Tulipeiro revisitado
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ManuelaDLRamos
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20.4.07
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Etiquetas: album , Casa das Artes , Magnoliaceae , Porto
Está na altura de regressarmos, passadas já três semanas, ao caso dos jardins da CCDRN, um património que esse organismo quer vedar abusivamente ao usufruto público, privatizando-o em benefício dos seus funcionários e dirigentes. O uso que faço da palavra privatizar não é retórico: a CCDRN, na placa com que pretende proibir os utentes de aceder aos terrenos da Casa Allen à face da rua António Cardoso, escreve, em lapsus linguae revelador, que esse jardim é particular.
Seguindo a sugestão da Carla, escrevi, no dia 27 de Junho, uma carta ao Presidente da CCDRN sobre o acesso público ao jardim. Duas semanas depois, ainda não tive resposta - e ficaria na verdade muito surpreendido se alguma vez a tivesse.
Eis a carta na íntegra:
Exm.º Senhor Presidente da CCDRN
Rua da Rainha D. Estefânia, n.º 251
4150-304 Porto
Porto, 27 de Junho de 2006
Assunto: acesso público ao jardim da CCDRN
Exm.o Sr. Presidente:
O jardim da sede da CCDRN, à rua da Rainha D. Estefânia, é um exemplo precioso da arte dos jardins portuenses na viragem dos séculos XIX e XX. Como outros jardins da zona do Campo Alegre, hoje pertença da Universidade do Porto (como o Jardim Botânico, o Círculo Universitário ou a própria Faculdade de Arquitectura), insere-se num percurso histórico e patrimonial que recorda o que foram os grandes jardins privados de ilustres famílias portuenses como os Andresen, os Burmester e os Allen. Há traços comuns a todos esses jardins: as inúmeras camélias de porte arbóreo, o coleccionismo de árvores exóticas, a presença de estufas de aclimatação, os canteiros desenhados a buxo. Todo este património merece ampla referência no livro Jardins Históricos do Porto (edições Inapa, 2001), da autoria de Teresa Andresen e Teresa Portela Marques.
É pois natural que os turistas ou simples cidadãos que se interessem por jardins e valorizem este património queiram visitar, como parte do referido percurso, os jardins da CCDRN. E uma visita só não chega, pois os jardins mudam com as estações do ano e cada visita traz a sua surpresa. A mais recente e desagradável surpresa que tive foi a de ser impedido pelo vigilante de serviço, na passada sexta-feira, de visitar o jardim da CCDRN; e ontem uma amiga minha viveu igual experiência. Já antes, e incompreensivelmente, era proibido fotografar o jardim; agora também é proibido vê-lo.
É estranho que, funcionando na sede da CCDRN um centro de documentação aberto ao público ao qual o acesso se faz pelo jardim, se queira impedir o mesmo público de frequentar o jardim. Será para que não se veja o uso pouco digno que lhe tem sido dado, ocupado como está em grande parte pelo estacionamento?
Seja como for, esta atitude da CCDRN (semelhante à que o mesmo organismo tomou em relação ao jardim da Casa Allen, à rua de António Cardoso) é lesiva do natural usufruto, por parte dos cidadãos, de um espaço com alto valor patrimonial que estava, até há bem pouco tempo, aberto a quantos o quisessem admirar. Apesar de ser co-autor de um livro (À Sombra de Árvores com História, edição de 2004, já esgotada, da associação Campo Aberto) onde também se mostra e fala da monumental canforeira no jardim da CCDRN, não lhe peço autorização especial para frequentar o jardim. O que lhe peço é que esta decisão de o privatizar em benefício exclusivo da CCDRN e dos seus colaboradores seja anulada, e que ele volte a ser visitável pelo público em geral.
Agradecendo a atenção dispensada, apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,
Paulo Ventura Araújo
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Paulo Araújo
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14.7.06
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Etiquetas: Arvore monumental , Camellia , Casa das Artes , Porto
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«Árvore sagrada das antigas civilizações germânicas, dotada de uma longevidade pouco vulgar, a tília, como o carvalho, é uma árvore histórica e lendária. Para Siegfried, herói dos Nibelungos desempenha o mesmo papel nefasto da mãe de Aquiles ao pousar a mão sobre o calcanhar do seu filho; efectivamente, Siegfried tornado invulnerável por um banho de sangue, morreu de uma ferida nas omoplatas, no local onde no momento do banho, se fixara uma pequena folha de tília.
Como o ulmeiro-campreste, a tília é uma imponente árvore venerada no centro das povoações e frequentemente plantada en renques nas áleas dos parques e jardins públicos. Até à 2ª Guerra-Mundial, a cidade de Berlim orgulhou-se da sua Unter den Linden (Sob as Tílias), uma magnífica alameda de cerca de 1 km de extensão flanqueada por filas destas árvores seculares. »
In Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais, Seleções do Reader' s Digest (Lisboa ,1983)
Foto: Tílias no jardim Casa das Artes- Porto 04.04
(Em breve: A metamorfose de Filira)
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ManuelaDLRamos
em
12.6.06
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Etiquetas: Casa das Artes , Malvaceae , Porto


Aprendemos em pequeninos que uma dobra num rectângulo de papel, seguida do corte de um modelo, produz, abrindo-se a página, uma figura com simetria relativamente à linha de dobragem. Assim fizemos frisos de pássaros, peixes, conchas, bonecas e letras. Pois foi justamente este o procedimento que os tulipeiros adoptaram para fabricar as suas folhas.
Ao contrário da maioria das plantas, cujas folhas nascem inteiras, mas minúsculas, crescendo depois sem perder o formato inicial, o tulipeiro começa por fabricar apenas metade de cada folha; esta replica-se uns dias mais tarde como se desdobrasse uma página vincada.
A forma das folhas tem um interesse adicional: elas lembram silhuetas de gatos, com orelhas e bigodes perfeitamente desenhados. Para rematar tanta sabedoria, a floração ocorre em simultâneo com a folhagem nova e as flores são lindas tulipinhas com laivos cor-de-laranja e bordo caprichosamente revirado.
Por tudo isto aqui fica a sugestão: o tulipeiro mais majestoso do Porto está no jardim da Casa das Artes, na rua António Cardoso.
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Maria Carvalho
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19.4.06
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Etiquetas: Casa das Artes , Magnoliaceae , Porto
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Foto: mdlramos 0505- Fagus sylvatica "purpurea" na Casa das Artes
Hoje consegui finalmente ir ao jardim da Casa das Artes. As minhas tentativas aos sábados de manhã têm sido em vão, pois tenho deparado com os portões fechados. Falhei por isso a floração dos tulipeiros! Segundo me informaram hoje, agora o "segurança" só vem depois das duas da tarde (durante a semana) pois a Casa das Artes está em obras. No penúltimo sábado não era a única a "rondar" a porta. Não poderiam pôr um aviso a informar as pessoas? Que obras estão lá fazer-se? E porque é que os jardins da casa antiga, com entrada pela rua António Cardoso, onde está agora a CCRN se tornaram "privados"? De acesso restrito ainda se entenderia, mas "privados"!?
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Publicada por
ManuelaDLRamos
em
25.5.05
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Etiquetas: Casa das Artes , Fagus , Porto
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Paulo Araújo
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20.2.05
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Etiquetas: Casa das Artes , Porto , Rosaceae

Foto: pva 0411 - faia no jardim da Casa das Artes - Porto
Tirando uma ou outra menção ocasional, ainda aqui não tínhamos prestado a devida atenção à faia (Fagus sylvatica) - ela que é, em beleza de formas, a mais séria candidata, a par da tília, ao título de rainha das folhosas europeias. Tal como à tília, também à faia a perda das folhas não diminui o encanto, com a nudez invernal a evidenciar a arquitectura harmoniosa da sua copa e a lisura sem mácula do seu ritidoma cinzento.
Algumas notas soltas sobre a faia:
1) A Fagus sylvatica, árvore da família das fagáceas (a que também pertencem os géneros Quercus e Castanea), não faz parte da flora autóctone ibérica, embora seja espontânea em boa parte da Europa.
2) A faia é, em cada ano, uma das últimas árvores a despir-se de folhagem, já no termo do Outono; e, nessa fase, tem já muito adiantada a preparação da época seguinte: os botões das novas folhas, em forma de agulhas bojudas, surgem ainda no final do Verão anterior. As folhas secas formam, em redor de cada árvore, um espesso tapete que demora longo tempo a decompor-se - o que, juntamente com a copa densa e vasta, dificulta a germinação de outras plantas. Por isso é comum, no norte e centro da Europa, as faias formarem bosques mono-específicos.
3) A faia é a melhor árvore para inscrever mensagens (passatempo aceitável se praticado com moderação): coração que nela se grave não se apaga, antes se expande sem distorções e dura uma vida inteira - porventura até às bodas de ouro, garantidamente até ao divórcio. Para o mesmo efeito, a pior árvore é, sem dúvida, o plátano: o contínuo descascamento do tronco faz desaparecer em poucos meses qualquer jura de amor eterno que se lhe confie.
Foto: mdlr 0411 - Bosquete de faias em Serralves
4) A faia é frequente em jardins e parques portugueses (não tanto em ruas, porque as suas dimensões não a recomendam para alinhamentos), e será pois escusado dizer aos leitores onde a podem encontrar. Mas seria indesculpável não assinalar, no Porto, o bosquete de faias em Serralves, que é o mais bonito e homogéneo que conhecemos, e inclui um espécime do raro cultivar asplenifolia, com folhas profundamente recortadas.
Publicada por
Paulo Araújo
em
24.11.04
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Etiquetas: Casa das Artes , Fagus , Porto