1.9.10

Patinhar em seco



Lythrum portula (L.) D. A. Webb

O que há de mais notável nesta planta glabra e rasteira - habitante de terrenos lamacentos ou de águas baixas e estagnadas - é o contraste entre ela e as suas irmãs. Quem iria adivinhar que a patinha (Lythrum portula), a salgueirinha (L. salicaria) e a erva-sapa (L. junceum) pertencem todas ao mesmo género botânico? Como pode uma ervita prostrada ter algum parentesco com uma planta altaneira e erecta que frequentemente atinge metro e meio de altura? E há ainda a questão das flores: as da L. salicaria são vistosas, de pétalas rosadas; as da L. portula, resguardadas nas axilas das folhas, são minúsculas e, na maioria dos casos, nem pétalas têm (quando as têm, elas são igualmente cor-de-rosa). Algumas medidas ajudam à comparação: as folhas da L. portula têm cerca de 1 cm de comprimento, e as flores, tal como os frutos (visíveis nas fotos), não ultrapassam os 2 mm. A planta é anual, e os seus caules, que costumam enraizar-se nos nós, são muito ramificados, formando um entrelaçado confuso.

O Lythrum portula tem uma ampla distribuição europeia, e só está ausente da Islândia. Em Portugal, e apesar do optimismo de alguns, não é assim tão fácil encontrá-la. Na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês, contudo, é uma presença comum em terrenos turfosos nos arredores de Pitões das Júnias; e também é possível vê-la na Área Protegida das Lagoas, em Ponte de Lima.