08/07/2010

Cardo-do-sol




Leuzea conifera (L.) DC.

.....What's in a name? That which we call a rose
.....By any other word would smell as sweet.

.....William Shakespeare, Romeo and Juliet (Acto 2)

O nome Leuzea homenageia Joseph Philippe François Deleuze (1753-1835), naturalista francês e amigo do famoso botânico suíço Augustin Pyramus de Candolle (1778-1841), cuja abreviatura em designações científicas é DC. De Candolle foi o primeiro a escrever sobre a competição, por vezes agressiva, entre espécies, inspirando Darwin a formular o conceito de selecção natural. Conifera refere-se à pinha de brácteas brilhantes, com textura de papel, que envolve o capítulo floral solitário de florículos cor-de-rosa, e que nos permite reconhecer esta planta pequenina mesmo depois de ela frutificar.

A colher-de-pastor é planta perene que requer calor forte, luminosidade e solo alcalino seco. Natural da Península Ibérica e da região no centro-oeste do Mediterrâneo, floresce entre Maio e Agosto, segundo dizem algumas referências. Acreditando nelas, ingénuos, no ano passado falhámos a floração desta planta porque, nas pedras onde as avistámos, no final de Junho já todas as flores tinham secado.

As folhas são alternas, lanceoladas, de margens inteiras ou pinadas, face inferior lanuda e pecíolo longo nas da base. O fruto, um aquénio negro de 4 mm, acompanha esta moda-de-lã nascendo com um penacho branco 6 vezes mais comprido do que o invólucro da semente, num arranjo que faz lembrar um pára-quedas (foto aqui).

Já se chamou Centaurea conifera L.; nessa altura era a centáurea mais bonita.

4 comentários :

biodivers©idade disse...

é sempre um prazer vir aqui. Alia-se a aprendizagem à beleza.

Crix disse...

Aconteceu-me o mesmo este ano, em finais de Junho já não vi nenhuma em flor; mas ainda assim, sob um calor fortíssimo, por entre as pedras da Serra, é linda ;)
Abraço

Francisco Clamote disse...

Espectacular, de facto. Eu ainda não tive a sorte de dar com ela. Saudações cordiais

Paulo Araújo disse...

Olá a todos.

O lugar na Serra dos Candeeiros onde é mais fácil encontrar a Leuzea - embora não tenha sido lá que a fotografei - é o cabeço da Fórnea. E, ainda que seja possível aos alpinistas experientes trepar aquele grande anfiteatro, o mais aconselhável é ir por cima. Há um caminho curto até lá da estrada que vem do Serro Ventoso. E, claro está, a primeira semana de Junho parece ser a altura certa para ver a planta em flor.