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25/12/2006

Paisagem

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Debaixo da
oliveira
verde
calma
A mãe bate palmas
O pai bate palmas
O menino bate palminhas
A mãe diz:
-Filho da minha alma!
O pai diz:
-Filho da alma minha!

Matilde Rosa Araújo, Mistérios (Livros Horizonte, 1988)

23/12/2006

Prendas no sapatinho



A Nepenthes sabe bem o que quer no sapatinho. Ele tem a forma de um jarro, que se mantém perfumado de néctar, com uma tampa para evitar água em excesso - que diluiria o conteúdo diminuindo-lhe a eficiência digestiva. Como qualquer sapatinho de Natal, gosta do aconchego quente mas não suporta demasiada luz, que lhe rouba a magia. Mas não hiberna como o comum sapatinho manco de Natal, e tem apetite insaciável. Nepenthes deriva do grego ne (não) e penthos (tristeza), nome de elixir que faz esquecer as mágoas.

21/12/2006

Árvore de Natal


«Árvore que nos países do norte da Europa, se coloca na noite de Natal, na principal sala ou casa da ceia, e de cujos ramos ornados de muitas velinhas acesas, pendem brindes, doces, brinquedos e outras prendas, que depois se dão por sorte às crianças. Este uso foi introduzido em Portugal há já bastantes anos.»
(in PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, Guilherme -Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. Lisboa : João Romano Torres ed. , 1904 ; nota: a edição para a Internet deste dicionário ainda não comporta os assuntos genéricos )

Ler sobre esta tradição:
The Chronological History of the Christmas Tree -in The Christmas Archives
Afinal porque razão fazemos nós a Árvore de Natal? -no Naturlink

Ilustração de Maria Keil para a 1ª edição do conto A Noite de Natal de Sophia de Mello Breyner Andresen.

20/12/2006

Flor do solstício


Agostinho José da Motta(1824-1878) - Natureza Morta com Flores (1873)

Amanhã, depois da paragem do sol, os dias começam a crescer. Última oportunidade para a Euphorbia pulcherrima, que gosta de noites longas, florir.

26/12/2005

O Pinheiro, o Pai Natal, a Estrela...

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Rua de Miragaia- Porto
Há fotografias que se podem falhar por uma questão de segundos... A do lado esquerdo é um desses casos. Vinha eu de autocarro em direcção à Foz, e à luz que se arredava da Baixa, quando passei por este pinheirinho com as suas bolas multicolores reluzindo ao sol. Apeei-me na paragem seguinte - privilégio de quem está em férias...-mas por mais que me apressasse só cheguei a tempo de surpreender o Pai Natal e a Estrela fora da sombra.

Esta árvore de Natal fez-me recordar a da minha infância, em casa dos meus avós: um pequeno pinheiro que traziam de uma das bouça das redondezas para o canto da sala e que no primeiro dias de férias enfeitávamos com bolas frágeis de todas as cores, fios brilhantes, algodão a imitar neve e uma estrela no cimo. Por tradição, durava sempre até aos Reis.
Mas afinal por que razão fazemos nós a Árvore de Natal?

(E por falar em árvore de Natal, conhecem esta?)

25/12/2005

a noite de natal

«(...) Então Joana foi ter com os primos. Daí a uns minutos apareceram as pessoas grandes e foram todos para a mesa. Tinha começado a festa do Natal.
Havia no ar um cheiro de canela e de pinheiro. Em cima da mesa tudo brilhava: as velas, as facas, os copos, as bolas de vidro, as pinhas doiradas. E as pessoas riam e diziam umas as outras: "Bom Natal". Os copos tilintavam com um barulho de alegria e de festa. E vendo tudo isto Joana pensava:
-Com certeza que a Gertrudes se enganou. 0 Natal é uma festa para toda a gente. Amanhã o Manuel vai-me contar tudo. Com certeza que ele também tem presentes.
E consolada com esta esperança Joana voltou a ficar quase tão alegre como antes.
0 jantar do Natal era igual ao de todos os anos. Primeiro veio a canja, depois o bacalhau assado, depois os perus, depois os pudins de ovos, depois as rabanadas, depois os ananazes. No fim do jantar levantaram-se todos, abriu-se de par em par a porta e entraram na sala.
As luzes eléctricas estavam apagadas. Só ardiam as velas do pinheiro.
Joana tinha nove anos e já tinha visto nove vezes a árvore do Natal. Mas era sempre como se fosse a primeira vez. Da árvore nascia um brilhar maravilhoso que pousava sobre todas as coisas. Era como se o brilho de uma estrela se tivesse aproximado da Terra. Era o Natal. E por isso uma árvore se cobria de luzes e os seus ramos se carregavam de extraordinários frutos em memória da alegria que, numa noite muito antiga, se tinha espalhado sobre a Terra.
E no presépio as figuras de barro, o Menino, a Virgem, São José, a vaca e o burro, pareciam continuar uma doce conversa que jamais tinha sido interrompida. Era uma conversa que se via e não se ouvia.
Joana olhava, olhava, olhava. As vezes lembrava-se do seu amigo Manuel. Um dos primos puxou-a por um braço.
- Joana, ali estão os teus presentes.
Joana abriu um por um os embrulhos e as caixas: a boneca, a bola, os livros cheios de desenhos a cores, a caixa de tintas. À sua volta todos riam e conversavam. Todos mostravam uns aos outros os presentes que tinham tido, falando ao mesmo tempo.
E Joana pensava:
-Talvez o Manuel tenha tido um automóvel.
E a festa do Natal continuava. As pessoas grandes sentaram-se nas cadeiras e nos sofás a conversar e as crianças sentaram-se no chão a brincar. Até que alguem disse:
- São onze horas e meia. São quase horas da missa. E são horas de as crianças se irem deitar.
Então as pessoas começaram a sair.
0 pai e a mãe de Joana tambem saíram
- Boa noite, minha querida. Bom Natal - disseram eles. E a porta fechou-se.
Daí a um instante saíram as criadas. (...)»

in A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner Andresen

A 1ª edição desta obra, em 1959, foi ilustrada por Maria Keil; em 1989 é publicada pela Figueirinhas com ilustrações de Júlio Resende.)

(relacionado: Árvore de Natal )

24/12/2005

Último poema

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.
Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os dióspiros ardendo na sombra.
Quem assim tem o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.


Eugénio de Andrade, Rente ao Dizer (1992)

20/12/2005

Tom de Natal

Tradicionalmente o Pai Natal é gentil, benevolente, generoso, alegre e bem-nutrido, de barba longa imaculada onde se aninham as crianças. Pouco fala: só se lhe conhecem as risadinhas cândidas (ho-ho-ho) de satisfação pelo dever cumprido. Os óculos redondinhos alimentam a lenda dos muitos dias e noites passados em trabalho minucioso a preparar prendas. Veste-se de vermelho, como bispos e papas, com um barrete de pijama rematado por um pompom branco a fazer as vezes da mitra. Poderes mágicos explicam as suas proezas: apesar de barrigudo, desce pelas chaminés sem dificuldade; idoso que nunca morre, eternamente imune aos achaques da idade, precisa apenas de cerca de uma hora numa só noite para distribuir ofertas a todas as crianças, usando para isso oito renas voadoras; no resto do ano, vive feliz rodeado de gelo e de ursos.

É claro que as representações do Pai Natal têm acompanhado os tempos. Em meados do século XX, as imagens davam-no no Pólo Norte, local puro, levando vida de artesão dedicado ao fabrico manual dos brinquedos. Hoje em dia, muitas cartas que lhe são endereçadas vão para os países nórdicos, locais com elevada qualidade de vida e por isso merecedores da sua preferência. Ganhou família e numerosos gnomos que, embora não o vendo como patrão, o ajudam a fabricar brinquedos cada vez mais sofisticados tecnologicamente. As renas já têm nome e juntou-se-lhes uma nona, de narizinho vermelho constipado.

Algumas plantas associam-se à festa florindo agora e justamente de vermelho. Como este Leptospermum scoparium da Quinta de Sto. Inácio: a variedade que encontrámos em flor no Verão dá pétalas cor-de-rosa; a da foto, ciente da falta de cor no Inverno, e da quadra, não poupou na tinta vermelha.


Foto: pva 0512

26/12/2004

Os nomes das árvores- Canela

Há muitas espécies de árvores cujo nome é simplesmente canela ou canela qualquer coisa. O dicionário Houaiss, por exemplo, lista nada menos do que 86 termos em que aparece o vocábulo (ressalvemos todavia que alguns designam a mesma árvore ou arbusto.) Quase todas estas "canelas" pertencem à família das Lauráceas (Lauraceae) que agrupa árvores com madeiras aromáticas (e por vezes também fétidas), e aos géneros Cinnamomum, Cryptocarya, Ocotea, Nectandra e Persea.
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A canela da nossa doçaria, a que entrava no rol das especiarias que levaram os europeus a largarem rumo ao Oriente, e que motivou Sá de Miranda (1481-1558) a reclamar na sua famosa tirada :
«Não me temo de Castela
Donde guerra inda não soa,
Mas temo-me de Lisboa,
Que ao cheiro desta canela
O Reino nos despovoa.»
essa pertence ao género Cinnamomum, e é da espécie Cinnamomum zeylanicum, como já aqui aliás foi referido.
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A origem do nome vulgar da canela é muito simples de entender e transcreve-se na íntegra o que escreve José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (Livros Horizonte, 1967, 2ª ed.) : «Canela: Árvore. De cana. Na origem é diminutivo do lat. Canna, "junco, canudo", pois a casca ressequida da árvore toma a forma de pequenos canudos. Séc. XVI em P.M.»
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Conquanto actualmente não seja usual, a esta especiaria também se costumava chamar canela-da-Índia, canela fina e canela-da-Rainha; esta última designação «dever-se-à ao facto da Infanta D. Maria (neta do Rei D. Manuel), mulher culta ligada à literatura e à culinária, ter utilizado esta especiaria em receitas que compilou no seu famoso livro de cozinha, nos finais do séc. XV/início do séc. XVI. O livro de cozinha da Infanta D. Maria.*» segundo escreve Cremilde C. Barreiros em "Lisboa Arte e Canela".
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Fotos manueladlramos 0112 - Alguma doçaria tradicional da quadra natalícia em que se usa canela.
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Quanto à razão de ser do seu nome científico, o termo que designa o género, Cinnamomum - e que dá origem por ex. ao vocábulo inglês cinnamon -também se deve ao modo como mais vulgarmente contactamos com esta planta: os canudos ou rolinhos do seu ritidoma. Segundo Jacques Brosse : «Cinnamomum: du grec Kinnamómon, de Kineien, "enrouler", a- "privatif" et mômos "défaut", car la plante n'était connue en Grèce, que par les petits rouleaux d'écorce aromatique de cannelier qu'on y emportait; ce mot était lui-même une déformation du nom hébreu de la cannelle, kinnemom.» (in Larousse des Arbres et des Arbustes. Paris : Larousse - Bordas, 2000)
Gernot Katzer na sua página dedicada à esta espécie de canela acrescenta :«(...) it is, however, possible that the word is ultimately loaned from an early Malaysian language, cf. the modern name kayu manis "sweet wood" in Malay and Indonesian ».
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Já o designativo da espécie, zeylanicum fala por si: de Ceilão (que desde 1972 se chama Sri-lanka). Lembremos a referência à origem desta especiaria, na estrofe 14 do "Canto IX", dos Lusíadas:
«Leva alguns Malabares, que tomou
Per força, dos que o Samorim mandara
Quando os presos feitores lhe tornou;
Leva pimenta ardente, que comprara;
A seca flor de Banda não ficou;
A noz e o negro cravo, que faz clara
A nova ilha Maluco, co a canela
Com que Ceilão é rica, ilustre e bela
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A origem geográfica (apesar da planta crescer abundantemente noutros locais como enumera Mrs. M. Grieve no seu famoso Modern Herbal: «Malabar, Cochin-China, Sumatra and Eastern Islands. Has also been cultivated in the Brazils, Mauritius, India, Jamaica, etc.. ») é também a razão de ser para a designação de Canela-da-Índia.
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Como já se referiu, há muitas outras espécies de árvores em cujo nome aparece o termo canela (sobretudo no Brasil), e dentro do próprio género Cinnamomum (que inclui cerca de 200 espécies) a C. Zeylanicum não é a única usada em culinária. Aliás nada nos assegura que a canela que compramos no supermercado, na mercearia ou a que (na minha opinião indevidamente) nos fornecem com o café para servir de colher, não seja, por exemplo, canela-da-China ou cássia-aromática (Cinnamomum cassia) que, segundo os entendidos, apesar de ter os mesmos constituintes e propriedades, é de qualidade inferior.
Mas se realmente quiser saber mais sobre os nomes (e não só) da(s) canela(s) inebrie-se com Gernot Katzer's Spice Pages, o melhor site sobre especiarias da internet, "ever"!
O que aqui lhe trouxemos é meramente um cheirinho...
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*Sobre estes manuscritos originalíssimos (e as suas modernas edições) ver:
As certidões de nascimento da cozinha portuguesa

25/12/2004

O Natal na Sala e na Cozinha


Fotos: pva 0412 Porto - caneleira (Cinnamomum zeylanicum)

Para este postal estava reservado um tema que, visto do ângulo apropriado, era irrepreensivelmente natalício. Fazia um paralelo entre a flora exótica e a fauna também exótica: a flora exótica era representada pelo eucalipto que, vindo da Austrália, por cá se instalou de forma tão avassaladora; a fauna pelo Pai Natal, que de tal modo se multiplicou em Portugal (e em especial no Porto) que acabou por extravasar dos centros comerciais para desfiles de rua.

Mas, embora um tal tema fosse natalício, talvez o seu espírito fugisse à tolerância e bonomia próprias da Quadra. Daí que resolvêssemos pôr de lado a analogia entre o eucalipto e o Pai Natal (que só mencionámos para que, se alguém desenvolver o tema antes de nós, fique registada a nossa prioridade) e tenhamos optado por assunto menos controverso.

Preocupou-nos, em textos e imagens anteriores, sobretudo a face exterior do Natal: as suas cores, os seus enfeites. Ora, é sabido que o Natal não é só isso: além das luzes a piscar e da troca de prendas, há também o que se come. A festa vistosa não nos deve fazer esquecer todo o trabalho de preparação que a sustenta; a sala colorida de luzes, com a lareira a crepitar e a mesa farta de iguarias, não poderia existir sem a cozinha. Por isso, tendo aqui falado de árvores de Natal, que se limitam a exibir-se à nossa admiração, seria imperdoável esquecermos as árvores que na cozinha dão o corpo ao manifesto.

Imaginem como seria insípido e inodoro um Natal sem canela. É pois de inteira justiça o destaque que hoje aqui lhe damos, com uma foto de corpo inteiro de um jovem exemplar de caneleira (Cinnamomum zeylanicum) e um grande plano da sua folhagem luzidia, de tom verde-limão. Embora as folhas, quando esmagadas, libertem o inconfundível cheiro a canela, não é delas que se extrai esse condimento, mas sim da casca da árvore.

"Natal à Beira-rio"


Foto: mdlr o4o4 - ramagem de abeto (Abies spp.)
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É o braço do abeto a bater na vidraça!
É o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
a trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...
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Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
mais da terra fazia o norte de quem erra.
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Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia!
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David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal (1971)
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24/12/2004

Madeiro do Natal

«Noite geralmente fria, árvores descarnadas a erguerem os braços para o céu, campos desertos, caminhos sem viandantes (a não ser os que à última hora recolhem a pátrios lares), a véspera de Natal tem não sei quê de unção, de poesia, que a todos, cristãos ou livres-pensadores, crentes ou ateus, faz reunir, vindo das maiores distâncias, no conchego e convívio santo da família.
E o nosso povo, mantedor fiel de velhas e lindas tradições, vai ainda hoje, para honra e louvor do Menino Jesus, e para que os pobrezinhos tenham onde se aquecer, colocar no adro da Igreja grandes troncos de árvores que arderão, e morrerão em vivo braseiro, durante o ciclo do Natal.
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Em Castelo-Branco, como em grande número de povoações da Beira-Baixa, são os rapazes que, aproveitando o primeiro carro de de bois ou de muares que se lhes depara na via pública, fazem os transportes de madeiros.
Em Idanha-a-Nova, são as mordomias de São João, do Espírito Santo, etc. que, enfeitando os carros dos bois com grandes fitas multicolores, entre vivas aos santos da sua devoção, e acompanhados de uma grande caldeira de cobre ou de uma cântara cheia de vinho de onde todos bebem por um copo de lata ou de esmalte com asa, vão carregar grandes troncos de velhas árvores que hão-de arder no adro da Igreja ou junto das das capelas daqueles santos.
Em Castelo-Branco e em Idanha-a-Nova, como em todas as localidades que pertencem ao bispado de Portalegre, durante toda a noite de Natal, especialmente à entrada e saída da missa da meia-noite, ou "missa do galo", não cessa a romaria ao madeiro, sucedendo-se uns aos outros, alegres grupos a entoar, com a canção que se segue, hosanas ao Salvador
» (Segue-se a transcrição da conhecida canção em que uma das quadras se inicia com o verso "Entrai pastores entrai..." ) DIAS, Jaime Lopes - Etnografia da Beira. Câmara Municipal de Idanha-a-Nova : 1991 *, vol 1 pp.155-6
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«Em Louriçal do Campo queima-se na noite de Natal, o madeiro que segundo velho costume, deve ser roubado.
Para que se não saiba quem o rouba, as vacas e os bois que puxam o carro que o transporta vão cobertos com mantas, e os homens encapuçados. Ao atravessar a povoação, os homens carregam-se de pedras para, se alguém aparecer às janelas, o apedrejarem e obrigarem a recolher-se.» Id., vol 5, p. 53
*Edição facsimilada da edição de 1944 -Lisboa: Torres &C.ta- Livraria Ferin, 11 vols.
(nota 1: a referência ao autor das notáveis xilogravuras que ilustram esta obra ficará para depois já que não encontro o local onde registei o seu nome... ; nota 2: o jornal Público de hoje também refere a tradição associada à queima do Madeiro)

23/12/2004

Alternativa -Colar aromático

Ainda faltam algumas prendas? Não tem pachorra para ir para o meio da confusão?
Então faça como eu: dê um salto ao eucaliptal mais perto. Sinta o aroma balsâmico! Os eucaliptos estão em flor e o chão encontra-se atapetado pelos frutos que caíram das árvores, a maior parte deles sem o opérculo característico. Apanhe uns tantos, mas tenha cuidado em escolher os verdinhos e maleáveis.
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Fotos: mdlramos 0412 - Eucaliptus globulus- Parque da Cidade (Porto)

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Agora vai precisar de uma agulha grossa, de uma linha resistente, de um dedal e de uma tesoura. Se levar este material consigo, tanto melhor, se não, fica para TPC.


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Espete a agulha na parte central dos frutos e, apoiando a ponta verticalmente, empurre com o dedal. A agulha entra facilmente: pode enfiar muitos frutos ou poucos, entremeando ou não com alguns opérculos, dando nós, enfim... a possibilidade das variações depende da imaginação, do material disponível e do tempo. Mas mesmo um colar simples já produz um belo efeito, exala um perfume divino e faz uma prenda apetecível! Eu adorava que me dessem um! (Já que vou oferecer os que fiz...)

Se o seu eucaliptal mais à mão é o do Parque da Cidade do Porto, e se ainda assim não tem as prendas todas, pode sempre passar pela Loja do Comércio Justo situada no Núcleo Rural do Parque. Ao menos aí gasta o seu dinheiro, em princípio, de uma forma mais justa e solidária.

Estrela de Natal


Fotos: pva 0412 - Jardim Botânico do Porto

Apreciámos já várias candidatas a "árvore-de-Natal", espécies que se destacam por naturalmente se fazerem acompanhar das respectivas bolinhas. A planta da foto traz o enfeite que faltava: uma estrela, de um vermelho natalício que faz empalidecer o dourado das outras. Parece feita de folhas que nasceram afogueadas, como labaredas em estado sólido. Está a tornar-se entre nós planta típica de Natal, embora não goste de frio. Daqui a uns anos, e tal como aconteceu noutros tempos com pinheiros, abetos e piceas, teremos nos nossos jardins alguns destes arbustos já com bom porte?

Conhecida vulgarmente por estrela-de-Natal ou poinsettia - em homenagem ao naturalista J.R. Poinsett, primeiro embaixador americano no México, que divulgou no século XIX as qualidades ornamentais desta planta - é um arbusto mexicano que pode atingir 3 metros de altura, da família das euforbiáceas, de que o Jardim Botânico do Porto contém um exemplar bem desenvolvido no canteiro das suculentas. No inverno formam-se brácteas rubras, que lembram folhas, em volta de flores pequeninas de cor amarela, sem dúvida um modo caprichoso mas económico de se embelezar. O nome científico é Euphorbia pulcherrima; o epíteto específico, superlativo do latim pulchru (belo), alude à formosura deste arbusto quando em floração. Esta ocorre em resposta à duração dos dias, beneficiando das noites longas próximas do solstício de Inverno. As flores pouco duram depois de desabrocharem; as brácteas podem manter-se coloridas por vários meses.

E aqui está uma planta que se veste a preceito para a nossa festa, calorosa como um abraço.

22/12/2004

A árvore de Natal da Nova-Zelândia

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Foto mdlr 0406 - Metrosideros excelsa em flor (Foz)
A propósito da quadra natalícia, recuperámos esta fotografia (q. por coincidência, foi a primeira entrada no blog) da floração de um metrosídero. Enquanto por cá, estas árvores florescem entre Junho e Julho, na Nova Zelândia de onde são originárias, cobrem-se das suas magníficas flores entre Novembro e Janeiro. Os primeiros colonos usaram-nas para decorar as suas casas durante as festas do Natal e do Ano Novo e desde então esse costume manteve-se, razão por que chamam aos metrosíderos a "Árvore de Natal da Nova- Zelândia".
Ver Metrosidero em Flor - Passeio Alegre