Cabrinhas no Prado
Sobre os rios pendentes, e fendidos
Pela força do gelo. Eis reunidos
Gratos Aspídios e Asplénios ledos.
Publicada por
Paulo Araújo
em
9.4.12
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Etiquetas: Cemitério , Davalliaceae , Fetos & afins , Jornal de Horticultura Prática , Meliaceae , Porto


Fotos: pva 0507 - Sophora japonica na rua Feliciano de Castilho, Porto
A árvore que aparece nestas fotos, de seu nome Sophora japonica, é, à semelhança de várias outras que antes apresentámos, uma leguminosa da subfamília Papilionoideae. Originária do extremo oriente, é amplamente usada em jardins e na arborização de ruas. Agora que está em flor, podemos admirar, enquanto não lhes passam uma vassoura, algumas ruas da cidade discretamente atapetadas de amarelo.
As ruas do Porto arborizadas com sóforas têm índole muito variada. Na zona oriental da cidade, que cresceu ao longo do século XIX, as antigas fachadas, escurecidas pelo tempo, sucedem-se coladas umas às outras com a interrupção ocasional de algum solar de brasileiro-de-torna-viagem. Aí, nas ruas Barão de S. Cosme e Duque da Terceira, as sóforas alternam com os castanheiros-da-Índia. Na parte ocidental, o bairro do Campo Alegre só foi construído um século mais tarde: cada casa exibe o seu jardim e todos os passeios têm árvores (olaias, freixos, cerejeiras, lodãos, castanheiros-da-Índia...) . Na rua Feliciano de Castilho encontramos sóforas e também conteiras (Melia azederach), árvores de características botânicas bem distintas mas de porte geral semelhante.
Boa ideia esta de se plantarem espécies arbóreas diversas na mesma rua: em cada época de floração há um novo motivo para lá voltar.
Publicada por
Paulo Araújo
em
7.8.05
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É só para avisar (os aficionados ;-) que, como podaram as conteiras (Melia azedarach) de Antunes Guimarães, há muitos galhos no chão e podem colher-se os frutinhos à mão cheia! Para quem não sabe, os caroços das drupas da conteira, também chamada amargoseira, mélia e árvore-dos-rosários (ver aqui uma foto), serviam justamente para se fazer "rosários", devido à facilidade com que se podem enfiar.
Eu depois conto mais. Agora vou para a colheita!
P.S.: 1-Os frutos são tóxicos, por isso a apanha e a preparação (até o caroço ficar limpo) não é uma actividade para crianças que não consigam controlar a vontade de os meter à boca. De qualqer modo são intragáveis, daí o nome de amargoseira!
2- Aliás pode fazer-se com eles un insecticida de largo espectro para plantas.
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Publicada por
ManuelaDLRamos
em
19.3.05
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Etiquetas: Meliaceae

Foto: pva 0411 - Praça da República - Melia azedarach
Prédios herméticos como fortalezas, portões que se abrem por telecomando, carros com janelas cautelosamente fechadas, ginásios onde se cuida do físico pedalando sem sair do lugar, descompressão semanal nos shoppings entre neons e muzak: aqui está, a traço grosso, o modo de vida estatisticamente provável do nosso cidadão médio urbanizado. É claro que a estatística é redutora e caricatural, e o homem médio não existe propriamente: para o construir teríamos, como o Dr. Frankenstein, que coser retalhos desirmanados de muitos indivíduos; mas o que assusta é a abundância de material humano de que disporia entre nós o malévolo cientista para dar vida ao perfeito espécime do cidadão enclausurado.
Se um tal cidadão médio não existe, existe pelo menos uma percepção média, cumulativa, que emerge desse modo de vida e acaba por valer como senso comum. Por exemplo, a transformação recente, quase sempre para pior, de alguns jardins públicos no Porto foi justificada, em artigos de jornais e declarações de arquitectos, pelo estado de degradação de tais espaços: é que, tirando reformados e marginais, quase ninguém os frequentava. Certamente não passaria pela cabeça a quem subscrevia tais opiniões aventurar-se nesses antros sem que uma prévia requalificação os desinfectasse. Vieram e passaram as requalificações, esmoreceu a novidade, e o nosso cidadão enclausurado continua a não pôr os pés nos jardins da cidade. Se calhar o problema não estava na suposta degradação dos jardins: ao tratar-se a doença, confundiu-se o sintoma com a causa; e talvez a doença não tenha cura.
A foto em cima foi tirada no jardim da Praça da República e mostra uma Melia azedarach, pequena árvore asiática conhecida em Portugal como amargoseira ou conteira e no Brasil como cinamomo, e que, depois de perder as folhas, ainda fica coberta com pequenas bagas amarelas. Neste jardim há ainda numerosos Prunus cerasifera, algumas palmeiras-das-Canárias adultas e, ao longo do passeio circundante, um alinhamento de tílias muito desfalcado por sucessivas quedas e abates.
Não é um jardim frondoso nem aconchegante: faltam-lhe meandros, sombras, árvores de grande porte - porém, numa cidade onde eles são escassos, sempre é um jardim, e portanto infinitamente preferível às eiras de granito agora em voga. Mas é um jardim desqualificado pelo senso comum e pelo preconceito, que espreitam ao longe, medrosamente, por detrás da vidraça; é um jardim abandonado por quem parece recear que o céu lhe caia sobre a cabeça.
P.S. Veja aqui uma curiosa estátua da Praça da República.
Publicada por
Paulo Araújo
em
1.12.04
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Etiquetas: Meliaceae