17/11/2007
12/09/2007
Parque da Cidade do Porto
Numa altura em que se começa a falar do "Parque ameaçado", a propósito de um eventual atravessamento pela futura Avenida Nun' Álvares *, aqui deixo imagens de alguns dos seus locais e aspectos meus preferidos. As fotografias foram todas tiradas nos últimos dias, nas primeiras horas de sol. (PS: Aconselho o seu visionamento deste modo. )
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* A Avenida Nun'Álvares, o Parque da Cidade e os aviões , comunicado da Campo Aberto de 16 .08. 2007 ; "Apresentação Nun'Álvares" - N' A Baixa do Porto . Estou plenamente convencida que se esta ameaça se concretizar, poderemos assistir a uma das maiores contestações populares dos últimos anos, a um novo Movimento pelo Parque da Cidade
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ManuelaDLRamos
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12.9.07
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03/09/2007
De volta à cidade
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ManuelaDLRamos
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02/08/2007
Perfume de Verão


Elaeagnus pungens - Parque da Cidade do Porto
Estes minúsculos sinos, que não dobram mas lançam um odor intenso quando o vento os empurra, são as flores de um arbusto alto e muito ramificado que ladeia os caminhos do Parque da Cidade. O oleastro, de seu nome científico Elaeagnus pungens, é uma lenhosa perenifólia originária da China e do Japão, que floresce nestes meses de Verão. Apesar de formar grandes touceiras, as suas pequeninas flores ocultam-se discretamente na folhagem: quem por ele passe distraído tem dificuldade em detectar a origem do perfume que lhe coça o nariz. Além das flores e do perfume, também as folhas são especiais: têm textura cerosa, margens onduladas, face superior levemente pigmentada e face inferior prateada. Certos cultivares - que também se encontram no Parque da Cidade - exibem folhas bicolores, verdes com bordo amarelo.
Há outra espécie do género Elaeagnus, também de origem oriental e também muito perfumada, que é comum no nosso país e até se naturalizou nalguns locais (por exemplo em Amarante, nas margens do rio Tâmega): trata-se da oliveira-do-paraíso (E. angustifolia), pequena árvore de não mais que 10 metros de altura, com folhas que lembram as da oliveira. Até há poucos meses eram as oliveiras-do-paraíso que escassamente arborizavam a Avenida Serpa Pinto, em Matosinhos. Fartas de receber encontrões dos automóveis em ânsia de estacionar, não gozavam por certo de muito boa saúde. Foram substituídas por metrosíderos - os quais, já se vê, não hão-de ter melhor sorte.
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Paulo Araújo
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20/07/2007
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11/05/2007
"Ai flores, ai flores do verde pino"

Foto: inflorescência de Pinus pinaster -Parque da Cidade
-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
-Vós me perguntades polo voss' amigo,
e eu bem vos digo que é sã e vivo.
- Ai Deus, e u é?
-Vós me perguntades polo voss' amado,
e eu bem vos digo que é viv' e são.
-Ai Deus, e u é?
-E eu bem vos digo que é sã e vivo,
e seerá vosc’ ant' o prazo saido.
-Ai Deus, e u é?
-E eu bem vos digo que é viv' e são,
E será vosc'ant' o prazo passado.
-Ai Deus , e u é!
D. DINIS > (1261- 1325)
(Ontem não pude ir buscar o meu exemplar do Volume 4 -PINHAIS E EUCALIPTAIS da coleccção Árvores e Florestas em Portugal, já que para mim também tem sido impossível adquirir estes livros no quiosque habitual; tenho curiosidade em saber se esta poesia de D. Dinis é lá citada, pois no primeiro volume, no capítulo dedicado ao Pinhal de Leiria, transcrevem-se excertos de poesias referindo este célebre "cantar de amigo", mas não o próprio poema...)
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ManuelaDLRamos
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11.5.07
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14/04/2007
Bela e forte




Encantados pelos metrosíderos, melaleucas, eucaliptos, patos e gansos do Parque da Cidade, só há dias reparámos nesta mirtácea. Pelas inflorescências diríamos que se trata de um Callistemon; mas as folhas pequeninas a espiralar nos ramos tornaram mais difícil a identificação deste arbusto. Um catálogo da flora australiana parece indicar que se trata de uma Beaufortia, arbusto endémico no sudoeste da Austrália, talvez da espécie B. aestiva. Sendo assim não terá sido apropriada a escolha desta planta para os terraços mais à beira-mar do Parque: é que ela aprecia ambientes secos, tendo vida curta em climas húmidos e chuvosos.
O nome do género homenageia a duquesa de Beaufort (Mary Capel Somerset, 1630-1715), mecenas dos Jardins Botânicos de Badminton e Chelsea e exímia horticultora.
P.S. Uma investigação mais aturada - que envolveu ajuda intercontinental e a consulta do livro Australian Native Plants (5.ª edição) de J. W. Wrigley e Murray Fagg - permitiu-nos concluir que, apesar de ter folhagem e ramificação semelhantes às da Beaufortia, esta planta é na verdade uma Melaleuca diosmifolia, também originária do oeste da Austrália.
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Maria Carvalho
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14.4.07
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02/01/2007
Plata-nus


Plátanos no Parque da Cidade: Novembro de 2006 / Janeiro de 2007
Para observadores menos treinados, esta é a época em que quase todas as árvores caducifólias se remetem ao anonimato, deixando tombar as últimas folhas como quem descarta o bilhete de identidade. Passar-se-ão meses até que, com o rebentar das novas folhas, lhes possamos restituir os nomes perdidos. Mas nem todas as árvores troçam da nossa ignorância: o plátano, com a franqueza rude que lhe é própria, é tão assumidamente ele mesmo quando despido como quando coberto de folhagem. É que a sua casca (ou ritidoma, para sermos precisos) vai-se continuamente soltando em pequenas lascas, imprimindo-lhe no tronco um inconfundível padrão marmoreado. Verdade esta que pode também ser comprovada nos plátanos jovens que compõem a mais bonita e panorâmica alameda do Parque da Cidade.
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Paulo Araújo
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19/12/2006
A loja do gato justo


Núcleo rural do Parque da Cidade: Carpinus betulus; Olea europaea; Felis catus
O núcleo rural de Aldoar é um conjunto de casas rústicas onde, antes de existir o Parque da Cidade, viveram os agricultores que cultivavam os terrenos adjacentes. Agora recuperadas e a brilhar de novas, albergam uma amostra etnográfica, uma cafetaria com esplanada, um restaurante com preços proibitivos, e duas ou três lojas muito especiais. Uma delas é a loja do comércio justo, alegadamente da Associação Reviravolta. Dizemos alegadamente porque os verdadeiros donos são esse casal da foto: ele em primeiro plano e ela junto ao quadro negro. Tirando o curto intervalo para almoço em que os surpreendemos, estão sempre à porta da loja; e, como verdadeiros patrões, nunca são vistos a trabalhar. Mas metem conversa e aliciam potenciais clientes dando-lhes marradinhas e roçando-se-lhes nas pernas. O negócio corre-lhes tão bem que ele já exibe a característica barriguinha saliente do comerciante tradicional.
Nem quando o tema é zoológico e não botânico prescindimos do nosso didactismo habitual. Assim, os animais da foto pertencem à espécie Felis catus, e são usualmente designados por gato ou gata, conforme o exemplar em causa seja masculino ou feminino. Para sabermos mais sobre este animal, socorremo-nos de uma das obras cimeiras da erudição portuguesa neste vigésimo-primeiro século dC. É uma daquelas realizações multidisciplinares que deveriam ser depositadas em bunkers anti-atómicos ou lançadas em sondas espaciais para darem testemunho da civilização humana, e da própria vida na Terra, quando o nosso mundo tiver desaparecido. Referimo-nos à Fauna & Flora na Toponímia do Distrito do Porto (ed. Governo Civil do Porto, 2004), obra de J. J. Magalhães dos Santos onde a Geografia, a Toponímia, a História, a Zoologia e a Botânica confluem como outros tantos caudalosos rios no grande mar do Conhecimento. Em que outra obra de referência o leitor fica não só a saber, por fotos e descrições, o que é uma flor, um cão ou uma galinha, como também é informado dos lugares do seu país com nome floral, canino ou galináceo? Vejamos o que sobre gato nos ensina o esclarecido autor:
«Gato (Del. lat. cattus); sust. m. y f. Mamífero de la familia de los félidos, de pequeño tamaño, que tiene la cabeza redonda, lengua muy áspera, patas cortas, y pelaje espeso, suave y de distintos colores; el gato y la gata se hacían arrumacos en el tejado a la suave luz de la luna.»
(Uma das surpresas do livro é que as explicações científicas são em castelhano, enquanto os restantes verbetes são em português: as duas línguas irmãs alternam na mesma página em ameno convívio ibérico.)
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Paulo Araújo
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19.12.06
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09/12/2005
O problema da flor
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Foto: pva 0512 - Camellia sasanqua no Parque da Cidade do Porto
A luz que vem das estrelas,
Diz - pertence-lhes a elas?
O aroma que vem da flor,
É seu? Dize, meu amor.
Problemas vastos, meu bem,
Cada cousa em si contém.
Pensando claro se vê
Que é pouco o que a mente lê
Em cada cousa da vida,
Pois que cada cousa, enfim,
É o ponto de partida
Da estrada que não tem fim.
Perante este sonho eterno
Falar em Deus, céu, inferno...
Ah! dá nojo ver o mundo
Pensar tão pouco profundo.
Fernando Pessoa
(poema inédito de 1908 publicado no último JL)
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Maria Carvalho
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9.12.05
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25/07/2005
Mirem-se no exemplo

Foto: pva 0507 - flor de Eucalyptus sp. - Parque da Cidade, Porto
AGAINST IDLENESS AND MISCHIEF
How doth the little busy bee
Improve each shining hour,
And gather honey all the day
From every opening flower!
In works of labour or of skill
I would be busy too;
For Satan finds some mischief still
For idle hands to do.
Isaac Watts, Divine Songs for Children (1715)
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Paulo Araújo
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11/07/2005
Carvalho clandestino


Fotos: pva 0505 - Quercus pyrenaica - Parque da Cidade do Porto
As árvores do Parque da Cidade do Porto não formam uma amostra representativa da flora portuguesa. Na escolha das espécies privilegiaram-se as ornamentais produzidas em grande quantidade em viveiros nacionais e estrangeiros - mas espécies nossas como o azevinho, o medronheiro, o azereiro e o carvalho foram quase esquecidas. Embora haja lá alguns exemplares de carvalho-comum (Quercus robur), ele não é tão abundante quanto deveria ser; foram ainda plantados alguns jovens sobreiros (Quercus suber); mas de resto, quanto ao género Quercus, nada mais se pôs no Parque a não ser um exageradíssimo número de carvalhos americanos (Q. rubra e Q. coccinea). Ninguém lá plantou uma única e escassa azinheira, nem carvalho-cerquinho, nem carvalho-negral.
Acerca de carvalhos no Parque da Cidade, era isto que sabíamos - até depararmos, há umas seis semanas, com uma pequena árvore que, se não contraria estatisticamente o que acima se escreveu, exige pelo menos uma ressalva. É óbvio que a árvore é clandestina, pois ninguém a plantaria assim, no meio de silvas e colado a um pinheiro; mas como pôde lá ter nascido, se em todo o Parque não existe outra da mesma espécie? Terá um pássaro trazido a bolota? Alguém a semeou? Trata-se de um carvalho-negral (Quercus pyrenaica), espécie endémica do sudoeste europeu que é espontânea no interior norte e centro de Portugal. A folha deste carvalho, de lobos mais sulcados que a do carvalho-comum, distingue-se também pela sua densa penugem (por contraste, a folha do Q. robur é glabra).
Além de clandestino, este carvalho-negral é também pioneiro - o primeiro da sua espécie que alguma vez encontrámos no Porto. Oxalá seja legalizado e protegido, e outros seus irmãos se lhe possam vir juntar.
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Paulo Araújo
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23/12/2004
Alternativa -Colar aromático
Ainda faltam algumas prendas? Não tem pachorra para ir para o meio da confusão?
Então faça como eu: dê um salto ao eucaliptal mais perto. Sinta o aroma balsâmico! Os eucaliptos estão em flor e o chão encontra-se atapetado pelos frutos que caíram das árvores, a maior parte deles sem o opérculo característico. Apanhe uns tantos, mas tenha cuidado em escolher os verdinhos e maleáveis.
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Fotos: mdlramos 0412 - Eucaliptus globulus- Parque da Cidade (Porto)
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Agora vai precisar de uma agulha grossa, de uma linha resistente, de um dedal e de uma tesoura. Se levar este material consigo, tanto melhor, se não, fica para TPC.


Espete a agulha na parte central dos frutos e, apoiando a ponta verticalmente, empurre com o dedal. A agulha entra facilmente: pode enfiar muitos frutos ou poucos, entremeando ou não com alguns opérculos, dando nós, enfim... a possibilidade das variações depende da imaginação, do material disponível e do tempo. Mas mesmo um colar simples já produz um belo efeito, exala um perfume divino e faz uma prenda apetecível! Eu adorava que me dessem um! (Já que vou oferecer os que fiz...)
Se o seu eucaliptal mais à mão é o do Parque da Cidade do Porto, e se ainda assim não tem as prendas todas, pode sempre passar pela Loja do Comércio Justo situada no Núcleo Rural do Parque. Ao menos aí gasta o seu dinheiro, em princípio, de uma forma mais justa e solidária.
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ManuelaDLRamos
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14/10/2004
Parque da Cidade #1
Fim de tarde com sol...
Fotos: mdlramos 0410
Lago pequeno com salgueiro (Salix sp.) na ilhota.
......
Fotos: mdlramos 0410
Jovens choupos (Populus sp.) com eucaliptal ao fundo.
Fotos feitas a pensar na Cristina, menina-à-Janela ;-) para quem envio também
Álamos , choupos, pópulos - Os pópulos de Monet - Choupal de Coimbra
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ManuelaDLRamos
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14.10.04
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