flor de Jasione montana em Cambarinho. É pequena, de folhagem basal, coriácea e arrosetada. Identifica-se pelos caules nus de uns 30 cm de altura onde assentam capítulos densos de flores bilabiadas. Sabemos agora que aprecia especialmente zonas montanhosas de solo calcário do sul da Europa.

30/06/2006

Cambarinho (2.ª parte)



É altura de abandonarmos a contemplação em que há dias nos detivemos, e de ascendermos ao cume da reserva do Cambarinho. Os dois jovens carvalhos em primeiro plano na foto, formando um portal que se abre para o maciço de rododendros à direita, são primos afastados um do outro, pertencentes a espécies diferentes do género Quercus. O da esquerda, de folhagem mais escura, é um carvalho-roble; o da direita um carvalho-negral. Passando os dedos pela folhagem de um e de outro notamos as diferentes texturas: glabra a do primeiro, penugenta como veludo a do segundo. Também no recorte as folhas se distinguem, mais sulcadas as do carvalho-negral que as do roble.

O passadiço de madeira que na foto se entrevê à esquerda acompanha os rododendros nos primeiros cento e tantos metros da descida; mas logo se interrompe quando o declive se acentua e o terreno se torna mais acidentado. Ao fundo, desenrolada a serpentina até ao fim, somos obrigados a furar por uma caverna formada pelos arbustos, e a saltar o veio de água que ouvíamos cantar e por fim podemos tocar. Na semi-penumbra da caverna, duas ou três pedras formam uma pequena represa onde a água se tinge com o roxo das flores caídas.

27/06/2006

O último carvalho


Quercus pyrenaica

Foi no primeiro domingo de Junho, sob um calor de sauna que desmentia a Primavera do calendário, que visitámos a reserva do Cambarinho. O coração da reserva é uma serpentina de rododendros salpicada de roxo que, ocultando o fio de água rumorejante de que se alimenta, se desenrola entre rochas até ao fundo de um vale; mas antes de lá chegarmos subimos um largo caminho pedregoso entre densos eucaliptais. O que se vê nesse quilómetro inicial do percurso é uma paisagem degradada, em que a vegetação rasteira se compõe exclusivamente de fetos que em breve se irão transmudar em combustível perigosamente inflamável. Quando se há-de fazer jus ao estatuto de reserva botânica desta mata, eliminando-se os eucaliptos que vão erodindo o solo e promovendo-se uma reflorestação séria? Mas, a uma dezena de metros do lado direito do nosso caminho, espreitava-nos uma relíquia daquilo que este lugar terá sido noutras eras: um possante carvalho-negral (Quercus pyrenaica) estendendo os seus longos braços retorcidos como quem tenta sacudir o assédio dos eucaliptos. É o último do seu clã num raio de muitas dezenas de metros: nas bordas do caminho plantaram-se alguns carvalhos-robles (Quercus robur) que medram com dificuldade na terra empobrecida, mas só reencontramos carvalhos-negrais mais acima, já perto dos rododendros. Terminado o espectáculo dos rododendros em flor, esta árvore justifica por si só uma visita ao Cambarinho; por isso a deixamos hoje sozinha em palco.

31/05/2006

Mata de rododendros no Caramulo



Em notícia de segunda-feira n'O Primeiro de Janeiro, com o título Loendros estimulam turismo, lemos sobre os milhares de visitantes que em Maio-Junho se maravilham com a maior mancha europeia de Rhododendron ponticum subsp. baeticum, coroada nesta altura por cachos de flores roxas.

Loendro é o nome popular que na região se adoptou para este arbusto, reservando-se talvez outras designações (como loureiro-rosa, espirradeira ou cevadilha) para a espécie Nerium oleander - que, apesar da semelhança superficial, nada tem a ver com o género Rhododendron - para atenuar a inevitável confusão.

A Reserva Botânica de Cambarinho, com cerca de 24 hectares na serra do Caramulo, Vouzela, perto do rio Alfusqueiro, foi criada em 1971 e está sob a tutela do Instituto da Conservação da Natureza, protegendo-se deste modo este rododendro de crescimento espontâneo apenas na Península Ibérica.


Fotos: Rhododendron ponticum no Jardim Botânico do Porto e no Jardim de São Lázaro