5.5.10

Olhos castanhos


Tuberaria guttata (L.) Fourr. [sinónimo: Xolantha guttata (L.) Rafin.]

Não são só as pupilas castanhas, abertas de espanto, que a singularizam. Também o seu breve ciclo de vida, completado em poucos meses, a destaca no seio de uma família (Cistaceae, que inclui as estevas e os sargaços) quase toda ela formada por arbustos perenes. Mas destaca é força de expressão, pois quem passa desatento pelos muitos lugares onde ela vegeta pode nem reparar na sua existência - efeito conjugado da pequenez da planta e da pose empertigada de quem nunca fixa o olhar nas coisas rasteiras.

Aqui vão, porém, os dados identitários da tuberária-mosqueada. Começa por formar, em Março ou Abril, uma roseta basal que só os entendidos saberão identificar. Depois, e até Julho, coroando uma haste peluda e esguia que se fica pelos 20 ou 30 cm de altura, surgem as numerosas e pequeninas flores amarelas. As manchas castanhas na base das pétalas não exibem sempre a mesma configuração: podem formar anéis como na planta das fotos, ou reduzir-se a pintas de forma e tamanho variáveis. Uma vez produzidos os frutos e disseminadas as sementes, a planta desaparece; uma nova geração retomará o ciclo no ano seguinte.

Além de presente em Portugal, a T. guttata surge na generalidade dos países da bacia mediterrânica e ainda na Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha e Irlanda.

1 comentário :

Maria Angélica Alves disse...

Existência mínima, breve e singular, pois que se multiplica já nos raminhos do anel,em desdobradas tuberariazinhas (se calhar, de pupilas castanhas igualmente espantadas), antes de disseminar as sementes e imediatamente desaparecer, a perpetuar assim o rasteiro e precioso ciclo.