04/04/2007

Petição- Algarve

Fiquei hoje desolada ao ler na imprensa que o Governo mandou suspender o Plano Director Municipal (PDM) de Loulé, numa zona classificada como "área florestal" , abrindo assim as portas à destruição de mais uma zona natural, para permitir que «num pinhal situado fora da zona urbana, possa ser con construído um hotel-apartamentos, de seis estrelas, com a marca Conrad/Hilton.» Como se pode ler na peça (Público on-line edição impressa) «quando surgem investimentos para zonas sensíveis, com força para suspender a eficácia de um PDM, diz Luís Brás (da Almargem), "é legítimo que as pessoas se interroguem sobre a verdadeira política do ambiente e do ordenamento do território". »

Assim é ainda com mais empenho que assino e divulgo a petição Suspensão da Marca ALLGARVE (enviada pela SIRI)
Vale a pena ler o texto e assinar, claro!
«O Rei vai nu. A babosice transcende. Apela-se a todos os cidadãos do Algarve, amigos do Algarve e Portugueses em geral que se unam numa petição, a apresentar junto das autoridades competentes, no sentido de suspender de imediato a marca Allgarve, com que o Turismo de Portugal pretende estigmatizar a nossa querida região. A petição visará igualmente pedir a anulação de todas as campanhas promocionais que visem consolidar a “Allarvice”.
Para que os nossos netos não tenham um dia que, para acompanhar uma cerveja, pedir umas Allcagoitas em Allbufeira.
Para que a Cartilha Maternal do ilustre algarvio João de Deus não se torne letra morta.
Para que sejamos o que sempre fomos: -algarvios. »

Castanheiro centenário- Pussos

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«Este pequeníssimo bosque de castanheiros, carvalhos, sobreiros, pinheiros e pilriteiros, no Carvalhal de Pussos, concelho de Alvaiázere (Leiria), nasceu de um abandono.
Todo o palmo de terra, nesta terra, tem dono, e a propriedade é condição exigente de rentabilidade, num povo que foi (é?!), sem demagógicos discursos, pobre e iletrado.
São três os destinos possíveis para um palmo desta terra: uma habitação, junto às rodovias que atravessam a localidade, ou uma horta, nos solos regados do vale ou no sopé das colinas suaves, ou um eucaliptal, monocultura maioritária que cobre os montes. Do abandono de uma horta, há cerca de 50 anos, e porque o processo de herança, após o falecimento da velha agricultora, havia ficado difuso, foi a Natureza quem, legitimamente, recuperou o que lhe pertencia. Com a mestria de uma artista criadora, ela desenhou um habitat selvagem, tornou-o de difícil acesso, e camuflou-o das atenções humanas.
Em 2006, aos 25 anos, um rapaz que morava a 300 metros da floresta, na colina contrária, arriscou seguir os trilhos dos animais, abrindo caminho pelos silvados densos. Na clareira do bosque ergue-se o coração protegido da floresta: um castanheiro centenário, da espécie comum Castanea sativa (Mill.), com um perímetro circunferencial máximo de 13 metros. De copa e altura comuns (entre 12-14 metros estimados de altura), a invulgar característica desta árvore é a sua forma: tem 9,50 metros de “anca” (junto ao solo), 7 metros de “cintura”, e cerca de 13 generosos metros de “peito” – em boa forma física, portanto. Acima do “peito” erguem-se, como serpentes na cabeça da Medusa, uma dúzia de troncos secundários que formam a copa.

Um simpático casal de esquilos comuns foi adoptado pelo velho ancião castanheiro e vivem todos felizes.

[O castanheiro centenário é desconhecido pela maioria dos habitantes da aldeia, e aguarda resposta para classificação de Património de Interesse Público, pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais ] »


Texto de Alexandre Inácio e fotos de Catarina Mendes

03/04/2007

Um de vós será coroado rei




Alertados por um emissário madrugador, chegámos ao local antes de subir o pano, e por isso as fotos saíram com a cor errada: em vez de verde-alface ficaram pintadas de amarelo-torrado, tom da folhagem embrionária dos carvalhos de Valinhas. Tal precipitação impõe-nos o grato dever de, no papel de inspectores cromáticos, lá voltarmos daqui a duas ou três semanas. É importante mantermos vigilância assídua nas regiões demarcadas do verde-alvarinho, cor ameaçada pela omnipresença estéril dos eucaliptais. Não é só a cor que desfalece na paisagem ao transpormos, em Valinhas, a vereda que separa a pequena mata de carvalhos dos infindáveis hectares de eucaliptos: desaparecem as flores silvestres mas também se apagam os sons dos pássaros e da água a correr.

Um dos carvalhos de Valinhas, não sabemos se o mais forte ou o mais sábio, é por assim dizer o rei do carvalhal: foi declarado de interesse público em 1940, destacando-se dos seus companheiros pelo título nobiliárquico; mas, como não usa ceptro nem coroa, não é fácil distingui-lo dos seus súbditos. É um rei à feição daquelas monarquias avançadas como a Holanda ou a Dinamarca, onde príncipes e plebeus convivem igualitariamente em transportes públicos e filas de supermercado. Nem sequer sabemos se o carvalho-rei ainda vive ou se, por limite de idade, abdicou em favor de algum descendente. Mas o mais provável é que se mantenha no posto: 67 anos é pouco para um carvalho reinar, tanto mais que a sua colega de profissão, Isabel II de Inglaterra, pertencente à bem menos longeva espécie humana, há já 55 que ocupa o trono.

Magnolias são notícia


* Ver as belas fotografias de R Todd King do templo de Dajue e do Palácio de Verão tiradas na Primavera de 2005 em Pequim (no primeiro podem admirar-se a Ginkgo e a Magnolia yulan mais antigas da cidade)

02/04/2007

Romúlea



A Romulea bulbocodium é uma das plantas bolbosas que sobreviveram à progressiva redução dos carvalhais portugueses. Espontânea em outeiros de solos arenosos ou pedregosos, mas húmidos, do Mediterrâneo, esta iridácea é baixinha (não vai além dos 30cm de altura) e tem flores tubulares de pétalas violeta e centro amarelo de onde sobressai um estilete longo com três garfinhos na ponta que fazem lembrar as flores do género Crocus. As folhas parecem as do cebolinho (Allium schoenoprasum), cilíndricas e fininhas. Diz-se que a designação do género alude a Rómulo, um dos fundadores de Roma e irmão de Remo.

O exemplar da foto é do Carvalhal de Valinhas, em Santo Tirso, um notável conjunto de carvalhos alvarinhos (Quercus robur) centenários, vizinhos de sobreiros (Quercus suber) igualmente imponentes e vetustos, e das Quedas de água de Fervença, onde o rio Leça galopa ruidoso e puro. Segundo a publicação Árvores isoladas, maciços e alamedas de interesse público, um dos carvalhos deste povoamento está classificado desde 1940, mas a Câmara de Santo Tirso informa no seu site que a classificação abrange todo o conjunto.

31/03/2007

Cancioneiro popular- negrilho

Nesta rua hai negrilhos,
Onde hai negrilhos hai sombra:
Bem puderas tu, menina
Sair comigo à ronda.
(Concelho de Bragança)

in VASCONCELOS, José Leite de - Cancioneiro Popular Português. Coimbra : Universidade, 1975.

Ulmeiros verdejantes

Avenida Afonso Henriques em Matosinhos

O verde claro que enfeita nesta altura do ano os ulmeiros deve-se, não às suas folhas que ainda estão para vir, mas aos seus frutos alados, umas características sâmaras* farfalhudinhas .

*Sâmaras:"fruto seco, indeiscente e monospérmico, semelhante ao aquénio mas com o pericarpo prolongado em asa membranosa." in ficha do Ulmus minor -no mais do que recomendável ARBORIUM .: atlas das árvores de Leiria
Ver também a entrada relativa ao ulmeiro no também muito bom ARBOLES ORNAMENTALES

30/03/2007

Emissários


Quercus robur no largo Abel Salazar (Porto)

Cercados por um delírio de pedra que já foi jardim, estes carvalhos, cumprindo a vocação temporã da sua espécie, não deixam ninguém esquecer que a Primavera chegou. Citadinos, são emissários dos seus irmãos mais afortunados, e vêm dizer-nos que está na altura de sairmos da cidade, nem que seja pelo tempo breve de uma tarde de sábado, para admirarmos em lugares mais propícios a frescura da sua folhagem.

29/03/2007

Cartões amarelos



Chelidonium majus, Euryops pectinatus
Memora axillaris, Ranunculus ficaria

28/03/2007

A ler

Damas de Blanco: With Pink Swords
As Damas de Branco > - movimento de oposição ao regime cubano que reune esposas e outros familiares de presos políticos- manifestam-se todos os anos desde a sua constituição em 2003, brandindo gladíolos brancos e de cor rosa.
Explica-nos Julie, editora do Human Flower Project, e a quem nada do que respeita as flores escapa: «The gladiolus – gladiolo, in Spanish – comes from the Latin word for “sword” (think gladiator). Thus, it adds to the Ladies’ peaceful demonstrations an edge of symbolic ferocity. By carrying pink gladiolus, like exclamation points, they alert us not to miss the message.»

Thanks Julie!

Árvores monumentais

No "freaky" Neatorama:
10 Most Magnificent Trees in the World (via Quinta do Sargaçal)
Na verdade são 10+2...:

  • Baobab
  • Bristlecone Pine: Methuselah and Prometheus, the Oldest Trees in the World >
  • Banyan Tree: Sri Maha Bodhi Tree >
  • Montezuma Cypress: The Tule Tree >
  • Quaking Aspen: Pando (The Trembling Giant)
  • Chapel-Oak of Allouville-Bellefosse >
  • Coast Redwood: Hyperion and Drive >
  • Thru Trees- Giant Sequoias: General Sherman >
  • Circus Trees
  • Lone Cypress in Monterey >
  • Tree That Owns Itself
  • The Lonely Tree of Ténéré >

Concurso: contos sobre árvores

Concurso FENAFLORESTA "Cont'Árvore" (via ONDAS)
«A Direcção da FENAFLORESTA considerou oportuno comemorar o Dia Mundial da Árvore em 2007, 21 de Março, com o lançamento de uma recolha de contos inéditos sobre as árvores, as suas florestas e a relação com o ser humano. (...)»

Ver também- Ambiente em Fotografia -Temas para os próximos meses: Abril - A árvore que eu sou... ; Maio - Cont'Árvore

Árvores Classificadas de Interesse Público- Novidades

post reeditado
  1. No site da Direcção-Geral dos Recursos Florestais já se pode pesquisar por distrito as árvores Classificadas de Interesse Público.
  2. «A Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito da comemoração da Semana da Primavera (...), lançou no dia 25 de Março o primeiro roteiro online sobre árvores Classificadas de Interesse Público em Lisboa, fruto de um trabalho de pesquisa, actualização e georeferenciação, em coordenação com a entidade tutelar - Direcção-Geral de Recursos Florestais.»
    Na página Lisboa Verde (do site da CML) encontra-se um muito útil «mapa geral de localização da árvores Classificadas de Lisboa assim como vários percursos virtuais, organizados no tempo e no espaço, destinados à promoção de uma prática adequada à descoberta e exploração das mesmas.»
    (via jardinando sem parar )

Relativamente ao Porto, pode ver-se aqui e aqui a fotografia e a localização das árvores classificadas da cidade. Sabemos haver o propósito, por parte da autarquia, de também se publicar um roteiro dedicado a estes "monumentos vegetais". Enquanto isso não acontece, sugerimos o Mapa Verde (publicado pela Campo Aberto e que pode ser adquirido na sede da Associação ou via mail ), em que as árvores e conjuntos arbóreos classificados da cidade estão assinalados.

27/03/2007

Ruínas fertéis


Cymbalaria muralis (ruínas)

Esta é uma pequena trepadeira hermafrodita originária da Europa mediterrânica mas naturalizada em todo o continente. Embora prefira os velhos muros de granito (as ruínas que lhe dão o nome), também já a vi despontar da berma dos passeios, aproveitando aqueles escassos centímetros que não são pisados nem pelos pés dos transeuntes nem pelos automóveis. É uma planta perene, de folhagem luzidia; as suas flores, minúsculas mas vistosas, mantêm-se até ao final do Verão. Para identificar esta planta, socorri-me da obra Conhecer as Plantas nos seus Habitats, da autoria de Rosa Pinho, Lísia Lopes, Fernando Leão e Fernando Morgado, publicada pela Plátano Edições Técnicas em 2003: com fotos de boa qualidade, este pequeno livro é o guia ideal para quem, no nosso país, queira tratar pelos seus nomes as pequenas maravilhas que brotam por todo o lado.

P.S. Há dias o Blogue dos Cheiros publicou foto da mesma planta (ou de outra muito semelhante) num muro mais a sul.

26/03/2007

Podas no Palácio: resposta da Porto Lazer, E.M.

A Porto Lazer, E.M. respondeu já ao comunicado de imprensa e a uma carta anterior nossa sobre o mesmo assunto. Deixando os comentários para mais tarde, divulgamos para já no blogue Dias sem árvores o texto completo dessa resposta.

Arbre-aux-anémones


Calycanthus floridus var. fertilis

O género Calycanthus é um dos quatro da família Calycanthaceae e abriga duas espécies da América do Norte. Os arbustos de C. floridus (conhecidos como Carolina allspice) são de folha caduca, aromática e de face superior áspera. As flores têm pétalas estreitas que mergulham no arranjo espiralado de sépalas (os termos gregos kaluks e anthos aludem a este formato em cálice da flor), rescendem a morango/ananás e o seu vermelho acastanhado destaca-se na copa densa; a floração abundante dura em geral até ao fim do Verão. Os frutos são cápsulas fibrosas, com uma tampinha como as das papoilas.

A casca das plantas deste género contém um sucedâneo da canela usado como fármaco pelos índios americanos. Contudo o princípio activo deriva de um alcalóide que é muito venenoso e se assemelha à estricnina.

23/03/2007

Jardins do Palácio de Cristal: um lamentável caso de má gestão

- comunicado da Campo Aberto à imprensa



A recente e violenta poda realizada na avenida das tílias do Palácio de Cristal, repetindo a asneira cometida há cerca de dois anos, deixou as árvores num estado tal que não pode deixar de chocar os frequentadores e visitantes do mais emblemático jardim portuense. A gestão do espaço tem sido assegurada por uma empresa municipal (a Porto Lazer) sem vocação nem competência para essa nobre tarefa. É urgente que a Câmara Municipal do Porto transfira essa gestão para os serviços do Pelouro do Ambiente – pois é inadmissível que as boas práticas que se observam nos restantes locais públicos da cidade não transponham os portões do Palácio.

Os jardins do Palácio de Cristal são dos locais mais frequentados da cidade e mais visitados por turistas. Um terreno acidentado, disposto em vários patamares, permitiu a criação, num espaço relativamente reduzido, de vários ambientes diferenciados: os jardins formais e geométricos logo à entrada do recinto, as alamedas de plátanos e tílias, o bosquete de camélias nas traseiras da biblioteca Almeida Garrett, o arboreto e a esplanada em redor do lago, os vários miradouros que deixam espreitar o curso do rio Douro desde Miragaia até à Foz.

Além do seu valor turístico, social e ambiental, os jardins do Palácio são importantes pelo seu valor histórico. Criados na década de 1860 por iniciativa de Alfredo Allen, com desenho do paisagista alemão Emílio David, são dos espaços ajardinados mais antigos do Porto: só o Jardim de S. Lázaro é mais antigo, sendo o Jardim da Cordoaria, também de Emílio David, alguns anos mais novo. Mas, enquanto S. Lázaro mantém o seu carácter original, o jardim de Emílio David na Cordoaria foi completamente obliterado pela Porto 2001. O Palácio de Cristal, de onde já desapareceu o edifício que lhe deu o nome, é pois o último espaço público do Porto a conservar alguma da herança dessa figura tão influente na arte dos jardins em Portugal.

Um património tão valioso como este, e um espaço tão marcante para a imagem do Porto (tanto aquela que a cidade tem de si própria como a que oferece aos visitantes), deveria merecer, por parte da Câmara Municipal, os mais desvelados esforços de manutenção e embelezamento. Infelizmente, por razões burocráticas que hoje mal se entendem, os jardins do Palácio de Cristal não estão na dependência nem do Pelouro do Ambiente, nem dos serviços municipais a ele subordinados que têm a missão de cuidar deste tipo de espaços. Tanto o Departamento Municipal de Espaços Verdes e Higiene Pública como a Divisão Municipal de Parques e Jardins não têm qualquer palavra a dizer sobre os jardins do Palácio: quem lá manda é a empresa municipal Porto Lazer, que os herdou do extinto Gabinete de Desporto. Tudo isto seria de somenos importância se os jardins e o seu património vegetal andassem bem tratados; como não andam, a comparação com outros espaços públicos da cidade leva-nos à conclusão inevitável: a Câmara do Porto abdica de usar as competências que tem (em jardinagem, no tratamento de árvores ornamentais, etc.) no mais emblemático jardim à sua guarda. O que se tem passado no Palácio de Cristal é uma combinação nefasta de incompetência e negligência.



O caso mais flagrante de incompetência é o estado em que ficou a avenida das tílias depois de uma série de podas insensatas, a primeira e mais radical feita há cerca de dois anos e a segunda há duas semanas. No extremo sul da avenida, junto à capela de Carlos Alberto, o que temos não são árvores, mas sim tocos: restos mutilados de árvores, sem utilidade e sem beleza. Não é plausível a justificação de que as árvores estariam doentes, pois a motosserra tanto atacou árvores jovens como adultas, e as feridas que ficaram expostas nos troncos mostram bem como elas estavam saudáveis. Terá sido por receio de as árvores caírem? É que, nos últimos anos, várias tílias têm lá caído empurradas pelo vento. Mas, por ironia, também tombaram árvores que tinham sido podadas preventivamente, o que mostra que tal remédio não é seguro. E se o preço para manter as árvores de pé é reduzi-las a tocos disformes, então mais vale desistirem das tílias e plantarem árvores mais resistentes às intempéries. Não tem sentido manter uma alameda de tílias – árvores ornamentais por excelência, admiradas pela harmonia e simetria das suas copas – neste estado miserável.

Em todo o caso, é importante que a Porto Lazer, E.M. responda às seguintes perguntas:

  1. Foi feito algum estudo fitossanitário que justificasse intervenções tão drásticas como as que foram feitas nas tílias da avenida?
  2. As podas foram acompanhadas por algum técnico de arboricultura credenciado?
  3. A empresa que as executou tem pessoal devidamente habilitado para estas intervenções?
Nas intervenções que os serviços da Câmara têm vindo a fazer em espaços públicos (árvores de arruamento, jardins, etc.), a resposta a perguntas análogas é afirmativa; é que, felizmente, já não é comum ver na cidade (fora do Palácio) árvores tão mal podadas como estas tílias. Que não são, no Palácio, as únicas vítimas deste tipo de tratamento: no final de 2004, os jovens choupos na encosta que desce para Massarelos sofreram um podão que apenas lhes deixou os troncos.

Outros casos mais ou menos recentes são indicativos de negligência. Em 2003, foi instalado um sistema automático de rega no jardim formal à entrada; na abertura dos regos usou-­se uma escavadora e não houve a precaução de não se cortarem raízes; em resultado disso – e talvez também do excesso de água – várias árvores e arbustos vieram posteriormente a perder­-se.

Os vários jardins temáticos estão ao abandono. O Jardim dos Sentimentos, construído num socalco voltado para a rua da Restauração e inaugurado em Janeiro de 2001, embora parta de uma ideia interessante (divulgar alguma da simbologia associada às plantas) e faça uso de um espaço antes desaproveitado, tem por base um mau projecto. Todo o jardim assenta numa placa de cimento; e, entre tanques de água estagnada e caminhos em zigue-zague, sobram uns canteiros estreitos, de pequeníssima profundidade. As plantas que têm morrido – e têm sido quase todas – não são substituídas, e as etiquetas também já desapareceram: o efeito geral é desolador. Melhor sorte poderia ter tido o Jardim dos Cheiros, pois aí as condições não são tão adversas para as plantas; mas o abandono a que foi votado transformou-o num matagal onde há mais vegetação daninha do que plantas aromáticas. Finalmente, há o caso caricato do Jardim de Roterdão: inaugurado em 2001, ano em que essa cidade holandesa partilhou com o Porto o título de Capital Europeia da Cultura, foi concebido como um jardim para flores sazonais, mas está hoje convertido num triste relvado.

A gestão dos jardins do Palácio de Cristal não tem estado à altura da importância patrimonial, histórica e social desse lugar único da cidade do Porto. E é à Câmara Municipal do Porto, através do seu Pelouro do Ambiente, que cabe resolver o problema.

Porto, 23 de Março de 2007

P.S. Veja fotos da poda de 2005 no blogue A Cidade Surpreendente

22/03/2007

A ler

UM DIAS DE MUITAS COISAS ... A PRIMAVERA É ASSIM
no jardinando sem parar

«(...)Como hoje, para além do dia da árvore, também é dia da infância, da poesia e do teatro, vou arriscar e, não sei bem se no papel de actor, de poeta, de criança ou de admirador de árvores monumentais, recitar a minha proposta (ou sonho, ou poema, ou ficção):

Lançar um programa de levantamento das árvores monumentais do País, solicitando o apoio das autarquias, de escolas, de empresas, de associações ambientalistas e outras com interesse e capacidade de colaborar nesta tarefa, com o objectivo de... em 2013 ter finalizado todo o processo de inventariação, selecção e classificação e editados materiais de divulgação, principalmente para utilização nas escolas e em promoção turística.


Porquê esta data? Por 3 motivos:

1º - 6 anos é um período de tempo razoável para uma missão que exigiria algum esforço de coordenação e mobilização, principalmente atendendo à óbvia necessidade de ser feita com custos reduzidos

2º - seria interessante que, passados 100 anos do decreto nº 682, de 1914, que mandava proceder ao inventário, classificação e divulgação das árvores notáveis, se tivesse conseguido concretizar os objectivos que aí foram definidos, apesar de em grande parte relativos já a outras árvores

3º - corresponderia ao final do mandato legislativo seguinte o que, tratando-se de um objectivo nacional, daria frutos à equipa actual, por ajudar a lançar o trabalho, e à seguinte, fosse ou não a mesma, por terminá-lo

Estou convencido que, de uma maneira ou de outra, vamos mesmo chegar a 2014 com as árvores “monumentais” bem identificadas, com publicações, sinalética e outra informação facilmente acessível, que ajudará a que a maior parte/uma parte maior da população tenha conhecimento do valor desse património, prazer em observá-lo e interesse na sua salvaguarda. (Ainda há optimistas não cépticos)

(...)» texto completo

APOIAMOS esta proposta!

(Por favor comentem no jardinando sem parar já que o texto foi tirado de lá ;-)

21/03/2007