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17/04/2022

Fim da estação

Cansado de perder suas folhas, o camaleão saiu de cima do outono.
Marina Colasanti, Hora de alimentar serpentes (Global Editora, 2013)

26/12/2021

Por vir


«Por vezes o futuro parece estar mesmo ao alcance da mão, mas eis que um vento inesperado o sopra para diante. Reúnem-se então as forças que descobrimos ainda ter, com o fito de reiniciar a perseguição.»
João Paulo Borges Coelho, Museu da revolução (Editorial Caminho, 2021)

20/09/2020

Ervas do Fresno



Miranda do Douro tem um rio. Não, não é aquele rio das arribas vertiginosas que vem de longe e vai para longe, e que, por ser o rio de muitas terras, afinal não é de nenhuma. Falamos do Fresno, um rio maneirinho que faz todo o seu percurso de 15 km no concelho de Miranda, e que só não se chama ribeira porque rio é título honorífico e num planalto de pouca chuva todos os cursos de água merecem ser festejados. As gentes de Miranda gostam tanto do Fresno que à sua passagem pela cidade o enfeitaram com um repuxo e fizeram das suas margens um parque urbano. Refreando a vontade suicidária das (escassas) águas de se lançarem, de um desnível de 150 metros, no leito amansado do Douro, construíram-lhe represas e engordaram-no com espelhos de água. Assim disfarçarm também a secura que aflige o rio todos os verões, quando a vida se suspende à espera das chuvas de Outono.

Porque preferimos um rio menos ataviado de enfeites, não passeámos no Parque Urbano do Fresno. Em vez disso, fomos para montante, com paragens em Palancar e em Ifanes, para espreitar as ervas que boiavam na água ou se escondiam nas margens entre salgueiros e freixos. As chuvas da Primavera, que tinham sido regulares, ainda permitiam no final de Junho que o caudal se apresentasse nutrido. Seria por pouco tempo, garantiu-nos alguém que colhia couves num quintal à beira-rio. Mais duas semanas e as ervas do Fresno que se mostravam tão frescas estariam todas secas: juncos e ciperáceas, gramíneas, ervas-salgueiras, tábuas, ranúnculos, alismatáceas, miosótis e muitas plantas mais, todas na urgência de florir e frutificar antes de serem vencidas pela estiagem.


Alopecurus aequalis Sobol.


Uma das gramíneas que crescia nas águas do Fresno destacava-se, apesar da modesta altura (não mais que 20 cm), pelas espigas compactas salpicadas com o cor-de-laranja das anteras. Por não precisarem de atrair polinizadores, é raro as gramíneas ostentarem cores vistosas. Tanto assim é que o detalhe colorido nos revelou, sem sombra de dúvida, a identidade dessa gramínea do Fresno. Trata-se da Alopecurus aequalis, planta cuja ampla distribuição abrange os três continentes do hemisfério norte, mas que é escassa em Portugal, onde aparece sobretudo no quadrante nordeste.


Azolla filiculoides Lam.
Formando grandes manchas cor-de-vinho à superfície das águas, aparecia também um feto aquático originário da América tropical, Azolla filiculoides, que aqui confirmava de modo exuberante a capacidade invasora que lhe foi reconhecida pelo Decreto-Lei n.º 565/99. Esta planta só não é um problema mais sério em Portugal porque não tolera o frio e desaparece (ou remete-se à dormência vegetativa) durante o Inverno. Do ponto de vista económico, a planta tem certas virtudes que não parece terem sido aproveitadas em Portugal, e que a levaram a ser introduzida em muitas partes do mundo. A sua capacidade de fixar azoto reforça a produtividade de arrozais e de outras culturas aquáticas, e a planta pode ainda ser usada como fertilizante se recolhida das águas.

12/12/2019

Um rio de verdade



O Verão é uma época difícil para quem gosta de rios, sobretudo quando a estiagem os reduz a uma sucessão de piscinas estagnadas. Perspectiva diferente terão aqueles que os procuram como local de diversão e de banhos mais ou menos refrescantes: dão o dia por bem passado se não lhes faltar sombra de árvores e ainda tiverem água para chapinhar. Apesar de não termos o hábito de mergulhar, preferimos rios vivos e com fartura de água; quando o caudal emagrece vamos à nossa vida e aguardamos tempos melhores.

Travámos conhecimento com o rio Mente num mês de Julho de há quatro anos, caminhando ao longo do troço que separa os concelhos de Chaves e de Vinhais. Cruzámo-lo a pé sem que a água nos subisse acima dos tornozelos, aproveitando, numa atitude de desrespeito, a fraqueza hídrica de que o rio então padecia. Do lado de Chaves a vegetação tinha sido desbastada para produzir uma praia fluvial ao gosto popular. Um avô com quem metemos conversa lamentou que do lado de Vinhais, com mato e ervas crescendo ao Deus dará, não se notasse igual brio.

Voltámos meia dúzia de vezes para conhecer o rio em épocas de maior pujança, preferindo sempre o abandono de Vinhais ao zelo flaviense. Há carreiros nas margens que são túneis entre as árvores, com acesso aqui e ali a pontos onde os ocasionais pescadores armam as suas canas de pesca. Não conhecemos em todo o país vegetação ribeirinha mais bem conservada. Ao cortejo das árvores habituais (amieiros, freixos, salgueiros, sanguinhos, cerejeiras, pilriteiros) juntam-se trepadeiras (Humulus lupulus, Clematis vitalba), fetos pequenos e grandes, e uma profusão de herbáceas raras (Agrimonia procera, Circaea lutetiana, Filipendula ulmaria, Glechoma hederacea, Potentilla sterilis, Thalictrum speciosissimum, etc.) em que a raridade maior é uma umbelífera de porte avantajado, amante da frescura e da sombra.



Pimpinella major (L.) Huds.


Distribuída por quase toda a Europa, só em 2006 a Pimpinella major fez a sua entrada oficial na flora portuguesa, com a publicação, na revista Silva Lusitana, de uma nota por Carlos Aguiar e João Domingues de Almeida dando conta da descoberta da planta no Parque Natural de Montesinho, nas margens do rio Tuela. Sem surpresa, ela acabou por ser encontrada noutros lugares, e em todo o caso já era conhecida a sua (escassa) presença no sudeste da Galiza, não longe da fronteira portuguesa. É de assinalar, porém, que o rio Mente é afluente do Rabaçal, e que este só às portas de Mirandela se junta ao Tuela para formar o Tua. É pois de supor que as populações de Pimpinella major do Mente e do Tuela tenham origens independentes, ainda que ambas se situem no Parque de Montesinho.

Se atendermos à ecologia, a planta é fácil de identificar pelas folhas pinatissectas de grande tamanho, às vezes ultrapassando os 40 cm de comprimento, cada uma delas com 5 a 9 segmentos mais ou menos rômbicos, e pelos caules fistulosos e claramente estriados. As demais umbelíferas de flores brancas e tamanho respeitável que vivem em bosques húmidos ou em margens de rios (exemplos: Angelica sylvestis, Heracleum sphondylium, Oenanthe crocata e Laserpitium eliasii) têm folhas bem diferentes, em geral (a excepção é o Heracleum sphondylium) com um número muito maior de divisões.

12/01/2016

Conto de Inverno


Avelaneiras (Corylus avellana L.) nas margens do rio Fílveda, Albergaria-a-Velha


A muita chuva dos últimos dias promete que, contra todos os pessimismos, a vida está para durar. O maior inconveniente, numa altura em que os rios realizam a sua vocação em plenitude, é não podermos visitá-los com as águas transbordando das margens. Regressaremos daqui a umas cinco ou seis semanas, quando eles estiverem menos impetuosos, dando tempo para que o amarelo vivo do narcisos se junte ao amarelo pálido das prímulas. Não é em todos os rios que se dá essa feliz combinação cromática, mas há rios em todas as províncias e todos os concelhos deste nosso maltratado território, e quase sempre eles nos dão muito mais do que esperamos. Consideremos, por exemplo, aquela região no centro-norte do país que faz a transição entre o Baixo-Vouga e as serras do interior: Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga, são esses os nomes anunciados nas placas de saída da A1 logo a norte de Aveiro. A julgar pelo que vemos ao longo da auto-estrada, todos esses concelhos estão perto de se transformarem em eucaliptais ininterruptos, num processo imparável de reconversão de antigos campos agrícolas que nem sequer poupa os olivais. Em vez de ser desmentida, essa impressão é tristemente reforçada quando nos desviamos da auto-estrada para as vias secundárias. À monotonia do eucaliptal soma-se o desordenamento da paisagem: as estradas fazem de ruas em povoações que nunca começam nem acabam, misturando vivendas, prédios, fábricas, postos de combustível, aviários, restaurantes de berma de estrada, vendas de carros usados. Não é certamente este o cenário ideal para realizar aquele cliché da "comunhão com a natureza" tão glosado em textos de promoção turística. Ainda assim, a câmara de Albergaria-a-Velha, seguindo o exemplo de muitas outras, quis atrair ao concelho praticantes de caminhadas e outros amigos da natureza, e para isso sinalizou vários percursos pedestres. Um deles (PR2) chama-se trilho dos três rios e acompanha o rio Caima e dois dos seus afluentes. Caima é também o nome da empresa de celulose pioneira em Portugal, nascida em Albergaria-a-Velha nas margens deste rio mas entretanto deslocada para outras paragens.

Porque as nossas caminhadas têm um propósito último que não é caminhar, não percorremos na nossa visita do início de Dezembro o PR2 do princípio ao fim, já que ele é extenso (14 Km) e atravessa vastas áreas de eucaliptal. Fizemos o troço do rio Caima junto ao lugar de Palhal, e em Ribeira de Fráguas seguimos durante dois ou três quilómetros o curso do rio Fílveda, partindo do chamado Parque dos Moinhos. O rio Caima pós-industrial apresenta-se despoluído, e ladeiam-no aqui e ali breves manchas de carvalhal, com o cortejo de arbustos e herbáceas habituais em terras do norte: Omphalodes nitida, Linaria triornitophora, medronheiros, folhados, gilbardeiras, fetos variados, etc. Esporádico em clareiras pedregosas, juntava-se-lhes o Anarrhinum longipedicellatum, ou samacalo-arouquense, um portugesíssimo endemismo desta região entre o Douro e o Vouga. Todos esses ingredientes foram repetidos nas margens do Fílveda ou no talude da estrada junto ao Parque dos Moinhos, mas em quantidades mais generosas e reforçados por uma galeria ripícola de altíssimas avelaneiras. Os moinhos desactivados brilhavam como a casa dos sete anões, e as duas pontes de madeira permitiram-nos acesso fácil a ambas as margens. O (impropriamente chamado) hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum) estava por todo o lado, bem mais abundante do que alguma vez o víramos no Gerês. Uma prímula confundida com o calendário, ou apostada em jogada de antecipação, fazia brilhar uma única flor entre as suas irmãs ainda adormecidas pela invernia.

O rio Fílveda, como tantos outros rios da região, corre encaixado num vale como um segredo ciosamente guardado por um exército de eucaliptos. A maior surpresa de tão grata visita foi sentir que tínhamos obrigação de voltar.

01/12/2015

Doces são os campos


Nascente "tradicional" do rio Ebro, Fontibre, Cantábria
Um rio que nasce na Cantábria a 40 Km do Atlântico deveria lançar-se sem hesitações para norte, rompendo impetuosamente por montanhas e desfiladeiros. Cauteloso, porém, e sabendo dos obstáculos formidáveis que se lhe deparariam no trajecto mais curto, arrepia caminho e abala para sul — ou, mais exactamente, para sudeste. O seu destino, a mais de 900 Km de distância, é a costa catalã do Mediterrâneo, à qual se dirige correndo (se é que as barragens lhe permitem correr) numa linha paralela à cadeia montanhosa dos Pirenéus. Em lugar de se ver desprezado como pusilânime ao optar por tamanho desvio, o rio Ebro é de pronto alçado ao prestigioso Top Three dos rios ibéricos, juntando-se ao Douro/Duero e ao Tejo/Tajo: tem a segunda maior bacia hidrográfica (a seguir ao Douro) e é o segundo mais comprido (a seguir ao Tejo). Se nos restringirmos aos rios exclusivamente espanhóis, ocupa incontestado o primeiro lugar do pódio. E a perda desse estatuto é uma razão ponderosa — que, talvez por distracção, não tem sido evocada pelas partes em confronto — para que a Catalunha nunca se torne independente.

Em Fontibre, no lugar onde o rio emerge do subsolo, há uma coluna de pedra a que se acede por um caminho calcetado e por um lanço de sete degraus, tudo com muita sombra de freixos e de padreiros. O rio assume de imediato uma pose de maturidade, recusando ser um fio de água que se vence num salto, e ninguém diria, depois da primeira curva, a uns vinte ou trinta metros de distância, que se trata de um recém-nascido. Esse crescimento instantâneo atraiu desconfianças e averiguações, sabendo-se hoje que o Ebro não nasce precisamente ali, mas numa das vertentes do Pico Tres Mares, e com o nome de rio Híjar. A dada altura do seu breve curso, o rio Híjar perde grande parte do caudal por infiltração no solo. As águas que lhe são bruscamente subtraídas reaparecem à superfície em Fontibre para formar o Ebro; e as que lhe sobram após o parcial esvaziamento têm igual destino quando o Híjar se junta ao Ebro, desta vez à luz do dia, uns 10 Km a leste.



Filipendula ulmaria (L.) Maxim.


O bosque que envolve a nascente tradicional do Ebro surge-nos à primeira vista como um asséptico parque de merendas, com relva cuidadosamente aparada e caminhos que até senhoras com salto alto percorreriam sem tropeçar. Não parece ser local onde um botânico amador possa com proveito dedicar-se ao seu passatempo favorito. Tudo muda, contudo, se nos afastamos da nascente e seguimos pelos caminhos de terra batida entre o arvoredo. Deixa de se fazer limpeza à escovinha e as herbáceas no sub-bosque são autorizadas a despontar: Anacamptis pyramidalis e outras orquídeas já secas, Sanicula europaea, Astrantia major, Primula veris, Helleborus viridis, etc. Junto à água, como é seu costume, reencontramos uma planta que no norte de Espanha é frequente, mas que em Portugal só vimos, e nunca em flor, em Trás-os-Montes e nas margens do rio Minho.

A Filipendula ulmaria, essa erva altaneira (até 2 metros de altura) que é chamada de rainha-dos-prados ou coisa equivalente em diversas línguas, e em inglês é docemente apelidada de meadowsweet, não se pode queixar de falta de reconhecimento. Largamente distribuída pela Europa e pelo extremo ocidental da Ásia, à beleza e à fragrância junta a utilidade, pois foi a partir do ácido salicílico dela extraído que se iniciou no final do século XIX a produção da aspirina. As suas pequenas flores, semelhantes às de outras rosáceas como a cerejeira e a amendoeira, e dispostas em grandes panículas que lembram flocos de algodão, aparecem de Junho a Agosto. A segunda espécie europeia do género, Filipendula vulgaris, também cognominada rainha-dos-prados mas devendo mais propriamente, pelo menor tamanho, ser chamada de princesa, tem uma distribuição mais ampla em Portugal, surgindo desde Trás-os-Montes até à Estremadura. Distingue-se pelas folhas mais estreitas e divididas, e pelas flores maiores mas menos numerosas.

14/02/2015

Estrela perdida


rio Tâmega — Vilarinho da Raia, Chaves
Até há pouco tempo, o Tâmega era para nós um rio farto que galga com vigor alguns desníveis junto a Amarante, ali inspira os nomes de apetecíveis doces conventuais, e termina cansado e poluído no rio Douro, perto de Marco de Canavezes. Há dias decidimos seguir-lhe o rasto a montante, onde é o Támega, para o ver mudar de acento e tornar-se português: junto a Vilarinho da Raia toca durante uns três quilómetros o território nacional, sendo aí a nossa fronteira com Espanha, e só então decide virar à direita e entrar definitivamente em Portugal, encaminhando-se para Chaves. Nos mapas, a linha de fronteira em Vilarinho da Raia segue mais ou menos a meio do rio, assegurando metade dele para cada país; na prática, o curso de água ali é estreito o bastante para que os pescadores de um lado possam facilmente conviver com os do outro enquanto o peixe transfronteiriço não morde a isca.



Aster lanceolatus Willd. [= Symphyotrichum lanceolatum (Willd.) G. L. Nesom]

A água e as margens dessa faixa luso-espanhola de rio não estão bem cuidadas. Por certo, como no caso de parques ou estradas partilhadas por várias freguesias, cada lado espera que o outro faça a necessária manutenção da beira-rio, e nesse entretanto aquele habitat tão promissor, onde encontrámos exemplares de Cucubalus baccifer, Humulus lupulus, Geum urbanum, Saponaria officinalis, Solanum dulcamaraSparganium erectum, Frangula alnus, Prunus spinosa, Ulmus minor, e até um pequeno bosque de Quercus pyrenaicaestá a degradar-se. Esta asterácea alta (pode atingir um metro e trinta de altura), perene e quase arbustiva, com folhas lanceoladas, glabras, de um verde intenso que contrasta harmoniosamente com as lígulas brancas, por vezes azul-violáceas, das inflorescências, tem origem norte-americana. Talvez tenha escapado de algum jardim, mas não deveria estar naquele local. Alguns dirão que, face à presença de acácias, silvas e tintureiras, uns poucos pés desta herbácea são um mal menor num ambiente tão alterado. Não nos surpreenderá, porém, que daqui a uns poucos anos ela se tenha vulgarizado nas margens do rio Douro, e além. Depois não se diga que não avisámos.

Esta margarida mudou de designação científica, pertencendo agora ao género Symphyotrichum, para onde migraram quase todas as plantas do género Aster nativas da América do Norte e com capítulos florais grandes, agrupados em panículas.

21/10/2014

Sabor de hortelã


Mentha cervina L.
Há gestos que nos parecem insignificantes e que desaparecem sem darmos por isso. Ficamos mais pobres e nem notamos. Houve uma última vez em que alguém, no Alentejo, foi ao rio colher uns pés de erva-peixeira para temperar a caldeirada ou a açorda. Tão abundante era ela em rios, ribeiras e charcos, e agora só sobrava aquela mísera amostra. Para o ano nem isso haveria, porque entretanto a barragem começaria a encher. Se quisesse voltar a comer peixe com aquele fino travo de hortelã, teria de ir a Lisboa, às lojas de iguarias gourmet, para comprar a peso de ouro uma magra embalagem de folhas secas.

Mais a norte a história só não se repete porque, com as variações regionais de hábitos culinários, a erva-peixeira (ou hortelã-da-ribeira, outro nome pelo qual a Mentha cervina é conhecida) nunca teve, em Trás-os-Montes, o prestígio gastronómico de que gozou no Alentejo. Daí que na província nortenha as populações espontâneas de Mentha cervina não tenham estado sujeitas à colheita imoderada que, a par da destruição dos habitats, quase levou no Alentejo ao desaparecimento da espécie. Além disso, a degradação ambiental associada às práticas da agricultura intensiva, em especial a eutrofização dos cursos de água, é muito menos grave em Trás-os-Montes do que no sul do país. No que as duas regiões se equiparam é nos efeitos catastróficos da construção das barragens sobre a vegetação que, vivendo ao pé da água, nunca aprendeu a nadar. O enchimento da barragem de Alqueva destruiu talvez os últimos núcleos de erva-peixeira nas margens do Guadiana. E quando, até final do ano, a barragem do Sabor entrar em funcionamento, vão ser afogadas algumas das mais importantes populações da espécie em Trás-os-Montes: a que existe junto à ponte de Remondes (foto em baixo) e todas as outras que subsistiram até hoje nos últimos 60 Km do curso do rio antes de se juntar ao Douro.

Talvez pareça exagerado este lamento por uma simples erva aromática quando tantas outras coisas tidas como mais importantes, entre elas grandes maciços de Buxus sempervirens, para já não falar das árvores e dos campos agrícolas, se perderão com a subida do nível das águas. Mas é esta soma de perdas, pequenas ou grandes, que se chama "destruição da biodiversidade", e todas as parcelas contam no balanço dos prejuízos. Ainda sobram contigentes importantes de Mentha cervina noutras paragens transmontanas, e tão cedo ela não desaparecerá de Portugal, mas a circunstância de não ter qualquer prioridade em acções de conservação, assim como a vulnerabilidade dos seus habitats, indicam que o caminho de diminuição progressiva por ela iniciado não tem retrocesso possível. Em toda a sua área de distribuição, que abrange a Península Ibérica, o sul de França, Argélia e Marrocos, é a mesma má sina que a persegue, a ponto de ela ter sido incluída, como vulnerável, na lista vermelha da IUCN.

Nas inflorescências semelhantes a pompons e até no perfume intenso, a Mentha cervina lembra a sua congénere M. pulegium, popularmente conhecida como poejo, bastante comum de norte a sul do país e também nos Açores. As diferenças estão porém à vista: as folhas da M. cervina são muito mais estreitas, quase lineares, e as suas flores são em geral brancas, enquanto que as da M. pulegium são rosadas ou violáceas. As preferências ecológicas são também distintas: a M. cervina ocupa charcos temporários, margens inundáveis de rios ou leitos de cursos de água temporários; a M. pulegium, sem desdenhar tais lugares, consegue tolerar ambientes mais secos.


ponte de Remondes, rio Sabor

07/10/2014

Rio das ervas sem nome


Carex elata All.


Todas as nossas experiências sensoriais — o que vemos, cheiramos, ouvimos, saboreamos, tocamos — podem, acreditamos nós, ser traduzidas por palavras. Há quem leve tão longe essa crença que ache mais enriquecedor ler um relato sobre um certo lugar, em especial se o autor tiver firme reputação na bolsa de valores da cultura, do que visitá-lo com os sentidos bem abertos. Pablo Neruda chamou Confesso que Vivi ao seu livro autobiográfico. Se algum desses leitores fervorosos publicar uma autobiografia honesta, há-de intitulá-la Confesso que Li.

Essa vida em segunda mão, mediada pelas palavras dos outros, tem vários inconvenientes. O primeiro é que, se não tivermos experiência directa dos objectos ou seres que as palavras descrevem, as imagens mentais que formamos ou são lacunares ou têm fraca semelhança com aquilo que é descrito. Um pinheiro é diferente de um carvalho, um pinhal é diferente de um carvalhal, não há uma coisa indiferenciada e uniforme que se chame «floresta», há sim muitas florestas, cada uma com os seus cheiros e jogos de luz. Mas, se só tivermos uma noção vaga de floresta como uma formação mais ou menos extensa de árvores anónimas, então é o mesmo cenário que nos vem à cabeça quer estejamos a ler sobre os bosques da Noruega ou sobre a mata atlântica do Brasil. As descrições cuidadosas dos mais finos escritores deixam apenas um reflexo baço e irreconhecível no espelho do nosso cérebro.

Essas limitações do leitor podem, no entanto, ser em parte ultrapassadas se houver humildade em reconhecê-las. Passando do receptor ao emissor, um outro problema que afecta a transmissão de experiências através das palavras é a incompletude do nosso léxico. Em suma, não há palavras para tudo. Quem muito palavrosamente tentar descrever um perfume inédito, saberá que quem o ouve não fica habilitado a reconhecer tal perfume e muito menos a recriá-lo: em vez de palavras, fazem falta tubos de ensaio e fórmulas químicas. E há insuficiências que são próprias de determinadas línguas, reflectindo vivências ancestrais em que certas coisas, por não terem importância assinalável, era como se não existissem.

As quase 50 espécies de Carex que ocorrem em Portugal não existem na nossa língua: não há qualquer palavra em português para as designar. Outras línguas europeias são isentas dessa lacuna: os nomes «sedge» (em inglês) e «laîches» (em francês) indicam quaisquer plantas do género Carex, em geral bastante frequentes em zonas húmidas ou inundadas, mas não exclusivas desses habitats. Quem quiser traduzir para português um texto de um autor anglo-saxónico ou francófono que fale destas plantas não o pode fazer sem erro ou sem perda de informação. Se usar junco ou junça comete um erro, pois essas plantas, embora ocupem habitats semelhantes, são diferentes das Carex e, no caso dos juncos, nem pertencem à mesma família botânica. Em alternativa, pode usar um nome generalista e impreciso (como «erva» ou «capim») ou, como último recurso, não tentar sequer dar um nome a tais plantas (traduzindo por exemplo «sedge fen» por «brejo»).

Ficamos então sem palavras para descrever com rigor, e em português de lei, um rio como há muitos na metade norte do país, com o leito pontuado por grandes tufos de verdura compostos por hastes e folhas elegantemente arqueadas. Uma tal descrição impressionista poderá satisfazer alguns, mas não aqueles que prezam uma informação exacta. Assim, a planta ilustrada nas fotos tem o nome científico de Carex elata, em inglês é conhecida como tufted sedge, e os tufos por ela formados podem ultrapassar um metro de altura. Se ao habitat ribeirinho adicionarmos o aspecto geral e as espigas das inflorescências, visíveis de Março a Maio, é de admitir que a identificação da planta não ofereça dificuldades de maior. Não é esse o caso da maioria das espécies do género Carex, em que a distinção pode depender de diferenças subtis na forma dos frutos. De facto, o género Carex é tão intrincado que o seu estudo mereceu um nome à parte dentro do universo da botânica: trata-se da caricologia. Contrariando as suposições fáceis, um caricólogo não colecciona caricas nem compila estatísticas sobre campeonatos de sameirinha, mas dedica-se, em vez disso, ao estudo e classificação das Carex.

Faremos uma breve (e trapalhona) introdução à caricologia num dos próximos fascículos.


Parada de Pinhão, Sabrosa

01/07/2014

A vida dos salgueiros em flor


Salix salviifolia Brot. subsp. salviifolia


Os salgueiros, a quem cabe a missão de sublinhar a verde o curso azul dos rios, têm pressa de deitar folha nova para mais cabalmente cumprirem a sua tarefa. Por uma questão de eficiência e de optimização de recursos (onde é que já ouvimos tais palavras?), aproveitam a mesma ocasião para florir. Como a Primavera é ainda notícia longínqua, há pouca gente a notar-lhes as flores, que indivualmente não são muito vistosas mas dão à árvore o aspecto de ter sido salpicada com pó amarelo. Quando chega a época de dispersar as sementes, elas vêm envoltas numa penugem branca para mais facilmente serem transportadas pelo vento. Os choupos, que são aparentados com os salgueiros, cumprem igual calendário. Muita gente, ao ver esse "algodão" esvoaçante, ou essa falsa neve que nunca se desfaz em água, julga tratar-se de pólen; e, incomodada, atribui a choupos e salgueiros a culpa de tosses e alergias causadas pelo verdadeiro mas invisível pólen que outras plantas libertam na mesma altura.

Tanto salgueiros como choupos são dióicos: é esse o termo botânico para descrever o facto de haver indivíduos dos dois sexos, fenómeno que é a regra entre os animais mas anda longe de o ser entre as plantas. Nas imagens em cima podem ver-se as inflorescências masculinas (fotos 1 e 5) e femininas (fotos 3 e 4), umas e outras com as flores reduzidas ao essencial: as masculinas só têm estames, as femininas só carpelos. São as plantas com flores femininas, e só elas, que produzem o tal algodão de (injustificada) má fama.

A espécie de salgueiro que hoje nos ocupa, de seu nome Salix salviifolia, é endémica da metade oeste da Península Ibérica. Embora menos abundante do que a borrazeira-preta (Salix atrocinerea), a borrazeira-branca — como é conhecida entre nós — encontra-se distribuída de norte a sul do país. Com o seu pequeno porte, que raramente atinge seis metros, é mais propriamente um arbusto de que uma árvore. Apresenta folhas acinzentadas, penugentas e rugosas, de não mais que 10 cm de comprimento, e amentilhos que não excedem os 7 cm. Prefere instalar-se junto a rios ou ribeiros com grande variação sazonal do volume da água, ou até junto a cursos de água temporários. Se comparada com a borrazeira-preta, a sua menor versatilidade ecológica significa que a borrazeira-branca, apesar de não ser propriamente rara, tem vindo a perder grande parte do habitat com a construção de barragens. A imagem abaixo, que mostra uma galeria de borrazeiras-brancas no ponto onde o rio Tinhela se junta ao rio Tua, dá um exemplo das perdas irremediáveis que serão causadas pela construção da barragem de Foz Tua. Parece, contudo, que nada disso é importante, pois mesmo com uma paisagem destruída o Douro continuará a ser "património mundial".


confluência do rio Tinhela com o rio Tua

25/11/2013

Verdes cabelos de água



Groenlandia densa (L.) Fourr.


A serra de São Mamede é um enclave nortenho às portas do Alentejo. Em vez das infinitas estradas rectilíneas, onde os condutores adormecem de tédio, temos curvas e contra-curvas e um sobe-e-desce emocionante à moda do Marão ou das boas estradas minhotas (boas para o enjoo, dirão aqueles que nunca estão contentes). Os grandes espaços abertos cedem lugar a um arvoredo cerrado, e só a predominância dos sobreiros e carvalhos-negrais denuncia a latitude meridional. Os rios quase nada têm a mudar para serem gémeos daqueles que correm nas serras nortenhas: acompanham-nos as mesmas galerias de salgueiros, freixos e amieiros, é a mesma vegetação herbácea que reveste as margens. Saudamos o rio Sever, que nunca tínhamos visto, como quem reencontra um velho conhecido, lamentando que na Portagem o tenham convertido, por uma centena de metros, numa piscina de betão. Mas o rio sobreviveu à afronta: antes e depois da placa de cimento flutuam cabelos verdes que contrastam com o azul transparente das águas.

As plantas anfíbias ou de águas pouco profundas formam um simbólico elo de transição entre os meios aquático e terrestre, recordando-nos o organismo primevo que emergiu do mar para povoar os continentes. Com os estragos que os habitats aquáticos ou paludosos têm sofrido, elas constituem, no seu conjunto, a parte mais ameaçada da nossa flora. Plantas que há 20 ou 30 anos eram comuns, como algumas do género Potamogeton, são hoje de ocorrência esporádica. Qualquer verdura aquática merece por isso a nossa melhor atenção: se não se tratar de uma infestante indesejável (também as há), ela funciona ao mesmo tempo como atractivo botânico e como certificado de limpidez das águas. Que, no caso do rio Sever, é inteiramente merecido.

A serralha-de-água, embora seja muito semelhante a alguns Potamogeton (em especial ao P. perfoliatus), e esteja incluída na mesma família botânica, pertence ao género mono-específico Groenlandia, um nome com ressonâncias nórdicas e friorentas que na verdade homenageia o botânico alemão Johannes Groenland (1824-1891). É uma planta vivaz rizomatosa, habitante de rios e lagoas, de que só as espigas florais assomam ocasionalmente fora da água. As folhas, de um verde claro e translúcido, medem até 4 cm de comprimento; são estreitas, sésseis e opostas, separadas por entrenós de não mais que 2,5 cm.

Em Portugal há registos históricos da Groenlandia densa em quase todas as províncias do continente: a Flora Ibérica só deixa de fora o Algarve, a Beira Alta e o Douro Litoral. No entanto, a sua distribuição real no nosso país deve ficar muito aquém desse retrato optimista. Globalmente, a sobrevivência da espécie não parece suscitar preocupações, pois ela é conhecida originalmente de três continentes (Europa, Ásia e África) e teve artes de migrar para mais dois (América do Norte e Austrália).


Portagem, Marvão. ponte sobre o rio Sever

22/10/2013

O feto e as marés


rio Minho em Melgaço
Entre 2002 e 2005, discutiu-se, com alguma intensidade, a construção de uma barragem para abastecimento de água a Melgaço, Monção e Valença, três concelhos banhados pelo rio Minho. Como é do conhecimento geral, há já muitas décadas que existe no Minho uma rede de fornecimento público de água; e não consta, mesmo em anos de seca, que alguma vez tenha havido falta de água naquela que é a mais pluviosa das nossas províncias. O busílis da questão está no adjectivo «integrado», um daqueles chavões modernos que dispensam, por si só, quaisquer explicações adicionais. Sim, havia (e há) abastecimento de água nesses concelhos do Alto Minho, mas através da combinação de muitos sistemas parcelares que apresentariam «problemas de funcionamento». Nada melhor, portanto, do que substituí-los a todos de uma só vez por um «sistema integrado», supõe-se que imune a tais problemas. Mas, ao contrário do que sucedeu em Bragança quando se decidiu construir uma barragem em pleno Parque Natural de Montesinho, não houve no Minho uma divisão entre autarcas obreiristas, clamando que o interesse das populações exigia que a obra se fizesse, e organizações como a Quercus, denunciando o atentado contra a natureza e instaurando acções em tribunal. Em Melgaço, Monção e Valença, presidentes de câmara e de juntas de freguesia fizeram coro com ambientalistas na rejeição da barragem. Rejeição não talvez da barragem em abstracto, mas de cada uma das localizações concretas que iam sendo propostas. E essa atitude, pelo seu quase ineditismo em Portugal, é por si só prova eloquente de que a barragem só fazia falta a quem se propunha ganhar dinheiro a construí-la.

A história foi (provisoriamente) encerrada em Fevereiro de 2005, quando Moreira da Silva, Secretário de Estado do Ambiente no Governo de Santana Lopes, deu ordens para cancelar a construção da barragem, então prevista para Lamas de Mouro, na periferia do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Duas localizações alternativas, ambas no concelho de Monção, tinham sido estudadas: em Merufe, também no rio Mouro; e em Troporiz, no rio Minho. Numa fase inicial do processo, a escolha recaía sobre Merufe, mas os protestos foram muitos e, depois de um «Estudo de Impacte Ambiental» (EIA) encomendado pela empresa Águas do Minho e Lima (ver PDF), foi decidido mudar a barragem para Lamas de Mouro, com o resultado de os protestos se tornarem ainda mais ruidosos. Se a ideia algum dia ressuscitar será então a vez de eleger o rio Minho como aquele que deve ser sacrificado. Nessa altura revoltar-se-ão, muito justamente, os pescadores de lampreia, receando o fim do seu modo de vida. Do ponto de vista florístico, diz o EIA que a barragem de Troporiz não ocasionaria prejuízos assinaláveis, pois no local de construção as margens são revestidas por um bosque quase exclusivamente constituído por acácias e eucaliptos. Mesmo que a premissa seja verdadeira (é um facto que o coberto arbóreo ao longo do rio Minho está muito estragado), a conclusão de que não são afectados valores florísticos importantes é falaciosa. Todo o curso baixo do Minho está sujeito a um regime de marés que deixaria de existir se se erguesse um muro a cortar-lhe o caudal. Mesmo em Melgaço, a 60 Km da foz, há piscinas naturais entre as rochas que se enchem e esvaziam diariamente, em geral com grande rapidez. E há espécies vegetais raríssimas que dependem desse vaivém da água para a sua sobrevivência.


Thelypteris palustris Schott


Entre elas avulta o Thelypteris palustris, a que poderíamos chamar feto-dos-brejos. Franco & Rocha Afonso, no livro Distribuição das Pteridófitas e Gimnospérmicas em Portugal, descrevem-no como um «feto próprio de sítios pantanosos e, como tal, tendendo actualmente a desaparecer do nosso país devido à drenagem dos pauis». A profecia (de 1982) revelou-se certeira, pelo menos no que toca à metade norte do território. Esta população em Melgaço, dividida em dois pequenos núcleos no bordo de duas piscinas de marés, é certamente das últimas que resistem a norte do Tejo. Se acrescentarmos que, mesmo ao lado, há um magnífica população da aquática Nymphoides peltata, que em Portugal está à beira da extinção e só existe no rio Minho, convencemo-nos de que há razões de sobra para fazer deste habitat uma micro-reserva e promover acções efectivas de conservação. O que talvez obstasse à produção de relatórios com a ligeireza do EIA promovido pelas Águas do Minho e Lima.

O feto-dos-brejos, que está disseminado por quatro continentes e existe em boa parte do hemisfério norte, gosta de estender o seu rizoma por solos encharcados ou muito húmidos, emitindo, a espaços regulares, frondes com 20 cm a 1 metro de comprimento. Distingue-se do feto-fêmea (Athyrium filix-femina), que tem porte e preferências ecológicas semelhantes, por não apresentar folhas dispostas em tufos e por as suas pínulas (segmentos de última ordem das folhas) terem as margens inteiras em vez de profundamente recortadas (compare as fotos de cima com esta). Além disso, o feto-dos-brejos tem dois tipos de frondes, embora pouco diferentes entre si: só as frondes férteis (que costumam ser em menor número) têm as margens das pínulas recurvadas para o verso (confira na foto 6).

Assinale-se que o feto-dos-brejos é caducifólio, característica que partilha com o feto-fêmea: as suas folhas secam e desaparecem no Inverno. Outro traço comum aos dois (ou deveríamos dizer às duas?) é a feminilidade, não no sentido funcional do termo, mas no sentido metafórico de ambos parecerem frágeis se comparados com fetos robustos como o Dryopteris filix-mas (obviamente conhecido como feto-macho). Aliás, a palavra grega Thelypteris é composta por dois vocábulos, pteris e thelys, que significam exactamente feto e fêmea.


Nymphoides peltata (S. G. Gmel.) Kuntze