29.9.07

Para breve (mais) sizentismo em Guimarães?

Alerta via A Baixa do Porto


Condenados? Jardim da Alameda S. Dâmaso (11. 2006) e Largo do Toural (09.2006).

«Notícia JN: Revolução no Largo do Toural com a assinatura de Siza
Meus caros,
Será que não se aprende nada nessa nossa abençoada terra?

O que mais me estranha é como a coisa é feita.
1. Escolhe-se o arquitecto - assim, alguém o faz;
2. Encomenda-se o projecto - assim, como ele quer (?);
3. Põe-se o dito a debate público - assim, como um facto consumado.

Ora não sería melhor ter o debate à cabeça? Talvez se chegasse à conclusão que o que está, está bem. Ou que necessitava só de conservação. Ou de uns sanitários públicos por baixo do coreto e a revitalização do antigo café-esplanada. Mas assim não. Vai tudo abaixo, começando com as árvores que pouca falta fazem e os canteiros que só atrapalham e dão trabalho, em nome de uma modernidade importada e descaracterizante.

Que parolos: É que o rei vai nu!
Como já aqui disse, no Porto, olhai para os Jardins da Montevideu e Cordoaria, e as praças do Infante, Poveiros, Leões e D. João I, a Avenida dos Aliados, a Rotunda do Castelo do Queijo, o espaço em frente à Cadeia da Relação e do Piolho....

Alexandre Borges Gomes, Bruxelas » in A Baixa do Porto

  • Sobre a obra anterior de Siza Vieira nesta cidade, o Parque da Mumadona, ler a opinião de Francisco Teixeira transcrita aqui.

28.9.07

Quinta do Cravel

Os dicionários de português, renitentes em abonar novidades ou pouco atentos à evolução da língua, ainda definem quinta como «propriedade rústica, cercada ou não de árvores, com terra de semeadura e, geralmente, casa de habitação», ou então como «casa de campo». Estas acepções do termo são, pelo menos em português de Portugal, evidentes arcaísmos, e como tal deveriam ser ressalvadas; esperemos que as próximas edições dos dicionários correntes (usei o da Porto Editora) façam a correcção que se impõe. Como se sentirá um estrangeiro que, após laboriosa consulta do dicionário, decida visitar a Quinta da Seara, em Gaia, e, em vez de ondulantes campos de trigo e uma ou outra vaca ruminando em verde pasto, encontre isto? Achará no mínimo que fizeram pouco dele. Senhores lexicólogos: a língua não é estática e, hoje em dia, como se vê pelo exemplo citado (e dezenas de outros poderiam ser invocados só em Gaia), quinta significa «empreendimento imobiliário, geralmente de grandes dimensões, que veio ocupar terrenos antes cultivados ou arborizados». O Google não tem qualquer dúvida sobre o assunto: encontrou-me 886 páginas, todas elas portuguesas, onde aparece a expressão «empreendimento quinta».

Algumas destas defuntas quintas, ou talvez mesmo a maioria delas, não eram quintas de lavoura: eram quintas de recreio onde ricos privilegiados cultivavam jardins ao gosto ostentatório da época. A sua imolação à voracidade imobiliária tem um sabor de vingança - mas uma vingança tardia e equivocada. Na revolução francesa cortavam as cabeças dos nobres; na nossa revolução plebeia, mais pacífica e diferida no tempo, cortamos árvores e cimentamos quintas. Não havendo já tal casta de privilegiados, desforramo-nos na beleza que foi privilégio deles.



Apesar das aparências - pois existe realmente um emprendimento imobiliário com esse nome -, a Quinta do Cravel, em Gaia, é uma excepção à regra destruidora, já que a construção se concentra nas franjas da propriedade e a sua rica mata foi quase toda preservada. Os terrenos da quinta, com mais de 10 hectares arborizados, estendem-se desde a fábrica Coats & Clark, à EN 222, até às instalações da RTP, no Monte da Virgem. A intenção do promotor é reservar o usufruto da mata aos moradores do empreendimento, mas parece-me demasiado optimista esperar que eles paguem sem protesto a manutenção regular dos 10 hectares de arvoredo. (Conheço prédios no centro do Porto onde os condóminos se recusam a pagar até as despesas do jardim.) Por que não fazer uma parceria com a Câmara de Gaia, com a contrapartida de uma abertura (controlada) da mata ao público? Afinal não abundam no concelho espaços verdes desta dimensão (públicos só existem dois: o Parque Biológico de Gaia e o Parque da Lavandeira).

Há uma parte da Quinta do Cravel que foi aberta ao público sem restrições e onde funciona agora um restaurante de cozinha italiana. Partindo da rotunda de Santo Ovídio, o acesso faz-se pela estrada do Monte da Virgem: pouco antes da RTP, uma tabuleta à esquerda indica a Quinta do Cravel; uma vez na rua do empreendimento, um cartaz aponta o restaurante, ao qual se chega descendo por um caminho de terra batida. Mesmo que não se almoce, vale bem a pena a visita; e os mais atrevidos, como nós, não deixarão de atravessar o discreto portão que, nas traseiras do restaurante, dá acesso à parte reservada da quinta.

Que árvores se encontram nos jardins e mata que vão trepando encosta acima? Muitos eucaliptos, a permanente ameaça das acácias (desbastadas há pouco tempo, voltam a despontar em grande número), mas também pinheiros-bravos, carvalhos-alvarinhos, sobreiros, medronheiros, bétulas, sanguinhos-de-água (Frangula alnus), grandes japoneiras, árvores de fruto, cedros, ciprestes, e uma avenida de árvores ornamentais com faias, magnólias e carvalhos-americanos. Uma riqueza e diversidade arbóreas incomparavelmente maiores, por exemplo, do que as da Quinta de Marques Gomes ou do Parque da Lavandeira. Oxalá esteja em boas mãos.

27.9.07

Notícias da Pavonia


Pavonia spinifex

Está em flor desde a Primavera e, embora não tão ornamental quanto a P.x gledhillii, atrai borboletas e chilreios, e até os colibris da América tropical de onde é originária. Os estames unidos lembram os dos hibiscos e localizam esta planta facilmente entre as malváceas. O fruto é farpado, e os espinhos prendem-no ao pêlo de animais que assim o disseminam involuntariamente. O exemplar da foto está no terraço do lago dos nenúfares do Jardim Botânico do Porto; há ali sapos, talvez encantados, mas a planta aposta mais na colaboração de uma família de gatos que por lá se passeia.

26.9.07

A ler

«Como é que se descreve uma árvore?
Como é que se explica uma paixão?...
Como é que se explica uma beleza que comove?! »
.
Imperdível a leitura da descoberta da Azinheira Grande pelo Pedro (do Sombra Verde) & amigos:
1- Apaixonei-me por uma árvore!
2- O caminho da redenção
3- 37.7367 N ..7.8215 W
4- Obrigado...

25.9.07

Cipreste-de-Monterey


Cupressus macrocarpa - Parque Florestal de Amarante

As árvores não têm que respeitar as linhas divisórias dos estados, mas as 50 parcelas que compõem os EUA são suficientemente vastas para albergarem numerosos endemismos, como esta árvore com que fechamos o nosso ciclo de ciprestes: trata-se do cipreste-da-Califórnia (também conhecido como cipreste-de-Monterey), que não ocorre espontaneamente em nenhum outro estado americano. Este cipreste, que se distingue pelos seus ramos ascendentes, quase verticais nas árvores jovens, e pelo tronco encordoado, apresenta-se ora com hábito colunar (é o caso de alguns exemplares no Parque de Serralves), ora com copa ampla e arredondada, como a árvore na foto. Cresce rapidamente e não costuma ultrapassar os 30 metros de altura, mas o tronco é por vezes de grande envergadura. Os aveirenses recordam decerto o grande cipreste-de-Monterey, com quase 7 metros de perímetro do tronco, que existia no jardim do Parque D. Pedro, à face da avenida Artur Ravara: classificado de interesse público em 1939, danificado por um ciclone em 1942, sobreviveu até há meia-dúzia de anos com a copa muito reduzida; mas dele hoje só resta a base do tronco, testemunho assaz elucidativo do colosso que ele foi. Tive a sorte de o ter conhecido ainda vivo, mas não a previdência de o fotografar.

O cipreste-da-Califórnia, conterrâneo dos Beach Boys, dá-se muito bem à beira-mar. Há tempos, alguém teve o atrevimento de eleger as 10 mais magníficas árvores do mundo: a lista não terá sido compilada por votação democrática, mas a escolha, apesar da hegemonia norte-americana, revela algum esforço de equilíbrio. Em décimo lugar ficou justamente um Cupressus macrocarpa, notável não pelo tamanho mas pelo lugar onde lhe calhou viver: isolado num rochedo batido pelos ventos e marés do Pacífico.

P.S. Ver aqui fotos antes-e-depois do cipreste-de-Monterey do Parque D. Pedro, em Aveiro. Obrigado, Pedro!

24.9.07

Colchicum autumnale




Há mais indícios de que o Verão está por um fio para além da brisa fria nocturna. A espécie Colchicum autumnale, que na Primavera é um tufo de folhas basais (e venenosas por conterem o alcalóide colquicina) a aconchegarem um fruto ovóide, reduz-se agora a enormes flores que lembram os Crocus, sem nada mais que a vista. A designação dama-nua é ousada mas a que melhor se lhe ajusta.

A família Colchicaceae, anteriormente parte da Liliaceae, abriga cerca de quinze géneros de plantas com rizoma ou tubérculo da África do Sul, sudoeste da Europa, Ásia e Austrália. A mediterrânica C. autumnale L. tem uma irmã portuguesa, a C. lusitanum Brot. que difere apenas no tom violeta-rosa mais homogéneo da flor. A prima mais bonita é a asiática/africana Gloriosa superba.

23.9.07

Fim do Verão


Emil Nolde (1867-1956)
Museu Amadeo de Souza Cardoso, 2006

Sei de uma pedra onde me sentar
à sombra de setembro
e vou falar dos girassóis,
essa flor quase de areia
que ombro a ombro com o sol
faz do peso da sua solidão
o ardor
e a glória dos grandes dias de verão.


Eugénio de Andrade
O peso da sombra (1982)

21.9.07

Viver com o fogo



Cupressus glabra

As várias espécies de ciprestes são das árvores mais difíceis de distinguir a olho nu. A excepção é o cipreste-comum (Cupressus sempervirens) com a sua silhueta inconfundível em forma de fuso ou pincel; mas de resto é preciso algum treino para, por exemplo, diferenciar o cipreste-do-Buçaco (C. lusitanica) do cipreste-da-Califórnia (C. macrocarpa), ambos frequentes em jardins e parques portugueses. É por isso simpático, pelo trabalho que nos poupa, que se lembrem de pôr junto à árvore uma placa identificativa, como aconteceu com este cipreste no centro cívico de Santo Tirso. Ficámos assim a saber que se trata de um C. glabra, conhecido como cipreste-do-Arizona, originário desse estado no sudoeste dos EUA. Há alguma controvérsia taxonómica à volta desta árvore, pois há quem defenda ser esta não uma espécie autónoma mas uma variedade do C. arizonica, e prefira designá-la por Cupressus arizonica var. glabra; para confundir mais, há também quem assegure que C. arizonica e C. glabra são sinónimos botânicos.

Este exemplar em Santo Tirso tem tronco rugoso, mas - a acreditar na descrição geralmente aceite da espécie C. glabra e nas fotos que é possível ver na internet - deveria tê-lo liso; contudo, como tudo o resto confere, talvez a discrepância se possa atribuir à idade. Esse tudo o resto inclui o aspecto geral da árvore, de pequeno porte e copa piramidal, a folhagem azulada, e as pequenas pinhas masculinas, de tom amarelo-torrado, nas extremidades dos galhos. É uma espécie cultivada como ornamental nas regiões temperadas de todo o mundo.

Uma curiosidade é que, no seu habitat de origem, as sementes do cipreste-do-Arizona precisam do fogo para germinar, fenómeno semelhante ao que ocorre na Austrália com numerosas espécies de eucaliptos. Só quando uma população inteira é destruída pelo fogo é que pode nascer a geração seguinte; todas as árvores no mesmo local têm pois a mesma idade. Sem fogo não há renovação dessas florestas, e por isso, em várias reservas nos EUA e na Austrália, a palavra de ordem já não é impedir todos os incêndios - mas às vezes, pelo contrário, provocá-los. Não se julgue, porém, que uma tal experiência é transponível para Portugal, onde os incêndios são uma tragédia sem remissão.

20.9.07

Boca-de-sino


Physostegia virginiana

Esta herbácea perene originária da América do Norte, da mesma região dos tulipeiros, estrelou há dias no Botany Photo of the Day. Para confirmar que a designação comum em inglês, obedient plant, se lhe adapta, o que não pode ser feito numa mera fotografia, podemos ir ao jardim formal da Quinta de Sto. Inácio onde vegeta este exemplar, mover de sítio uma flor e verificar que ela se conforma com a nova posição. Bem, para que este método possa constituir meio de prova, é melhor repetir com outras flores, não vá a primeira experiência ter sido bem sucedida por acaso. Por estas e por outras é que os nomes vernaculares são mais fáceis de justificar e memorizar, e menos efémeros que os científicos.

A Physostegia virginiana multiplica-se por divisão de touceira, que ela cria lançando generosas pôlas (é estolonífera, diz-se), caules rastejantes a que os jardineiros chamam ladrões. As flores são inchadas com um capuchinho e três lóbulos, e há uma variedade rara de pétalas brancas apropriadamente designada Summer snow.

19.9.07

Cupressus lusitanica- Casa de Mateus




fotografias: Setembro 2003
aqui tínhamos mostrado um aspecto deste túnel constituído por Cupressus lusitanica, na Casa de Mateus em Vila Real. Estranhamente, no livro de Ernesto Goes sobre árvores monumentais de Portugal, este exemplar não é referido, apesar de serem nomeadas outras árvores de grande porte desta quinta, como por exemplo este Cedrus deodara.
.
Os outros exemplares de Cupressus lusitanica que o autor refere são: o do Buçaco, alguns do Parque da Pena e Quinta de Monserrate, em Sintra; na Quinta da ex-Escola Agrícola de Coimbra; dois exemplares notáveis na Quinta do Eixo, em Aveiro; um na Aldeia dos Dez (concelho de Oliveira do Hospital); e alguns outros, notáveis também pela sua disposição em caramachão: em Lisboa, o do Jardim do Príncipe Real, e o do Pátio dos Restaurante Castanheira Moura, ao Lumiar; no concelho de Torres Vedras, em Runa no Parque do Asilo dos Inválidos Militares; e ainda outro na Quinta anexa à Igreja de Sanfins de Ferreira, no concelho de Paços de Ferreira. Será que ainda existem todos? De qualquer modo aqui ficam registados e na agenda para próximas "saídas de campo".

18.9.07

À atenção dos odoricultores (e não só)


Camellia sasanqua

Sem a presença solene do Ministro dos Jardins ou do Secretário de Estado das Flores, e sem que o assunto merecesse a mais breve menção nos orgãos de comunicação social do país, teve lugar, num dia incerto da semana passada, em vários jardins do norte e centro de Portugal, a abertura do Ano Floral de 2007/2008 para as Camélias e todos os seus Admiradores.

Quem já nos frequentou em anos florais transactos sabe que, para nós, há as camélias e o resto, havendo mesmo quem afirme (com a réstia de verdade que a caricatura sempre contém) que o resto é só pretexto para mantermos a loja aberta à espera delas. A primeira camélia a florir, infalivemente em meados de Setembro, é a sazanka - nome japonês da Camellia sasanqua, que se distingue das japoneiras pela folhagem mais miúda e pelo perfume rude e intenso das suas flores. Eis alguns lugares onde as pode ver e cheirar: no Porto, na Casa Burmester e no Parque de São Roque; mais a norte, em Amarante, no Parque Florestal; e mais a sul, em Viseu, no jardim do Paço dos Bispos.

17.9.07

Brazilian candles



Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...


Mário de Sá-Carneiro, Último Soneto, in Indícios de Oiro (1937)


A cidade está de roxo. Dos gerânios, miosótis, campânulas, agapantos, verbenas, budléias, quaresmeiras, malvas-silvestres, hibiscos-sírios e muitas outras plantas que, no auge da floração violácea, pintam o postal com que nos despedimos dos amores breves e dos dias longos. Mas para que este não seja um Verão como os outros, há uma malvácea rara a protagonizar o fim da temporada: uma Pavonia x gledhillii, híbrido de jardim entre a P. makoyana e a P. multiflora, de flores cuja coloração, se bem misturada, daria um belo lilás. As pétalas são castanhas e envolvidas por um epicálice púrpura, configuração que lhes dá o ar de não estarem bem abertas; o estigma é vermelho e as anteras azuis.

O nome do género, que inclui cerca de 180 espécies tropicais, homenageia José António Pavón y Jiménez (1754-1844), naturalista espanhol, co-autor da Flora Peruviana et Chilensis do Jardim Botânico de Madrid.

16.9.07

Erva-aranha


Spergula arvensis

Prosseguimos a saga das herbáceas com nome de bicho. Esta não poderia escapar ao que lhe coube, dado o formato das folhas e respectiva penugem. Pela flor, diríamos que se trata de uma Spergularia, e o erro é pequeno: é uma Spergula arvensis, planta anual que se crê nativa das ilhas britânicas e se dissemina (em latim spergere) facilmente. Dá-se bem em dunas e roseirais, mas é em solos arados que se sente em casa. É mesmo tida como invasora preocupante em searas, onde, havendo sol, as flores conseguem criar um manto de estrelas brancas.

14.9.07

Eu vi um sapinho


Spergularia rubra [?]

Para me desculpar do muito que, em Guimarães, não vi no Parque da Cidade, eis duas fotos de uma planta que realmente consegui lá ver. A desculpa é fracota, porque esta planta é pequena e o que ficou por ver é grande. Além do mais, efémera e frágil como ela é, pode ser que quem visite o parque já não a consiga encontrar - não por ser pequena, mas por já ter desaparecido. Mas aqui vão as indicações para os garimpeiros de raridades botânicas: estas flores aglomeravam-se numa pequena mancha lilás perto da entrada poente do parque, a alguns metros da ribeira. Embora se trate, com toda a certeza, de uma Spergularia, não estou muito certo de que seja a S. rubra, cujo nome vulgar, segundo o Portugal Botânico de A a Z, é sapinho-roxo-das-areias. Está bom de ver que um relvado não se confunde com um areal, mas a UTAD, com a sua Flora Digital de Portugal, vem em meu socorro ao informar que esta espécie surge em relvados húmidos e em terrenos ruderais. Mas então a que propósito vêm as areias? A informação disponível na net e na escassa biblioteca caseira não consegue deslindar a confusão. O género Spergularia abrange 17 espécies só no continente europeu, e algumas mais um pouco por todo o lado, incluindo a Macaronésia, a América do Sul e o Havai. São plantas suculentas, em geral rastejantes, com flores de um a dois cm de diâmetro; e, na sua maioria, preferem habitats costeiros. (Na primeira foto, é possível distinguir, entremeada com a relva, a folhagem carnuda da Spergularia.)

13.9.07

Porto


Aquilegia sp. (Columbina)

O Porto é só a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore, aproximando-me assim cada vez mais da restolhada matinal dos pardais, esses velhacos que, por muito que se afastem, regressam sempre à minha vida.

Desentendido da cidade, olho na palma da mão os resíduos da juventude, e dessa paixão sem regra deixarei que uma pétala pouse aqui, por ser de cal.

Eugénio de Andrade, Vertentes do Olhar (1987)

12.9.07

Parque da Cidade do Porto



Numa altura em que se começa a falar do "Parque ameaçado", a propósito de um eventual atravessamento pela futura Avenida Nun' Álvares *, aqui deixo imagens de alguns dos seus locais e aspectos meus preferidos. As fotografias foram todas tiradas nos últimos dias, nas primeiras horas de sol. (PS: Aconselho o seu visionamento deste modo. )
..
* A Avenida Nun'Álvares, o Parque da Cidade e os aviões , comunicado da Campo Aberto de 16 .08. 2007 ; "Apresentação Nun'Álvares" - N' A Baixa do Porto . Estou plenamente convencida que se esta ameaça se concretizar, poderemos assistir a uma das maiores contestações populares dos últimos anos, a um novo Movimento pelo Parque da Cidade

11.9.07

Parquinho da Cidade


Parque da Cidade de Guimarães

....."Peacehaven," said Mr Cornelius, "has park-like grounds extending to upwards of an eighth of an acre."
.....
"What happens if you get lost?" asked the Biscuit, interested. "I suppose they send St Bernard dogs in after you."

.................................................................................................P. G. Wodehouse, Big Money (1931)

O maior defeito do Parque da Cidade de Guimarães é o nome grandioso que lhe deram. Guimarães - cidade onde as árvores não são mutiladas e podem dar sombra, cidade com o riquíssimo carvalhal do monte da Penha logo à porta, com o precioso arvoredo em redor do Castelo e do Paço dos Duques, com um dos mais frondosos jardins urbanos do país ao longo da sua principal avenida - é uma cidade que não precisa de tais fingimentos pelintras. A área verde deste chamado «Parque da Cidade» dificilmente chegará aos 5 hectares, o que é menos de um vigésimo da área do seu homónimo portuense. O Parque da Lavandeira, em Gaia, esteve quase a ser instituído como Parque da Cidade - mas alguém terá ponderado, muito avisadamente, que um título desses era pompa a mais para os seus 11 hectares. É óbvio que, mesmo pequeno, um parque verde pode ser excelente, mas o tamanho é importante: uma autarquia que inaugure o seu parque da cidade proclama, com esse gesto, que já fez o máximo ao seu alcance pela «qualidade de vida» dos munícipes; contudo, se o parque for pequeno - como tendem a ser os novos parques da cidade por esse país fora -, então o gesto da autarquia, ao inaugurá-lo, é igualmente pequeno e de fraco alcance.

O parque de Guimarães situa-se no extremo nordeste da malha urbana da cidade, num desvio da estrada para a Penha. Começa por ter uma forma alongada, com um duplo alinhamento de choupos acompanhando o curso naturalizado de uma ribeira, mas abre-se depois num anfiteatro arrelvado, onde cinco grandes peixes de cerâmica tentam, sem temer a asfixia, pular fora de um lago circular. É um parque de desenho algo simplório, sem meandros nem surpresas, com poucas árvores e pouca diversidade. Mas os choupos cresceram depressa; e, numa tarde de muito calor, foi à sua sombra, nas margens da ribeira, que os visitantes se puderam acolher.

P.S. (13/IX/2007) A apreciação aqui feita do Parque da Cidade de Guimarães parece ter sido algo injusta e precipitada. Recomendo por isso a leitura dos comentários que alguns visitantes aqui deixaram. Fica a obrigação de lá voltarmos num dia de menos calor.

10.9.07

Beldroegas de enfeitar



Portulaca oleracea «Wildfire» / Portulaca grandiflora

Saboreada a sopa, podemos agora regalar-nos com algumas formas ornamentais de Portulaca. São beldroegas de folhas semelhantes às da versão silvestre mas com floração muito vistosa. As flores grandes são solitárias, de tons fortes, num tal investimento no aparato de seduzir que, ironicamente, algumas variedades são estéreis. Os especialistas não estão de acordo sobre o significado de cada componente exterior da flor, sendo maioritária a opinião de que tem sépalas coloridas (tépalas) e não pétalas.

É obscura a origem da variedade de P. oleracea da foto. A espécie P. grandiflora, de folhas cilíndricas e carnudas, é do Brasil e Uruguai. É conhecida como onze-horas, em alusão ao seu hábito salutar de só abrir as flores quando o sol já vai alto e a manhã garantiu um dia radioso.

8.9.07

Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas


Vidago

A propósito das obras que decorrem no Parque das Termas e no Hotel Palace de Vidago, recebemos do Eng. Jorge Moreira da Costa [contacto: jmfcosta(at)fe.up.pt] um artigo que merece a mais ampla divulgação:

........Era uma vez uma empresa chamada Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas. Embora fossem todas estâncias termais, Melgaço estava ali, no meio, provavelmente por soar melhor. Vidago e Pedras – como era coloquialmente conhecida – eram, sem dúvida, as jóias da coroa. Pedras, pelas suas águas que já faziam parte da fraseologia popular, Vidago também pelas águas mas, muito mais, pelo seu parque, pelo Palace Hotel, pelo ambiente de serenidade que criava. Eram jóias mas Vidago, sem dúvida, era o diamante.
........A Vidago existiu numa época em que as empresas tinham caras, tinham donos, eram mais que simples cotações de bolsa. A Vidago era de algumas pessoas, entre as quais o Conde de Caria Bernardo Mendes de Almeida, António Carneiro Pacheco e, particularmente, de Raul de Oliveira, conhecido empresário do Porto e do Dr. João Serôdio, de família igualmente ilustre e com raízes transmontanas, por sinal próximas de Pedras Salgadas.
........Raul de Oliveira e João Serôdio olhavam para Vidago e Pedras com olhos diferentes da maior parte dos seus sócios. Eram donos, mas sentiam que as vicissitudes da vida que lhes levara estas termas às mãos traziam algo mais que uma mera forma de gerar dinheiro; traziam também a responsabilidade de cuidar da cultura, da memória e da história daqueles lugares que mais de meio século de vida fazia circular entre aquelas árvores de copas gigantescas, deixando marcas em todos os que tinham a felicidade de ali entrar e estar.
........Pelos acasos que acontecem, aqui e ali, no final da década de 1950 conheceram um arquitecto jovem, na casa dos 30, que contrataram para realizar alguns projectos de remodelação das unidades de engarrafamento. Mas depressa repararam que o feitiço que os agarrava a Vidago e Pedras, levando-os a discutir energicamente com os outros sócios sobre as verbas a destinar à manutenção das instalações termais e dos hotéis, também se apoderara desse Arquitecto Jorge Moreira da Costa. E dos trabalhos mais rotineiros passou-se a outras obras de maior fôlego: remodelar os Hotéis Avelames e do Parque em Pedras, do Hotel do Golfe já em Vidago e tratar da manutenção do Palace.
........No Palace, que fechava durante o Outono e Inverno, o trabalho era quase de relojoaria: recuperar frisos e gessos de tectos, apainelados, soalhos e caixilharias de carvalho, a imponente escadaria do átrio de entrada. Também tinha algo de arqueologia, quando aqueles donos mais especiais, o Arquitecto e um funcionário dedicado chamado Senhor Canelas, que até vivia numa casa dentro do parque, se aventuravam nas enormes caves do hotel descobrindo pianos Bechstein empilhados a um canto, ânforas de alabastro, candeeiros do início do século e garrafas da reserva do hotel, sem rótulo e só com data longínqua, que iam acompanhar o jantar a quatro no enorme salão, sozinhos mas satisfeitos, antes da viagem de regresso ao Porto.
........O Palace era um hotel para aquistas mas também para famílias. Muitas vezes avós que procuravam as águas das buvettes, em copos graduados de forma oval, nada parecidos com o copo do Rei D. Carlos (ou D. Luís, já não me lembro) que estava numa vitrine na exótica Fonte Vidago I. Avós que traziam os seus netos e que precisavam de divertimento para eles. E surgiu a piscina do Palace.
........Atrás e à direita do hotel havia um espaço onde o monte parecia descansar. Mais plano, com menos árvores, o local ideal para construir uma piscina de formas arredondadas, suaves, ajustando-se ao terreno e contornando o arvoredo, própria para crianças e adultos, discreta e respeitosa perante a majestosidade do Palace, ali a 20 metros. Há locais onde apenas se entra convidado e, nesses, é de bom tom não fazer barulho.
........Durante mais de duas décadas, Vidago, o Palace e a sua piscina foram dos maiores símbolos do termalismo português. O parque, santuário de flora exuberante com algumas espécies únicas; o campo de golfe de montanha, também ímpar e estimado pelos jogadores que ali se deslocavam de propósito para defrontarem um original desafio às suas capacidades; o hotel sempre primoroso e remodelado para ampliar o número de quartos no último andar, permitindo acessibilidade a bolsas menos recheadas mas que precisavam, também, das águas, dos banhos, da paz, do descanso. O Palace não seria para todos mas também não deveria ser só para uns poucos privilegiados.
........Mas, como sempre acontece, o tempo correu e as coisas foram mudando. Os donos especiais foram partindo, os interesses dos restantes, que sempre tinham olhado para Vidago e Pedras com fito no lucro e pouco mais, voltaram-se para outros negócios, como a Fruto Real, que queria concorrer com a Sumol, a Cergal que queria ser a nova Sagres. As estâncias passaram a servir praticamente só para recolher e engarrafar água, o maná. Os hotéis, os parques, as piscinas, foram decaindo e deixadas ao abandono. O Arquitecto continuou a procurar convencer os donos da importância de manter Vidago e Pedras, mas já estava sozinho.
........Nessa altura, a VMPS foi vendida ao empresário Sousa Cintra. O Arquitecto Moreira da Costa, que ainda esteve em algumas reuniões onde se falava de grandes investimentos, de fazer isto e mais aquilo, cedo percebeu que eram palavras ocas. Vidago e Pedras continuavam quase desertas, os hotéis arriscavam-se até a perder as suas estrelas. Era demais. Nunca mais lá voltou.
........Mais recentemente, pela viragem do milénio, leu que a VMPS tinha sido comprada pela Unicer. Empresa de rosto novo, dinâmico, com ideias para revitalizar as jóias tão esquecidas por tanto tempo. Já não seria ele a tratar disso mas eram notícias interessantes. E viu escrito que um Colega de renome, Álvaro Siza Vieira, tinha sido contratado para liderar o projecto.
........Nunca soube nada sobre o que se passava. Nenhum telefonema, nenhuma pergunta, nenhuma interrogação, nenhuma curiosidade em ouvir o seu saber, um pedido para mergulhar nos arquivos de milhares de desenhos que contavam as suas histórias, a história de Vidago e das Pedras. Até que partiu também, em 2006, um ano antes de surgir numa revista uma maquete onde, no lugar onde a piscina que o seu traço tinha desenhado, com as linhas empurradas pela aragem que a floresta deixava passar, surgia um novo edifício, um SPA, mais de acordo com as modas de pendor elitista de hoje. Um edifício com a traça do mediático profissional, onde as linhas curvas e fluidas eram substituídas por outras rectas, angulosas. Ao contrário da piscina do Arquitecto Jorge Moreira da Costa, que quase pedia desculpa à montanha por se intrometer, este é um edifício que parece querer afirmar, alto e bom som, que aquele lugar é o seu, o resto que se afaste.



........Quem ainda cá está e partilhou muitas viagens, muitas tardes a conhecer os recantos da montanha, a explorar os caminhos escondidos, viu a fotografia e procurou perceber o porquê de destruir, o porquê de cortar com a memória, o porquê de fazer tábua rasa da bandeira agora tão frequentemente agitada, e ainda bem: reabilitação. Conseguiu uma entrevista com o projectista. E, nessa conversa… Porque não havia mais espaço, para não deitar árvores abaixo… A piscina estava em mau estado embora pudesse ser recuperada… Mas aquele era o único lugar. Foram as justificações. Apesar de saber que o local mais livre era, exactamente, do lado oposto, à esquerda do Palace, não discutiu. Agradeceu o tempo disponibilizado e veio embora.
........No dia seguinte, do secretariado dos novos proprietários disseram-lhe que a piscina já tinha sido demolida. Incrédulo, correu para Vidago. Mesmo com o parque vedado recordou-se dos carreiros que percorrera e que o levavam a todo o lado e foi ver, de cima do monte, o local da piscina. E era verdade. A piscina desaparecera. Várias das árvores com ela. Da estalagem, construída para manter a estância aberta na época baixa e onde existia uma sala de jantar com paredes de xisto e também um fio de água que escorria pela montanha, apenas a recordação.
........Como muitas outras histórias, esta teve um fim triste. Nem as regras da deontologia profissional nem a obrigação moral de uma empresa que não é, propriamente, a mercearia da esquina, serviram para, pelo menos, procurar encontrar o autor de uma peça de época, bela, excepcionalmente integrada, e ter um acto de cortesia, de nobreza. Dar-lhe a conhecer, em primeira mão, o que se planeava e porquê daquele modo. Ao contrário dos antigos donos que telefonavam ao Arquitecto de madrugada e diziam “Vamos para Vidago!”, nenhum dos novos senhores ainda percebeu o privilégio e a responsabilidade que têm nas suas mãos. E basta sentarem-se na escadas do Palace, voltarem-se para o lago, fechar os olhos, respirar fundo, ouvir e sentir…
........Resta a certeza que no futuro, talvez não tão longínquo como isso, a montanha vai voltar a recuperar o espaço que abriu para a Piscina do Palace. As árvores que a aconchegaram e adoptaram e, mais tarde, a acompanharam no seu abandono e final, vão acabar por ser mais fortes que o bloco urbano que ali se vai intrometer, forçando a entrada, querendo elevar-se e destacar-se, sem concorrência. Que presunção… Ninguém nem nada é mais forte que a Natureza.

........PS: O Arquitecto Jorge Moreira da Costa, mesmo com a discrição que caracterizou toda a sua vida profissional, tem direito a quatro referências no Inquérito à Arquitectura Portuguesa do Século XX, realizado pela Ordem dos Arquitectos no ano passado, infelizmente apenas uma correctamente atribuída - as Piscinas Municipais de Santa Maria da Feira. São também seus os projectos da Biblioteca Municipal da mesma cidade e de duas outras obras, cuja correcção de autoria já foi pedida por várias vezes à OA e que, parece, finalmente vai ser efectuada.
........As outras duas obras são de Vidago e Pedras. Em Vidago, o Posto de Turismo do centro da Vila, que ainda se encontra em utilização, embora a precisar de alguns cuidados. E, em Pedras, a segunda piscina que projectou para as termas. A Piscina do Palace não está mencionada, por mais estranho que pareça.
........A Piscina de Pedras é, também, uma obra de época. Aproveitou parte de um lago, tinha mais condicionantes, afastada dos hotéis, havia menos com que trabalhar. Não tem o carisma da de Vidago mas ainda lá está. Sozinha, a precisar de restauro, mas igualmente com memórias guardadas nas suas paredes e plataformas, vizinha de um minigolfe em terra batida e percursos originais, cujas formas ainda se conseguem vislumbrar, por quem o conheceu, sob as camadas de anos de folhas e vegetação caída. Se foi a insensibilidade que levou à destruição da pérola de Vidago, pelo menos que algum rebate de consciência possa levar a salvar esta.»

7.9.07

Não pise a salada


Portulaca oleracea

Para sobreviver ao desgaste dos séculos, as palavras disfarçam-se a ponto de esconderem a sua origem ancestral. Ninguém diria (a não ser o dicionário), mas beldroega é a forma que a palavra latina portulaca adoptou para se apresentar como portuguesa. Os dois vocábulos designam a mesma planta herbácea a que Lineu deu o nome de Portulaca oleracea. Trata-se de uma ervinha carnuda e prostrada, cultivada ocasionalmente em vaso, frequente um pouco por todo o lado em terrenos baldios ou mesmo entre as pedras da rua; as flores têm 1 cm de diâmetro e aparecem nas extremidades da planta. Insignificante como é, quantas vezes não a teremos pisado sem dar por isso? E, no entanto, ela come-se: o talo e as folhas aproveitam-se para salada; e Maria de Lourdes Modesto, no seu opus magnum «Cozinha Tradicional Portuguesa», dá uma receita alentejana de Sopa de Beldroegas com Queijinhos e Ovos. Não transcrevo a receita, pois outros blogues já o fizeram sem indicar a fonte, e parece-me desajustado ensinar a outrém aquilo que não tenho a menor intenção de experimentar. É que já faz uns anos que não cozinho, e as sopas alentejanas (esta não é excepção) têm alho a mais para o meu gosto.

6.9.07

Rose she-oak


Allocasuarina torulosa

Quando aqui falámos da árvore-da-tristeza (Casuarina equisetifolia), não sabíamos que as árvores do jardim da Casa Burmester já tinham sido realojadas noutro género da família Casuarinaceae. Estão agora classificadas como Allocasuarina torulosa, referindo-se o epíteto específico às verrugas (do latim torulus) que os cones, pequenos barris, exibem.

Ao contrário da C. equisetifolia, esta é uma espécie dióica (há árvores dos dois sexos); e, no Verão, a parte mais bonita deste conjunto de três é a árvore masculina, coroada de inflorescências que pintam a copa com um tom acobreado, que logo se dissolve copiosamente em pólen. Igualmente vistoso é o tronco, cujas fissuras lembram, na textura e na cor, o dos sobreiros. Os cones das fotos ainda não abriram; libertarão em breve sâmaras lustrosas com uma asinha transparente.

O jardim da Casa Burmester, que pode ser visitado em qualquer dia da semana, pertence à Universidade do Porto, e forma, na rua do Campo Alegre, um contínuo verde com o jardim do Círculo Universitário (Casa de Primo Madeira) e o Jardim Botânico.