Azul intermitente
Julgava pois que a verónica, morando do lado de lá dos portões trancados, me tinha fugido de vez. Mas não a haveria também noutros relvados mais acessíveis? Uma breve inspecção aos jardins das proximidades, desde o Palácio de Cristal à Praça da Galiza e aos palacetes do Campo Alegre, deu-me como resposta um enfático sim. A verónica-de-folhas-de-tomilho está firmemente estabelecida nos relvados dos jardins portuenses. Tem é uma vida intermitente, como todas plantas que colonizam relvados. De três em três semanas, lá vem a brigada dos cortadores de relva (seria descabido chamar-lhes jardineiros) apará-las à escovinha; nesse curto intervalo, as plantas têm que levantar o pescoço, florir e frutificar. Quem conseguir apanhá-las pouco antes de mais uma carecada, pode detectar as verónicas pelo contraste do verde da relva com as manchas azuis formadas pelas minúsculas flores (que têm cerca de 7 mm de diâmetro).
A Veronica serpyllifolia é uma planta vivaz, nativa de Portugal e de grande parte do hemisfério norte (Europa, Ásia e América). Além de frequentar relvados, também se encontra em certos ambientes naturais de montanha, como sejam bosques e margens de regatos.


















































