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05/09/2024

Sem medo das alturas



No instante em que se inventou a fotografia, não foram só a ciência, a tecnologia, a arte e a nossa memória que se agigantaram. O mundo deixou de ser sempre a cores. E decerto muitos começaram a sonhar a preto e branco. Durante cerca de quatro décadas, a fotografia guardou apenas contrastes em imagens sem profundidade, incapaz de memorizar a realidade na íntegra. Nas fotos mais antigas, as famílias amontoadas como migalhas de pão parecem-nos irreais de tão imóveis e tão sem volume. Apesar do entusiasmo da novidade, continuava a ser mais fácil descrever um rouxinol por palavras, ou fantasiado numa tela de pintura, do que registá-lo em voo com uma máquina fotográfica. Tudo mudou anos depois, e o cinema deu a estocada final no descrédito. E, no entanto, a tendência de hoje é outra. A realidade tem agora pouco interesse, e o acto outrora breve de fotografar ganhou uma nova função: aprimorar o mundo, mentindo se necessário, evitando-se a mera cópia do que existe ou acontece. A edição da fotografia, por vezes eliminando as cores, com fins artísticos ou para aperfeiçoar a verdade, tem criado um mundo alternativo que, no entender de muitos, substitui com vantagem o real. E ainda há quem estranhe que o universo esteja em expansão.

Viola crassiuscula Bory


Se às fotos destas violetas endémicas da serra Nevada fossem retiradas as cores, não saberíamos de que espécie se tratava. Poderiam ser exemplares de Viola langeana, que ocorre nas serras da Estrela, Malcata e Homem de Pedra, e cujas flores são integralmente amarelas; ou da Viola diversifolia, dos Pirenéus, com flores inteiramente roxas. As flores da V. crassiuscula, em numerosos talos, combinam o violeta, o rosa e o branco, e cada planta não excede os 15 cm de altura. Vive adaptada a solos soltos acima dos 2000 metros de altitude, em fissuras de rochas e cascalheiras, com a raiz bem enterrada para que um deslize de pedras ou uma ventania forte não a condenem. É uma espécie rara, listada no livro vermelho da flora da Andaluzia.

21/07/2023

Violeta de La Palma



La Palma, La Isla Bonita, tem um formato triangular e constitui com El Hierro o par de ilhas mais jovens, e mais ocidentais, do arquipélago das Canárias. Localizada aproximadamente no baricentro deste triângulo, e a dominar o norte da ilha, a caldeira do vulcão Taburiente é uma bacia erodida com 9 quilómetros de diâmetro, em cujo cume se atinge o ponto mais alto desta ilha: Roque de los Muchachos, a cerca de 2420 metros de altitude, acima das nuvens trazidas pelos ventos alíseos e, por isso, com um clima continental seco.

A actividade vulcânica mais recente em La Palma (em 1971 e em 2021) ocorreu longe deste centro elevado, nos vulcões Teneguía e Tajogaite, a sul e sudoeste da ilha, respectivamente. E é precisamente a relativa tranquilidade geológica da caldeira do Taburiente que ali assegura um habitat propício à instalação de telescópios gigantes de olhar apurado, que tiram partido de uma atmosfera que minimiza as deformações ópticas e de regras na iluminação pública que reduzem a poluição luminosa, como dita a Declaração da Unesco sobre a defesa do céu nocturno e do direito à luz das estrelas. Não deixa de ser surpreendente a necessidade de legislar para defender este nosso direito.

Essas condições naturais são igualmente benéficas à vegetação de alta montanha, seja o matorral que aprecia solo pedregoso árido e a quem basta a humidade que as escórias vulcânicas recolhem do orvalho, sejam as herbáceas das ladeiras ressumbrantes do interior da caldeira, um dos nichos de vegetação rupícola mais interessantes do arquipélago das Canárias. E, tal como o Pico do Teide (acima dos 2100 m) e o Maciço de Anaga (entre os 700 e os 900 m), ambos em Tenerife, a caldeira do Taburiente tem uma violeta só sua, que habita gretas e terrenos pedregosos secos entre os 1900 e os 2400 m de altura, e floresce de Abril a Maio.

Viola palmensis Webb & Berthel.


Trata-se de uma herbácea perene (tal como a do Teide; a violeta de Anaga é vivaz), com talos lenhosos, que pode chegar aos 25 cm de altura. Explorando fotos dos detalhes, a violeta de la Palma distingue-se bem das violetas do Teide e de Anaga pois tem folhas pecioladas, um tom claro de roxo nas pétalas e um esporão delgado. As flores são maiores do que as da violeta do Teide, mas tal como nesta o lábio inferior exibe uma mancha amarela sublinhada por uns (leves) tracinhos escuros. Contudo, só a violeta de La Palma forma tapetes azulados que cobrem vastas encostas de pedra expostas ao sol (e às outras estrelas).

17/06/2021

Violeta da Madeira

O género Viola contém cerca de 600 espécies que se adaptaram bem ao clima temperado do hemisfério norte, com raras excepções em climas mais extremos. Na nossa visita recente à Madeira, procurámos algumas das plantas dos picos mais altos, as que florescem antes que o calor se torne excessivo, e dessa lista constava uma viola. Depois de tentar, sem sucesso, avistar algum exemplar dessa viola em flor no Pico do Areeiro, encontrámos finalmente uma planta florida no Pico Ruivo. Tivemos de subir acima de uma espessa nuvem, de sentir por vezes as orelhas e a ponta do nariz demasiado aquecidas pelo sol, para de seguida nos impacientarmos com os arrepios de vento frio, de percorrer com muita cautela bordos de escarpas mal protegidas, e de suspirar com o cansaço nos olhos de tanto procurar flores pequeninas; mas na volta, com a fotografia tão desejada, esvoaçámos de contentamento. Apesar dos inúmeros turistas, não foi preciso disputar um lugar na fila para fotografar a única flor de Viola paradoxa que ali se via. Em alegres almoços de campanha, os visitantes queriam apenas fotografar-se no belo cenário de picos com nuvens, decididos a registar, para de imediato enviar ao mundo, a heróica chegada ao topo da ilha.



Endémica do Arquipélago da Madeira, esta violeta rara está protegida pelo Anexo II e IV da Diretiva Habitats e pelo Anexo I da Convenção sobre a Vida Selvagem e os Habitats Naturais na Europa. É uma herbácea perene, de folhagem densa e folhas carnudas. As flores são solitárias e axilares, com uma corola de cerca de 2,5 centímetros de diâmetro e pétalas enfeitadas com nervuras escuras (como bigodes de gato).

Viola paradoxa Lowe

Na primeira descrição desta espécie, em 1838, Lowe assinala a parecença do tamanho, formato e disposição das pétalas das flores da Viola paradoxa com as da espécie Viola calcarata (uma planta alpina, nativa das montanhas do sudeste da Europa); as folhas, porém, escreve Lowe em latim, são como as da Viola tricolor (os pequenos amores-perfeitos coloridos em vários tons que vemos floridos entre Abril e Setembro nos canteiros de alguns jardins públicos). Uma mistura tão invulgar de morfologias valeu-lhe naturalmente o epíteto paradoxa. Floresce em Junho e vive em fissuras de rochas na zona montanhosa central da Madeira, dos 1600 aos 1800 metros de altitude.

01/06/2019

Violeta do Teide




O Pico do Teide é um cone vulcânico quase perfeito com cerca de 3720 metros de altura e de formação recente (tem uns 200 mil anos, mas o sistema de vulcões a que ele pertence está ainda activo). No Inverno, e apesar da proximidade das ilhas Canárias ao norte de África, cobre-se de neve; no resto do ano surge em muitas manhãs envolto em nuvens espessas. A paisagem lembra imagens recentes de Marte, com o chão alaranjado, azulado ou esbranquiçado, entremeado por lava escura e cinzas.



Este é um lugar árido e poeirento, com extensas zonas de rocha basáltica sem solo nem água, e diferenças nas temperaturas diurna e nocturna que podem atingir os 20ºC. Por isso, são poucas as plantas que se atrevem a colonizá-lo. Algumas das que o conseguiram, nos declives mais suaves das caldeiras ou em nichos de pedra-pomes, sorvem o orvalho e a neblina fria da noite e são hoje endemismos das ilhas Canárias que ocorrem apenas no Parque Nacional do Teide. A maioria tem folhas lanceoladas e erectas, cobertas de penugem fina onde o orvalho se condensa, com secção em V para que a água que ali caia não se desperdice, sendo canalizada para o centro da planta. A folhagem dispõe-se em roseta, ou num arranjo compacto e prostrado, decerto com o objectivo de minimizar as perdas de água pela excessiva exposição ao sol. Curiosamente, são frequentes as hastes florais altas e ondulantes, que se avistam à distância.

Sob condições tão adversas, as plantas preferem hibernar durante quase todo o ano, florindo brevemente entre Maio e o início de Julho. Nessa altura, a flora do Parque Nacional del Teide é um prodígio de cor e diversidade. Na nossa visita em Maio à Montaña Blanca não havia ainda muitas flores (o que obriga a nova viagem num Junho futuro), mas esta preciosa violeta tricolor estava à nossa espera.



Viola cheiranthifolia Humb. & Bonpl.



A primeira descrição da violeta-com-folhas-de goivo, que vive acima dos 2100 m e só ocorre no Parque Nacional do Teide, é de Alexander von Humboldt (1769-1859), naturalista e explorador alemão, e do botânico francês Aimé Bonpland (1773-1858). Durante a viagem, financiada por Espanha, que ambos fizeram à América Latina entre 1799 e 1804, registaram mais de 6000 espécies de plantas que eram então desconhecidas na Europa. O navio Pizarro em que seguiam para a América do Sul fez uma escala em Tenerife, a 18 de Junho de 1799, para que Humboldt e Bonplant pudessem subir ao Pico do Teide. A descrição minuciosa da subida, feita no capítulo II do 1º volume da obra Personal narrative of travels to the Equinoctial regions of America, pode ser apreciada com vagar neste endereço. Aí ficamos a saber como os guias tenerifenhos (que, viriam Humboldt e Bonplant a descobrir, nunca tinham antes ascendido ao cume do vulcão) iam sub-repticiamente esvaziando a bagagem onde se recolhiam amostras de rochas e plantas para a subida lhes ser mais leve; e podemos ler uma descrição comentada do que os dois cientistas foram observando, seja sobre a geografia, a meteorologia ou a botânica, seja sobre os vestígios arqueológicos do povo guanche.

06/10/2018

Violeta de Anaga



Viola anagae Gilli


Anaga, no extremo oriental de Tenerife, feita de relevos abruptos e acidentados, cortada por (poucas) estradas todas em curvas e contra-curvas, suspensas em encostas vertiginosas, esconde uma floresta laurissilva que, embora menos húmida e luxuriante do que a da Madeira, não lhe fica nada atrás em riqueza botânica. É um mundo à parte que parece ter-se juntado por acidente à mesma ilha onde pontifca a paisagem lunar da montanha do Teide. Seguimos de carro pela crista arborizada, a 900 metros de altitude, com a floresta derramando-se pelas encostas, e acessível por caminhos partindo dos vários lugares onde era possível estacionar. Nesta latitude subtropical, mesmo em Dezembro havia flores na berma de estrada que nos obrigaram a sucessivas paragens: uma misteriosa Pericallis, um gerânio gigante, os sinos alaranjados da Canarina. Chegámos por fim ao ponto onde tinha início o trilho quase secreto (só o encontrámos à segunda tentativa) que, entre loureiros e urzes, e pontuado pelo nosso bem conhecido feto-do-botão e por algumas orquídeas temporãs, nos conduziria ao almejado pico Chinobre.

O nosso objectivo era encontrar a Viola anagae, uma violeta endémica de Tenerife que só existe nos bosques desta ponta da ilha. Ao longo do trilho, assim como no exacto lugar onde deixámos o carro, avistámos tapetes de folhas que pertenciam indubitavelmente a alguma violeta — mas, sendo eles tão extensos e numerosos, supusemos tratar-se de coisa banal como a Viola riviniana, comum em toda a Europa e igualmente presente nas Canárias. Mas as folhas anormalmente grandes e coriáceas, com as margens peculiarmente serradas, acabaram por despertar suspeitas que, alcançado o pico Chinobre, se converteram em certezas: aquilo era mesmo a Viola anagae, e ali no pico (mas não antes) havia meia dúzia de flores a comprová-lo. Aprendemos a lição: um endemismo muito restrito (a área total de distribuição da Viola anagae é talvez inferior a 3 km2) pode afinal ser abundante nos poucos nichos onde se acolhe.

A Viola anagae é uma planta rizomatosa, de longos caules rastejantes e folhagem perene, com flores pequenas (1,5 a 2 cm de diâmetro) mas de coloração distintiva. Não é a mais vistosa do seu género nas Canárias, mas dificilmente se confunde com qualquer outra Viola nativa do arquipélago. Sendo tão fácil de encontrar na laurissilva de Anaga, e sendo a flora canarina tão intensamente estudada pelo menos desde o século XIX, é um mistério que a espécie só em 1979 tenha sido reconhecida. Quem dela publicou a primeira descrição foi o botânico austríaco Alexander Gilli (1904-2007).

05/09/2017

Pensamentos roxos



Viola bubanii Timb.-Lagr.


Tal como o sedentarismo provoca a obesidade, também a domesticação fez inchar as violetas de forma doentia, a ponto de elas renegarem as origens e passarem a chamar-se amores-perfeitos. Houve um tempo em que essas flores, banalizadas em canteiros geométricos e arrumadinhos, eram o epítome do kitsch, do colorido extravagante, do gosto preguiçoso e padronizado. O que ofendia não era cada amor-perfeito em si (embora alguns exagerassem nas cores e no tamanho) mas o uso desregrado dessas flores e a ausência de quase tudo o resto. Porém essa fase, que durou décadas, pretence ao passado, e hoje em dia já compensa gastar tempo a admirar amores-perfeitos nos poucos locais onde ele resiste. Não passou a haver maior variedade de flores em espaços públicos, muito pelo contrário, mas agora o que se vê são petúnias. Petúnias de todas as cores e só petúnias, em jardins públicos, em floreiras à porta dos restaurantes, em rotundas pequenas e grandes, em tristes varandas suburbanas.

Os amores-perfeitos pertencem ao género Viola, e foram criados ao longo dos séculos XIX e XX, por hibridação e selecção, a partir de espécies como a Viola tricolor, Viola lutea e Viola altaica. O nome violeta, usado para designar as pequenas flores silvestres, pareceu aos horticultores insuficiente para abarcar as novas e avantajadas flores de jardim. Daí que cada língua tenha inventado para elas um termo novo mais ou menos evocativo: em português amores-perfeitos, em francês pensées, em castelhano pensamientos, em inglês pansies. Tirando o nome português, os outros têm a mesma raiz, e derivam todos do nome francês: "pansy" resulta da tentativa (falhada) dos ingleses de dizer "pensée", e até nestas coisas de flores foram os franceses, e não os espanhóis, que estiveram na raiz do pensamento.

O pensamento, na acepção castelhana do termo, deveria pois referir-se apenas às violetas cultivadas. No entanto, a crer no portal Anthos, há quem assim designe também as violetas silvestres. Ainda que seja educativo lembrar que essas velhas aristocratas descendem de floritas plebeias, é pena que se perca, na linguagem corrente, a diferenciação entre as duas linhagens. Mas esse é um problema dos espanhóis, não nosso.

Problema nosso é que esta violeta ou pensamiento de flores tão distintivas, de seu nome Viola bubanii, que acenando-nos numa berma de estrada nas Astúrias nos obrigou a uma paragem de emergência, também deveria existir em Portugal, no Parque de Montesinho, e nos últimos anos ninguém tem dado por ela. Será que apenas por cá esteve em visita efémera, na década de 1980, para que Carlos Aguiar pudesse então assinalá-la [PDF — ver pág. 133] como novidade para a flora portuguesa? Também em Espanha ela não é abundante, distribuindo-se muito esporadicamente pelas montanhas de Orense, Léon e cordilheira cantábrica, e atravessando com dificuldade a fronteira francesa.

Para uma violeta silvestre, a V. bubanii tem flores grandes, de 2 a 3 cm de diâmetro, que se apresentam com um ar muito vertical e empertigado, rematadas por um esporão cónico bem afiado. É uma planta perene, de solos ácidos, que vive em prados de montanha ou, a altitudes mais baixas, sob abrigo de matos em sítios com alguma humidade.

07/03/2015

Viola vicentina


Viola arborescens L.


Nos canteiros que enfeitam algumas ruas e jardins do Porto é frequente colocarem violetas de folhagem compacta, flores grandes, dobradas (tanto que nem se nota a simetria bilateral das cinco pétalas), de coloração variada (roxas, vários tons de azul, amarelas, brancas e até bicolores ou tricolores) e bonitas riscas na pétala inferior. Formam tapetes a cuja formosura poucos ficam indiferentes — vejam-se as várias designações comuns das violas: amor-perfeito (pansy, pensée, pensamiento), violeta, benesse-das-beiras, benefes (violeta de bosc). São cultivares obtidos em hortos (quase sempre estrangeiros) por hibridação entre espécies de Viola mais apreciadas, em particular a perfumada V. odorata, as que têm ampla reputação como medicinais, ou as que se utilizam em culinária ou para aromatizar licores. Os funcionários das câmaras que cuidam do ajardinamento público mudam-nas amiúde, simulando desse modo o efeito do pastoreio nos prados e a renovação dos bosques que as violas apreciam.

Não é que não haja por cá violetas autóctones que se pudessem usar para ornamentar tais torrões: afinal, das cerca de seiscentas espécies da região de clima temperado no mundo, a Península Ibérica tem registo de 29 e em Portugal continental contam-se umas 12. Mas, de facto, as nossas violetas mais bonitas são exigentes quanto a solo, temperatura e humidade, e boa parte delas forma plantas quase rasteiras, pouco resistentes à poluição das cidades, com flores tão pequenas que parecem nascer directamente do chão.

A violeta das fotos é das mais raras que ocorrem em terras lusas e tem características peculiares: é quase um arbusto e a floração decorre essencialmente no Inverno. Como habitat, exige um mato ralo no litoral com substrato calcário ou areias de natureza básica. Dir-se-ia que não é pedir muito, mas, apesar de nativa da região mediterrânica ocidental, em Portugal restringe-se à península de Sagres. É fácil detectá-la na berma da estrada que conduz ao Cabo de São Vicente, mas estranhamente é quase só aí que ela ocorre. Em vez das folhas cordiformes que encontramos nas espécies mais vulgares, as da V. arborescens lembram (em ponto grande) as da V. kitaibeliana. As flores são de um roxo pálido, ou quase brancas, com estrias de cor lilás.

Um último reparo: as violetas de ter por casa que se vendem nas floristas, ditas violetas-africanas, não pertencem ao género Viola: são variedades de Saintpaulia ionantha, espécie de herbáceas perenes com folhas peludinhas, nativas das regiões elevadas de África.


Ponta de Sagres vista do cabo de São Vicente

22/06/2011

Viola da Austrália

Viola hederacea
Nome vulgar (na Austrália): native violet
Ecologia e distribuição: lugares húmidos na metade oriental da Austrália, Tasmânia e Malásia
Época de floração: quase todo o ano
Data e local das fotos: Agosto de 2008, Kew Gardens
Informações adicionais: as hastes floridas têm cerca de 8 cm de altura, e as folhas (suficientemente semelhantes às da hera para justificar o epíteto específico) têm uns 2 cm de diâmetro; trata-se de uma planta estolhosa, capaz de cobrir grandes extensões de terreno por reprodução vegetativa

15/06/2011

Viola em tom menor

Viola arvensis Murray
Nome vulgar: field pansy
Ecologia e distribuição: campos cultivados, terrenos baldios e bermas de caminhos, desde a Europa até à metade leste do continente asiático, e ainda norte de África, Açores, Madeira e Canárias
Distribuição em Portugal: mal conhecida devido à confusão com a V. kitaibeliana, mas admite-se que vá do Alto Alentejo ao Minho e a Trás-os-Montes
Época de floração: Março a Junho
Data e local das fotos: Março de 2009, vale do Tua
Informações adicionais: semelhante à V. kitaibeliana, a V. arvensis tem, em geral, as flores um pouco maiores (não é esse o caso da planta da foto) e as folhas basais mais arredondadas

08/06/2011

Viola da Estrela

Viola langeana Valentine


Nome vulgar: violeta de Gredos (em castelhano; em português não há nenhum nome registado)
Ecologia e distribuição: endemismo peninsular, ocorre em urzais e terrenos pedregosos, em altitudes dos 600 aos 1900 metros, na metade oeste do Sistema Central ibérico
Distribuição em Portugal: Serras da Estrela e da Malcata (Franco, Nova Flora de Portugal, 1971)
Época de floração: Março a Agosto
Data e local das fotos: Maio de 2011, perto da Lagoa Comprida — Serra da Estrela
Informações adicionais: apesar da sua pequenês (as flores têm de 1 a 1,5 cm de diâmetro), a planta (que é, sem favor, a mais bonita do seu género em Portugal) é fácil de encontrar na Serra da Estrela, por exemplo ao longo da estrada de Seia para as Penhas da Saúde
Adenda: correcção sobre a distribuição desta planta em Portugal; o Plano de Ordenamento da Reserva Natural da Serra da Malcata destaca-a como espécie rara e propõe a sua inclusão no Livro Vermelho da Flora de Portugal Continental

01/06/2011

Segundo andamento

Viola lactea Sm.


Nome vulgar: pale dog violet
Ecologia e distribuição: urzais em sólido ácido e pobre, desde o nível do mar até aos 1600 m de altitude; ocorre na Grã-Bretanha, Irlanda, França e Península Ibérica
Distribuição em Portugal: do Minho e Trás-os-Montes até ao Algarve
Época de floração: Abril a Junho
Data e local das fotos: Abril de 2011, EN 202-3, entre a Ameijoeira e Varziela
Informações adicionais: a forma lanceolada das folhas e a cor pálida das flores (a que faz alusão o epíteto lactea), além do habitat distinto, permitem diferenciar esta espécie da V. riviniana e da V. palustris