17.1.05

Fantasia -Torga


foto: manueladlramos 0501
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Canto ou não canto o limoeiro
aqui ao lado?
Ele é tão delicado!
Tem um jeito tão puro
de se encostar ao muro
onde vive encostado...
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Canto ou não canto as tetas de donzela
que daqui da janela
vejo no limoeiro?
Elas são tão maduras...
E tão duras...
Têm uma cor e um cheiro...
Canto! Nem serei o primeiro,
nem eu sou nenhum santo!
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Miguel Torga (1945)
Antologia Poética, Coimbra, Ed. do Autor, 1981
«Há precisamente 10 anos (...)» ; ver tb. "Dossier- Miguel Torga".
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Outro poeta, outro perfume, outros Limões
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3 comentários :

asa disse...

Santos ha' muitos mas grandes poetas ha' poucos. Grandes nao no ego, ao contrario. Grandes sim, mas no que verdadeiramwente interessa, grandes na expontaneidade/naturalidade/autenticidade e no amor pela humanidade.

Obrigada pelo poema!

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C. disse...

:)

cristina

Anónimo disse...

Mas que poema tão adequado para a ocasião. abraço, OLima (ondas.blogs.sapo.pt)