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16/04/2008

Edital


Aesculus hippocastanum

Avisam-se todos os interessados (e quem, lendo este blogue, poderá não estar interessado?) de que os castanheiros-da-Índia estão em flor. Antes disso, é claro, as mesmas árvores deram folhas novas, fenómeno que, embora nos alegrasse o coração, não assinalámos na altura própria. Como as folhas, ao contrário das flores, não desaparecem tão cedo, as duas coisas podem agora ser vistas em simultâneo, embora a tenra languidez das folhas acabadas de nascer (foto da esquerda, tirada na Quinta da Aveleda) já se tenha desvanecido. A árvore à direita, fotografada há poucos dias, mora no jardim da Casa Burmester, à rua do Campo Alegre, no Porto.

27/01/2008

In memoriam

Hoje, no dia em que se comemora a chegada dos soldados do exército americano ao campo de concentração de Auschwitz em 27 de Janeiro de 1945 e a consequente libertação de milhares de prisioneiros, aqui deixo a sugestão visitarem a árvore de Anne Frank.

«Porquê Anne Frank? Porque é a vítima do holocausto mais próxima dos jovens de hoje e ... de ontem. Porque a sua história e a da sua família e amigos permite-nos falar deste horror com dignidade. (Ela e a sua irmã Margot também passaram por Auschwitz, mas é noutro campo de concentração, em Bergen-Belsen, que morrem em Março de 1945, poucas semanas antes do fim da guerra! )» >

03/05/2007

Paz toponímica



O quarteirão da Paz é no Porto o centro de frágil resistência toponímica ao belicismo celebrado noutras partes da cidade; é o necessário mas insuficiente contrapeso à avenida dos Combatentes da Grande Guerra, às ruas dos Heróis, do Heroísmo e dos Mártires, às praças da Batalha e do Exército Libertador, às ruas, praças e avenidas do Marechal, do General, do Coronel, do Major, do Capitão, do Tenente e até do Sargento. A Paz toponímica sobe com dificuldade por uma rua íngreme, junta-se com a Saudade num pequeno largo em forma de quadrilátero irregular, e desfalece numa travessa tortuosa onde ninguém passa. A Misericórdia, representada por um lar da Santa Casa a um canto do largo, ergue contra a Paz um muro de indiferença.

No centro do largo da Paz, cercado pelo estacionamento e pelo trânsito ininterrupto, há um triângulo com relva, flores e árvores. Exactamente três árvores: um cipreste (Cupressus sempervirens), uma magnólia-de-Soulange e um castanheiro-da-Índia. O cipreste é sisudamente igual a si próprio em todas as estações do ano, e nunca se deixa tentar por indumentária nova; a magnólia já teve há dois meses a sua temporada de vaidade; agora é a vez de o castanheiro-da-Índia mostrar quanto vale: ainda mal fez abrir as folhas novas, e eis que já ostenta as pirâmides de flores brancas.

No Porto, os melhores locais para admirar a floração destas árvores são o Parque de Serralves e a rua de Guerra Junqueiro; em ambos se podem ver lado a lado as duas espécies de castanheiros-da-Índia comuns em Portugal: o Aesculus hippocastanum, de flores brancas, e o híbrido Aesculus x carnea, de flores cor-de-rosa. Tal como sucede com as magnólias, são os castanheiros-da-Índia brancos que primeiro florescem. Apresse-se por isso o leitor se ainda quiser ver-lhes as flores.

19/04/2006

Uma vela...

...................... . pela memória, contra o esquecimento.
«Dans l'effort qu'il fit pour se lever, une gerbe de sang fusa. Il parvint à poser un pied sur le rebord de la cuvette; et tirant de sa main accrochée à l'encadrement de la fenêtre, se hissa jusqu'à poser le second pied. Rapprochant ses bras dans la position d'un plongeur, il faufila une moitié de son corps dans le carré béant de la fenêtre et se trouva suspendu entre terre et ciel. Son bras gauche pendant le long de la muraille, saignait déjá jusqu'au premier étage.

Au-dessus du marronnier passaient d'énormes oiseaux dont les ailes de papillons, jaunes, bleues, vertes, réfléchissaient le soleil comme des glaces. Les oiseaux papillons filaient si vite qu'on pouvait les suivre du regard; ils s'élevaient si haut par-dessus les toits, par-dessus le marronnier et le petit garçon, que ce dernier se moqua doucement de soi.

Soudain l'âcre odeur du sang s'évanouit, son bras cessa de saigner, les papillons s'atténuèrent et des paroles chantantes et traversées de rêve se firent entendre, tandis que le soleil prenait le visage d'Ernie dans ses mains douces; c'étaient les paroles que prononçait l'ancêtre tous les vendredis soir, au repas solemnel qui ouvre le sabat de gloire et de paix, les paroles du Psalmiste:"Viens, bien-aimé, au devant de ta fiancée."» in Le dernier des Justes , de André Schwartz-Bart (p.232-3), Éditons du Seuil, 1959

27/11/2005

Mãe e filha



Fotos: pva - Maio de 2005

O castanheiro-da-Índia, nome que se dá em Portugal às árvores do género Aesculus, é bastante comum, por toda a Europa, em jardins e arruamentos, enfeitando-se no início da Primavera com vistosas pirâmides de flores brancas ou rosadas. As únicas espécies do género vulgares entre nós são a Aesculus hippocastanum, de flores brancas, e a híbrida Aesculus x carnea, de flores rosadas, ambas muito bem representadas em Serralves; mas também já aqui falámos de um exemplar de uma outra espécie, Aesculus indica, que admirámos nos Kew Gardens, em Londres.

A espécie que hoje aqui trazemos, Aesculus californica, é, como sugere o nome, uma importação da costa oeste dos EUA, e partilha das características das suas congéneres: folhas compostas palmadas (neste caso com cinco folíolos), flores em panícula piramidal, semente que lembra uma verdadeira castanha. Mas, ao contrário das outras, é uma pequena árvore que não ultrapassa os 10 metros de altura; e, pelo menos na Península Ibérica, parece ser uma raridade, apenas cultivada em alguns jardins botânicos. No Jardim Botânico do Porto existe um único exemplar, que vemos nas fotos em cima.

Acontece que, numa das nossas últimas visitas ao local, comprovámos não só que a árvore frutificara como ainda deixara tombar uma castanha. O convite era irrecusável, até porque, vendo bem, se naquele jardim quase não há lugar para a árvore (por sorte ela é pequena), certamente não caberia a sua descendência.

O resultado da sementeira está à vista na foto de baixo: o crescimento da planta é vertiginoso, pois ela só germinou há duas semanas.


Foto: pva - Novembro de 2005

10/06/2005

A árvore mais feliz do mundo

Bolseiro numa universidade do centro de Inglaterra de 1988 a 1991, a minha relação com esse país não foi de amor à primeira vista. Pelo contrário: a comida insípida, os hábitos de convívio em que não conseguia integrar-me, a própria paisagem das Midlands, ainda muito marcada pelas feridas da industrialização - tudo contribuiu para acentuar uma rejeição que nunca se dissipou por completo nos três anos da estadia.

Tudo o que via ou experimentava era filtrado pelo meu desafecto. Entre os defeitos que não me cansava de comentar avultava o gosto britânico pela hipérbole: a desfaçatez com que se proclamava que um tal museu era o melhor do mundo, a loja de discos em Oxford Street a maior do mundo, a inenarrável combinação de fish & chips o mais delicioso prato do mundo, e por aí fora. Que mundo tão pequeno o deles, tão virado para o umbigo!

Mas o afastamento e o passar dos anos foram matizando essas impressões; e, a cada curto regresso, em férias ou em trabalho, ia-se revelando um país que se mantivera misteriosamente oculto durante os meus anos de residência. Abriram-se-me os olhos para o encanto da paisagem ordenada: os prados bordejados por sebes e maciços de grandes árvores; as povoações, com as torres em agulha das igrejas, aninhadas em espessos mantos de um verde acolhedor; os bairros de tijolo vermelho com os pequenos jardins invariavelmente primorosos. Todo o país parece partilhar o gosto pelo ar livre e o apego à terra. Ainda que sem rasgos deslumbrantes, esta paisagem é produto de milénios de civilização e de uma evolução sem rupturas, testemunha de um bom senso que se diria inato na domesticação humanizada do território.

Fui percebendo que sob o humor omnipresente dos britânicos palpita um orgulho afectuoso pelas pequenas e grandes coisas que fazem a identidade do país; e é à luz desse humor, desse afecto recatado, que se devem entender as proclamações grandiloquentes que chocaram a minha ressentida ingenuidade. Seria ridículo, para o temperamento britânico, declarar em público o amor desmesurado que na verdade sente pelas suas coisas; e a saída é dizer, meio a brincar, que elas são as melhores do mundo. Que o sejam ou não importa-lhe muito pouco.

[Como seria bom se em Portugal houvesse o mesmo apreço pelo que marca a nossa identidade. Quem dera, por exemplo, que tivéssemos orgulho na melhor calçada portuguesa do mundo ou nos mais bonitos canteiros floridos do mundo. Mas não: liderados por arquitectos provincianos, escondemos envergonhadamente o que é nosso para, como no tempo de Eça, nos vestirmos pelo figurino de Paris.]

A que propósito vem este arrazoado? É que, depois de anos de ausência, voltei a Inglaterra. Desta vez fiquei por Londres, onde o prato forte foram dois dias de visita aos Kew Gardens, o melhor jardim botânico do mundo. Neste caso a hipérbole é perfeitamente credível, mesmo para o visitante que desconheça o trabalho científico que faz destes 120 hectares na margem sul do Tamisa muito mais do que um diversíssimo mostruário de plantas. O que de imediato salta à vista é a pujança das árvores: acarinhadas, com amplo espaço para espreguiçarem as suas ramadas, plantadas em alinhamentos de efeito cénico deslumbrante ou isoladas para melhor se mostrarem - são sem dúvida as árvores mais felizes do mundo. Mais do que feliz, a árvore da foto - um castanheiro-da-Índia de uma espécie originária dos Himalaias (Aesculus indica) que nunca vi em Portugal - estava ridente ao sol da manhã, com as suas flores como velas acesas a pontilhar de rosa pálido a rotundez da copa. A sua visão mais do que compensou o meu desapontamento por já ter passado o auge da floração das azáleas e rododendros.

Fotos: pva 0506 - Aesculus indica - Royal Botanic Gardens, Kew

03/05/2005

Primavera vedada ao público


Flores de castanheiro-da-Índia em Serralves

Os jardins de Serralves têm estado a ser alvo de obras de beneficiação. Lamenta-se que o calendário desta intervenção não tenha em conta que nesta altura do ano as plantas estão mais deslumbrantes, pela folhagem nova e/ou floração vistosa, e nos seja vedado o acesso à maior parte do parque, incluindo o roseiral, o bosquete de faias e as alamedas de castanheiros-da-Índia. Não permitir que as apreciemos de perto é adiar por mais um ano o natural consolo que as plantas reservaram para nos dar agora e que assim se desperdiça.


Viburnum opulus em Serralves

Apesar de tudo, em lugar visitável, sobram alguns arbustos interessantes como este noveleiro, da espécie Viburnum opulus, variedade Sterile. Originário da Ásia e Europa, tem folhas que se assemelham às do Acer saccharum (daí, talvez, o epíteto latino opulus) e se tornam rubras no Outono. As flores lembram bolas de neve, são parecidas com as hortênsias, mas são estéreis, por isso esta variedade só se propaga por estaca.

Outros viburnos
Fotos: pva 0405

19/09/2004

Castanheiro-da-Índia

Folhagem do castanheiro-da-Índia
Enquanto os ouriços ainda estão na árvore-mãe a aproveitar as suas últimas semanas de gestação, as castanhas-da-Índia já se espalham pelo chão e ontem, em Serralves, vimos mais uma vez pessoas a mordiscá-las (não sei se algumas as chegarão mesmo a comer). Claro que aproveitámos logo para dois dedos de conversa...
Todos os anos, no S. Martinho pelo menos, se fala de castanhas e não seria inoportuno aproveitar essa ocasião para ensinar aos mais pequenos, e por arrasto aos crescidos, que o "vulgar" castanheiro e o castanheiro da Índia, que deixam nesta altura do ano cair as suas grossas sementes semelhantes a gordas e luzidias castanhas, são espécies bem distintas.
E alertar também para o facto de que as castanhas-da-Índia não são comestíveis, sendo costume entre nós utilizá-las contra a traça, nos roupeiros e nas cómodas. Tradicionalmente (no médio Oriente) eram dadas ao gado, sobretudo equino, mas só depois de as submeterem a diversos tratamentos para lhes retirarem o amargor.
Castanhas-da-Índia ................................................Castanheiro-europeu
fotos: manueladlramos -0409
Ao passo que o castanheiro comum (Castanea sativa) pertence à família das Fagáceas, a designação de 'castanheiro-da-Índia' refere-se às árvores da família das Hipocastanáceas, e sobretudo à espécie mais comum na Europa: Aesculus hippocastanum.
Até ao fim do séc. XIX pensou-se que esta era originária das montanhas da Índia (razão de ser do seu nome vulgar), vindo a descobrir-se que afinal nascia nas zonas montanhosas da Grécia e Turquia.