2.3.10

Fruto, hortaliça e tempero


Solanum lycopersicum L.

Com mais de 1400 espécies, Solanum é o maior género na família Solanaceae e um dos mais abrangentes entre os que agrupam plantas que dão flor. Em 1753, Lineu juntou-lhe o tomateiro sob a etiqueta Solanum lycopersicum. Anos depois, por causa da estrutura das folhas, do amarelo das flores, do formato das anteras e da ausência de alcalóides frequentes nas outras plantas do género Solanum, Philip Miller mudou-o para Lycopersicon esculentum, e a maioria das referências bibliográficas prefere esta designação. Contudo, a informação genética a que hoje temos acesso dá razão a Lineu: o genoma, sequenciado em 2009, confirmou que o tomateiro é do género Solanum.

O tomateiro é uma herbácea perene mas tenrinha de que se consomem apenas os frutos, difíceis de conservar frescos. Tudo o resto é tóxico. As folhas são imparipinadas, com 5 a 9 folíolos penugentos, de margens serradas. As flores nascem em cimeiras e têm um pistilo alongado; o pólen está no interior das anteras em vez de estar à superfície, como é mais comum, para dificultar a auto-polinização. Mas, na viagem que a trouxe da América do Sul até à Europa, em 1523 segundo José Mendes Ferrão (A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses, IICT, 2005), a planta não veio acompanhada pela sua abelha polinizadora, e por isso os cultivares hortícolas foram seleccionados pela capacidade de se auto-fertilizarem (ainda que com ajuda humana).

O tomate é um fruto mas, como não é doce e é usualmente consumido em salada ou como tempero, é tratado, em culinária e nos mercados, como uma hortaliça (igual ofensa se comete relativamente ao pepino [Cucumis sativus L.], à beringela [Solanum melongena L.], à courgette [Cucurbita pepo L.] ou à abóbora [Cucurbita spp.] ). Mas a reabilitação do tomate não tardará, como comprova a popularidade crescente das compotas e dos sumos que com ele são confeccionados.

Lycopersicon deriva do grego lykos, lobo, e persicon, pêssego - ou seja, fruto perigoso. Tomate tem origem indígena, na palavra asteca tomatl para nomear «uma coisa rechonchuda com um umbigo». Os primeiros tomateiros a chegar à Europa, importados do México pelos espanhóis, dariam frutos amarelos. É isso que faz crer o nome comum italiano, pomo d'oro, ou maçã de ouro, que terá sido cunhado por volta de 1550 pelo naturalista Pier Andrea Mattioli.

2 comentários :

Gi disse...

Vi na América tomates amarelos; não imaginei que fossem os originais.

E sempre me fez confusão o termo italiano pomodoro, que remete para as maçãs de ouro das Hespérides, uma história muito anterior à chegada do tomate à Europa. Graças a si, já percebo melhor.

Maria Carvalho disse...

Em 1550, depois de alguns anos de hesitação pela má memória da toxicidade das solanáceaes, o tomate era já consumido em Itália. Tinha então fama (creio que sem proveito) como afrodisíaco. Por isso, alguns autores ainda lhe chamam pomo d'amore.