30.6.07

As flores do Jacarandá

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Largo das Oliveiras- Porto
Lá para Sul, "the blue season" já acabou, mas por cá ainda nos vamos poder surpreender com eles por uns tempos...

O jacarandá florido
Brando cantar trazia
Branda a viola da noite
Branda a flauta do dia

O Jacarandá florido
Brando cantar trazia
O vinho doce da noite
A água clara do dia

Quem o olhava bebia
Quem o olhava escutava
O jacarandá florido
Que o silêncio cantava
Matilde Rosa Araújo > in As Fadas Verdes > ed. Civilização, 1994

29.6.07

Desabafo

de Pedro Santos perante mais um MASSACRE
«O único desabafo que me ocorre, depois de tantas denúncias de casos similares por todo o país, é que a forma como tratamos as árvores diz tudo acerca da nossa falta de civismo enquanto povo.»

Em louvor da Ordem




Projectado por Jacinto de Matos, o jardim da secção regional norte da Ordem dos Médicos à Arca d'Água (entrada pela rua Delfim Maia, n.º 405), que pertenceu à família Riba d'Ave, é uma realização bem ao gosto do primeiro quartel do século XX. Há um lago atravessado por uma ponte e rodeado por estruturas de cimento armado imitando elementos naturais: «troncos de árvore» que compõem balaustradas, uma gruta escavada na «rocha», e até uma escadaria rústica que conduz a um pequeno miradouro - tudo elementos que se redescobrem, a uma escala ampliada, no vizinho Jardim da Arca d'Água. Também a vegetação dos dois jardins é semelhante, tanto pela frondosidade como pelas espécies que lá se encontram: cedros-do-atlas, ciprestes, magnólias, palmeiras, camélias.

Mas o jardim da Ordem dos Médicos tem atractivos próprios: uma araucária-do-Brasil cujo retrato figurou no livro À sombra de árvores com história; uma Magnolia grandiflora e uma Tilia tomentosa em despique sazonal pelo título de a mais perfumada; uma diferença de níveis que proporciona extensa varanda panorâmica sobre a Arca d'Agua; um bosquete de folhosas, com preponderância dos Acer pseudoplatanus, que é morada de uma saudável colónia de gatos; e muitos canteiros floridos e maciços arbustivos esmeradamente cuidados.

Agora que muitos jardins novecentistas do Porto foram arrasados ou estão ao abandono, este da Ordem dos Médicos acaba por ser um dos raros e mais bem conservados legados (a par do jardim da Fundação Engenheiro António de Almeida, também desenhado por Jacinto de Matos) de uma época sem regresso: a estética neles corporizada é irrepetível, e a própria cidade já não tem espaço nem mentalidade para tais luxos. Um terreno urbano vale como investimento imobiliário e não pelo jardim que nele existiu ou poderia existir.

Ao contrário do que é regra noutras instituições mais ciosas da sua exclusividade, o jardim da Ordem dos Médicos está aberto a todos os visitantes, e nem sequer é proibido fotografá-lo.

28.6.07

Guinea gold-vine



Esta trepadeira australiana, da espécie Hibbertia scandens, não é comum nos nossos muros, embora se recomende pelas flores grandes e vistosas, de pétalas amarfanhadas e numerosos estames dourados, que contrastam com a folhagem perene e verde-escura. Cada flor dura um dia ou dois, mas a floração prolonga-se até ao Outono. O exemplar que conhecemos está à entrada do Parque Biológico de Gaia e compete agora com o amarelo dos pés de hipericão.

O género Hibbertia inclui cerca de cem espécies da Austrália, Nova Guiné, Nova Caledónia, ilhas Fiji, Malásia e Madagascar. As hibértias são resistentes ao frio e multiplicam-se por estaquia; as sementes são de germinação difícil e lenta.

A designação Hibbertia refere-se a George Hibbert (1757–1837), um mecenas inglês da botânica.

Verão no Botânico

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Jardim Botânico > do Porto organiza ateliers de Verão para crianças:
2 a 6 de Julho -“Vamos Conhecer o Jardim Botânico”.
9 a 13 de Julho- “Um Conto no Jardim”
16 a 20 de Julho- “Arte no Jardim”
via Ciência Hoje

A ler

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«Não fazer nada
não ir a lado nenhum,
não pensar nisso sequer,
que bom que é.
Olarilolé!

O sol a aquecer,
as coisas a acontecer,
e, no meio de tudo isso,
um lindo ouriço
sem ter nada que fazer
a não ser ouriçar
de barriga para o ar.
(...)»


Contos da Mata dos Medos* > >
texto de Álvaro Magalhães; com desenhos de Cristina Valadas Colecção: Assirinha
(Assírio & Alvim, 2003)

* «Mata dos Medos: É o nome de uma mata que fica na costa da Caparica e que foi mandada plantar pelo rei D. João V. O nome até pode assustar mas na realidade medo é uma outra designação para dunas.» >

Ainda não estou em férias, mas com o fim das aulas tenho mais tempo para "ouriçar" e, confesso, muito pouca vontade de blogar...

26.6.07

Um arca sem água



Jardim da Arca d'Água (Porto), 24 de Junho de 2007

Foi preciso que D. Sebastião se perdesse no desastre de Alcácer Quibir para que, da capital do reino (entretanto mudada para Madrid), alguém acudisse à nossa sede. No local onde desde 1920 existe o Jardim da Arca d'Água, havia uma fonte de onde jorrava grande quantidade de água, e que ficou conhecida como manancial de Paranhos. Reinando D. Sebastião, pediu-lhe o Senado da Câmara do Porto licença para usar o manancial para abastecer uma rede pública de distribuição de água; mas só em 1597, com Filipe II de Espanha, é que veio a autorização para a empreitada. As águas do manancial brotavam copiosamente do subsolo da arca, que era uma construção quadrangular, fechada à chave, forrada a cal e azulejos, e de onde a água era conduzida, por uma combinação de aquedutos e condutas subterrâneas, aos chafarizes do Porto. O conforto da água ao domicílio só cá chegaria na penúltima década do século XIX, vinda não já de Paranhos mas do rio Sousa, afluente do Douro. Mas durante quase três séculos foi a Arca d'Água que deu de beber à cidade. Por isso tem um significado quase apocalíptico encontrar seco o lago do jardim. Talvez para limpeza ou manutenção, alguém levantou a tampa e deixou escoar a água pelo ralo; mas, feito o que havia a fazer, tratava-se de encher o lago sem mais delongas: não é aceitável manter o jardim com essa chaga de cimento à mostra durante meses a fio.

P.S. Veja aqui foto de uma antiga arca no jardim dos SMAS

25.6.07

Lysimachia procumbens



No Parque de S. Roque são agora vários os canteiros forrados com esta herbácea vivaz, rasteira, muito ramificada, de flores solitárias viradas para cima e aconchegadas nas folhas. Diz-se que aguenta bem o frio, não se lhe conhecem predadores sérios e multiplica-se facilmente por separação de ramos enraizados ou por estacas.

O género Lysimachia tem cerca de 150 espécies, umas 11 europeias - talvez 10 porque se crê que a L. minoricensis está extinta no seu habitat natural - 9 norte-americanas e 130 chinesas. Algumas espécies, como a L. nummulari e a L. quadrifolia, foram em tempos usadas como substituto do chá.

24.6.07

Alerta

A Sul : Seixal- a destruição da floresta

Fogo-preso


Santolina pinnata

Origami

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A ver desde ontem: Exposição de Origami da Marta Figueroa organizada em parceria com o Cineclube do Porto n'O Quintal .

23.6.07

Adivinha

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O que têm de comum a roulotte da Rainha dos Cachorros e a do Rei das Bifanas ?
(Para além do ruído, da fealdade, do plástico, do néon, e claro, das bifanas e dos cachorros que ambos vendem...) Ver resposta aqui.

22.6.07

Almoço biológico ao ar livre

Domingo, 15 de Julho - Jardim Botânico do Porto



É este o cenário para o almoço biológico que a associação Campo Aberto, no âmbito da sua campanha metropolitana dos 50 Espaços Verdes, vai realizar daqui a pouco mais de três semanas. Cada comensal paga 8 euros no acto de inscrição e a participação é limitada a 50 pessoas. Logo após o almoço há uma sessão, aberta a toda a gente, em que se fará o balanço da campanha até ao momento e se apresentarão os peritos a quem vai caber a selecção dos 50 espaços finalistas. Segue-se uma visita guiada ao jardim. Informações e inscrições nesta página.

21.6.07

Azul-linho


Linum bienne

As plantas do género Linum gostam de pastos ao sol, rochosos ou pelo menos muito bem drenados, e mais de 30 espécies são espontâneas no sul da Europa. As flores duram um dia ou menos. Foi portanto por sorte que encontrámos, numa berma de auto-estrada, este espécime florido de Linum bienne. Salpicado de chuva e rodeado de erva fresca, dir-se-ia no lugar errado. Mas como reclamar, se nenhum utente de via rápida poderia estar ali especado a olhar para ela?

O termo bienne indica que se trata de planta que completa o seu ciclo de vida em dois anos, florindo e frutificando no segundo. Foi por isso a última vez que lhe apreciámos as belas flores.

Em português é conhecida como linho-bravo, e também linho-de-Inverno ou linho-galego.

20.6.07

"Une prairie de fauche au Jardin des Plantes"

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Desencantei estas fotos do prado do Jardin des Plantes, semeado com uma mistura de treze plantas espontâneas na região parisiense, depois de ler o que o Paulo ontem escreveu sobre o regresso das flores silvestres aos Kew Gardens. É verdade que o referido campo não estava então muito florido, mas tenho que confessar que, apesar de pertencer ao clube dos fãs da vegetação ruderal, na altura, a minha atenção estava decididamente mais voltada para o plátano plantado por Buffon em 1785 > (ao fundo na foto) e para um Ginkgo biloba > igualmente histórico seu vizinho. (Ainda não arranjei tempo para legendar no álbum as fotografias das árvores históricas que visitei e revisitei nessa breve estadia de há dois anos.)

19.6.07

Os sinos tocam azuis


Bluebells (Hyacinthoides non-scripta) - Kew Gardens

Da variedade inimaginável de plantas e flores que, em qualquer altura do ano, se podem observar nos Kew Gardens, foi esta florzinha que ninguém semeou a escolhida para figurar na face do desdobrável distribuído aos visitantes no período de Abril a Junho de 2007. Há uns 10 ou 20 anos uma tal escolha seria impensável: os jardins botânicos serviam para exibir colecções de raridades colhidas em lugares remotos, e não para celebrar as ervitas que despontam ao acaso em bosques ou prados. A primeira função não se perdeu, mas a segunda tem ganho cada vez maior importância. Nos Kew Gardens já só alguns poucos relvados, junto aos jardins e espaços mais formais, são ainda aparados com regularidade; nas restantes zonas cresce livremente a vegetação rasteira. Com isso regressaram as flores silvestres e toda a fauna de borboletas e demais insectos que lhes está associada. E também no Jardim Botânico do Porto esta tendência para naturalizar tem ganho força: além das vistosas dedaleiras, são já muitas as plantinhas trazidas pelo vento que, sem licença nem placa de identificação, vicejam à sombra das árvores.

P.S. Veja aqui a mesma planta em versão branca.

18.6.07

Erva-sapa


Lythrum junceum - Parque da Cidade, Porto

Identificámos esta espécie com a ajuda do guia de campo Flora of the Azores de Hanno Schafer (Margraf Publishers, 2005). As flores são solitárias e dispõem-se nas axilas das folhas sésseis, parecendo subir graciosamente por um caule erecto que não ultrapassa os 40cm de altura.

A erva-sapa é nativa do sul da Europa e norte de África e é irmã da erva-carapau, a Lythrum salicaria, comum nos nossos bosques húmidos e uma praga séria em campos do oeste americano. Ambas se servem de uma estratégia sofisticada para encorajar a polinização cruzada: têm flores de tipos distintos relativamente ao tamanho dos estames (que são 12, 6 curtos ou médios e 6 longos) e do pólen; com esta diferenciação, cada pólen fertiliza melhor uma planta diferente da que o produziu.

Na mesma família estão as famosas lagerstroemias e romazeiras.

16.6.07

«It is forbidden to live in a town which has no garden or greenery.»
-Jerusalem Talmud, Kiddushin 4:12; 66d (fonte >)

15.6.07

... que em nada são iguais



Phytolacca heterotepala / Phytolacca dioica

Destas duas plantas congéneres, e tal como sucede às musas do conhecido bardo lusitano, uma é grande, outra é pequena; uma é loura, outra é morena... E aqui fazemos uma pausa para precisar que a planta pequena, norte-americana de origem, é que seria loura; enquanto que a grande, importada do país do carnaval, seria por lei morena ou mesmo mulata. Mas é artificial associarmos esses adjectivos aos diversos tons de verde, e por isso interrompemos de vez o paralelismo e mudamos para um registo mais sério.

A Phytolacca heterotepala é uma herbácea perene que pode atingir os 2,5 metros de altura e está naturalizada no nosso país. A Manuela já antes aqui nos tinha falado de uma sua congénere muito semelhante (e mais comum), a Phytolacca americana, conhecida como tintureira.

A Phytolacca dioica é uma árvore brasileira, conhecida em Portugal como bela-sombra. A sua copa é muito ampla e, nos exemplares mais idosos, as raízes intumescidas emergem do chão e amontoam-se à volta do tronco. Há pelo menos quatro belas-sombras classificadas de interesse público em Lisboa: duas delas junto à Igreja dos Anjos e outra duas no Campo Santana. Podem ver-se fotos dessas quatro árvores em Árvores isoladas, maciços e alamedas de interesse público, publicação da DGRF; no entanto, nenhuma delas é comparável ao exemplar ribatejano que a Ana Paula nos mostrou no seu blogue.

Essas duas primas americanas reuniram-se no velho mundo; mais precisamente na encosta de Massarelos, no Porto. A tintureira vegeta, talvez espontânea, no jardim das aromáticas do Palácio de Cristal; quase à mesma cota, mais a poente, encontramos esta inesperada bela-sombra num velho caminho rural a que o pedantismo da Porto 2001 chamou romântico. A casa a que a bela dá sombra está em obras. É bom que as obras se façam se as duas, árvore e casa, lhes sobreviverem: pode ser que, depois de concluídas estas, se lancem outras obras de recuperação. É que do romantismo que é composto de abandono, pobreza, lixo e vandalismo estamos já bem servidos.

14.6.07

Menina do mar



Malcolmia littorea - Parque das Dunas da Aguda

A sorte da pedra
é tornar-se areia.

Mas quem não soluça

pensando em teu rosto

reduzido a poeira...

Fragilidade, Cecília Meireles, in Retrato Natural (1949)

13.6.07

Apontamentos

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Que pena as fotos do Claustro de la Magnolia > tiradas em Pádua há quatro anos terem ficado mal. (Fariam hoje aqui um vistão ;-)
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Santo António > morreu tão novo! O lírio > > que quase sempre aparece nas suas imagens é um símbolo de pureza associado a Nossa Senhora > .

Vi ontem a primeira verbena > deste ano. Gosto tanto do nome como da florzinha.
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Não me posso esquecer de verificar se as dedaleiras por cá já estão também com semente!

12.6.07

Holland Park





Pela bitola londrina, o Holland Park, encravado entre Kensington High Street e Notting Hill, é minúsculo: mede pouco mais de 20 hectares. Aberto em 1952, numa altura em que já existiam todos os grandes parques de Londres, veio ocupar parte dos terrenos da Holland House, uma casa senhorial que foi destruída pelos bombardeamentos da 2.ª Grande Guerra e de que hoje só restam duas alas desconexas, uma delas convertida em albergue de juventude. Mas o tamanho não é o único critério para avaliar um parque. O Holland Park tem jardins formais encantadores, como o jardim holandês que vemos enfeitado com tulipas, o jardim dos íris com um lago circular e um painel de azulejos por trás da arcada de tijolo, o pomar das laranjeiras, o roseiral com inúmeras variedades de rosas. Antes de entrarmos no bosque, um pequeno desvio leva-nos ao jardim de Quioto, uma perfeita miniatura oriental dominada por uma queda de água e cingida pelos meandros de um regato. Mas é no bosque que melhor se compreende a singularidade deste espaço: os caminhos estão ladeados por paliçadas de madeira, fazendo do arvoredo um autêntico refúgio tanto para a flora espontânea como para os pássaros, esquilos, coelhos e demais fauna. Não é só por graça que, na página dos Amigos de Holland Park, se lê «"The Friends of Holland Park" exist to save the countryside!». A frondosidade da vegetação e a exuberância da vida natural fazem-nos sentir muito longe da cidade - mas ela, incessante e tumultuosa, dista daqui só algumas centenas de metros.

Uma palavra sobre as fotos, tiradas em Maio numa visita que a chuva encurtou e durante a qual um esquilo pedinchão me trepou até à cintura. A estátua foi oferecida ao jardim das tulipas em 2003 pelos Amigos de Holland Park, e representa Mílon de Crotona, atleta grego do séc. VI a.C., multi-campeão nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Píticos, célebre pela sua força e voracidade. Já velho, quis experimentar as forças separando em dois, com as mãos desarmadas, o tronco de uma árvore: numa lição memorável para todos quantos maltratam árvores, as duas metades fecharam-se sobre ele, que ficou entalado e acabou comido pelos lobos; a estátua reconstitui justamente esse seu gesto fatal.

Um dos acessos ao bosque é por um corredor rectilíneo pavimentado com lajes e com dois choupos de vigia à entrada; de ambos os lados do corredor, distribui-se uma variadíssima colecção de áceres arbóreos e arbustivos, quase todos de origem asiática.

As últimas fotos comprovam como os sinos azuis podem às vezes ser brancos. Os bluebells (Hyacinthoides non-scripta) são característicos dos bosques ingleses, onde formam a partir de Abril extensos tapetes azuis; e só muito raramente, para não estragarem o efeito do conjunto, fazem brotar flores brancas. Vi-os azuis em vários lugares (Kew Gardens, Victoria Park, Hampstead Heath), mas só no Holland Park os encontrei brancos. Estava tentado a saltar a vedação para tirar o retrato a esses albinos, arriscando-me a pesada e bem merecida multa, quando um deles, acenando-me do lado de cá, me salvou o dia. Não me importei nada de o fotografar à chuva.

11.6.07

Lobelia erinus


Lobelia erinus

Encontrámos esta ervinha minúscula num canteiro do Parque de São Roque, entre cravinas e valerianas. As flores são tubulares, com cinco sépalas finas como agulhas (o que talvez justifique o epíteto específico) e cinco pétalas separadas em dois grupos, duas para cima como orelhinhas e três descaídas a formar uma pista para as abelhas se apoiarem. O género Lobelia contém também espécies arbustivas nos trópicos, e outras na Argentina e Chile (como a L. tupa) que produzem efeitos alucinogénios se fumadas ou manuseadas sem cuidado. A designação desta planta deriva do antropónimo Mathias de Lobel (1538-1616), naturalista flamengo, colector de plantas e estudioso de farmacopeia, autor de Stirpium Adversaria Nova (com co-autoria de Pierre Pena), obra que muitos consideram percursora da botânica moderna.

A ler- "Planar sobre a copa das árvores"



N' O Primeiro de Janeiro : «Passeio à descoberta de exemplares monumentais
Um passeio destinado a visitar as árvores monumentais do Porto levou ontem 50 pessoas à Cordoaria. O objectivo passa pelo enquadramento da ancestralidade das árvores na evolução da cidade e na consciencialização da necessidade de preservar esse património arbóreo.

"Quantos anos tem?". "De onde é originária?". "Qual a altura máxima que alcança?". As perguntas escorriam, umas após as outras, à medida que os olhares percorriam aquele colossal ser vegetal que habita na Alameda dos Plátanos, na Cordoaria.

Foi ali que cerca de meia centena de pessoas se reuniram, para participar no passeio «Rota das Árvores Monumentais», organizada numa parceria entre a Câmara Municipal do Porto, a Fundação Porto Social e a editora Gradiva. "Não esperava esta adesão surpreendente" , confessa, notoriamente satisfeita, Maria Pires de Carvalho, docente da Faculdade de Ciências do Porto, co-autora do livro À Sombra de Árvores com História e a guia da visita, que se esforça por saciar a curiosidade que a atinge de todas as direcções.

"Esta sequóia é originária dos Estados Unidos" (...) O tronco, espesso e enrugado, ergue-se dezenas de metros, ligeiramente debruçado sobre o pequeno lago da Cordoaria.
A poucos metros ao lado, a atenção de todos é subitamente revertida para uma estátua. O monumento encontra-se ali desde 1904. A individualidade que homenageia morreu seis anos antes. (...) José Marques Loureiro (1830-1898) criou o "Horto das Virtudes", jardim também conhecido como "Passeio das Virtudes", actualmente fechado ao público. .............................................................................
A ler também no Jornal de Notícias: «Árvores contam histórias das gentes e da cidade - Rota das árvores monumentais juntou entusiastas desde a Cordoaria aos jardins do Palácio, no Porto- (...) "As árvores também são património a preservar e fazem falta à cidade". Além disso, "têm uma história antiga associada" ao Porto, notou, explicando que o passeio visou sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as árvores. Na Casa Tait, a resposta foi simbólica: 13 pessoas deram as mãos à volta de um tulipeiro para o medir. »

9.6.07

Tem dias...

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá.
(...) Chico Buarque (via lerdo ler)
> letra, ver e ouvir (no YouTube)

A ler- "Plátano mais airoso aos 169 anos de idade"

«O famoso Plátano do Rossio de Portalegre sofreu na terça-feira uma operação de limpeza e de manutenção, uma situação que não passou despercebida aos muitos portalegrenses que, durante este dia, se passearam pelo Rossio.
O mais célebre plátano do País está agora mais "airoso". Isto porque dois técnicos de arboricultura da Fundação Serralves passaram o dia de terça-feira em Portalegre a fazer a manutenção do Plátano. Um trabalho "cuidado", segundo afirmam, para que a árvore centenária fique nas melhores condições. (...)»
continuar a ler reportagem no Jornal Fonte Nova >

8.6.07

Jardim centenário a estrear




Boa notícia para os fotógrafos que documentam para os álbuns de recordações os casamentos celebrados na Conservatória do Registo Civil de Vila Nova de Gaia: as sessões fotográficas com os recém-casados e respectivos pais, padrinhos e toda a corte de familiares e amigos podem voltar a realizar-se no local do costume. Na quinta-feira, dia 30 de Maio, foi inaugurado pelo presidente da Câmara o novo Jardim Soares dos Reis. Claro que ele não é exactamente novo: embora não pareça, este que é um dos raros jardins no centro urbano de Gaia já existe desde 1904. Contudo, as árvores que o compõem, mesmo as de maior porte, aparentam poucas décadas de vida. Há registo de o espaço ter sido alterado em 1974, e é provável que o arvoredo tenha sido então todo substituído. A intervenção que agora se completou, embora ocasionada pela construção de uma via rápida, deixou um rasto menos destruidor, pois as árvores na metade sul do jardim não foram afectadas pela gigantesca trincheira que obliterou a metade norte, e puderam na sua maioria ser poupadas. A excepção mais assinalável é que, no lugar dos mirrados ciprestes (Cupressus sempervirens) que acompanhavam a sucessão de espelhos de água, há agora um duplo alinhamento de loureiros (Laurus nobilis). Regista-se assim uma louvável continuidade entre o jardim que havia e o que agora se fez: nenhum gaiense se sentirá, como se sentem os portuenses que visitam a Cordoaria ou os Aliados, orfão de um lugar que já só existe na memória; e, se o gaiense se quiser sentar no Jardim Soares dos Reis, não lhe faltarão bancos nem lhe irão doer as costas por falta de encosto.

A grande novidade é que, tapada a trincheira, o trânsito em volta do jardim foi confinado à parte sul, enquanto que a parte norte, que surge agora como prolongamento pedonal das ruas adjacentes, foi estendida até ao bordo do largo Soares dos Reis. Os moradores ficam a poder sair de casa directamente para o relvado. A nova extensão do jardim, embora ainda muito despida e mostrando as costuras da colocação apressada dos tapetes de relva, cola muito bem com a parte antiga, tanto no desenho dos percursos e na modelação do terreno como nos materiais empregues. Há novos carvalhos-americanos, bétulas, camélias, azáleas, rododendros e magnólias, mas a escadaria seria mais alegre se se tivessem mantido os nenúfares.

Não poderá a Câmara de Gaia desistir de uma vez por todas do estacionamento subterrâneo no Jardim Soares dos Reis? Que gosto há em desbaratar aquilo que agora tão bem se fez? As árvores pedem tempo para crescer: deixe-se o jardim em paz para que, daqui a vinte ou trinta anos, com mais sombras e recantos, ele se assemelhe mais à idade que tem.

7.6.07

Linária de flores amarelas


Linaria caesia - Parque das Dunas da Aguda

A Linaria caesia não tem registado um nome em português, por isso decidimos chamar-lhe canarinha. Vive bem no espaço interdunar, na fronteira para a duna mais arborizada e mais longe do mar. As pétalas de cada flor formam um tubo com uma espora e dois lábios, o menor vertical, o outro tomentoso e inchado, lembrando um sapo; do topo à ponta da espora, o conjunto não excede um centímetro.

O género Linaria contém cerca de 150 espécies, metade das quais são europeias e especialmente de Portugal e Espanha. No dicionário Houaiss, o verbete peloria indica que este termo designa «uma anomalia floral que consiste na transformação de uma flor normalmente zigomorfa [isto é, com simetria bilateral, como a da foto] em actinomorfa [com simetria radial], frequente no género Linaria». E há até registo de exemplares silvestres com cinco esporas.

A espécie Linaria triornithophora exibiu-se ontem no Botany Photo of the Day.