1.7.11

A orquídea mais ocidental da Europa



Platanthera azorica Schlecht. Platanthera micrantha (Hochst.) Schlecht.

Nota. Em Dezembro de 2013, graças ao artigo Systematic revision of Platanthera in the Azorean archipelago, de Richard Bateman et al., esta espécie passou a chamar-se Platanthera micrantha.

Depois de avistar vários exemplares da Azorean smaller orchid, com diferenças significativas de tamanho e matiz de verde, convencemo-nos de que algum deles seria a Azorean greater orchid. Mas era pouco provável porque, apesar de partilharem o habitat, esta é muito mais rara. O Paulo fotografou-a na ilha das Flores a espreitar por entre a urze numa cratera acima dos 500 m; nas várias deambulações pela ilha, não se encontraram mais do que seis plantas.

Entre estes dois tamanhos, não há outras orquídeas nas Flores. Noutras ilhas açorianas ocorre ainda a Serapias cordigera L. (a que chamam bico-de-queimado) e, na Terceira e Sta. Maria, pode ver-se também a Serapias parviflora Parl. (a que, estranhamente, dão o mesmo nome que no continente, serapião-de-língua-pequena). Apesar disso, o povo nunca reparou nesta orquídea e, por isso, ela ainda não tem nome comum em português. É, como a P. micrantha, endémica dos Açores, mas apenas referenciada nas ilhas de S. Miguel, S. Jorge, Pico, Faial, Flores e, mais recentemente, Corvo.

Gosta de encostas declivosas e da margem da floresta laurissilva, é mais robusta do que o conchelo-do-mato (a da foto mede cerca de 60 cm de altura), tem uma inflorescência esbranquiçada mais alta mas mais lassa, e as duas folhas basais são bastante mais largas e compridas. Mas a diferença maior com a P. micranta está na posição das sépalas, descaídas como orelhas de cachorro Basset Hound, e no labelo, mais estreito e curvado para cima, por vezes a cobrir a entrada do esporão, que é notoriamente mais fino e comprido (7-10 mm).

As duas Platanthera(s) açorianas têm um mês de floração conjunta, mas não se lhes conhecem híbridos. Esse isolamento, que comprova estarmos perante duas espécies bem definidas, é reforçado pela tendência para a auto-fertilização. É bem provável, porém, que no continente europeu, americano ou africano viva ainda, inalterado, um ascendente comum destas duas orquídeas irmãs.

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