20/06/2007

"Une prairie de fauche au Jardin des Plantes"

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Desencantei estas fotos do prado do Jardin des Plantes, semeado com uma mistura de treze plantas espontâneas na região parisiense, depois de ler o que o Paulo ontem escreveu sobre o regresso das flores silvestres aos Kew Gardens. É verdade que o referido campo não estava então muito florido, mas tenho que confessar que, apesar de pertencer ao clube dos fãs da vegetação ruderal, na altura, a minha atenção estava decididamente mais voltada para o plátano plantado por Buffon em 1785 > (ao fundo na foto) e para um Ginkgo biloba > igualmente histórico seu vizinho. (Ainda não arranjei tempo para legendar no álbum as fotografias das árvores históricas que visitei e revisitei nessa breve estadia de há dois anos.)

19/06/2007

Os sinos tocam azuis


Bluebells (Hyacinthoides non-scripta) - Kew Gardens

Da variedade inimaginável de plantas e flores que, em qualquer altura do ano, se podem observar nos Kew Gardens, foi esta florzinha que ninguém semeou a escolhida para figurar na face do desdobrável distribuído aos visitantes no período de Abril a Junho de 2007. Há uns 10 ou 20 anos uma tal escolha seria impensável: os jardins botânicos serviam para exibir colecções de raridades colhidas em lugares remotos, e não para celebrar as ervitas que despontam ao acaso em bosques ou prados. A primeira função não se perdeu, mas a segunda tem ganho cada vez maior importância. Nos Kew Gardens já só alguns poucos relvados, junto aos jardins e espaços mais formais, são ainda aparados com regularidade; nas restantes zonas cresce livremente a vegetação rasteira. Com isso regressaram as flores silvestres e toda a fauna de borboletas e demais insectos que lhes está associada. E também no Jardim Botânico do Porto esta tendência para naturalizar tem ganho força: além das vistosas dedaleiras, são já muitas as plantinhas trazidas pelo vento que, sem licença nem placa de identificação, vicejam à sombra das árvores.

P.S. Veja aqui a mesma planta em versão branca.

18/06/2007

Erva-sapa


Lythrum junceum - Parque da Cidade, Porto

Identificámos esta espécie com a ajuda do guia de campo Flora of the Azores de Hanno Schafer (Margraf Publishers, 2005). As flores são solitárias e dispõem-se nas axilas das folhas sésseis, parecendo subir graciosamente por um caule erecto que não ultrapassa os 40cm de altura.

A erva-sapa é nativa do sul da Europa e norte de África e é irmã da erva-carapau, a Lythrum salicaria, comum nos nossos bosques húmidos e uma praga séria em campos do oeste americano. Ambas se servem de uma estratégia sofisticada para encorajar a polinização cruzada: têm flores de tipos distintos relativamente ao tamanho dos estames (que são 12, 6 curtos ou médios e 6 longos) e do pólen; com esta diferenciação, cada pólen fertiliza melhor uma planta diferente da que o produziu.

Na mesma família estão as famosas lagerstroemias e romazeiras.

16/06/2007

«It is forbidden to live in a town which has no garden or greenery.»
-Jerusalem Talmud, Kiddushin 4:12; 66d (fonte >)

15/06/2007

... que em nada são iguais



Phytolacca heterotepala / Phytolacca dioica

Destas duas plantas congéneres, e tal como sucede às musas do conhecido bardo lusitano, uma é grande, outra é pequena; uma é loura, outra é morena... E aqui fazemos uma pausa para precisar que a planta pequena, norte-americana de origem, é que seria loura; enquanto que a grande, importada do país do carnaval, seria por lei morena ou mesmo mulata. Mas é artificial associarmos esses adjectivos aos diversos tons de verde, e por isso interrompemos de vez o paralelismo e mudamos para um registo mais sério.

A Phytolacca heterotepala é uma herbácea perene que pode atingir os 2,5 metros de altura e está naturalizada no nosso país. A Manuela já antes aqui nos tinha falado de uma sua congénere muito semelhante (e mais comum), a Phytolacca americana, conhecida como tintureira.

A Phytolacca dioica é uma árvore brasileira, conhecida em Portugal como bela-sombra. A sua copa é muito ampla e, nos exemplares mais idosos, as raízes intumescidas emergem do chão e amontoam-se à volta do tronco. Há pelo menos quatro belas-sombras classificadas de interesse público em Lisboa: duas delas junto à Igreja dos Anjos e outra duas no Campo Santana. Podem ver-se fotos dessas quatro árvores em Árvores isoladas, maciços e alamedas de interesse público, publicação da DGRF; no entanto, nenhuma delas é comparável ao exemplar ribatejano que a Ana Paula nos mostrou no seu blogue.

Essas duas primas americanas reuniram-se no velho mundo; mais precisamente na encosta de Massarelos, no Porto. A tintureira vegeta, talvez espontânea, no jardim das aromáticas do Palácio de Cristal; quase à mesma cota, mais a poente, encontramos esta inesperada bela-sombra num velho caminho rural a que o pedantismo da Porto 2001 chamou romântico. A casa a que a bela dá sombra está em obras. É bom que as obras se façam se as duas, árvore e casa, lhes sobreviverem: pode ser que, depois de concluídas estas, se lancem outras obras de recuperação. É que do romantismo que é composto de abandono, pobreza, lixo e vandalismo estamos já bem servidos.

14/06/2007

Menina do mar



Malcolmia littorea - Parque das Dunas da Aguda

A sorte da pedra
é tornar-se areia.

Mas quem não soluça

pensando em teu rosto

reduzido a poeira...

Fragilidade, Cecília Meireles, in Retrato Natural (1949)

13/06/2007

Apontamentos

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Que pena as fotos do Claustro de la Magnolia > tiradas em Pádua há quatro anos terem ficado mal. (Fariam hoje aqui um vistão ;-)
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Santo António > morreu tão novo! O lírio > > que quase sempre aparece nas suas imagens é um símbolo de pureza associado a Nossa Senhora > .

Vi ontem a primeira verbena > deste ano. Gosto tanto do nome como da florzinha.
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Não me posso esquecer de verificar se as dedaleiras por cá já estão também com semente!

12/06/2007

Holland Park





Pela bitola londrina, o Holland Park, encravado entre Kensington High Street e Notting Hill, é minúsculo: mede pouco mais de 20 hectares. Aberto em 1952, numa altura em que já existiam todos os grandes parques de Londres, veio ocupar parte dos terrenos da Holland House, uma casa senhorial que foi destruída pelos bombardeamentos da 2.ª Grande Guerra e de que hoje só restam duas alas desconexas, uma delas convertida em albergue de juventude. Mas o tamanho não é o único critério para avaliar um parque. O Holland Park tem jardins formais encantadores, como o jardim holandês que vemos enfeitado com tulipas, o jardim dos íris com um lago circular e um painel de azulejos por trás da arcada de tijolo, o pomar das laranjeiras, o roseiral com inúmeras variedades de rosas. Antes de entrarmos no bosque, um pequeno desvio leva-nos ao jardim de Quioto, uma perfeita miniatura oriental dominada por uma queda de água e cingida pelos meandros de um regato. Mas é no bosque que melhor se compreende a singularidade deste espaço: os caminhos estão ladeados por paliçadas de madeira, fazendo do arvoredo um autêntico refúgio tanto para a flora espontânea como para os pássaros, esquilos, coelhos e demais fauna. Não é só por graça que, na página dos Amigos de Holland Park, se lê «"The Friends of Holland Park" exist to save the countryside!». A frondosidade da vegetação e a exuberância da vida natural fazem-nos sentir muito longe da cidade - mas ela, incessante e tumultuosa, dista daqui só algumas centenas de metros.

Uma palavra sobre as fotos, tiradas em Maio numa visita que a chuva encurtou e durante a qual um esquilo pedinchão me trepou até à cintura. A estátua foi oferecida ao jardim das tulipas em 2003 pelos Amigos de Holland Park, e representa Mílon de Crotona, atleta grego do séc. VI a.C., multi-campeão nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Píticos, célebre pela sua força e voracidade. Já velho, quis experimentar as forças separando em dois, com as mãos desarmadas, o tronco de uma árvore: numa lição memorável para todos quantos maltratam árvores, as duas metades fecharam-se sobre ele, que ficou entalado e acabou comido pelos lobos; a estátua reconstitui justamente esse seu gesto fatal.

Um dos acessos ao bosque é por um corredor rectilíneo pavimentado com lajes e com dois choupos de vigia à entrada; de ambos os lados do corredor, distribui-se uma variadíssima colecção de áceres arbóreos e arbustivos, quase todos de origem asiática.

As últimas fotos comprovam como os sinos azuis podem às vezes ser brancos. Os bluebells (Hyacinthoides non-scripta) são característicos dos bosques ingleses, onde formam a partir de Abril extensos tapetes azuis; e só muito raramente, para não estragarem o efeito do conjunto, fazem brotar flores brancas. Vi-os azuis em vários lugares (Kew Gardens, Victoria Park, Hampstead Heath), mas só no Holland Park os encontrei brancos. Estava tentado a saltar a vedação para tirar o retrato a esses albinos, arriscando-me a pesada e bem merecida multa, quando um deles, acenando-me do lado de cá, me salvou o dia. Não me importei nada de o fotografar à chuva.

11/06/2007

Lobelia erinus


Lobelia erinus

Encontrámos esta ervinha minúscula num canteiro do Parque de São Roque, entre cravinas e valerianas. As flores são tubulares, com cinco sépalas finas como agulhas (o que talvez justifique o epíteto específico) e cinco pétalas separadas em dois grupos, duas para cima como orelhinhas e três descaídas a formar uma pista para as abelhas se apoiarem. O género Lobelia contém também espécies arbustivas nos trópicos, e outras na Argentina e Chile (como a L. tupa) que produzem efeitos alucinogénios se fumadas ou manuseadas sem cuidado. A designação desta planta deriva do antropónimo Mathias de Lobel (1538-1616), naturalista flamengo, colector de plantas e estudioso de farmacopeia, autor de Stirpium Adversaria Nova (com co-autoria de Pierre Pena), obra que muitos consideram percursora da botânica moderna.

A ler- "Planar sobre a copa das árvores"



N' O Primeiro de Janeiro : «Passeio à descoberta de exemplares monumentais
Um passeio destinado a visitar as árvores monumentais do Porto levou ontem 50 pessoas à Cordoaria. O objectivo passa pelo enquadramento da ancestralidade das árvores na evolução da cidade e na consciencialização da necessidade de preservar esse património arbóreo.

"Quantos anos tem?". "De onde é originária?". "Qual a altura máxima que alcança?". As perguntas escorriam, umas após as outras, à medida que os olhares percorriam aquele colossal ser vegetal que habita na Alameda dos Plátanos, na Cordoaria.

Foi ali que cerca de meia centena de pessoas se reuniram, para participar no passeio «Rota das Árvores Monumentais», organizada numa parceria entre a Câmara Municipal do Porto, a Fundação Porto Social e a editora Gradiva. "Não esperava esta adesão surpreendente" , confessa, notoriamente satisfeita, Maria Pires de Carvalho, docente da Faculdade de Ciências do Porto, co-autora do livro À Sombra de Árvores com História e a guia da visita, que se esforça por saciar a curiosidade que a atinge de todas as direcções.

"Esta sequóia é originária dos Estados Unidos" (...) O tronco, espesso e enrugado, ergue-se dezenas de metros, ligeiramente debruçado sobre o pequeno lago da Cordoaria.
A poucos metros ao lado, a atenção de todos é subitamente revertida para uma estátua. O monumento encontra-se ali desde 1904. A individualidade que homenageia morreu seis anos antes. (...) José Marques Loureiro (1830-1898) criou o "Horto das Virtudes", jardim também conhecido como "Passeio das Virtudes", actualmente fechado ao público. .............................................................................
A ler também no Jornal de Notícias: «Árvores contam histórias das gentes e da cidade - Rota das árvores monumentais juntou entusiastas desde a Cordoaria aos jardins do Palácio, no Porto- (...) "As árvores também são património a preservar e fazem falta à cidade". Além disso, "têm uma história antiga associada" ao Porto, notou, explicando que o passeio visou sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as árvores. Na Casa Tait, a resposta foi simbólica: 13 pessoas deram as mãos à volta de um tulipeiro para o medir. »

09/06/2007

Tem dias...

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá.
(...) Chico Buarque (via lerdo ler)
> letra, ver e ouvir (no YouTube)

A ler- "Plátano mais airoso aos 169 anos de idade"

«O famoso Plátano do Rossio de Portalegre sofreu na terça-feira uma operação de limpeza e de manutenção, uma situação que não passou despercebida aos muitos portalegrenses que, durante este dia, se passearam pelo Rossio.
O mais célebre plátano do País está agora mais "airoso". Isto porque dois técnicos de arboricultura da Fundação Serralves passaram o dia de terça-feira em Portalegre a fazer a manutenção do Plátano. Um trabalho "cuidado", segundo afirmam, para que a árvore centenária fique nas melhores condições. (...)»
continuar a ler reportagem no Jornal Fonte Nova >

08/06/2007

Jardim centenário a estrear




Boa notícia para os fotógrafos que documentam para os álbuns de recordações os casamentos celebrados na Conservatória do Registo Civil de Vila Nova de Gaia: as sessões fotográficas com os recém-casados e respectivos pais, padrinhos e toda a corte de familiares e amigos podem voltar a realizar-se no local do costume. Na quinta-feira, dia 30 de Maio, foi inaugurado pelo presidente da Câmara o novo Jardim Soares dos Reis. Claro que ele não é exactamente novo: embora não pareça, este que é um dos raros jardins no centro urbano de Gaia já existe desde 1904. Contudo, as árvores que o compõem, mesmo as de maior porte, aparentam poucas décadas de vida. Há registo de o espaço ter sido alterado em 1974, e é provável que o arvoredo tenha sido então todo substituído. A intervenção que agora se completou, embora ocasionada pela construção de uma via rápida, deixou um rasto menos destruidor, pois as árvores na metade sul do jardim não foram afectadas pela gigantesca trincheira que obliterou a metade norte, e puderam na sua maioria ser poupadas. A excepção mais assinalável é que, no lugar dos mirrados ciprestes (Cupressus sempervirens) que acompanhavam a sucessão de espelhos de água, há agora um duplo alinhamento de loureiros (Laurus nobilis). Regista-se assim uma louvável continuidade entre o jardim que havia e o que agora se fez: nenhum gaiense se sentirá, como se sentem os portuenses que visitam a Cordoaria ou os Aliados, orfão de um lugar que já só existe na memória; e, se o gaiense se quiser sentar no Jardim Soares dos Reis, não lhe faltarão bancos nem lhe irão doer as costas por falta de encosto.

A grande novidade é que, tapada a trincheira, o trânsito em volta do jardim foi confinado à parte sul, enquanto que a parte norte, que surge agora como prolongamento pedonal das ruas adjacentes, foi estendida até ao bordo do largo Soares dos Reis. Os moradores ficam a poder sair de casa directamente para o relvado. A nova extensão do jardim, embora ainda muito despida e mostrando as costuras da colocação apressada dos tapetes de relva, cola muito bem com a parte antiga, tanto no desenho dos percursos e na modelação do terreno como nos materiais empregues. Há novos carvalhos-americanos, bétulas, camélias, azáleas, rododendros e magnólias, mas a escadaria seria mais alegre se se tivessem mantido os nenúfares.

Não poderá a Câmara de Gaia desistir de uma vez por todas do estacionamento subterrâneo no Jardim Soares dos Reis? Que gosto há em desbaratar aquilo que agora tão bem se fez? As árvores pedem tempo para crescer: deixe-se o jardim em paz para que, daqui a vinte ou trinta anos, com mais sombras e recantos, ele se assemelhe mais à idade que tem.

07/06/2007

Linária de flores amarelas


Linaria caesia - Parque das Dunas da Aguda

A Linaria caesia não tem registado um nome em português, por isso decidimos chamar-lhe canarinha. Vive bem no espaço interdunar, na fronteira para a duna mais arborizada e mais longe do mar. As pétalas de cada flor formam um tubo com uma espora e dois lábios, o menor vertical, o outro tomentoso e inchado, lembrando um sapo; do topo à ponta da espora, o conjunto não excede um centímetro.

O género Linaria contém cerca de 150 espécies, metade das quais são europeias e especialmente de Portugal e Espanha. No dicionário Houaiss, o verbete peloria indica que este termo designa «uma anomalia floral que consiste na transformação de uma flor normalmente zigomorfa [isto é, com simetria bilateral, como a da foto] em actinomorfa [com simetria radial], frequente no género Linaria». E há até registo de exemplares silvestres com cinco esporas.

A espécie Linaria triornithophora exibiu-se ontem no Botany Photo of the Day.

06/06/2007

À oliveira da serra

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Flores de oliveira- Distrito de Viseu -Junho 2007

«Esta semana os níveis de pólenes ocorrem em concentrações elevadas em todas as regiões do país. O alerta vai particularmente para os doentes com alergia aos pólenes de gramíneas e oliveira. (...)» in RPA

À oliveira da serra,
o vento leva a flor.
À oliveira da serra,
o vento leva a flor.
Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,
Ó i ó ai, para o pé do meu amor.
Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,
Ó i ó ai, para o pé do meu amor.

À oliveira da serra,
o vento leva a ramada.
À oliveira da serra,
o vento leva a ramada.
Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,
Ó i ó ai, para o pé da minha amada.
Ó i ó ai, só a mim ninguém me leva,
Ó i ó ai, para o pé da minha amada.

(letra, pauta e karoeke in Domingos Morais & Alfarrábio)

05/06/2007

Convite - rota das árvores monumentais




Onde no convite se lê V. Exc.ª deve ler-se cada um dos leitores deste blogue: temos encontro marcado no próximo sábado, às 15h00, à sombra dos plátanos da Cordoaria. No caminho até ao Palácio revisitaremos algumas das árvores que se converteram em capítulos do nosso livro; a propósito delas, além das histórias já conhecidas dos nossos leitores, teremos outras mais recentes para contar. Na sessão da Feira do Livro, com início às 17h00, haverá, à semelhança do que se fez em 1 de Fevereiro na Quinta de Bonjóia, uma projecção de fotografias.

04/06/2007

Morrião-das-areias


Anagallis monelli - Parque das Dunas da Aguda

As plantas que vivem nas dunas experimentam por rotina uma versão branda de nomadismo no deserto: permanentemente expostas ao sal, a amplitudes térmicas elevadas e à falta de água, têm ainda de resistir ao vento agreste que as faz adormecer no topo de um monte de areia, rebolar duna abaixo durante o sono e acordar com o mar ao pé a sussurar-lhes maravilhas de outras paragens. Para escaparem à morte em tais aventuras, têm estruturas formidáveis de defesa: as folhas são reduzidas e cutinizadas, frequentemente com penugem para se protegerem do sol excessivo, ou carnudas como cactos para armazenarem água, e as raízes são longas ou dispostas em roseta.

Mas esta vegetação costeira, tão avançada na sua adaptação à beira-mar, tem um inimigo recente mais poderoso: os frequentadores das praias, sedentos de espuma, banhos de sol e jogos na areia, que, descuidados, pisoteiam tudo o que cobre as dunas. Por isso o Parque das Dunas da Aguda, de entrada gratuita, é uma preciosidade que só peca por ser pequena. Trata-se de um rectângulo de areia vedado, um recanto acolhedor para dunas e vegetação onde até o fotógrafo se tem que contentar com as plantas que marginam os passadiços. Depois de uma conversa breve com o guarda, que aponta orgulhosamente os cordeirinhos-da-praia, o sapinho-das-areias, o rabo-de-lebre, a eruca-marinha, a morganheira-da-praia, a erva-pinchoneira, o alfinete-das-areias, a camarinha, o goivinho-da-praia e a couve-marítima, e revela um ninho na areia onde diariamente conta o número de ovos, fomos à procura da flor azul.

E lá estava ela, belíssima, em rosetas prostradas, o único azul no areal. A Anagallis monelli, morrião de flores grandes, é espontânea da Península Ibérica ao Norte de África.

02/06/2007

Magnolia grandiflora- Serralves

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Serralves de novo em festa!


Fotos: Junho de 2006

A ler - Festival of the Trees

Gostei muito do que escreve Jade L Blackwater, responsável pelo Arboreality - Tree Blogging na sua introdução à 12ª edição do Festival de Árvores :
«Greetings and welcome to the Festival of the Trees 12 - Meditations.
Many of us blog about trees or forests because of the personal connections we make with them in our day-to-day. Amid the bombastic cries in the media of "Go Green" and "Stop Global Warming", it can be easy to overlook the power of our individual relationships with trees to help change the way we (as a species) interact with the Earth. When we blog about trees in our respective regions, we share a sort of ongoing, global meditation on the green and growing world. (...) »


E ao ler o que simpaticamente declara sobre a participação portuguesa (do Jorge Neves > do Pedro Santos > e minha > ) nesta edição - «... I was fortunate this month to be found by several bloggers in Portugal, who demonstrate their country's true love of the arboreal»- não posso deixar de suspirar que, infelizmente, there's less to it than meets the eye...

Great job Jade. Thanks from Portugal!

01/06/2007

2.º capítulo azul


Jasione montana

Encontrámos há dias este exemplar em flor de Jasione montana em Cambarinho. É pequena, de folhagem basal, coriácea e arrosetada. Identifica-se pelos caules nus de uns 30 cm de altura onde assentam capítulos densos de flores bilabiadas. Sabemos agora que aprecia especialmente zonas montanhosas de solo calcário do sul da Europa.