Mostrar mensagens com a etiqueta Fagus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fagus. Mostrar todas as mensagens

12/11/2022

Perfume dos bosques



Outono nos bosques é tempo de cogumelos (que, por precaução, nunca colhemos), de castanhas (essas sim, apanhamo-las, ainda que os castanheiros assilvestrados produzam frutos de calibre reduzido), e de diversos cheiros rústicos que misturam humidade com matéria vegetal em decomposição. A imagem acima, de um faial (de Fagus sylvatica) algures na Cantábria, foi captada com as cores frescas da Primavera, e entretanto pelo mesmo bosque já passaram repetidamente as sucessivas estações do ano, cada uma com a sua combinação peculiar de cores e cheiros. Em Portugal também temos faiais, mas são tristes plantações florestais e não bosques espontâneos, e por isso lhes faltam quase todos os ingredientes que fazem o encanto dos faiais do norte de Espanha. Por exemplo, não temos cá nem o super-chícharo, nem a valeriana-gigante, nem esta madressilva, nem a hepática, nem, finalmente, o Galium bem cheiroso que é pretexto para a conversa de hoje.

Galium odoratum (L.) Scop.


O Galium odoratum é uma planta de climas temperados ou frios que vegeta em bosques mais ou menos sombrios — não apenas de faias, mas também de abetos ou de azevinhos — e se encontra distribuída por grande parte da Europa e da Ásia, rareando na região mediterrânica. Não por acaso, a sua distribuição na Península Ibérica sobrepôe-se em grande parte à da faia enquanto árvore espontânea: é frequente na Cordilheira Cantábrica e nos Pirenéus, e quase inexistente a sul dessas cadeias montanhosas. Adaptada à luz escassa, a planta optou por um tipo de crescimento mais ou menos rastejante, comum a várias espécies (como a hera) que vivem nas mesmas circunstâncias. Tenta assim maximizar a cobertura do solo e aproveitar, tanto quanto possível, as nesgas de luz que a folhagem das árvores vai deixando coar. Apesar de serem muitas as espécies de Galium na flora portuguesa, nenhuma tem essa vocação para tapete vegetal, e as que vivem em bosques tendem a refugiar-se em clareiras, sendo talvez o Galium rotundifolium a mais notória excepção a essa regra.

Se o epíteto que ostenta não for falsa promessa, alguma mais valia olfactiva há-de o Galium odoratum trazer aos bosques onde mora. As fontes consultadas confirmam que isso é verdade, mas ressalvam que talvez o perfume exalado pela planta não seja muito pronunciado quando as folhas estão ainda tenras. Será essa a razão para o não termos detectado? O perfume de cumarina (igual ao da Magydaris panacifolia, umbelífera frequente em Trás-os-Montes) é produzido por toda a planta, não especialmente pelas flores, e persiste quando a planta é cortada, acentuando-se à medida que ela seca. Não espanta que, muitas vezes, o seu destino seja transformar-se em pot-pourri. Praticado em grande escala, talvez esse aproveitamento fosse uma ameaça à sobrevivência da espécie, mas nem toda a gente está habilitada a reconhecê-la na natureza e, em todo o caso, há já quem a cultive para esse fim.

17/10/2015

Estrela maior


Abiada, Cantábria — bosque ribeirinho de Fagus sylvatica
Imagine o leitor que segue por um trilho numa floresta atapetado de folhas e com solo esbranquiçado que parece calcário, a saltitar para não se molhar nos regatos que se atravessam no caminho — e lhe aparece esta planta. Que nome lhe daria? Dir-se-ia que as folhas são de uma Anemone gigante, mas o porte erecto e as inflorescências lembram os do género Eryngium. Não concorda? Ora repare nas brácteas duras, coloridas de verde ou púrpura e com um ápice aguçado, a formar uma taça que envolve as flores. É certo que, embora quase sempre presente nas umbelíferas, este tipo de invólucro nem sempre está tão desenvolvido como nos cardos, mas as flores das asteráceas não são assim. Bem, confiemos na intuição e avancemos: está encontrada a família, Apiaceae. E temos um candidato a género; a confirmar-se, falta descobrir a espécie.


Astrantia major L.


Uma busca rápida num guia de plantas das Astúrias mostra, mais uma vez, como as aparências podem iludir os amadores. Trata-se de uma umbelífera, sem dúvida, mas não do género Eryngium. A designação Astrantia foi proposta por Lineu e esta espécie, por ser uma herbácea alta (acima dos 40 cm de altura), com umbelas que, ao longe, parecem grandes malmequeres (cada uma com 30 a 50 flores minúsculas, de uns 3 a 4 mm de diâmetro), é a Astrantia major. A menos robusta, que prefere substratos silíceos acima dos 1800 m de altitude e não vive nas montanhas cantábricas que visitámos, ficou com o nome Astrantia minor. São ambas espécies nativas do centro e sul da Europa, de prados de montanha, clareiras de bosque ou locais rochosos. O género Astrantia integra ainda umas oito espécies adicionais na Europa e no oeste da Ásia, todas de habitats montanhosos, mas nenhuma delas se estabeleceu em Portugal.

O nome Astrantia, que deriva do termo grego ástron (estrela) parece querer dizer que esta planta é obviamente uma margarida. Afinal não fomos os únicos enganados ao primeiro olhar pela sua aparência.

28/08/2009

A natureza paga-se



Epping Forest. Riacho (Loughton Brook) rodeado por faias (Fagus sylvatica).

Desde 1878 que a Epping Forest é propriedade do município de Londres (City of London Corporation). Os objectivos estatutários da gestão da floresta são a preservação do seu aspecto natural e a sua manutenção enquanto espaço verde público - duas metas que podem ser contraditórias. Certo é que (como se explica na brochura The Official Guide to Epping Forest, Corporation of London, 1993) a noção de aspecto natural é controversa; e, em qualquer caso, não é a mesma coisa que estado natural. Se a floresta não tivesse sido usada pelo homem durante séculos, o que teríamos no seu lugar seriam bosques em grande parte impenetráveis. Com esse estado de coisas, nem os utentes humanos ficariam bem servidos, nem haveria, por estranho que pareça, igual diversidade de fauna e flora. Uma grande parte do esforço de gestão da floresta é assim, paradoxalmente, uma luta contra as forças da natureza: ora evitando que o excesso de vegetação ripícola faça secar charcos e lagos; ora permitindo a existência de clareiras para refúgio de plantas herbáceas e de répteis; ora criando condições para a regeneração natural do arvoredo. O custo desta manutenção ultrapassa os quatro milhões de libras anuais.

Claro que nem todas as actividades de recreio são permitidas na floresta. Os veículos a motor estão interditos nos caminhos florestais, só podendo circular nas (poucas) estradas. Autorizam-se equitação e ciclismo, mas com restrições. O vale do riacho (Loughton Brook) que se vê nas fotos, com o curioso leito em zigue-zague escavado em solo arenoso, foi declarado como sítio geomorfológico de importância regional; para evitar estragos, é interdito percorrê-lo de bicicleta ou a cavalo.

Talvez possamos tirar lições de tudo isto. A primeira é que a natureza (pelo menos aquela muito modificada pela presença humana) exige manutenção e gastos: com os orçamentos miserabilistas que temos (tanto do governo como das câmaras), os nossos espaços naturais só podem continuar a degradar-se. A segunda é que as proibições são para cumprir. O turismo desregrado dito de natureza, que a inexistente vigilância nunca poderá dissuadir, é outro dos nossos grandes males: autocaravanas estacionadas em arribas, percursos pedestres em parques naturais invadidos por veículos todo-o-terreno (como sucede na Serra dos Candeeiros), piqueniques que deixam um rasto de lixo e sujidade.

24/08/2009

O charco perdido



Lost Pond, Epping Forest.
Fagus sylvatica L. (em cima); Betula pendula Roth e Cardamine pratensis L.

Os aprendizes da natureza agradecem todas as ajudas quando primeiro se aventuram num bosque, numa serra ou numa reserva natural. Surgem assim aqueles percursos recomendados onde os nossos medrosos e hesitantes passos são guiados por setas ou tracinhos coloridos. São como as rodinhas laterais de quem, criança ou já adulto, aprende a equilibrar-se numa bicicleta. E, tal como ninguém chega a ser um verdadeiro ciclista se não dispensar, a dada altura, as rodinhas extra, também não atinge um estado de verdadeira fruição da natureza quem sempre se limita aos trilhos sinalizados. Onde não há estradas nem passeios para peões também não deve haver barreiras para o inesperado. Às vezes um pequeno desvio - aquela árvore ou aquela pedra servindo-nos de referência para o caminho de regresso - proporciona uma grande descoberta: uma planta ou pássaro que nunca tínhamos visto, um lençol de água oculto pelo arvoredo.

Em Portugal muitas pessoas há que partem à descoberta da natureza sem nunca saírem dos trilhos. Ficam-se, assim, por aqueles pedaços de natureza que outros seleccionaram para elas. É verdade que os caminhos não assinalados requerem um sentido de orientação e uma familiaridade com o terreno que só gradualmente se adquirem. Mas quem se fica temerosamente pelo conhecido e repisado abdica da relação profunda com os lugares que só as escolhas ditadas pelo improviso e pelas preferências pessoais podem criar.

Nos parques, bosques ou reservas naturais de Inglaterra a regra é que os caminhos não estejam sinalizados. Quem quiser socorre-se dos seus próprios meios - mapas, bússolas, GPS, simples intuição - para definir os seus percursos. Ninguém é apaparicado: quem frequenta esses lugares tem desde logo que se emancipar. Porque a natureza (e é a natureza possível, ainda que mitigada, que buscamos) não vem equipada com setinhas ou postes, nem os outros animais da criação carecem dessas muletas.

É verdade que se vendem folhetos com percursos, mas com indicações tão escassas e por vezes tão enigmáticas que mais parecem os mapas do tesouro das histórias juvenis. E esse espírito lúdico e aventureiro é perfeitamente ajustado: podemo-nos enganar uma ou outra vez (é aliás o mais provável), mas é nesses desvios imprevistos que está grande parte da piada; e se, ultrapassados os percalços, chegarmos ao fim, sentimo-nos tão argutos como o herói numa aventura de piratas.

A Lost Pond é um dos 150 lagos ou charcos que existem espalhados pela Epping Forest e perfazem uma área total de 40 hectares. Não é visível de nenhum dos grandes caminhos que cruzam a floresta. Há um pequeno atalho, tenuemente marcado no chão, que emerge de um desses caminhos e serpenteia duas ou três centenas de metros num cerrado bosque de faias até à clareira ocupada pelo lago. Uma vez lá, dão-se dois passos na margem e o atalho parece apagar-se. Seria aquele ou o outro? Nada parece distingui-los. Felizmente, a bétula com as raízes salientes (foto em cima) ficou a assinalar o atalho correcto, e o regresso fez-se sem problemas. Houve tempo para admirar os marrecos que nadavam no seu sossego, a faia de troncos múltiplos, e uma rara planta aquática (Cardamine pratensis) que só neste esconso lago se fez achada. O isolamento e a solidão eram tão absolutos como na mais remota floresta virgem.

21/08/2009

Epping Forest



Epping Forest. Em cima: Quercus robur. Em baixo: Fagus sylvatica, Betula pendula

Londres é uma amálgama de cidades sobrepostas e contrastantes. Há os túneis da rede de metro, com as carruagens apinhadas nas horas de ponta, os tablóides gratuitos que, abandonados nos assentos, vão passando de mão em mão. Títulos de um sensacionalismo desavergonhado: professores garantem que macacos podem ser treinados para passar nos exames nacionais; máquina multibanco em supermercado fornece dinheiro grátis a clientes. Há o consumismo efervescente, tanto de turistas como de autóctones, em Oxford Street, em Picadilly, nos armazéns Harrods. Há a Madame Tussaud com as inexauríveis filas de visitantes à porta. Há os museus e galerias onde dias inteiros não chegam senão para admirar uma ínfima parte dos acervos. Há o teatro sério, de reportório, e o musical-para-toda-a-família (Os Miseráveis, O Fantasma da Ópera, Blood Brothers) que se mantém em cartaz anos a fio.

E, entremeando este labirinto urbano no limite da alucinação, há os enormes plátanos nas ruas, há os jardins e parques dos mais variados tamanhos democraticamente espalhados pelo território da metrópole. De facto, aos habitantes pouco abonados dos subúrbios cabe até um quinhão mais generoso na distribuição do verde. A Epping Forest é o maior espaço verde público da capital britânica; situada a nordeste de Londres, estende-se por 18 km no sentido norte-sul e tem uma largura máxima de 4 km. Reserva de caça real desde os alvores do segundo milénio da era cristã até meados do século dezanove, foi protegida por decreto parlamentar de 1878, onde se estipulou que a floresta permaneceria sem construções e de livre acesso para todos.

Do que a Epping Forest não se livrou foi da completa suburbanização do seu perímetro: Leyton, Wanstead, Walthamstow, Chingford e Loughton são bairros que prolongam a malha urbana londrina e completam o cerco da floresta. Locais indistinguíveis uns dos outros, feitos do mesmo tijolo vermelho ou bege, com o mesmo comércio de rua a um passo da falência, os mesmos pubs, os mesmos pindéricos shopping centres, os mesmos hipermercados (Tesco ou Sainsbury's), os mesmos bairros residenciais. Quem lá vive só é privilegiado por ter a Epping Forest à porta de casa. E, para o visitante de ocasião, é a existência desses bairros periféricos que lhe permite o conforto de chegar às franjas da floresta usando metro ou autocarro.

Apesar do seu carácter urbano, a Epping Forest não é uma floresta de brinquedo. A começar pelo tamanho: ocupa 24 km2 (2400 hectares), o que, para usar termo de comparação que se entenda, é bem mais de metade da área do concelho do Porto (que tem 42 km2). O coberto arbóreo é denso e os caminhos não estão sinalizados, o que faz com que um visitante desprevenido se perca com a maior das facilidades. Isso, porém, só seria um óbice numa floresta menos frequentada: aqui passa sempre alguém que nos põe na rota certa.

Na Epping Forest palmilhamos quilómetros e quilómetros sem ver um carro, entre carvalhos, faias, bétulas, carpas (Carpinus betulus), azevinhos e avelaneiras. Aqui e ali abrem-se clareiras, vislumbram-se lagos e charcos. Acompanha-nos o som dos pássaros, das aves aquáticas, do vento sacudindo a folhagem das árvores. Tudo isto na mesma cidade em que os peões se acotovelam nos passeios, e em que o metro e o trânsito automóvel nem por um momento descansam do seu afã nas 24 horas do dia.

09/06/2008

Burnham Beeches



Fagus sylvatica

Burnham Beeches é uma reserva natural de 220 hectares situada 30 quilómetros a oeste de Londres, no condado de Buckinghamshire. Chega-se lá tomando na estação de Paddington um comboio para o subúrbio residencial de Slough, e daí apanhando o autocarro n.º 74; meia hora depois, a meio de uma longa recta, apeamos-nos em frente de uma public house com o acolhedor nome de Forester's Arms. A estrada é estreita, rodeada pelas usuais casas de dois pisos com jardim e paliçada de madeira, figurino que se repete no curto labirinto de ruas até à entrada da reserva.

Beech é o nome inglês para a Fagus sylvatica, que nós conhecemos como faia; e é justamente um bosque de faias que ocupa a maior parte da reserva. Mas há outros habitats que dão a Burnham Beeches uma diversidade surpreendente: há uma zona húmida, quase um sapal, que culmina num lago com nenúfares e juncos; há ainda uma área seca, de vegetação esparsa, dominada pelo tojo e pelo zimbro, que é importante refúgio de répteis; e há, finalmente, zonas de pastagem para vacas e cavalos, a quem cabe impedir que, em certas partes sensíveis, a vegetação se adense muito.

Burnham Beeches não é criação espontânea da natureza, mas sim um mosaico de paisagens moldadas pela acção humana. Nos terrenos desde há muito usados como pastagens desenvolveu-se um ecossistema peculiar, que só a continuidade desse uso permite manter. E as faias que dão fama à reserva não cresceram livremente: durante séculos serviram para produzir madeira; todos os seus ramos acima de uma certa altura eram periodicamente cortados. As árvores assim tratadas são conhecidas como pollards. A prática parece ter caído em desuso, mas não deve ser confundida com as nossas podas radicais: tratava-se de uma prática de silvicultura e não de (má) gestão de árvores ornamentais, como por cá sucede. E as árvores assim conduzidas eram sujeitas a esse tratamento desde jovens: como muito bem sabiam os seus cultores, a operação era potencialmente mortífera se aplicada a árvores adultas com desenvolvimento normal.

Se tiver aguentado as primeiras tareias, uma árvore tratada como pollard acaba por ter uma vida mais longa do que as suas irmãs não deformadas. Em Burnham Beeches há faias com 400 ou 500 anos, embora a esperança de vida dessa árvore não costume ir além dos 200. Tais veteranas devem ser contempladas com o respeito devido à idade, mas prefiro-lhes as árvores mais jovens que, na mata, dançando sobre o tapete vermelho das folhas do último Outono, compõem um autêntico bailado de troncos esbeltos e lisos contra o verde brilhante da folhagem.

29/08/2007

Cores da Aveleda



Agosto de 2007

É em lugares como a Quinta da Aveleda que os olhos reencontram as cores que foram roubadas à cidade. Nas fotos de cima, os arranjos florais incluem Impatiens e Lobelias; na base do muro, há ainda begónias-tuberosas (Begonia x tuberhybrida). Mas na Aveleda podem também admirar-se árvores formidáveis, como as duas faias nas fotos de baixo: a primeira, fotografada há poucos dias com a sua folhagem cor-de-cobre contra o azul do céu, vive rodeada por um maciço de flores; a segunda, ainda despida nos primeiros dias de Abril, deixa entrever ao longe a vinha impecavelmente alinhada; em primeiro plano, vêem-se azáleas e carvalhos (Quercus robur) com a folhagem já a despontar.

A Quinta da Aveleda está aberta aos visitantes todos os dias úteis e também aos sábados de manhã; o ingresso custa 2,5 euros por pessoa, preço que inclui prova de vinhos e de queijos numa sala de estar aconchegante, decorada ao gosto novecentista.



Agosto de 2007 / Abril de 2007

09/07/2007

Faia-de-cobre


Fagus sylvatica var. purpurea

Há quatro anos, uma hecatombe varreu as faias do Jardim Botânico do Porto: a primeira delas caiu quebrada pelo vento; feitas as análises, soube-se que um fungo mortífero lhe havia atacado as raízes; atingidas pela mesma enfermidade, as outras faias acabaram por ser cortadas. Só uma das faias adultas estava saudável, e só essa foi poupada: é a que vemos nas fotos com a folhagem cor-de-cobre a refulgir ao sol. Agora, no jardim renovado, há um caminho que parece ter sido rasgado com o propósito de a admirarmos, abrindo-se para uma clareira onde ela, com desculpável vaidade, se mostra de corpo inteiro.

Com um convite destes, haverá quem recuse visitar o Jardim Botânico? E, já agora, faça-o no próximo domingo na companhia da Campo Aberto.

25/01/2006

A nudez forte


Parque de Serralves / Serralves Park
Exposição / Exhibition: A nudez forte / Fierce nudity
Comissário / Curator: F.Rio d'Hiver
Horário de abertura / Opening hours: terça a domingo / tuesday to sunday - 10h00-19h00
Até / Until: sabe Deus quando / God knows when

Assumindo a ruptura com o conceito tradicional de árvore, questionando o estereótipo das copas pejadas de folhas, esta exposição propõe um lúdico e inovador exercício de transparência como contraste à opacidade primaveril.

By rejecting the tradicional concept of tree and thus questioning the stereotype of leaf-ridden crowns, this inovative exhibition sets up a playful exercise in transparency as opposed to spring-like opaqueness.

28/09/2005

Faia tricolor



Fotos: pva 0505

Este cultivar muito gracioso da faia europeia tem folhas de cor púrpura com margens cor-de-rosa debruadas por uma penugem branca. De crescimento lento, difere do comum da sua espécie (Fagus sylvatica) pelo menor porte e pelos ramos nitidamente ascendentes. O exemplar das fotos é jovem e mora nos jardins do Palácio de Cristal, à direita da entrada principal. Podem ver-se em alguns ramos uns saquinhos com terra que cobrem incisões na casca; delas espera o jardineiro que brotem raízes para que tais ramos formem clones da planta. Sendo a Fagus sylvatica «Roseomarginata» estéril, estes alporques são o modo mais eficaz de a multiplicar.

25/05/2005

Faia- folhagem

.

Foto: mdlramos 0505- Fagus sylvatica "purpurea" na Casa das Artes
Hoje consegui finalmente ir ao jardim da Casa das Artes. As minhas tentativas aos sábados de manhã têm sido em vão, pois tenho deparado com os portões fechados. Falhei por isso a floração dos tulipeiros! Segundo me informaram hoje, agora o "segurança" só vem depois das duas da tarde (durante a semana) pois a Casa das Artes está em obras. No penúltimo sábado não era a única a "rondar" a porta. Não poderiam pôr um aviso a informar as pessoas? Que obras estão lá fazer-se? E porque é que os jardins da casa antiga, com entrada pela rua António Cardoso, onde está agora a CCRN se tornaram "privados"? De acesso restrito ainda se entenderia, mas "privados"!?
.

24/05/2005

As faias do Jardim do Passeio Alegre

.


Fotos: mdlramos - Abril 2005
As duas faias (Fagus sylvatica L.) do Jardim do Passeio Alegre encontram-se lado a lado, o que realça ainda mais a diferença da sua bela folhagem: verde luminoso uma, e vermelho escuro, a outra, da variedade purpurea.
A primeira faia "purpurea" foi descoberta em1680 num cantão de Zurich, em Buch e tornou-se o antepassado de todas as faias de folhas de cor vermelha. A estas faias está associada uma lenda macabra: viviam nesse local 5 irmãos que se mataram uns aos outros; para perpetuar a memória deste fatricídio horrível, conta a lenda que Deus quis que todas as faias descendentes da que foi manchada pelo sangue dos irmãos conservassem reflexos vermelho-púrpura na sua folhagem. (Cf. Le hêtre, Robert Bourdu, "le nom de l'arbre", Actes du Sud)
.
A faia em quatro novas lições
.

28/12/2004

A faia pseudo-mutante


Fotos: ver 0412 - Jardim Botânico de Glasgow


Conversámos tanto sobre esta faia (à direita na primeira foto) que ela bem merecia o destaque de ficar sozinha na montra. Ficou a dúvida: coalescida ou mutante-regressiva? (Sabe bem enrolar na língua palavras como estas, atestados de sabedoria que obrigam quem as ouve a socorrer-se furtivamente do dicionário...) Indiscutível é que sofre de uma indefinição de personalidade que se traduz num fenómeno inédito em faias: tem algumas folhas normais, outras típicas do cultivar asplenifolia e, a julgar pela foto, outras intermédias entre essas duas formas.

À nossa correspondente em Glasgow (que está de visita ao Porto e tivemos o gosto de conhecer ontem pessoalmente) um muito obrigado por ter partilhado esta árvore connosco.

16/12/2004

A faia em quatro novas lições



Fotos: pva 0411-0412 - Fund. Eng. António de Almeida e Serralves

No tempo em que a ludo-pedagogia não dominava exaltava-se o valor didáctico da repetição, e daí que muitos portugueses acima dos trinta ainda saibam recitar a tabuada ou consigam calcular o troco de cabeça. Da repetição, argumentava-se, acabaria por nascer a compreensão: de tanto insistir que 9x8 = 72, alguma vez, num relâmpago de inspiração, se iriam perceber as razões profundas de tão estranho resultado.

aqui falámos da faia: da sua robustez elegante, da sua fidelidade como repositório de afectos gravados, das cores outonais da sua folhagem. Mas, com a sucessão dos dias, os textos antigos são empurrados para o fundo da página até adormecerem no arquivo. Desfilam novos assuntos, novas árvores; porém a faia continua a deslumbrar-nos. Por isso a recapitulamos em quatro novas lições ilustradas: à força de a repetirmos ela há-de fazer parte de nós, e então talvez a possamos compreender.

30/11/2004

Cancioneiro popular - tronco

....

Faia- Serralves
Na casca de um tronco seco
O teu nome escrevi eu;
O meu amor é tão forte
Que o tronco reverdeceu.
...
(Tenho-me perguntado várias vezes: será que não há faias em Elsinore?)

24/11/2004

Rainha Faia


Foto: pva 0411 - faia no jardim da Casa das Artes - Porto

Tirando uma ou outra menção ocasional, ainda aqui não tínhamos prestado a devida atenção à faia (Fagus sylvatica) - ela que é, em beleza de formas, a mais séria candidata, a par da tília, ao título de rainha das folhosas europeias. Tal como à tília, também à faia a perda das folhas não diminui o encanto, com a nudez invernal a evidenciar a arquitectura harmoniosa da sua copa e a lisura sem mácula do seu ritidoma cinzento.

Algumas notas soltas sobre a faia:

1) A Fagus sylvatica, árvore da família das fagáceas (a que também pertencem os géneros Quercus e Castanea), não faz parte da flora autóctone ibérica, embora seja espontânea em boa parte da Europa.

2) A faia é, em cada ano, uma das últimas árvores a despir-se de folhagem, já no termo do Outono; e, nessa fase, tem já muito adiantada a preparação da época seguinte: os botões das novas folhas, em forma de agulhas bojudas, surgem ainda no final do Verão anterior. As folhas secas formam, em redor de cada árvore, um espesso tapete que demora longo tempo a decompor-se - o que, juntamente com a copa densa e vasta, dificulta a germinação de outras plantas. Por isso é comum, no norte e centro da Europa, as faias formarem bosques mono-específicos.

3) A faia é a melhor árvore para inscrever mensagens (passatempo aceitável se praticado com moderação): coração que nela se grave não se apaga, antes se expande sem distorções e dura uma vida inteira - porventura até às bodas de ouro, garantidamente até ao divórcio. Para o mesmo efeito, a pior árvore é, sem dúvida, o plátano: o contínuo descascamento do tronco faz desaparecer em poucos meses qualquer jura de amor eterno que se lhe confie.


Foto: mdlr 0411 - Bosquete de faias em Serralves

4) A faia é frequente em jardins e parques portugueses (não tanto em ruas, porque as suas dimensões não a recomendam para alinhamentos), e será pois escusado dizer aos leitores onde a podem encontrar. Mas seria indesculpável não assinalar, no Porto, o bosquete de faias em Serralves, que é o mais bonito e homogéneo que conhecemos, e inclui um espécime do raro cultivar asplenifolia, com folhas profundamente recortadas.

09/08/2004

Faia - raiz