Tinto da região demarcada


Linaria aeruginea (Gouan) Cav.
Indicaram-nos, como endereço, um rio e uma estrada a bordejá-lo. Nós, mal o tempo se compôs, fomos à procura dela. Guiados pela EN 222 em direcção a S. Salvador do Mundo, a cada quilómetro mais receosos das perdas nos taludes vítimas do zelo herbicida, só a avistámos perto do Pinhão. Menos que vinte hastes florais, erectas como cabides, de pontas púrpura (aeruginea indica que têm cor de ferrugem) a salpicar um muro de não mais de cem metros. Para nossa fortuna, as flores são avantajadas, distinguem-se até as riscas do peito, e o esporão é longo como o de um inusitado cálice de Porto.
Talvez pela concentração elevada de vapores etílicos nesta região, houve quem lhe chamasse Linaria supina (prostrada); e, comprovando que o sumo de uva tem fama pelo proveito, há mesmo quem lhe atribua o nome comum ansarina-amarela - leu bem, amarela. É verdade que a obra de O. Polunin e B. E. Smythies sobre a flora do sudoeste europeu regista alguma variação de cor nesta espécie, arriscando mesmo um castanhado-amarelado. E dá uma ajuda à identificação: as folhas, sendo estreitas e lembrando as do linho como é usual neste género, têm margens reviradas para dentro.
A palavra taluda não deriva da sorte grande que representa encontrar um endemismo ibérico tão raro como este num vulgar talude, mas deveria. Um dia destes conto-vos qual foi a terminação.
1 comentários:
São lindas!
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