22/02/2005

Camélias em flor - visita ao Viveiro Municipal do Porto




Fotos: pva 04/05

NO DIA 26 DE FEVEREIRO (sábado), a associação Campo Aberto convida a conhecer a colecção de camélias do Viveiro Municipal, na Rua das Areias, em Campanhã. A visita, que inaugura o Ciclo de Visitas a Jardins que a associação organiza em 2005 à semelhança do que fez em 2004, tem início às 14h30 e é guiada pelo Dr. João Gonçalves da Costa, colaborador do Jardim Botânico do Porto, estudioso de Botânica e cronista d'O Primeiro de Janeiro.

A camélia no Porto é uma tradição com dois séculos. Foi no Porto que esta planta asiática fez, no início do século XIX, a sua entrada oficial no nosso país; e foi do Porto que partiu para conquistar todo o norte de Portugal e mesmo a Galiza. Hoje em dia a camélia é uma presença abundante nos nosso jardins e um dos traços mais característicos da fisionomia urbana do Porto. O acervo de camélias do Viveiro Municipal do Porto, enriquecido há poucos anos com a aquisição de uma importante colecção particular, conta com mais de trezentas variedades (a maioria em flor nesta altura do ano), e é a melhor garantia de que essa grande tradição portuense é hoje dignamente perpetuada.

A participação na visita é gratuita mas sujeita a inscrição prévia pelo endereço electrónico contacto@campoaberto.pt

21/02/2005

"Summary of plum painting phrased for memorizing by chanting"

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«There are certains secrets in painting the plum tree. First, establish the idea (i). Brush should be nimble, inspired with a certain madness. The hand should move like lightning, without hesitation. Branches should spread, some straight, some crooked. Ink tones should be varied, light and dark, and never retraced. (...)
Space should be left on branches for adding the blossoms. When they are added, the soul of the flower should seem to be intact. On young branches, blossoms are single and separate. On old branches, blossoms are few. On branches that are neither young nor old, the idea (i) transmitted through the blossoms should be one of luxuriant abundance. (...)
The flowers of the plum tree have eight "faces": straight, side view, facing upward, inclined, open, droppig, half-opened, and about to shed its petals. When the petals are awry and the flowers are bending over, the wind is blowing through the branches. When there are many blossoms, they should not be crowded; few, they should not be sparse. Plum blossoms are subtly fragrant, their complexion pure as jade. (...)
With these basic rules and principles in mind, one should be able to produce strange and wonderful forms. Invention does not stop the idea, although one should always keep in mind the dignity of the plum tree and what is appropriate to it.»

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in Mai-Mai Sze -"Book of the Plum", The Way of Chinese Painting - Its Ideas and Techniques with Selections from the Seventeenth-Century Mustard Seed Garden Manual of Painting (New York: Random House, 1959. pg. 329, 330)
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20/02/2005

Exposição a não perder (primeiros e últimos dias)




Fotos: pva 0502 - Prunus sp. no Jardim da Casa das Artes (Porto)

19/02/2005

As Árvores e a Machada - Fábula

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«Um machado de aço bem forjado, faltando-lhe o cabo, sem ele não podia cortar.
Disseram as Árvores ao Zambujeiro, que lhe desse o cabo. E como o machado esteve encavado, um homem com ele começou a fazer madeira, e destruir o arvoredo.
Disse então o Sobreiro ao Freixo:
- Nós temos a culpa, que demos cabo ao Machado para nosso mal; porque a não lho darmos, seguras pudéramos estar dele.
-Fábulas de Esopo Vertidas do grego por Manuel Mendes, da Vidigueira»
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in Teófilo Braga-Contos Tradicionais do Povo Português (1883). Lisboa: Pub. Dom Quixote, 1987 (3ª ed.), vol. II
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(Entrada inspirada pelo provérbio árabe publicado por um amador da Natureza)
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18/02/2005

A Flor da Azinheira

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A propósito da função mediadora da árvore na comunicação com o divino -azinheira de Fátima, parte dois:
«(...) Bordejam a Cova algumas velhas, tamanhonas azinheiras; ao centro, outra mais afeitada e maneirinha, menina e moça ainda, mas tão ramejante, folhenta e enovelada, que lembrará, em verde hipérbole, um enorme manjericão de Santo António.
(...) Entretanto, Lúcia vai descendo, vagarinho, a suave rampa da Cova. Entra sob a redonda e espessa capa da pequena azinheira que está ao centro. Acaricia, abraça-lhe o tronco pouco mais alto do que ela. Olha para o chão, dando sinais de surpresa. Espreita, ao alto, a emaranhada rama. Observa ao derredor. Depois, chamando os companheiros:
LÚCIA: Eh! vinde ver... Coisa assim!.../ Isto não é dos meus olhos:/ Nunca lhes senti refolhos/ De abusão ou de cegueira./ Ora, se não é de mim,/ Será, então, da azinheira?
JACINTA, acorrendo: Lúcia, que foi? o que vai?
FRANCISCO : Viste bruxa? lobishomem?
LÚCIA: Eu não quero que me tomem /De tonta, nem por um ai. (Aponta a árvore)./ Ora olhai-me para a copa.
FRANCISCO: Tão cerrada, que nem opa/ De veludo!
LÚCIA: Olhai, agora,/ Para o chão.../ - Esta Senhora/ Não dá sombra... Nem pontinha!
FRANCISCO, pasmado: Ele é verdade que não!
(...)
(Novo clarão. Este, mais doce, qual imenso pálio de oiro, descendo sobre a Cova da Iria.
É então que na azinheira, - maravilhoso gladíolo a desabrochar dum tufo verdejante,-é então que Nossa Senhora aparece. Espiritualmente mil vezes mais bela do que a "formosa entre as formosas". Divina pomba, toda em arroubo, toda em arrolos de formas mulheris: virginal estátua viva. Parecem de alvíssima penugem seus vestidos e manto. O cordão à cintura deverá ser de fios de sol, torcidos pelos Anjos. As contas do Rosário que traz na mão fina como espadela de espadelar o linho, seriam estrelas que, no Oceano Azul, cristalizassem no tamanho de pérolas. Coroa-lhe a fronte o íris dum diadema, florescido nas mais raras e variegadas pedras dos tesoiros de Salomão.
Ao vê-la, os pastorinhos estremecem de espanto, confusão, temor, ânsia de fugir, encantamento e curiosidade de ficar nem que para sempre fosse).
LUCIA: Ai que Senhora tão linda!
JACINTA: Outra assim não vi ainda.
A APARIÇÃO, em acolhedor aceno: Achegai. Não tenhais medo./ Embora eu seja O Segredo,/ Não vos quero nenhum mal.
LÚCIA, adiantando-se confiadamente: Desculpará. Mas, a gente,/ Assim rústega e temente.../ - Primeiro: Vossemecê/ Donde nos vem? e quem é?/ E que nos manda, afinal?/ Talvez que seja a Rainha?/ Ó que tonta ideia minha!/ Já não há em Portugal... (...) »
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"A Flor da Azinheira" (2º quadro) in Azinheira em Flor, O mistério de Fátima entrevisto, visionado e contado em alguns poemas por António Correia de Oliveira, ed. de C. d'Oliveira, Lda, 1954
Ler excerto de "Pastoral" (1º quadro)
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Ficus religiosa


Foto: pva 0412 - Ficus religiosa - Jardim Botânico do Porto

Por razões misteriosas, os seres divinos preferem contactar-nos, no nosso restrito vale-de-lágrimas, junto a árvores. A macieira do paraíso foi instrumento essencial na origem do pecado, momento oportunamente presenciado por uma cobra enroscada nos ramos perfumados de maçã madura; também haveria por perto uma figueira, que forneceu o primeiro pronto-a-vestir da história; por cá, a azinheira da Cova da Iria terá cumprido o seu papel de cenário para as revelações aos pastorinhos, servindo ainda de altar em capela improvisada ao ar livre. A Ficus religiosa faz parte deste clube de testemunhas privilegiadas: a sua presença e sombra terão inspirado sabedoria, sanidade perfeita e uma profunda consciência do universo, e é por isso árvore sagrada nos rituais da religião budista.

O género Ficus, da família Moraceae, conta com mais de 1000 espécies, em geral de folha perene, que apreciam climas amenos em regiões tropicais ou subtropicais e são muito usadas como árvores ornamentais. As flores são diminutas e estão ocultas em cápsulas polposas que depois se transformam nos frutos: um doce figo lampo é afinal um estojinho de flores.

A espécie religiosa, originária da China e Índia, é inconfundível pelas folhas de base larga, com nervuras bem marcadas, pecíolos compridos - que dão à copa um ar gaiato -, margens inteiras mas onduladas, e um ápice que se estreita abruptamente e se prolonga numa ponta pronunciada. Há notícia de árvores desta espécie, plantadas há centenas de anos em adros de templos budistas na Ásia, que exibem ainda hoje porte magnífico e são referências entre peregrinos. O exemplar mirrado da foto vegeta em lugar de solo pobre e pouco soalheiro no Jardim Botânico do Porto.

17/02/2005

Significações das árvores e frutos de acordo com a Santa Escritura

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in Tratado das Significações das Plantas, Flores, e Frutos que se referem na Sagrada Escritura, Frei Isidoro de Barreira (Lisboa, 1622)
Anterior do mesmo autor: Árvore - Vida humana
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16/02/2005

Subsídios para uma nova lei de conservação

A ciência, já se sabe, é um constante desafio ao senso comum, ao postular, com arrogante certeza, leis que contradizem toda a nossa experiência. Acreditar na ciência e desprezar os dados dos sentidos, ou sujeitá-los a uma interpretação tortuosa para que confirmem o que tão claramente desmentem, é uma das provas a ultrapassar para atingirmos a maioridade cultural. Aceitamos hoje piamente as leis físicas e demais paradoxos científicos, e calamos a voz interior que nos quer perturbar com antigas e ingénuas dúvidas.

As nossas elites vão-se também dando conta de que a ciência não é um edifício acabado: pois se mesmo por cá ela tem ministros, laboratórios, projectos, financiamentos, avaliações, é porque há alguma azáfama e substância (ou seja, ciência nova) por trás disso. Embora nem sempre tenham a importância da lei da gravitação universal, todos os dias se juntam novas peças ao grande edifício da ciência. A descoberta que hoje aqui divulgamos não será comparável a um tijolo desse edifício, nem talvez mesmo a um azulejo. Se o fosse, procuraríamos dignificá-la, a bem da ciência e do nosso próprio currículo, publicando-a num peer-reviewed journal.

Seja como for, aqui vai, em pré-publicação, a lei Ficus de conservação da matéria: nas plantas do género Ficus, o volume dos frutos é inversamente proporcional à área das folhas. Os dados experimentais que fundamentam esta lei foram colhidos (termo singularmente apropriado, tratando-se de figos) em Janeiro de 2005, com boa luminosidade mas em condições climatéricas anormais para a época (a seca, lembram-se?), num muro do Jardim das Virtudes, no Porto, e no Jardim Botânico de Coimbra; consistem no seguinte:

- Ficus pumila [primeira foto] - folhas pequenas e frutos grandes

- Ficus macrophylla [segunda foto] - folhas grandes e frutos pequenos

Entenda-se que este é um work in progress, e muito há ainda a aprofundar. Por exemplo: a vulgar figueira, Ficus carica [terceira foto] - folhas grandes e frutos grandes -, parece constituir uma clamorosa excepção à lei atrás enunciada, mas não nos podemos deixar iludir pelo empirismo rasteiro. Há que passar os dados experimentais pelo filtro das elaborações teóricas. Tal como no caso da pedra e da folha de papel, que deveriam manter-se lado a lado durante a queda mas de facto não o fazem (porque além da gravidade há a resistência do ar), outros factores, por ora desconhecidos, podem determinar a anomalia da Ficus carica.



Fotos: pva / mdlramos

15/02/2005

"São bugalhinhos de fogo!"

«Serra de Aire, ladeirando para os píncaros. Prega de rechã, entre dois pequenos oiteiros... A Cova da Iria não está longe; não avista ainda a Terra escalavrada e pedregosa, austera e sofredora, mas trejeitando de primavera nos sarçais e rosmanos floridos. Aquém e além, lumieiras de giestas em pleno resplendor de oiro e neve.
Ali, os três pastorinhos foram descansar os seus rebanhos, embora não haja respiro de fonte e abanar de árvore à aragem. Calor de estio vivo, o Sol também a subir ao planalto da Montanha-Azul. No entanto, os três zagais brincam, riem, tagarelam, ora sentados entre as estevas mais altas, ora no galreado, saltado irrequietismo das crianças saudáveis e alegres.

JACINTA, na ribalta dum fraguedo cantando: O mundo pertence a Deus,/Como ao Sol pertence o dia,/Ao jardim pertence a flor/E o Mês de Maio a Maria.
LÚCIA, a mais velha e acomodada dos três, tentando medir as alturas da manhã:Vamos para o meio-dia.../Que sol bravo! Quem diria?
JACINTA, descendo: Parece que, lá por cima/ (Muita pressa, muita estima!) /Em lugar de ser em Junho,/Já começou o rascunho/Temporão/Das fogueiras/Saltadeiras/A Santo António e João.
FRANCISCO: A Serra, neste reconco,/Lembra-me o forno do pão,/Quando a Mãe, forquilha em punho,/Já tem desfeito em braseira,/Desde a rama até ao tronco,/Toda uma velha azinheira.
LÚCIA, pensativa: Sim! não vai para brinquedos/ Calma assim... Tenho na minha/Que o Sol também tem segredos.
FRANCISCO: Para os dizer à Noitinha?...
JACINTA: E a Noitinha, ao Rouxinol.
(...)
LÚCIA, muito séria: Olhai que já é desmando! (Tira dum bolsilho, sobre o peito, o seu Terço, passando-o pelos dedos. Logo, estremecendo): Coisa assim! Eis senão quando.../O Sol apegou-lhe o lume?! /Minhas contas de vidrilho/Jamais tiveram tal brilho:/São bugalhinhos de fogo!
JACINTA, também impressionada: O Terço fica para logo,/Ao bater do meio-dia,/Conforme ao nosso costume.
LÚCIA, erguendo-se: Pois vamos por aí fora, /Até à Cova da Iria,/ Segundo o Pai recomenda.
FRANCISCO: Vai levar um quase de hora, /E já me tarda a merenda.
(Ajuntam e afoutam as ovelhas).
(...)
OS CHASCOS, galrando e saltitando na pontinha dos tojos: - «Chás, chás!/Por aí bem vás, /Por aí bem vás. »
OS PISCOS, nos ramos dum carrasqueiro, falando aos chascos: - «Pis! pis! /Inda bem que não mentis,/Inda bem,/Como fizestes outrora/A pobre Nossa Senhora/Fugidinha Egipto além.»
(Para os pastores): -«Pis ! pis!/Por aqui bem is.»
(E, chascos e piscos, revolteando, cantando, tomam a dianteira, servindo de alados guias. Francisco, na sua avena pastoril, tenta uns arremessos de marcha heróica e triunfal).
JACINTA, cantando: A Iria dizem que foi. /Linda moirinha encantada./Vou pedir-lhe que se mostre.../Prometo não dizer nada! (...)»

"Pastoral" (1º quadro), Azinheira em Flor- O mistério de Fátima entrevisto, visionado e contado em alguns poemas por António Correia de Oliveira, ed. de C. d'Oliveira, Lda, 1954

Ler excerto de "A Flor da Azinheira" (2º quadro)

Obituário

Está difícil a vida das tílias no Porto: desde que em meados de 2004 caiu uma na Praça da República, levando um vereador da Câmara a acusar outro de negligência, o abate de tílias na cidade atingiu níveis de massacre. Na Praça da República, quase todas as de grande porte foram já cortadas; da rua Dr. José de Figueiredo (bairro do Campo Alegre) desapareceram outras duas; e também as do largo da Lapa não escaparam à limpeza. A campanha prossegue agora na rua D. Manuel II, com o corte das tílias monumentais frente ao Palácio de Cristal.

Haverá por certo motivos de segurança, baseados em diagnósticos que não temos competência para discutir, a determinar tais abates. Mas seja-nos permitido estranhar que tantas árvores adoeçam irremediavelmente em tão poucos meses. Foram atingidas por alguma epidemia de que não temos notícia? Se o não foram, este massacre revela um preocupante excesso de zelo. Porque, bem vistas as coisas, o único modo de garantir que as árvores não caem é cortá-las todas: não há nada mais seguro do que um deserto.

Branco sobre azul

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foto: mdlramos 0402 - Magnólia em flor, rua do Gólgota (Porto)
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A thing of beauty is a joy for ever

«A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkened ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits.


Such the sun, the moon,
Trees old, and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season; the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.


Nor do we merely feel these essences
For one short hour; no, even as the trees
That whisper round a temple become soon
Dear as the temple's self, so does the moon,
The passion poesy, glories infinite,
Haunt us till they become a cheering light
Unto our souls, and bound to us so fast
That, whether there be shine or gloom o'ercast,
They always must be with us, or we die.

(...)
John Keats- Endymion (1818)

14/02/2005

Todos à Grande Manifestação



Fotos: pva 0502 - magnólias em flor no Largo Primeiro de Dezembro (Porto)

A magnólia

Nem sempre as folhas são
quem primeiro vê a luz.
Olhem esta magnólia,
que se cobriu de flores,
antes de se terem coberto
de folhas, os ramos nus...

Jorge Sousa Braga, Herbário (1999)

13/02/2005

Escrito no muro

«Lembro-me, eram todos muito jovens, eu já o não era tanto, mas isso não impedia que, no branco extenuado dos mesmos muros, as minhas palavras encontrassem nas mãos dos meus amigos o natural contraponto, nesse desejo insensato de fazermos do olhar um bem comum.

Naquela primavera, entre lúcida e ácida, tínhamos na noite o rio onde mergulhávamos inteiros, e as árvores que alguns de nós, com amorosa paciência, haviam pintado nas paredes iam-se enchendo de pássaros.»

Eugénio de Andrade, Memória doutro rio (1978)

Mural


Foto: pva 0502 - muro no Jardim Botânico de Coimbra

Não gosto da hera, que rasteja furtivamente e abraça de morte as árvores. A hera é um parasita que vive do abandono. Aguarda a sua oportunidade para cobrir com um manto sufocante jardins que foram coloridos e opulentos. Rompe paredes e cresce mesmo dentro das casas, indiferente à penumbra: há hera a espreitar, qual babugem verde, por detrás das janelas de prédios arruinados.

A aguarela que as trepadeiras compõem neste muro é ameaçadora, porque nela se mistura a cor da hera (Hedera helix); mas outras cores amenizam o conjunto, como a da Ficus pumila no canto inferior direito e uma pincelada vermelha que não sei identificar.

12/02/2005

Mimosa em flor (Serralves)

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Foto: mlramos 0502 - Serralves (Porto)
Mimosa em flor com eucaliptos ao fundo encimados por garça...
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Compreende-se perfeitamente o fascínio que as Acacias exerceram sobre os europeus quando começaram a ser conhecidas: a floração espectacular de algumas espécies aliada a um rápido crescimento criaram de imediato adeptos entusiastas tanto na área da horticultura como da silvicultura.
Actualmente são consideradas invasoras extremamente nefastas que suplantam e ameaçam a flora autóctone, e a sua erradicação e controle é muitíssimo difícil.
A propósito pode ler-se hoje na imprensa uma notícia sobre a possibilidade da utilização do "Trichilogaster acaciaelongifoliae", um insecto da Austrália, na luta contra uma determinada espécie de acácias.
Ver:Insecto da Austrália Pode Vir a Controlar Invasão de Acácias (in Público, por Teresa Firmino/12 -2- 2005)

As acácias nos Dias com árvores:
Fogo em Monchique (25-07-04); Acácias invasoras (28-09-04) ; Despedida do Outono - Tibães (28-11-04) ; Mimosas (16.1.05); Visita à Quinta de Marques Gomes (10-2-05)

11/02/2005

Árvore metálica (actualização)

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Entrada actualizada com inclusão de link depois do contacto do escultor Aureliano Aguiar.

«The best place to seek God is in a garden. You can dig for him there. »
George Bernard Shaw, The Adventures of the Black Girl in Her Search for God, 1932

A sossegada convivência com a doce mãe Natureza

«Temos tido alguns problemas ecológicos graves. (...) A mangueira daqui de casa é um pouco exibida, gosta de aparecer, de maneira que dá duas safras descomunais (quatrocentas mangas em cada, mais ou menos - todo o mundo aqui enjoa de manga e os amigos me evitam, para não ganharem mais mangas de presente) por ano, em épocas que nem passariam pela cabeça de uma mangueira normal. (...) No jardim a situação também é séria e, o que é pior, por culpa minha. Resolvi plantar, junto de uma absurda estátua, cuja origem ninguém da família lembra, intitulada "Verão" embora de aparência feminina e frágil, uma árvore que nem tem nome popular no Brasil. Li não sei onde que essa tal árvore é uma verdadeira maravilha, cresce em qualquer lugar, resiste a tudo e serve para tudo, inclusive para lenha, porque, se for cortada no tronco, cresce de novo ad infinitum. Chama-se Leucena leucocephala e está sendo usada por alguns plantadores de cacau para fazer sombra aos cacaueiros, pois cacaueiro não gosta de sol. (...) Mal acaba de florar uma vez, começa a florar de novo. Não tem senso de decência. Faz brotos novos, produz vagens e sementes, produz flores e solta folhas velhas simultaneamente, num furor quase visível, coisa impensável entre plantas, pois se existem entes discretos e recatados, estes são as plantas, apesar de certas mangueiras, e, indiscutivelmente, algumas bromélias e girassóis.» (*)

João Ubaldo Ribeiro, Arte e ciência de roubar galinha (1998)

(*) E acácias.

10/02/2005

Visita à Quinta de Marques Gomes



Fotos: pva 0501 - Quinta de Marques Gomes - Gaia

A Quinta de Marques Gomes, também chamada Quinta do Montado, em Gaia, foi aqui assunto há umas semanas, quando trouxemos um texto de opinião no JN do nosso amigo Bernardino Guimarães. O caso pode assim resumir-se: a Câmara de Gaia abdica da oportunidade de construir um valiosíssimo parque urbano com cerca de 30 hectares, integrando zonas húmidas ribeirinhas, campos agrícolas fertéis e uma vasta mata, em troca de mais uma urbanização megalómana. É a história do costume, com a agravante de Gaia, um dos concelhos mais extensos e populosos do país, ser também um dos mais pobres em espaços verdes: no seu miolo urbano há dois únicos e pequenos jardins públicos, o do Morro e o Soares dos Reis. O Parque Biológico de Gaia e a Estação Litoral da Aguda, duas notáveis realizações no domínio ambiental, não podem servir de eterno álibi a esta despreocupação camarária com a qualidade do espaço público concelhio.

Uma longa alameda, sombreada por alinhamentos de tílias afogadas em vegetação daninha, conduz do portão de entrada da quinta, na zona alta do Canidelo, à grande mansão abandonada, a que altivas palmeiras-das-Canárias ainda fazem guarda de honra. O palacete foi usado, entre 1975 e 1991, por uma cooperativa de ensino e como sede de uma associação popular, e terá sido nesse período que os canteiros ajardinados em seu redor foram substituídos por placas de cimento. Em volta do pátio, grandes árvores ornamentais recordam a antiga opulência: tílias de porte formidável, uma melaleuca, araucárias, um metrosídero monumental enfeitado com cachos de raízes aéreas. E pela encosta abaixo, descendo suavemente em direcção ao Douro, mas tão densa que dele não permite o menor vislumbre, estende-se a mata... de acácias, numa demonstração conclusiva da ameaça que esta árvore, capaz de obliterar em poucos anos toda a concorrência, representa para a floresta portuguesa. A dada altura o caminho desemboca em campos agrícolas cultivados, e a vista alarga-se até ao rio. Adivinham-se já os folhetos promocionais anunciando as vistas privilegiadas... para quem as puder pagar, quando este panorama único, embalado num silêncio raro, for tapado pela cortina de prédios que requalificará a zona baixa da quinta.

09/02/2005

E Deus disse: "Ponha-se a mesa!"...

À falta de um, já que hoje é o primeiro dia do ano do Galo -e estamos na Primavera segundo o calendário chinês- aqui vão umas... pombas ;-)

Fotos: mdlramos 0402 ............comendo bagas dos ligustros (Ligustrum sp.)



Depois das flores em Junho, os frutos ...
As bagas violáceas dos ligustros fazem as delícias dos pássaros nos meses mais frios.

Ver Os nomes das árvores -Ligustro

08/02/2005

Dos Jornais - Árvores classificadas (actualização)

Afinal é branca...


Foto: pva 0502 - Magnolia denudata - Rua de Aníbal Cunha (Porto)

... e é também a primeira parte de uma dedicatória a dois tempos (a segunda parte terá de esperar pela floração das magnólias cor-de-rosa, em geral mais tardia).

07/02/2005

Vista para o Jardim da Cordoaria

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foto: mdlramos 0402
Obviamente mais virados para os jardins que alguns dos nossos amigos, aqui fica esta vista (complementar) do alto da velha Torre dos Clérigos, em que está bem patente a destruição do jardim histórico.

Cuidado com as etiquetas # 2

Embora, tal como as coníferas e as cicas, a Ginkgo seja uma gimnospérmica (plantas cujas sementes não estão envolvidas por um fruto polposo), e tivesse sido até final do século XIX considerada uma conífera, as suas peculiaridades fizeram com que fosse incluída num grupo à parte, o das Ginkgophytas (que consiste numa única ordem, a das Ginkgoales, com uma só família, Ginkgoaceae, formada por uma único género vivo, Ginkgo). Em suma: ao contrário do que nos ensina esta placa nos jardins do Palácio de Cristal, há mais de cem anos que não se considera a Ginkgo uma conífera. É bom que haja placas identificativas, como defende Duarte de Oliveira no texto de 1882 que a seguir transcrevemos - mas melhor seria se estivessem correctas.

«É motivo de forte gargalhada, e, ao mesmo tempo, de justo sentimento, ouvir os nomes esquisitos que muitas pessoas, aliás ilustradas dão às plantas. Há pouco tempo ainda, estando o signatário destas linhas com um seu amigo e sentados num dos bancos colocados em frente ao edifício do Palácio de Cristal, ouviram dizer a um sujeito que com outro passeava:

- Não achas de péssimo efeito estes pinheiros e cedros plantados aqui no jardim?

Ao ouvir isto, olhamos para o nosso amigo, que não pode reprimir o riso provocado pelos nomes que aqueles senhores davam às Araucárias. O gosto pela floricultura tem-se desenvolvido muito; mas para progredir, é necessário saber o verdadeiro nome das plantas. A colocação das etiquetas nas plantas dos jardins públicos são lições práticas de botânica e o melhor método para vulgarizar os seus nomes.»

(Jornal de Horticultura Prática, Vol. XIII, Abril 1882, p. 79)

06/02/2005

Dos jornais- Derrubado o eucalipto de S. Pedro de Arreigada

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«Eucaliptus globulus (...)
Eucalipto da Arreigada, que fica no lugar da Arreigada na freguesia de Lordelo, do concelho de Paços de Ferreira. É um eucalipto majestoso que tem as seguintes dimensões: altura- 52 m.; perímetro do tronco (P.A.P)- 7,10 m.; altura do tronco até às primeiras pernadas- 13, 5 m.; volume do tronco- 40,30 m3 » p. 71
É nestes termos que Ernesto Goes no seu livro Árvores monumentais de Portugal, se refere ao chamado eucalipto de S. Pedro ou da Arreigada que foi ontem foi derrubado.

Em 21 de Março de 2003, o possível abate desta árvore foi notícia de primeira página na edição nº 221 do "Imediato", jornal regional de Paços de Ferreira: «Não deixa de ser irónico que no "Dia Mundial da Árvore" que se torne pública a manifesta vontade de abater uma árvore que é já símbolo da Freguesia de Arreigada. Quem não conhece o majestoso Eucalipto de S. Pedro, com as suas anormais dimensões, e enormes braços ramificados. É certo que não é uma árvore autóctone, não está em local privilegiado, nem prima propriamente pela beleza estética, mas há valores que são superiores a tudo isso. S. Pedro de Arreigada não será o mesmo sem o seu "Calitre" como os mais idosos o recordam na linguagem popular.» (ler)
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Pelos vistos ninguém acudiu à árvore pois na edição nº262 (8/6/2004) deste jornal confirmava-se o perigo previsto: «um tronco de grandes dimensões cedeu da árvore e caiu sobre um poste de electricidade e outro dos telefones, destruindo-os» (ler notícia: Maior árvore do Concelho está a cair )
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Ontem foi finalmente derrubado este enorme eucalipto que decerto vai deixar imensas saudades nos habitantes locais : «Dezenas de populares da freguesia de Arreigada, Paços de Ferreira, assistiram ontem de manhã ao derrube de um eucalipto com cerca de 50 metros de altura e mais de cem anos de vida, que já constituía uma espécie de ex-libris da localidade. » (ler no Comércio do Porto)

O Mundo da Camélia - rectificação

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«Fimbriata Alba (C. japonica)
Cor branca, forma de rosa a dobrada formal com o bordo das pétalas recortado ou fimbriado, tamanho médio, floração meia estação. É uma mutação da Alba Plena. Introduzida na Inglaterra vinda da China em princípios do séc. XIX.»
in O Mundo da Camélia, p. 83

Em finais de Dezembro noticiámos a descoberta (por nós inesperada) de um belíssimo livro infelizmente pouco divulgado: O Mundo da Camélia da autoria de Veiga Ferreira e Maria Celina.
Entretanto os autores solicitaram-nos que rectificássemos o contacto para aquisição da obra, o que fazemos com todo o gosto:
José Alberto Ferraz da Veiga Ferreira
Rua Manuel Bandeira 147-93 -Porto
Fax 226090036 Telemóvel: 968019684

Foto: mdlramos 0412 - Quinta Vilar de Matos, Junqueira, Vila do Conde

05/02/2005

Cuidado com as etiquetas


Fotos: mdlramos 0011 / pva 0501

Este arbusto de porte saudável mora num dos socalcos dos jardins do Palácio de Cristal, rodeado por magníficas camélias; em 1999, foi-lhe atribuída uma placa de identificação onde se lê Cyca circinalis. A foto mais antiga (de 2000) exibe os cones da planta, que sugerem que ela é feminina; as mais recentes mostram as folhas pinadas, coreáceas, de tom verde encerado, dispostas em coroa no topo do tronco curto formado por bases de folhas que entretanto caíram; cada folíolo é duro, sem nervura central, e exibe 2 a 5 dentinhos em cada margem. Aos nossos leitores atentos não passou despercebida a semelhança com a descrição que aqui deixámos há poucos dias, e realmente este arbusto não é do género Cyca, mas sim Encephalartos. As Cycas, apesar de aparentadas com os encefalartos, exibem folíolos fininhos e longos, com penugem nas faces anteriores enquanto novos, nervura central e sem sulcos nas margens. Quem cuida das placas deste jardim?

04/02/2005

Árvores monumentais- Palácio do Freixo (Porto)

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Palácio do Freixo - Campanhã- Porto 2004.05
Araucária-de-Norfolk (Araucaria heterophylla); Afrocarpus falcatus - exemplar já aqui retratado.


Sequóia-sempre-verde (Sequoia sempervirens); tulipeiros (Liriodendron tulipifera)

03/02/2005

Antes dos dinossauros



Fotos: pva 0501 - Encephalartos lebomboensis - Palácio de Cristal (Porto)

Grupo: Cycadales
Família: Zamiaceae
Género: Encephalartos
Espécie: lebomboensis
Nomes comuns: cica-do-Lebombo; almofada-de-zombi

Um povoamento destas cicas, que parecem palmeirinhas e podem atingir porte arbustivo de uns 4 m de altura, foi descoberto nos anos 20 do século passado nas montanhas Lebombo da África do Sul e descrito em 1949 como uma nova espécie. O tronco, tal como nas palmeiras, não é de madeira mas de um tecido flexível constituído pelas bases de folhas que entretanto caíram. As folhas, que se dispõem numa magnífica coroa, são pinadas (os folíolos estão dispostos ao longo de um veio com cerca de 2m de comprimento); cada folíolo é duro, de tom encerado, sem nervura central, exibindo 2 a 4 dentinhos em cada margem.

As cicas são plantas muito antigas, de uma era anterior à da presença dos dinossauros na Terra; os registos fósseis parecem indicar que, com as ginkgos, dominaram o mundo vegetal no período Jurássico. Não têm flor e o sistema reprodutivo é muito simples, garantindo o sucesso pela enorme quantidade de sementes que o vento dissemina. É uma espécie dióica (ainda não sabemos se o exemplar das fotos, que vegeta nos jardins do Palácio de Cristal no lado nascente do pavilhão, é feminino ou masculino): os cones femininos, usualmente solitários, têm o feitio de barris, com cor creme; os masculinos são cor de salmão e mais esguios. Ambos são expostos, sem protecção, e têm cerca de 40 cm de altura e 20-30 cm de diâmetro. O termo encephalartos tem origem nas palavras gregas cephala e artos que significam miolo e pão, aludindo a uma fécula comestível produzida a partir do tronco ou do centro dos cones.

O Encephalartos lebomboensis consta da lista de plantas raras e em perigo de extinção. Por isso, além do apreço que uma bela planta como esta nos impõe, devemo-nos lembrar que ela é praticamente insubstituível.

02/02/2005

As primeiras árvores classificadas no Porto

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As primeiras classificações de árvores de interesse público ocorreram em 1939: catorze em todo o país, das quais três na cidade do Porto, tendo sido estas últimas por proposta do professor Américo Pires de Lima (então director do Departamento de Botânica "Dr. Gonçalo Sampaio").
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Destas três árvores monumentais portuenses classificadas em 1939, apenas sobrevive um enorme tulipeiro (Liriondendron tulipifera), actualmente em pleno recreio da Escola E.B.1 nº 47 -João de Deus (na rua de João de Deus, transversal de Pedro Hispano). Com a provecta idade de 300 anos e apesar de podada violentamente, a árvore floresce todos os anos, marcando o ponto impreterivelmente com as suas flores em forma de túlipa, razão de ser do seu nome vulgar.
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Para além deste tulipeiro, foram então igualmente classificados o velho ulmeiro da Cordoaria, impropriamente apelidado de Árvore da Forca, e o não menos antigo pinheiro manso do "Pinheiro Manso". Este último pouco tempo sobreviveu à classificação pois foi derrubado pelos ventos do ciclone de 1941; o ulmeiro aguentou-se já muito diminuído até 1986.

Tulipeiro da Casa Tait

Fotos: mdlramos 04
Em 1951, foi classificado o magnífico tulipeiro da chamada casa Tait, na rua de Entre-Quintas, (propriedade pertença desde 1978 da Câmara Municipal do Porto). O tronco mede cerca de 8, 50 m. de perímetro à altura do peito (ver foto em artigo no Naturlink) e a sua bela ramagem ergue-se a mais de 25 metros de altura, bem acima das casas e do restante arvoredo do jardim.

A concluir esta curta lista temos duas japoneiras de um jardim privado na freguesia de Paranhos, classificadas em 1992 por iniciativa da proprietária.

A foto destas últimas árvores assim como os três mapas que reproduzimos encontram-se na publicação Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público Instituto Florestal (1995), que pode ser encomendada na Biblioteca da Direcção Geral dos Recursos Florestais.

Ver: Árvores classificadas no Porto em 2005

01/02/2005

In memoriam

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Fotos: mdlramos 04 ....FLORA, escultura de Teixeira Lopes (filho) - Jardim da Cordoaria
Inaugurado em1904, este singelo monumento presta homenagem a José Marques Loureiro (1830-1898), o mais ilustre horticultor portuense -proprietário do Horto das Virtudes e do Jornal de Horticultura Prática.
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Do lado esquerdo destaca-se o tronco da sequóia gigante (Sequoiadendron giganteum) da Cordoaria, de que aqui já falámos, e ao fundo a Araucaria bidwilli recentemente classificada como árvore de interesse público (ambas plantadas em 1867).