18.1.05

Camélias do Palácio Vila Flor - Guimarães


Foto 0412 - camélias no jardim do Palácio Vila Flor - Guimarães

Localizado numa zona alta da cidade de Guimarães, o setecentista Palácio Vila Flor, actualmente propriedade camarária, encima um histórico jardim que se distribui em terraços sucessivos, ligados por lanços de escadaria e delimitados por balaustradas de granito decoradas com motivos escultóricos. Este jardim é descrito em pormenor no livro Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal de Helder Carita e Homem Cardoso, e a comparação entre a seu plano original e o que dele se pode hoje observar confirma que chegou praticamente intacto aos nossos dias. É caso para dizer: bem hajam os que tiveram a sabedoria de preservar este tesouro.

O que certamente mudou no jardim foi a vegetação, já que as camélias, que lhe dão a marca mais distintiva, só no século XIX se vulgarizariam no nosso país. Mas, pelo seu avantajado porte, é de supor que estes soberbos espécimes sejam quase bi-centenários. Noutros jardins de Guimarães, privados ou públicos, e em especial no jardim ao longo da avenida central, também vicejam numerosas e variadas camélias, embora em geral muito mais jovens do que estas do Palácio Vila Flor.

Recentemente, o palácio entrou em obras para ser transformado num centro cultural. O projecto, segundo o Guimarães Digital, não é nada modesto: «O projecto do Centro Cultural de Vila Flor prevê quatro salas de reuniões com 55 lugares cada, uma área expositiva com mil metros quadrados, dois auditórios de teatro com capacidade para mil pessoas, um restaurante, um café-concerto e um parque de estacionamento [subterrâneo] com 250 lugares.» Em lugar da vista desafogada sobre o centro da cidade, alguns moradores locais terão doravante um enorme muro a tapar-lhes as casas. Felizmente, a obra, aproveitando o terreiro nas traseiras do palácio, não parece tocar no jardim; e, descontando a volumetria exagerada dos novos anexos, o destino que é dado ao histórico edifício é inteiramente digno e apropriado.

Só se lamenta, no terreiro onde as obras agora decorrem a todo o vapor, o sacrifício de uma gigantesca araucária que, com um pouco de imaginação e sensibilidade, muito valorizaria o projecto final. Afinal as árvores, como os edifícios, também fazem a memória das cidades.

3 comentários :

zenith disse...

Passei para dar uma espreitada em vosso Blog. Eu sou Brasileiro e aqui temos bastante Araucarias tambem. Principalmente na parte sulina do pais, existe a Mata das Araucarias. As arvores; ha algo poetica sobre elas. Elas nos impregnam. Roem os nossos sentimentos e nos deixam com sensacoes inefaveis. Assim como os edificios, porem estes sao cinzentos e estoicos. Nao como as arvores.

Paulo Araújo disse...
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Paulo Araújo disse...

Viva! Saudações transatlânticas. Ao contrário dos edifícios, que tomam emprestada a vida de quem neles vive, as árvores têm vida própria e sobrevivem até ao abandono. Nós aqui preferimos as árvores aos edifícios para repor algum equilíbrio, pois há muita gente que só se preocupa com edifícios.

Já aqui falámos da araucária-do-Brasil (Araucaria angustifolia), que é uma das nossas árvores favoritas. Veja por exemplo nos seguintes atalhos:

http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/07/pinheiro-do-paran.html
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/07/araucria-do-brasil-sobrevivendo.html
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/10/de-vizela-viseu-via-brasil.html
http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/10/paran-atravs-do-brasil.html

O assunto não está esgotado, pois ainda temos fotos de outras araucárias para mostrar.