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29/09/2015

Feto limonado



Oreopteris limbosperma (All.) Holub [sinónimos: Lastrea limbosperma; Thelypteris limbosperma]


Os fetos não dão flores e de um modo geral não querem comércio com insectos, e por isso seria despropositado que se fizessem anunciar pelo cheiro. Acontece que o Oreopteris limbosperma — um feto de médio porte com folhas de 50 a 70 cm de comprimento — cheira mesmo a limão, o que é um modo de o distinguirmos de espécies aparentadas como o Thelypteris palustris e a Christella dentata. Não se trata, contudo, de um daqueles perfumes intensos que nos agarram pelo nariz, até porque ele só se manifesta quando esfregamos as folhas com os dedos. Na verdade, o teste olfactivo só serve como tira-teimas e não dá qualquer ajuda na detecção da planta.

Em território português, o feto-limonado só ocorre na Madeira, no Pico e nas Flores, e ter-se-á extinguido no Faial. Nas mesmas ilhas aparece também a Christella dentata: como os dois fetos têm porte e aparência semelhantes, e ambos frequentam recantos sombrios e com forte humidade, põe-se o problema de os destrinçar sem a ajuda do olfacto. De facto, tal problema só se coloca nos meses de Verão, pois o Oreopteris limbosperma tem folhagem caduca, que seca e desaparece no Outono, e só começa a desenvolver folhas novas com a Primavera adiantada. Os caracteres diferenciadores entre as duas espécies são visíveis à vista desarmada, mas a lupa é sempre boa ajuda. A Christella dentata tem a ráquis penugenta, enquanto que a do Oreopteris limbosperma é glabra; neste os soros dispõem-se junto à margem das pínulas (daí o epíteto limbosperma), mas naquela apresentam-se bem afastados; finalmente — coisa que se observa melhor a contraluz — na C. dentata a venação das pinas forma uma rede contínua, mas no O. limbosperma ela é quebrada entre cada pínula e a seguinte (ver foto 5). Outro feto da mesma família também presente nos dois arquipélagos e com preferências ecológicas semelhantes é o Stegnogramma pozoi (feto-de-Pozo), mas aí as diferenças são tão vincadas que só os desatentos poderão fazer confusão. Sublinhe-se, em qualquer caso, que as frondes do feto-de-Pozo são pendentes (as dos outros dois são mais ou menos erectas) e que os seus soros são lineares, desprovidos de indúsio (em contraste, tanto a Christella como o Oreopteris têm soros arredondados).

Deve admitir-se que, por culpa da raridade do Oreopteris limbosperma e destes seus parentes próximos, o receituário anterior terá fraco uso mesmo para os afortunados que vivam nas ilhas ou as visitem com assiduidade. O Stegnogramma pozoi, apesar de ter presença assinalada em quase todas as ilhas açorianas, pouquíssimas vezes é observado; e o Oreopteris limbosperma, ao que consta ainda frequente nas zonas altas da ilha das Flores, sofreu, nas últimas décadas, um recuo acentuado no Pico (onde, em Agosto, o vimos num único local) com as desmatações para expansão das pastagens.

É sabido como as ilhas atlânticas serviram de porto de abrigo para a vegetação que a época glaciar fez desaparecer de grande parte do continente europeu. Na Península Ibérica, os locais onde essas plantas puderam sobreviver funcionam hoje como sucursais da vegetação macaronésia. Viajar pela Cantábria pode ser um pouco como viajar nos Açores, pois se soubermos onde procurar reencontramos velhos conhecidos como o feto-do-botão (Woodwardia radicans) e o feto-do-cabelinho (Culcita macrocarpa). Também o Oreopteris limbosperma e o Stegnogramma pozoi têm um pé nas ilhas e outro na Península, mas as proporções invertem-se: ao contrário dos dois anteriores, são muito mais frequentes no extremo norte de Espanha (e, mais geralmente, no norte da Europa) do que nos Açores. Talvez o porto de abrigo no Atlântico tenha sido para eles uma contingência temporária — não mais do que umas poucas centenas de milhares de anos — e agora que o bicho homem apareceu em cena está na hora de voltar para casa.


Pico: lagoa da Rosada

22/10/2013

O feto e as marés


rio Minho em Melgaço
Entre 2002 e 2005, discutiu-se, com alguma intensidade, a construção de uma barragem para abastecimento de água a Melgaço, Monção e Valença, três concelhos banhados pelo rio Minho. Como é do conhecimento geral, há já muitas décadas que existe no Minho uma rede de fornecimento público de água; e não consta, mesmo em anos de seca, que alguma vez tenha havido falta de água naquela que é a mais pluviosa das nossas províncias. O busílis da questão está no adjectivo «integrado», um daqueles chavões modernos que dispensam, por si só, quaisquer explicações adicionais. Sim, havia (e há) abastecimento de água nesses concelhos do Alto Minho, mas através da combinação de muitos sistemas parcelares que apresentariam «problemas de funcionamento». Nada melhor, portanto, do que substituí-los a todos de uma só vez por um «sistema integrado», supõe-se que imune a tais problemas. Mas, ao contrário do que sucedeu em Bragança quando se decidiu construir uma barragem em pleno Parque Natural de Montesinho, não houve no Minho uma divisão entre autarcas obreiristas, clamando que o interesse das populações exigia que a obra se fizesse, e organizações como a Quercus, denunciando o atentado contra a natureza e instaurando acções em tribunal. Em Melgaço, Monção e Valença, presidentes de câmara e de juntas de freguesia fizeram coro com ambientalistas na rejeição da barragem. Rejeição não talvez da barragem em abstracto, mas de cada uma das localizações concretas que iam sendo propostas. E essa atitude, pelo seu quase ineditismo em Portugal, é por si só prova eloquente de que a barragem só fazia falta a quem se propunha ganhar dinheiro a construí-la.

A história foi (provisoriamente) encerrada em Fevereiro de 2005, quando Moreira da Silva, Secretário de Estado do Ambiente no Governo de Santana Lopes, deu ordens para cancelar a construção da barragem, então prevista para Lamas de Mouro, na periferia do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Duas localizações alternativas, ambas no concelho de Monção, tinham sido estudadas: em Merufe, também no rio Mouro; e em Troporiz, no rio Minho. Numa fase inicial do processo, a escolha recaía sobre Merufe, mas os protestos foram muitos e, depois de um «Estudo de Impacte Ambiental» (EIA) encomendado pela empresa Águas do Minho e Lima (ver PDF), foi decidido mudar a barragem para Lamas de Mouro, com o resultado de os protestos se tornarem ainda mais ruidosos. Se a ideia algum dia ressuscitar será então a vez de eleger o rio Minho como aquele que deve ser sacrificado. Nessa altura revoltar-se-ão, muito justamente, os pescadores de lampreia, receando o fim do seu modo de vida. Do ponto de vista florístico, diz o EIA que a barragem de Troporiz não ocasionaria prejuízos assinaláveis, pois no local de construção as margens são revestidas por um bosque quase exclusivamente constituído por acácias e eucaliptos. Mesmo que a premissa seja verdadeira (é um facto que o coberto arbóreo ao longo do rio Minho está muito estragado), a conclusão de que não são afectados valores florísticos importantes é falaciosa. Todo o curso baixo do Minho está sujeito a um regime de marés que deixaria de existir se se erguesse um muro a cortar-lhe o caudal. Mesmo em Melgaço, a 60 Km da foz, há piscinas naturais entre as rochas que se enchem e esvaziam diariamente, em geral com grande rapidez. E há espécies vegetais raríssimas que dependem desse vaivém da água para a sua sobrevivência.


Thelypteris palustris Schott


Entre elas avulta o Thelypteris palustris, a que poderíamos chamar feto-dos-brejos. Franco & Rocha Afonso, no livro Distribuição das Pteridófitas e Gimnospérmicas em Portugal, descrevem-no como um «feto próprio de sítios pantanosos e, como tal, tendendo actualmente a desaparecer do nosso país devido à drenagem dos pauis». A profecia (de 1982) revelou-se certeira, pelo menos no que toca à metade norte do território. Esta população em Melgaço, dividida em dois pequenos núcleos no bordo de duas piscinas de marés, é certamente das últimas que resistem a norte do Tejo. Se acrescentarmos que, mesmo ao lado, há um magnífica população da aquática Nymphoides peltata, que em Portugal está à beira da extinção e só existe no rio Minho, convencemo-nos de que há razões de sobra para fazer deste habitat uma micro-reserva e promover acções efectivas de conservação. O que talvez obstasse à produção de relatórios com a ligeireza do EIA promovido pelas Águas do Minho e Lima.

O feto-dos-brejos, que está disseminado por quatro continentes e existe em boa parte do hemisfério norte, gosta de estender o seu rizoma por solos encharcados ou muito húmidos, emitindo, a espaços regulares, frondes com 20 cm a 1 metro de comprimento. Distingue-se do feto-fêmea (Athyrium filix-femina), que tem porte e preferências ecológicas semelhantes, por não apresentar folhas dispostas em tufos e por as suas pínulas (segmentos de última ordem das folhas) terem as margens inteiras em vez de profundamente recortadas (compare as fotos de cima com esta). Além disso, o feto-dos-brejos tem dois tipos de frondes, embora pouco diferentes entre si: só as frondes férteis (que costumam ser em menor número) têm as margens das pínulas recurvadas para o verso (confira na foto 6).

Assinale-se que o feto-dos-brejos é caducifólio, característica que partilha com o feto-fêmea: as suas folhas secam e desaparecem no Inverno. Outro traço comum aos dois (ou deveríamos dizer às duas?) é a feminilidade, não no sentido funcional do termo, mas no sentido metafórico de ambos parecerem frágeis se comparados com fetos robustos como o Dryopteris filix-mas (obviamente conhecido como feto-macho). Aliás, a palavra grega Thelypteris é composta por dois vocábulos, pteris e thelys, que significam exactamente feto e fêmea.


Nymphoides peltata (S. G. Gmel.) Kuntze

15/07/2013

O feto do señor Pozo


Stegnogramma pozoi (Lag.) K. Iwats.



A planura sem acidentes da metade ocidental, um quase deserto de pastagens secas, é interrompida abruptamente, na outra metade, pelo relevo brusco por onde uma floresta subtropical se desenrola até perto do mar. Dois climas para uma só pequena ilha, a de Santa Maria, a menos convencional e mais misteriosa de todo o arquipélago. Não há lagoas de encher o olho, mas a névoa do Pico Alto e as falésias da Maia e de São Lourenço nada perdem em comparação com os cenários das restantes ilhas açorianas. E o amador de botânica não pode ignorar que à originalidade duplex do relevo e do clima corresponde igual singularidade florística, e que tem aqui ao fácil alcance da objectiva várias plantas que no resto do arquipélago são raras ou inexistentes.

Não é de nenhuma delas que tratamos neste fascículo. Muito pelo contrário: o feto-de-Pozo (descoberto no início do séc. XIX, na costa cantábrica, por um José del Pozo, médico e botânico espanhol) ocorre noutras cinco ilhas açorianas (São Miguel, Terceira, Pico, Faial e Flores), e é provável que a população de Santa Maria seja das mais escassas. Não que tenha sido difícil encontrá-lo no Pico Alto, sob um bosque de criptomérias, a uns 500 m de altitude, num local por onde passa um dos cinco percursos pedestres recomendados na ilha. Nas imediações ocorrem ainda duas espécies de feto-filme (Hymenophyllum tunbrigense e Trichomanes speciosum) e o feto-do-cabelinho (Culcita macrocarpa). Uma tal concentração de raridades entusiasma e confunde no mesmo grau, pois até há poucos anos julgava-se (e escrevia-se) que nenhuma dessas quatro espécies existia em Santa Maria. Quem quiser confirmar a asserção que consulte o vol. 1 (de 1971) da Nova Flora de Portugal, de Franco, e o Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores, livro póstumo (de 1966) de Ruy Telles Palhinha, revisto e preparado por A. R. Pinto da Silva.

Entretidos por áfricas e orientes de um império em vias de se desmoronar, os botânicos portugueses esqueceram-se, até aos anos 80 do século passado, de que tinham nos Açores nove ilhas por descobrir. Antes dessa data, e tirando o contributo de Palhinha, tudo quanto se sabia da flora açoriana era trabalho de botânicos estrangeiros: Hochstetter pai e filho, M. A. Seubert e H. C. Watson, todos em meados do séc. XIX; W. Trelease, no final do mesmo século; G. C. Druce e T. G. Tutin, na primeira metade do século XX. Em nenhuma das ilhas as explorações botânicas foram exaustivas, e ilhas mais periféricas como Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Flores e Corvo ficaram muitas vezes fora do roteiro. Sem um trabalho de campo abrangente e metódico, ficou um retrato muito lacunar da flora açoriana que persistiu quase até aos dias de hoje, e que ainda não está totalmente ultrapassado. Quando se fizer um levantamento florístico completo da Graciosa e de São Jorge há-de por certo constatar-se, como constatou Hanno Schäfer em 2003 em três outras ilhas (Flores, Faial e Santa Maria), que algumas plantas da flora açoriana aí supostamente ausentes sempre existiram em tais ilhas, só que ninguém tinha ido verificar.

O Stegnogramma pozoi tem uma distribuição semi-cosmoplita: Açores, Madeira, norte de Espanha, sudoeste de França, África tropical e austral, Índia, China, Coreia e Japão. É um feto rizomatoso com folhas muitas vezes pendentes, de 20 a 60 cm de comprimento, triangulares e estreitas, cobertas em ambas as faces por pêlos esbranquiçados.


Santa Maria, Açores

25/01/2013

Reviver em Cádiz


Christella dentata (Forssk.) Brownsey & Jermy [= Cyclosorus dentatus (Forssk.) Ching]



Qual a importância de preservar populações naturais de plantas amplamente cultivadas ou que subsistem livres de ameaças noutras paragens? A primeira resposta é de ordem quase emocional. Gostamos de acreditar que aqui e ali, mesmo no mais civilizado dos continentes, existem retalhos de natureza mais ou menos intocados, em que plantas e animais se mantiveram por milénios, indiferentes ao cerco que lhes foi montado pela espécie humana. A erradicação local de espécies é um rombo nessa visão ingénua, dir-se-ia desesperadamente idílica, da imutabilidade da natureza. Alguma da mais valorizada biodiversidade europeia está ligada a práticas humanas ancestrais de agricultura, pastoreio e silvicultura. Um lameiro, que é um habitat artificial, pode ser mais rico em espécies vegetais do que um bosque de velhos carvalhos. Não será então para preservar a "natureza no seu estado puro", como dizem os maus textos de promoção turística, que insistimos na sobrevivência das populações silvestres ameaçadas. Mais correcto será falar da preservação da diversidade genética. As plantas cultivadas representam, em geral, apenas uma fracção ínfima do património genético de cada espécie. Há casos em que todas essas plantas são clones umas das outras, tornando-se altamente susceptíveis a pragas e doenças; para descobrir novas variedades mais resistentes, é imprescindível recorrer às populações espontâneas. Outro aspecto da diversidade genética é o de, por exemplo, um carvalho-roble (Quercus robur) em Portugal não ser idêntico às árvores da mesma espécie que crescem noutros países da Europa, ou até noutros pontos do país. Para evitar a poluição genética, as campanhas de reflorestação de espaços naturais devem sempre usar árvores obtidas a partir das que já existem no local.

A Christella dentata, que hoje ocupa o escaparate, foi fotografada no Jardim Botânico do Porto, onde vegeta, plena de vigor, em lugar umbroso continuamente atroado pelo trânsito da VCI. Também há notícia do seu cultivo na Estufa Fria, em Lisboa. É um bonito feto que só tangencialmente faz parte da flora europeia: existe ou existia apenas em Creta, na Galiza e na Andaluzia. Na Galiza já se extinguiu; e na Andaluzia (ou mais precisamente no Parque Natural dos Sobreirais [= Alcornales], em Cádiz) quase tinha o mesmo destino, mas houve gente perspicaz e dedicada que o fez regressar à vida (história completa aqui). No resto do planeta a sua sorte é bem diferente, pois encontra-se espalhado por regiões tropicais ou sub-tropicais de mais quatro continentes: África (incluindo Madagáscar), Ásia (Índia, China e Japão), Oceânia (Austrália e Nova Zelândia) e América (onde está naturalizado na faixa que vai do sudoeste dos EUA ao norte da Argentina). Em vários pontos do globo a desmatação das florestas indígenas criou condições para que a Christella dentata seja hoje mais abundante que nunca. Na Madeira e nos Açores, onde também ocorre, há dúvidas sobre se a sua presença é espontânea ou se se deve ao cultivo em jardins. Rui Teles Palhinha, em artigo de 1943 sobre os Pteridófitos do arquipélago dos Açores, assinala que a presença deste feto (a que o autor chama Dryopteris dentata) em quase todas as ilhas do arquipélago (a excepção é o Corvo) o leva a admitir que ele não seja introduzido. Desde então não parece ter sido feito nenhum estudo que esclarecesse o assunto. Hanno Schäfer, no seu Flora of the Azores — A Field Guide (2.ª edição, 2005), opina que nos Açores o feto é exótico; mas, na Checklist da Flora de Portugal, ele é considerado nativo tanto da Madeira como dos Açores.

Como se adivinha pelo facto de os dois já terem integrado o mesmo género, a Christella dentata, que tem frondes que podem chegar a um metro de comprimento, apresenta algumas semelhanças com o feto-macho (Dryopteris filix-mas ou D. affinis). A diferença mais evidente é que, ao contrário do que sucede nesse feto (conferir aqui), na C. dentata duas pínulas contíguas estão separadas apenas até cerca de metade da profundidade; além disso, a venação tem um desenho peculiar, ligando-se sem quebras de uma pínula à seguinte (ver foto 6). E a C. dentata tem um aspecto felpudo que o feto-macho não compartilha.

Em jeito de conclusão, diga-se que o resgate in extremis da Christella dentata andaluza foi um feito conservacionista da maior importância, uma daquelas coisas que nos alimentam a esperança. Em contrapartida, o cultivo da espécie em jardins botânicos ou em jardins particulares não tem qualquer significado ou impacto na conservação de uma espécie que, globalmente, atravessa um período próspero. Se não tivesse sido possível recuperar a população de Cádiz, ninguém se lembraria de lá introduzir plantas cultivadas de outra origem. De modo semelhante, ter um azevinho ou um teixo no jardim não resolve nem alivia o problema (grave no caso do teixo) da conservação dessas espécies na natureza. Apenas satisfaz o nosso legítimo desejo de nos rodearmos de coisas belas.