31.1.06

a mais louca de todas as arvores...

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Se no tempo da saudosa princesinha do Norte tivesse nevado como ontem aconteceu nas terras altas do Algarve, decerto não teríamos hoje nenhuma lenda das amendoeiras... Entretanto e segundo informações fidedignas, para os lados do Sotavento as mais loucas de todas as árvores já estão em flor.

«(...) Diz-se della, que he a mais louca de todas as arvores, porque florece apenas as geadas a não impedem; porisso as geadas do tarde fazem muito casual a colheita do seu fructo. (...)

Qual será o motivo porque as flores desta arvore, assim como a do pessegueiro, e damasqueiro, dasabotoam tão cedo? Estas arvores forão naturalisadas na Europa, mas não conservão ainda o costume do seu paiz natal? Na Mauritania, Persia , e Armenia, a epocha da sua florescencia não he Dezembro, ou Janeiro? E não conservão nos nossos climas a mesma actividade para florecer, quando nenhuma cousa se oppõe a isso?»

Francisco Soares Franco in Diccionário de agricultura: extraído em grande parte do Cours d'agriculture de Rosier, com muitas mudanças, principalmente relativas á theoria, e ao clima de Portugal... Coimbra: na Real Imprensa da Univ. 1804-1806 (vol I, pg 200)

30.1.06

Realização da vida

Não me peças que cante,
pois ando longe,
pois ando agora
muito esquecida.

Vou mirando no bosque
o arroio claro
e a provisória
flor escondida.

E procuro minha alma
e o corpo, mesmo,
e a voz outrora
em mim sentida.

E me vejo somente
pequena sombra
sem tempo e nome,
nisto perdida
- nisto que se buscara
pelas estrelas,
com febre e lágrimas,
e que era a vida.

Cecília Meireles, Mar absoluto (1945)


Foto: pva 0504 - papoila-da-Califórnia (Eschscholtzia californica)

29.1.06

Xin Nian Kuai le !

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Cacto-do-Natal (Schlumbergera truncata) em flor
Manda a tradição (de outras terras) que em nossas casas, no dia do ano novo, não faltem flores e frutos, havendo até certas plantas que pelos seus nomes ou pela sua morfologia são particularmente propiciadoras da boa sorte. Considerei pois ser de bom augúrio que antes da chuva que finalmente ontem caíu, uma réstea de belo sol iluminasse os meus cactos em flor.

Xin Nian Kuai le! Feliz ano novo! Feliz Ano do Cão! Adaptando a expressão idiomática (de outras paragens também) let's hope we'll be able "to bark up the right trees..."
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28.1.06

Dias sem árvores em Espinho

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por Octávio Lima -no Ondas3
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Breve antologia da descrença

É a chuva que persiste em não cair, são as árvores arrancadas na Praça da Liberdade, são as podas que mutilam cruelmente o corpo vivo de outras árvores. De raízes enjauladas numa nesga de solo ressequido, quanto não lhes terá custado, às árvores, lançar esses braços que as motosserras vão cortando? Cada vez mais há lugares da cidade que evito, ou por onde só quero passar de olhos postos no chão. Mas, pelas brechas que se abrem neste alheamento forçado, vejo os canteiros convertidos em asfalto na rua de Vilar ou em granito na rua do Rosário, os arbustos decepados por cretinos na rua do Campo Alegre, as tílias desfeadas na praça da Trindade, o segundo ginkgo que morre (envenenado?) na esquina da rua da Fábrica com a Conde de Vizela. É tão confinada e frágil a vida das árvores na cidade, e mesmo assim há quem - seja por profissão, gozo pervertido ou mesquinho interesse pessoal - porfie em destruí-la.

A descrença que vem de andar na cidade com os olhos abertos pode e deve ser partilhada. Por isso me foi importante ler sobre o melancólico encontro à hora do almoço da Alexandra com as magnólias de Sá da Bandeira; ou reconhecer com jrf que «chegará o dia em que a natureza não terá lugar neste planeta»; ou, finalmente, antever com o Filipe um futuro sem árvores e sem regresso.

27.1.06

Jardim do Carregal

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No Carregal - por Hélder Pacheco
«...O Carregal está impregnado de atmosfera romântica única no Burgo. Por isso reveste um significado especial no imaginário dos portuenses, tanto pelo desenho dos espaços - onde o lago e a ponte, imitando as ruínas caras a certo revivalismo oitocentista, constituem atractivos especiais -, como pelas espécies arbóreas (grandes coníferas) que o povoam. Projectado em 1897 por Jerónimo Monteiro da Costa, antigo colaborador de Marques Loureiro no Horto das Virtudes, a selecção das espécies terá pertencido a Casimiro Barbosa, também pertencente à Sociedade daquele famoso Horto.
Carregal provém da palavra carrega, planta gramínea das zonas húmidas, charcos ou lameiros que caracterizavam, até aos meados do século XIX, aquele local, por onde passava o Rio Frio, que desagua na Praia de Miragaia. Em razão da insalubridade e irregularidade do sítio e dos terrenos em redor, durante quase um século seria duramente criticada a construção do Hospital de Santo António, mesmo em cima deles. Sem resultado. A custo, metade da obra fez-se. (...)»

Sobre as árvores do Jardim do Carregal ler: #1- Pseudotsuga menziensii; #2 -Agathis robusta; #3- Cunninghamia lanceolata; #4-Sequoiadendron giganteum; #5- Sequoia sempervirens; #6-Magnolia; #7-Cedrus libani ; #8-Chamaecyparis lawsoniana; #9- Araucaria bidwillii ; # 10- Plátano
E ainda: Uma aventura no Jardim do Carregal ;O renascimento do Jardim do Carregal ;Reabertura do Jardim do Carregal

(foto tirada enquanto esperava na fila do trânsito, em Novembro de 2005)

Elegância oriental



Fotos: pva 05 - Chaenomeles japonica

Como as magnólias de folha caduca, o arbusto-marmeleiro, de origem japonesa e chinesa, floresce no Inverno antes de exibir a folhagem nova. Vemo-lo agora de ramos espinhosos pintalgados de flores vermelhas, cor-de-rosa, cor-de-salmão ou brancas sem pedúnculo e com cinco (como é usual na família Rosaceae) pétalas redondas.

Incluídas inicialmente no género Cydonia, também oriental mas de flores solitárias, (de que a espécie C. oblonga produz os frutos com que fazemos a marmelada), as plantas do género Chaenomeles têm folhas glabras de bordo levemente serrado (as de C. oblonga são penugentas na face inferior) e frutos arredondados (e não em formato de pêra como o marmelo) muito adstringentes, embora também se usem em compotas e licores pois contêm mais pectina que as maçãs e mais vitamina C que os limões.

Curiosamente, por confusão de origem desconhecida, o epíteto japonica está associado à espécie de flores rosa ou carmesim que é contudo a chinesa Chaenomeles speciosa; a verdadeira Chaenomeles japonica, mais rara, orgulha-se das suas flores cor-de-laranja e frutos pequeninos.

26.1.06

Magnólias e aloés em flor

.de novo, por toda a cidade.

Porto, Avenida da Boavista.
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25.1.06

A nudez forte


Parque de Serralves / Serralves Park
Exposição / Exhibition: A nudez forte / Fierce nudity
Comissário / Curator: F.Rio d'Hiver
Horário de abertura / Opening hours: terça a domingo / tuesday to sunday - 10h00-19h00
Até / Until: sabe Deus quando / God knows when

Assumindo a ruptura com o conceito tradicional de árvore, questionando o estereótipo das copas pejadas de folhas, esta exposição propõe um lúdico e inovador exercício de transparência como contraste à opacidade primaveril.

By rejecting the tradicional concept of tree and thus questioning the stereotype of leaf-ridden crowns, this inovative exhibition sets up a playful exercise in transparency as opposed to spring-like opaqueness.

24.1.06

Azinheira monumental - actualização

Há uns dias atrás procuravam-se informações sobre uma azinheira monumental na região de Castro Verde. Entretanto já obtivemos uma resposta. Ei-la:
«Olá. Tive conhecimento da vossa pesquisa sobre a azinheira monumental.
Sou de Castro Verde (eng. florestal), e conheço a árvore de que falam. É de facto grandiosa. Não sei se será a maior da Europa (e do mundo), mas é a maior que conheço.
Esta azinheira localiza-se no concelho de Mértola, próximo do lim
ite do concelho de Castro Verde. O acesso é fácil e não está vedado.
Existe também no concelho de Castro Verde um Sobreiro Monumental, chamado de "Sobreira do Monte do Curral" que se encontra junto à autoestrada do sul A2, próximo do nó de Castro Verde. Esta arvore vê-se mesmo da autoestrada, pois não está a mais de 500 metros. É também o maior sobreiro que conheço.
Artur Lagartinho
(tel:...)»

Consultada a publicação do Instituto Florestal sobre árvores de interesse público* verifiquei que no que diz respeito ao concelho de Mértola, existe uma outra azinheira monumental, classificada de interesse público em 1997, com cerca de 500 anos, localizada na Herdade das Pias. Artur Lagartinho, que a conhece, informou que o Monte das Pias está situado próximo do Pulo do Lobo (famosa queda de água no Guadiana) e que essa azinheira não é tão grande como a que nos trouxe todos à conversa . Muito obrigada ;-)

*Árvores isoladas, arvoredos, maciços, bosquetes e alamedas classificados de interesse público pela direcção-geral das florestas- (dados apurados ate 1 de Junho de 2003)

Flores-de-jade

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É uma suculenta "vulgar de Lineu" do género Crassula (de crassus, em latim- suculento, gordo) termo que está na origem do nome da família Crassulaceae a que pertence. Mas nesta altura do ano de vulgar nada tem, coberta que está de delicadas e aristocráticas flores. Este exemplar encontra-se na entrada de um prédio da rua António Cardoso (onde fui visitar os freixos em flor) e foi a surpresa da manhã. O seu nome "vulgar" também não é muito usado. Eu pelo menos nunca ouvi chamarem-lhe "planta-jade", nem tão pouco "ensaião-branco"(cf. Portugal Botânico de A a Z). Mas nunca é tarde para aprender. Originária da África do Sul o seu nome científico é Crassula ovata mas também é designada por Crassula argentea e Crassula portulacea. (cf. Jim Mercier).
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23.1.06

«I love being asked to identify plants, and I don't know which gives me more pleasure: to know what they are or not to know what they are.»
Elizabeth Lawrence, Through the Garden Gates, 1990 (citada aqui)
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22.1.06

Laranjeira mexicana


Foto: pva 0512 - Choisya ternata na Quinta da Aveleda

Andarilhos de quintas e jardins, de nariz no ar e olhar maravilhado, deparamo-nos frequentemente com arbustos que não conseguimos identificar de imediato. Superado o desapontamento inicial, dominada a natural inquietação, ficamos atentos aos sinais que o arbusto dá de si, psst psst, ó menina, olhe bem para as minhas folhas... já reparou no meu pé de flor?... não me diga que não sente o meu perfume!...

O arbusto da foto deu-nos várias dicas com a estratégia paciente de um bom mestre. As folhas são verde-escuro e têm 3 folíolos juntos - como já tínhamos visto numa Rutaceae em Viseu (um exemplar de Poncirus trifoliata); esta família inclui os citrinos e o nosso arbusto exalava um forte aroma a laranja. As flores brancas de cinco sépalas (que só esperaríamos encontrar no fim do Verão) agrupam-se em umbelas de pedúnculo longo e exibem numerosos estames amarelinhos.

Já em casa, livros abertos no regaço, o arbusto ganhou nome: é uma Choisya ternata, designação que homenageia o naturalista suíço M.J.C. Choisy (1799-1859). Esta é uma planta comum no deserto do Arizona, Texas e Mexico, de que a variedade Sundance tem folhas amarelas; muito ornamental é ainda o híbrido com C. dumosa, var. arizonica, conhecido como pérola azteca.

21.1.06

Dia de reflexão



Fotos pva - Guimarães: Quercus robur na mata da Pousada de Santa Marinha; jardim do Palácio Vila Flor

20.1.06

Dos Himalaias, com pavões


Foto: pva 0411 - cedros-do-Himalaia (Cedrus deodara) nos jardins do Palácio de Cristal

Sombreada por grandes árvores, embalada pelo rumor fresco da água no lago, a esplanada do Palácio de Cristal é um daqueles postais de sossego onde apetece perder tardes em esticados almoços. Há que lembrar, porém, que a quietude imperturbável é tão só do postal, não da esplanada: as rabecas corredoras (também chamadas galinhas-de-Angola) não o atravessam num rompante desafinado; nele as pombas não vêm pousar arrulhos sobre as mesas, disputando sobras de comida às gaivotas; nem os pavões trombeteiam sustos estridentes por entre a ramaria dos cedros.

Que a esplanada seja afinal um filme de acção com banda sonora a preceito só a valoriza: apenas o que é inerte se deixa plasmar fielmente na imutabilidade de uma foto.

19.1.06

Azinheira monumental em Castro Verde

Alguém a conhece? Precisamos de saber mais informações já que nas nossas fontes habituais não encontrámos nenhum registo. Onde fica ao certo?
Os Amics arbres perguntaram-nos e nós não soubemos responder; nem nós nem pelos vistos algumas entidades de Castro Verde a quem estes amigos catalãos escreveram.
Por isso, por favor, passem a palavra... alguém conhece esta azinheira a que o fotógrafo, Pyconotus, chamou "a maior azinheira da Europa"?

(a propósito: Azinheira - S. Braz de Alportel ; À sombra de uma azinheira... )
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Cedros monumentais de Portugal

No seu Árvores Monumentais de Portugal (1984), Ernesto Goes lista os seguintes cedros monumentais fazendo preceder cada espécie de uns curtos parágrafos.
«Cedros (Cedrus).
Pertencem à família das Pináceas. No género Cedrus há a considerar no País 3 espécies que atingem dimensões assinaláveis, que são: Cedrus deodara, Cedrus atlantica e Cedrus libani.
Qualquer destas espécies têm sido bastante plantadas em parques e jardins e mesmo em arborizações de perímetros florestais do Estado. As madeiras destas espécies são muito apreciadas para a construção e marcenaria.

Cedrus deodara : É oriundo da Ásia, das montanhas do Himalaia e Afeganistão, sendo de considerar os seguintes exemplares de porte excepcional:

  • No Jardim Botânico de Lisboa, com 3, 20 m. de P.A.P.*, 35 metros de altura, fuste direito e copa frondosa.
  • No Parque do Colégio da Companhia de Jesus em Cernache de Coimbra, há um exemplar com 35 metros de altura, em que o tronco tem 3,80 metros de P.A.P., e está despido até 8,5 metros de altura.
  • No Jardim Botânico de Coimbra, há um exemplar com 3,40 m. de P.A.P., e 30 metros de altura.
  • Na Mata do Buçaco, há inúmeros exemplares com 3. m. de P.A.P., e 35 metros de altura.
    O mais grosso com 3,20 de P.A.P., fica próximo da casa do Guarda da Lapa e foi plantado em 1878. Por comparação com medições efectuadas por Brito Peres em 1964 verificou-se que esta árvore engrossou cerca de 19 cm. em 19 anos.
  • Na quinta do Paço, em Moledos, no concelho de Tondela, com 4. 02 m. de P.A.P., 30 metros de altura e 20 m. de diâmetro de copa.
  • Na quinta do Prado, em Briteandes, no concelho de Lamego, há um exemplar com 5,00 m. de P.A.P., 23 metros de altura e 32 m. de diâmetro de copa sendo o maior que se conhece no País. Nesta quinta ainda há dois exemplares que também merecem ser assinalados, respectivamente com com 4 e 3,97 metros de P.A.P.. ( Ver álbum de fotos)
  • No Parque das Termas de S. Vicente, no concelho de Penafiel, um exemplar em que o tronco tem 3,4 m. P.A.P. e está limpo de ramos até 9 m. de altura.
  • Na Quinta do Convento de Tibães, há dois exemplares junto ao lago, que têm respectivamente 3,26 m. e 3,16 m. de P.A.P e 37 m. de altura.
  • No Parque do Solar dos Mateus, em Vila Real, um exemplar plantado em 1870, que é constituído por uma rebentação de toiça, com 6 rebentos, cada um com 0,80 a 1 m. de diâmetro na base.

Cedrus atlantica: É oriundo das montanhas do Atlas, no Norte de África, sendo de destacar os seguintes exemplares:

  • No Parque do Hotel Grão Vasco , em Viseu , em que o tronco tem 6, 35 metros de P.A.P. o qual a 2 m. de altura se ramifica em 9 pernadas sendo a central a mais grossa, que em parte substitui o antigo fuste. É uma árvore muito imponente que tem 27 metros de altura. Está considerada de interesse público por decreto publicado em "Diário do Governo".
  • Na Mata do Buçaco há vários exemplares de grande porte, tendo o maoir 3 m. de P.A.P. e 30 m. de altura. Fica próximo da Casa do Guarda das portas de Serpa e foi plantado em 1878.
  • Na Quinta do Prado em Briteandes, no concelho de Lamego, há a considerar dois exemplares, respectivamente com 3, 75 e 3,53 m. de P.A.P.

Cedrus libani: É oriundo do Médio Oriente. Não queremos deixar de referir que cruz que Cristo transportou e onde foi crucificado era de madeira de Cedro do Líbano.

  • No Jardim Botânico do Porto, há dois exemplares, tendo o maoir 3, 95 m. de P.A.P e 30 m. de altura.
  • No Jardim do Palácio de Cristal da Cidade do Porto há dois exemplares com 4, 75 e 2, 02 de P.A.P.» (P.A.P. =perímetro à altura do peito -a cerca de 1,30 m. do solo)

Ernesto Goes não pretende ser exaustivo e há no nosso País (nomeadamente no Porto) outros cedros de porte assinalável não referidos pelo autor.

Na lista de Árvores isoladas, maciços e alamedas Classificadas de Interesse Público pela Direcção-Geral das Florestas (2003), por exemplo, apenas um exemplar dos mencionados por Goes se encontra classificado (o Cedrus atlantica do Hotel Grão Vasco (Viseu), vindo ainda nesse documento oficial pelo menos 5 árvores classificadas que não são referidas no livro: 3 Cedrus atlantica (em Coimbra, em Lisboa, e em Chaves- nota: sempre pensei que este último fosse um Cedrus deodara) e dois Cedrus deodara ( em Lisboa e na Régua).

18.1.06

A reler: "A árvore e a cidade" - Joaquim Vieira Natividade

e Nova arena para arboricidas
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O cedro e o átomo


Foto: pva 0506 - cedro-do-Líbano nos Kew Gardens

É o carbono que, numa miríade de combinações e formas, torna possível a vida na Terra. Primo Levi, no último capítulo de A tabela periódica (livro de 1975), imagina as sucessivas migrações de um único átomo de carbono - que ele não conhece mas cuja existência é estatisticamente inevitável. Depois de a acção do homem pôr termo à quietude de milhares de anos num sedimento de rocha calcária, o átomo é libertado para a atmosfera. Fisgado por uma folha de videira, bebido como vinho, expelido do organismo como dióxido de carbono, eis que o imprevisível jogo dos ventos o transporta até ao Líbano, onde outra vez a fotossíntese o integra na vida orgânica:

«Our atom is again carbon dioxide, for which we apologize: this too is an obligatory passage; one can imagine and invent others, but on earth that's the way it is. Once again the wind, which this time travels far; sails over the Apennines and the Adriatic, Greece, the Aegean, and Cyprus: we are over Lebanon, and the dance is repeated. The atom we are concerned with is now trapped in a structure that promises to last for a long time: it is the venerable trunk of a cedar, one of the last; it is passed again through the stages we have already described, and the glucose of which it is a part belongs, like a bead of a rosary, to a long chain of cellulose. This is no longer the hallucinatory and geological fixidity of rock, this is no longer millions of years, but we can easily speak of centuries because the cedar is a tree of great longevity.»
[trad. Raymond Rosenthal, edição Everyman's Library, 1995]

P.S. Em 1998 a Gradiva publicou este livro com o erradíssimo título O sistema periódico, em edição há muito esgotada.

17.1.06

Fascinação


Foto: pva 0412

Visitámos a Quinta de Vilar de Matos pela primeira vez em Dezembro de 2004. Íamos então à procura da camélia azul. Guiados pelos donos da Quinta, que as cuidam com mãos sábias e que delas contam histórias como se fossem da família, encontrámos inúmeras camélias que desconhecíamos, de que a preta (vermelho muito escuro), a amarela ou a azul são apenas as mais famosas. A foto exibe uma espécie birmanesa, a Camellia irrawadiensis, variedade Barua, de flor branca, singela, com um centro vistoso de estames cor-de-mel e muito perfumada.

Em 2004, o Senhor Paulino Curval plantou, num terreno da Quinta, uma longa alameda de japoneiras de médio porte, devidamente protegidas por um renque de faias. Estas camélias, de variedades escolhidas a preceito, já não se venderão no seu viveiro: são a prenda que o Sr. Curval deixa ao futuro e de que se orgulharão os seus descendentes. Nós também agradecemos.

A colecção da Quinta inspirou - e encheu de ilustrações - o livro O Mundo da camélia, que com frequência consultamos e de onde escolhemos variedades requintadas para coroar o ano. Será que daqui a dias, quando voltarmos à Quinta, poderemos apreciar uma camélia Duarte de Oliveira?

16.1.06

Camélias são notícia


Foto Dezembro 2004
«Tentar entrar no Guinness com 30 mil pés de camélias no JN
A Quinta Vilar de Matos, em Junqueira, Vila do Conde, vai candidatar-se ao Livro Guinness de Recordes com 30 mil pés de camélias. Em comunicado, a quinta refere que a candidatura foi apresentada em Dezembro, coincidindo com a abertura ao público da XI Exposição Camélias em Flor, patente até Abril.

Nos dez mil metros quadrados da quinta, o coleccionador Paulino Curval tem 1300 das 1400 espécies de camélias existentes, desde as vulgares brancas, passando pelas cor-de-rosa e vermelhas, azuis, lilases e pretas. A colecção
"já foi várias vezes considerada pela Confederação Internacional das Camélias como uma das melhores do Mundo".
No site da "Guinness World of Records", não há qualquer recorde relacionado com camélias.

Ao contrário da maior parte das flores, as camélias
"impõem a sua beleza numa época do ano em que as condições climatéricas se apresentam menos favoráveis",
o que justifica o facto de serem conhecidas como "Rainhas do Inverno".

Além de camélias, a Quinta tem mais de 100 espécies de plantas ornamentais e árvores de frutos tropicais.»

Ler: O Mundo da Camélia - Livro
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15.1.06

Quercus robur em Souto de Bairros

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Carvalho roble ou carvalho alvarinho (Quercus robur L.) em Souto de Bairros, freguesia de Santiago de Bougado, concelho da Trofa. Com cerca de 200 anos, foi classificado de interesse público em 2002.
Mais informação sobre os Quercus robur (no Naturlink)

14.1.06

«Singelinha
Quando me acodem na berra
destas guerrilhas sem glória
saudades da minha terra,
põe-se-me a Musa remota
a trautear toutinegras
e dessas lembranças ledas
aconchadas em camélias
num rumor de frautas gregas
Sai-me a Ilha em pastorela.

Eram bosques refugiados
em altas ebúrneas névoas
e desses enovelados
torreões de criptomérias
veludos verdes tombavam
e no mar se desfiavam
em vastas músicas cérulas.

Eram, se a luz com mãos cheias
de safiras ocupava
águas em paz apuradas,
lagoas aleluiadas
entre fetos e conteiras.

Mas que frémitos de origem
nelas nos arrepiavam
se das rosas às azáleas
se faziam caminheiras
neblinas que as embuçavam
em iriadas poeiras.


Começos estarrecidos
nos chamavam em ladridos
por detrás dessas viseiras.


Eram pastos paulatinos
e neles vacas sineiras
espraiando em relvas fagueiras
um viço cheio de sinos.
E logo vinha o responso
em estrofes de estorninhos.
(...)
E já naquelas verduras
o marulho das maretas,
águas inteiras exactas,
ares, aromas, farturas
de acácias, cômoros, pratas
coalhadas nas calhetas,
destas minhas escrituras
eram as primeiras letras.

Ali singela me achei
porquanto pura me achavam
que modos de flor ganhei
no nome que me botaram.

(...)»
O Dilúvio e a Pomba, 1979-Natália Correia
in Poesia Completa. O Sol nas noites e o Luar nos Dias (Lisboa: Dom Quixote, 1999)

13.1.06

Assim era o Porto

«Uma cidade onde os habitantes conhecem as diferentes qualidades de rosas, as japoneiras que dão camélias, sabem o nome das árvores, o que se deve plantar na altura própria, cidade em que cada família tem a sua estufa, cultiva com carinho orquídeas e fetos de variada folhagem, onde as árvores de fruto são tratadas com a estima de pessoa amada e os horticultores recebem honras e medalhas de ouro pelas variedades de belas portuguesas, pelo colorido dos crisântemos, pelas formas raras de begónias. Uma cidade de árvores grandes tão ao gosto inglês, com chuva boa para fumar cachimbo, onde não se fala ao telefone horas seguidas.»

Ruben A
[extracto de O mundo à minha procura (1964) incluído na antologia Daqui houve nome Portugal]



Fotos: pva - camélias nos jardins da Casa Tait, a pedido de EP

12.1.06

Licença para florir

Chegou-nos ao conhecimento, não porque nos informassem mas sim porque a procurámos, a primeira boa notícia de todo o desgraçado processo de destruição da Avenida dos Aliados / Praça da Liberdade. Respirem fundo... aqui vai: as magnólias da Praça da Liberdade não vão ser abatidas; ficam onde sempre estiveram, e têm, ao que supomos, licença para florir. (Notícia completa, com todos os detalhes picantes, aqui.)

Terá sido o nosso abaixo-assinado, que terminava pedindo a preservação dessas mesmas magnólias, a comover os arquitectos? Não sabemos, porque cá abaixo, aos utentes do espaço público, não chega eco do que os arquitectos ponderam no seu Olimpo, mas apenas o resultado, livre de todo o contágio da leiga opinião, dessas subidas lucubrações.

Mas desta vez, contentes como estamos, não nos apetece refilar: vamos continuar a ter flores na Praça!

(Ouve-se um ruído semelhante ao de um rádio de ondas curtas mal sintonizado. A imagem fica tremida, depois granulada, varrida por ondas horizontais. Finalmente estabilizam som e imagem, mas ambas mudaram: estamos no Templo Sizento, feito de linhas rectas e superfícies lisas; a música é electrónica e monótona.)

- Ouvi bem o que disseram lá em baixo? Flores na Praça? Não lhes tinha dito para acabarem com essa pirosice?

- Terá havido algum lamentável equívoco, Senhor Arquitecto. Mas não são flores rasteiras, de canteirinho, e sim flores elevadas, que brotam de duas árvores junto à igreja. Além do mais, a floração mais vistosa dura só duas ou três semanas, e no resto do ano as árvores são verdes - e de um verde também elevado, como o Senhor Arquitecto mandou.

- Ah bom. Por esta vez passa, mas nada de repetirem a graçola.

11.1.06

ALIADOS - actualização

"Dressed to impress"


Bétulas em Vila Real (na Vila Velha ao pé do cemitério) - Dezembro 2003


Da minha "wish list":
...
bosque de bétulas
floresta de faias
...

10.1.06

Flor-de-São-João



Decidida a fazer-se notada quando as outras plantas hibernam, esta trepadeira vigorosa floresce exuberantemente no Inverno, o de cá ou o do Brasil de origem. Por isso, agora, apreciamos por aqui muros como este no Jardim Botânico do Porto, densamente cobertos de laranja e verde; em Junho, será a vez do Brasil, que se servirá destas flores para decorar os mastros das festas são-joaninas.

A Pyrostegia venusta (de Venus), da família Bignoniaceae, tem folhas trifoliadas, modificando-se ocasionalmente um dos folíolos em gavinha para a ajudar a subir; o seu nome significa cobertura formosa de fogo.


Fotos: pva 0512

9.1.06

As pompónias são campeãs




Já aqui foi aqui sugerida uma explicação para a corpulência de algumas japoneiras no cemitério do Prado do Repouso. Embora plausível, essa explicação deixa de ser suficiente quando notamos que as campeãs em tamanho, tanto no cemitério como noutros locais que nunca serviram para essa função, são sempre, entre nós, japoneiras da mesma variedade. Na foto, vemos duas das campeãs: a primeira no Prado do Repouso, a segunda na Quinta da Aveleda. Sem uma medição rigorosa, é difícil estabelecer qual das duas é maior: a do Prado aparenta ser mais alta, mas a da Aveleda é mais entroncada e de copa mais ampla.

Esta variedade destaca-se pelas flores de cor variável, a maior parte em vários tons de rosa, mas também as tendo imaculadamente brancas. Por isso não temos a certeza de qual o seu nome: pode até tratar-se da pomponia alba, pois não é invulgar as japoneiras perderem, com a idade avançada, algumas das suas características identificadoras.



Seja como for, a versão bicolor da pompónia, além de ser entre nós das japoneiras mais antigas e de crescimento mais vigoroso, é também das mais comuns: tanto no Prado do Repouso como na Aveleda há alamedas formadas quase exclusivamente por elas; já as fotografámos nos jardins do Palácio de Cristal; e, também no Porto, quem desce a rua do Campo Alegre pode vê-las - grandes, pontilhadas de branco e rosa - atrás do muro do Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, na esquina com a rua do Bom Sucesso.

Fotos: pva

8.1.06

«(...) ah, creio que passei a maior parte da minha infância em cima das árvores,


lá aprendi o vocabulário inglês e os verbos irrregulares latinos e fórmulas matemáticas e leis físicas como, por exemplo, a mencionada lei da gravidade de Galileu Galilei, tudo em cima das árvores, fazia os meus trabalhos de casa orais e escritos em cima das árvores, e com prazer urinava do cimo das árvores, fazendo um arco ruidoso e alto através da ramaria. »
(A História do Senhor Sommer, Patrick Süskind > , com ilustrações de Sempé)

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Beatriz e o Plátano de Ilse Losa

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«A história de uma menina - a Beatriz - que todos os dias vê diante da sua janela um enorme plátano, de tronco grosso e copa farta. Para Beatriz, aquela árvore fazia parte da sua vida, tal como um bom amigo. Ora, certo dia, as autoridades decidem deitar o plátano abaixo, a pretexto de árvore tão antiga não se enquadrar na moderna paisagem que elas tinham planeado para a cidade. E é a determinação da Beatriz em defesa do seu "velho amigo" que acaba por dissuadir as ditas autoridades de levarem a cabo o seu plano.» Edições ASA

Amanhã, na Escola, já sei o que vamos fazer: ler este livro de Ilse Losa ou outro que as crianças escolham. Na nossa Biblioteca não falta nenhum dos que ela lhes dedicou. Será o nosso modo de participarmos também no último adeus 'à fada madrinha'.

7.1.06

O apanhador de cogumelos

O mais difícil não é distinguir
entre um boleto pão-de-ló e um

boleto-de-satanás o mais difícil
não é andar quilómetros e quiló-

metros por uma floresta e chegar
ao fim com os pés enxutos.

O mais difícil é não sucumbir
à beleza desse mundo que se

alimenta de detritos em putre-
facção e onde não há flores

nem frutos.

Jorge Sousa Braga, Porto de Abrigo (Assírio & Alvim, 2005)


Fotos: pva 2005

6.1.06

A propósito do Jardim do Marquês

e da notícia que "requalificação do emblemático jardim já avançou" (re)ler Saudades do Marquês .


"Deitaram hoje abaixo a maior árvore do meu bairro!"

«... Não foi para passar uma estrada nova, nem para um novo edifício, nem porque estragava os passeios ou a estrada. Foi porque o projecto de requalificação não a pretendia ali. E foi mesmo abaixo. Estou a escrever-vos porque me parece que são das poucas pessoas que percebem totalmente como me sinto neste momento, e percebo também melhor o que têm sentido em relação aos Aliados e a outras situações de "requalificação". Envio fotos da infortunada árvore. Cumprimentos! Alexandre Leite (Fafe)»


Para este nosso amigo das árvores o ano não terminou bem e começou mesmo mal. E é com esta triste notícia que se inicia também no blogue a temível estação dos abates e das podas indiscriminadas das árvores. Não é suficiente estarmos alerta: eles têm a serra e a tesoura nas mãos e actuam sem avisar, impunemente, armados de uma ignorância e uma insensibilidade temíveis. Ainda hoje vi um chorão (Salix babylonia) barbaramente podado e há uma semana passei pela bela magnólia que no ano passado fora a primeira a florir nas redondezas e que agora vegeta com os seus "braços" decepados e sem flores no jardim do infantário.

Perguntamos a Alexandre Leite se alguém tinha avisado que iriam deitar abaixo o choupo. Eis a resposta: «O projecto de "requalificação" para o bairro incluiu alterações no sistema de esgotos e já que iam abrir a estrada, fizeram também uns passeios novos e um diferente ordenamento do estacionamento. Já agora, também fizeram um parque infantil no lugar de um outro que estava há muitos anos abandonado. Que eu saiba, a única informação que os moradores do bairro tiveram foi um cartaz que colocaram no início das obras. Esse cartaz, para além da indicação dos prazos e preço da obra, tinha algumas imagens feitas por computador de como iria ficar o "novo bairro". Na altura, reparei que no local onde estava este tal choupo que foi agora deitado abaixo, ele não estava representado. Via-se uma árvore de porte mais pequeno e mais centrada no espaço triangular onde ele se encontrava. Mas fiquei na dúvida se iam tirar de lá a árvore ou não. Podia ser simplesmente porque quem tivesse feito as imagens não tivesse uma imagem computorizada de uma árvore maior. Por essa altura mandei um email para a Câmara a perguntar o que estava previsto para aquele espaço. Se iam ou não deitar aquela árvore abaixo. Ninguém respondeu. Mandei depois uma carta. Podia ser que não tivessem recebido o mail... Ninguém respondeu. Uns tempos depois telefonei a perguntar se tinham recebido a minha carta e se iriam responder. Disseram que tinham recebido e que iam já tratar do assunto. Até hoje, mais nada.

Imagino que para muita gente tenha sido uma surpresa, o derrube da árvore. Da mesma forma que foram surpresa todos os outros pormenores das obras. Mas também, para alguns até terá sido uma boa surpresa. Disseram-me que um vizinho chegou a fazer um abaixo assinado para que se deitasse a árvore abaixo, já que iam mexer na zona. Parece que se sentia incomodado com o "algodão" que os choupos libertam. Mas também conversei com alguns vizinhos, antes de ela ser derrubada, que quando eu lhes dizia, que se calhar, iam deitar a árvore abaixo, consideravam uma asneira tirá-la dali.»

Publicado também no Dias sem árvores

5.1.06

Adamastor


Foto: pva 0510- Tecomaria capensis, Serralves

A Tecomaria capensis, uma bignoniácea do Cabo da Boa Esperança, é uma trepadeira que pode atingir 8 metros de altura, de folha perene composta e flores tubulares amarelas, cor-de-laranja ou escarlate. É muito resistente ao vento marítimo salgado, forma cortinas ondulantes em muros e escarpas e cria raízes quando toca o solo.

Esta planta avistou o primeiro português numa nau numa noite da Primavera de 1498. Vizinha de mares nunca de antes navegados, terá esculpido na costa colossos

De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.


Se a passagem do Cabo das Tormentas tivesse ocorrido de dia, em ondas calmas e sob um sol amigo, o Adamastor, que toda a Africana costa acaba e a quem tanta ousadia ofendeu, poderia ter-se revelado uma rocha alcantilada revestida com Tecomaria em flor. Mas, nesse caso, perder-se-ia a odisseia daqueles em quem poder não teve a Morte.

4.1.06

Green Man 4

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Quinta da Aveleda- Dezembro 2005

«The Green Man signifies irrepressible life. Once he has come into your awareness, you will find him speaking to you wherever you go.» in Green Man: The Archetype of our Oneness with the Earth, William Anderson. (Harper & Collins, 1990) > >

Green Man 1-Green Man 2 & 3
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3.1.06

A palmeira que canta


Foto: pva 0512

Há certos sons quotidianos que crescem devagarinho, sempre à mesma hora. Por vezes nem damos por eles, mesmo que nos sejam agradáveis, pois o nosso cérebro, pouco criterioso, acaba por filtrá-los juntamente com outros sons mais agrestes; mas, se parassem, ficava um buraco. Mais precisamente: se, ao fim da tarde, os estorninhos deixassem de cantar junto à minha janela ficava um buraco sonoro em forma de palmeira; ou então uma palmeira de filme mudo, anacronicamente a cores.

2.1.06

Arália-do-Japão



A semelhança entre a folhagem deste arbusto - folhas grandes, palmadas, lobadas, de pecíolo longo - e a do rícino poderia fazer supor que são parentes. A ciência classifica-os contudo em famílias distintas: a Fatsia é uma araliacea de origem asiática, género isolado, confinado a algumas ilhas do Pacífico, de que só se conhecem três espécies. No Porto é vulgar a espécie japonica, que vegeta bem em recantos de meia-sombra (como o renque que entremeia a alameda de plátanos à entrada do Palácio de Cristal) e cujas folhas coreáceas e luzidias parecem conferir-lhe natural protecção contra a poluição. As flores, que na Primavera o enfeitam profusamente, são brancas e formam pequenas umbelas; as mesmas que meses depois suportam os frutos, bagas redondas e negras.

A família Araliacea abriga árvores, arbustos e ervas famosas: ornamentais, como a Hedera helix (hera) ou a Schefflera actinophylla (árvore-guarda-chuva); ou com utilidade adicional como a Tretapanax papyriferum, chinesa, de que a medula macia dos ramos é a matéria prima do papel-arroz, ou herbáceas do género Panax cujos rizomas produzem o tónico ginseng.
Fotos: pva / mdlr

1.1.06

Em 2006...


em lugar de destaque na nosssa lista de votos, a esperança que deixem florir as magnólias
da Praça da Liberdade. Repararam? Já se estão a aprontar para a grande manifestação.
Elas... elas nunca nos deixaram ficar mal!



Publicado também nos ALIADOS (nos Aliados e na Praça da Liberdade já arrasaram com todos os canteiros excepto este onde se encontram estas duas magnólias mas que, de acordo com o sizento projecto, também tem os dias contados)
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