31.7.06

Caldas de Moledo - rolagem em "plátanos ancestrais"


Rolagem em plátanos e tílias- Caldas de Moledo - Janeiro de 2004 e Abril de 2006
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Quando ancestral deixa de rimar com ornamental...
Alguns dos plátanos ancestrais da Estância Termal das Caldas de Moledo- como são designados no site da Câmara Municipal da Régua - têm vindo a ser repetidamente submetidos a podas drásticas. Quando os vi pela primeira vez, em Janeiro de 2004, pensei que a rolagem tinha sido recente! Mas não, acontecera dois ou três anos antes, como me informaram da Junta de freguesia de Fontelas para onde telefonei. Segundo o mesmo funcionário, o problema tinha sido uma doença "de que se não lembrava o nome", diagnosticada por entidades competentes da UTAD -que, frisou, não tinham sido os autores dessas "podas entre aspas camarárias" (sic). Em resposta ao meu protesto e desgosto pelo tristíssimo e degradante espectáculo, a mesma pessoa afiançou-me que se lá fosse em Junho encontraria "as árvores compostinhas e tudo muito bonito".

Só voltei em Abril deste ano e ia prevenida por uma pessoa amiga que passa semanalmente pelo local: tal como nos anos anteriores, as árvores tinham sido de novo radicalmente podadas. Aliás não são os únicos plátanos de grande porte barbaramente tratados: na cidade da Régua é chocante a visão de exemplares que se adivinha serem centenários e terem sido gigantescos, com as copas truncadas. De referir em local público desta cidade, um plátano de 120 anos que se encontra num pequeno jardim (rua Dr. José de Sousa) e se salvou intacto da barbárie, provavelmente por ter sido classificado árvore de interesse público em 1999 (juntamente com um Cedrus deodara de 200 anos).

Agora que se fala de modo mais insistente sobre uma futura requalificação deste espaço histórico (ver aqui e aqui) haja discernimento suficiente para impedir que se repitam actos como este- e coragem para retirar as pobres árvores (pobres de nós) decepadas.

É pena que a legislação não preveja punição consequente para os responsáveis. E lamentável não se ouvir, não se ver mais gente a clamar contra atentados desta natureza.

Sabemos de alguém- caso ainda estivesse entre nós- que de certeza não se manteria calado: referimo-nos a um dos mais distintos contistas portugueses, João de Araújo Correia, duriense apaixonado pela sua terra e por árvores, e que muito apreciava o Parque de Moledo. O seu nome, aliás, foi atribuído ao "balneário principal"- «uma forma simbólica de lhe prestar uma homenagem (...) dado que nos arquivos consta que foi um dos Homens que muito lutou para que as Termas não conhecessem o desfecho "encerramento" » -como nos é explicado aqui (reportagem Notícias do Douro).

Adenda: ler- «O nosso único parque» por João Araújo Correia

Publicado também no Dias sem Árvores

30.7.06

Cacto-arminho



Sem folhas, este cacto anão mexicano (Mammillaria bocasana) é um arranjo em almofada de numerosos tubérculos que se assemelham a mamilos protegidos por espinhos que se soltam e espetam facilmente nos incautos. As flores de tom cor-de-rosa-pérola são obra dos invernos secos que temos tido e razão para esta ser das plantas mais populares entre os fãs das Cactaceaeas.

Como outros cactos, aprecia zonas rochosas e solo pobre. Contenta-se com «Uma casa que fosse um areal/deserto; que nem casa fosse;/só um lugar/onde o lume foi aceso, e à sua roda/se sentou a alegria»*.

*Eugénio de Andrade, O lugar da casa (in O sal da língua, 1995)

29.7.06

Desejo branco


Passiflora caerulea "Constance Elliot"

Uma coisa branca,
Eis o meu desejo.

Uma coisa branca
De carne, de luz,

Talvez uma pedra,
Talvez uma testa,

Uma coisa branca.
Doce e profunda,

Nesta noite funda,
Fria e sem Deus.


Dante Milano, Imagens (1948)

28.7.06

Passeio de Verão - Braga

Lago e Mata do Parque Natural do Bom Jesus do Monte

«O Bom Jesus é um sítio paradisíaco, superior na disposição da paisagem, na abundância e variedade da vegetação, no canto das aves e das fontes, aos mais famosos santuários de Itália.(...) » Teixeira-Gomes *

«No Verão, um grande número de portugueses vêm aí fruir um dos mais belos panoramas do mundo, com esplanadas encantadoras e veredas admiravelmente traçadas através de uma ampla floresta. (...) » Saint- Victor*
*citados por Sant'anna Dionísio in Guia de Portugal IV (Entre Douro e Minho II) , F. Calouste Gulbenkian

Fotos © manueladlramos - Julho 2006





















Um local a revisitar impreterivelmente, com o "trabalho de casa" feito- o que não aconteceu no domingo passado. Antes de lá voltar, gostava de encontrar mais informação sobre os jardins e a mata- constituída por árvores de porte assinalável como carvalhos, sobreiros, tílias, faias, sequóias (últ. imagem), etc..
Aqui ficam desde já estas fotografias, alguns apontadores-http://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Jesus, Parque Natural do Bom Jesus do Monte , Fotos do Bom Jesus-Braga no Flickr, e um pedido: alguém conhece alguma publicação em que se fale d(as árvores d)o parque do Bom-Jesus?
............
Adenda: O Bom Jesus do Monte- por Miguel de Unamuno (1908) (pdf)

27.7.06

A leste nada de novo

Os arbustos do género Clerodendrum, da família Lamiaceae, têm origem tropical mas adaptam-se bem ao pouco frio do nosso Inverno e chegam a exigir cuidados para não se tornarem invasores. Como lhes agrada especialmente o sol da manhã, ampliando mais a copa na direcção de leste, aconselha-se o seu plantio na face oeste de cercas ou pórticos. Das mais de 400 espécies, só conhecemos as destas fotos (da Quinta da Aveleda, em Penafiel, e do Parque do Arnado, em Ponte de Lima).



As folhas da espécie C. bungei (hortênsia-chinesa) são grandes, dentadas, verde-escuras e exalam um aroma almiscarado quando esmagadas; as inflorescências são erectas como espigas de milho, com flores tubulares de cor rósea agrupadas em corimbos densos. Aprecia o frio e multiplica-se facilmente por inúmeras mudas em torno da planta-mãe.



A trepadeira C. thomsoniae (lágrima-de-Cristo) é africana e não tolera geadas. Tem folhas brilhantes com nervuras vincadas e cada flor é um cálice branco insuflado com uma corola escarlate adornada de estames longos. Não é invasora: multiplica-se por alporques ou estacas cortadas após a floração e enraizadas em estufa.

Clerodendrum deriva do grego klêros, sorte, e déndron, árvore.

26.7.06

Araucárias de Angra




Em Angra do Heroísmo, e de facto em quase todas as povoações açorianas, as araucárias (A. heterophylla) avistam-se ao longe, erguendo-se bem acima do casario como mastros de embarcação fundeada. As das fotos nem são as mais notáveis, mas ilustram como elas se integram na vida quotidiana - civil ou militar - dessa cidade a meio caminho entre dois continentes: a primeira araucária acolhe uma esplanada na praça entre o Jardim Duque da Terceira e o Palácio dos Capitães Generais; a segunda, jovem e sonhadora, empoleirou-se no Monte Brasil a contar navios; e a terceira faz de sentinela à entrada da Fortaleza de São Filipe.

25.7.06

Provérbios- S. Tiago

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Foto joaoRedrose ( at gotaepinga.blogspot)

No S. Tiago pinta o bago.
No dia de São Tiago, a velha vai ao bago.
Pelo São Tiago, vai à vinha e prova o bago.
Pelo São Tiago, pinta o bago e cada pinga vale um cruzado.
Pelo S. Tiago na vinha acharás bago, se não for maduro será inchado.

Mais "Provérbios de Julho" - Os provérbios populares

24.7.06

Flor-de-mel




Os registos londrinos indicam que a Buddleja davidii, arbusto de origem chinesa, colonizou rapidamente lugares atingidos pelos bombardeios da 2.ª Grande Guerra. Este sucesso está talvez associado ao facto de em Londres a floração se dar em Julho-Agosto, coincidindo com a chegada às ilhas britânicas das Vanessas, borboletas migratórias vindas do sul da Europa que, inebriadas pelo aroma doce das flores, efectuam sem regateio a polinização cruzada destes arbustos.

As folhas da budleia são lanceoladas, opostas e muito penugentas na face inferior. As flores são minúsculas trombetas, com quatro pétalas brancas, cor-de-rosa ou roxas; agrupam-se em racemos cónicos dispostos nas extremidades de longos ramos, interpelando desse modo qualquer nariz que passe por perto.

Não há ainda acordo quanto à família a que pertencem as budleias. Alguns botânicos insistem em segregá-las na família Buddlejaceae, mas a semelhança genética com as Scrophulariaceas tem induzido uma revisão desta classificação.

O género Buddleja inclui cerca de cem espécies maioritariamente subtropicais, da América do Norte e Sul, África e Ásia, e o nome homenageia o Reverendo Adam Buddle (c.1660-1715), colector de ervas e musgos.

23.7.06

"Alquimista n'est plus"

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«15 mai 2006 : Me voilà rentré de ce magnifique voyage qui m'a remis sur pied. Je suis remonté petit à petit vers le nord-est en prenant des routes que je ne connaissais pas encore, pour finir dans les montagnes perdues entre Penamacor et l'Espagne, dans la serra da Malcata, endroit désert sauvage et grandiose. Je vous en ramène pour commencer un Florilège du Printemps en Alentejo.»

É assim que Dominique Delobel, o Alquimista, começa a última reportagem no seu "Carnet de Route d'un Voyageur solitaire en Algarve et Alentejo ..."

Talvez não haja sítio na net que retrate de modo tão genuíno e positivo o melhor do nosso país: cada fotografia é um hino à alegria de viver, à luz das terras do Sul e às suas gentes.
Soube aqui e apenas ontem do súbito falecimento do seu autor! É grande a consternação entre os seus amigos e mesmo aqueles (como eu) que o não conheciam pessoalmente, mas admiravam o seu trabalho, se sentem desolados.

22.7.06

O homem sonha, a obra nasce


Jardim da Cordoaria - Junho de 2006

Na pág. 38 do número de Julho de Porto Sempre, orgão impresso da Câmara Municipal do Porto, ficamos a saber que o Presidente da Junta de Freguesia da Vitória, António Oliveira, gostaria «de ver o Jardim João Chagas (Jardim da Cordoaria), projectado no âmbito da Porto 2001, alterado e transformado, por exemplo, num recinto desportivo com relva sintética ou num parque infantil». Sabendo como não são cordiais as relações entre Junta e Câmara, é preciso tomarmos esta informação com cautela: António Oliveira pode não querer todo o jardim convertido em recinto desportivo, mas apenas - e conforme anteriores declarações suas à imprensa - que ele seja ocupado parcialmente com esse fim. É como se, em vez de querer reconstruir a Torre dos Clérigos (situada também na freguesia da Vitória), adaptando-a a salão de festas com ganhos evidentes para a população local, ele apenas quisesse modernizá-la com elevador, marquises e ar condicionado.

Reconheça-se que a Cordoaria pós-2001 não é um lugar aprazível: vegetação sem cor e sem variedade, blocos tumulares de granito a fingirem de bancos, caminhos que não se entendem, solo artificializado assente sobre placas oscilantes, iluminação ineficaz, ausência de sanitários públicos. Mesmo com manutenção regular, o jardim seria sempre um caso difícil; o abandono a que tem estado sujeito exacerbou a degradação. Ultimamente, e perante a óbvia complacência da polícia, é mesmo usado como parque de estacionamento. Para que o jardim volte a ser atraente, é imperiosa uma intervenção de fundo que lhe restitua o carácter acolhedor, apagando as marcas do terramoto de 2001.

Apesar da descaracterização que sofreu, o Jardim da Cordoaria, construído na segunda metade da década de 1860, tem um valor patrimonial inestimável como um dos dois primeiros jardins públicos da cidade (só o de São Lázaro é mais antigo); a ele estão ligados os nomes ilustres de Alfredo Allen e do paisagista alemão Emílio David. Adulterá-lo ainda mais ou destruí-lo, como quer o presidente da junta, é acelerar o apagamento da história urbana do Porto.

Fazem falta às gentes da Vitória um recinto desportivo e um parque infantil? Pois bem, na extensíssima eira à frente da Cadeia da Relação cabe tudo isso e ainda sobra espaço para montar o palco em dias de arraial. Aliás, quando aí não funcionam a terceiro-mundista feira dos passarinhos ou o mercado de bugigangas (entretanto regressado às Fontaínhas), é precisamente esse o uso que desde 2001 tem sido dado ao largo pelas crianças da freguesia. Quantos joelhos e cotovelos esfolados não se teriam evitado se em vez de granito o revestimento fosse de relva?

21.7.06

Orelhas-de-leão


Leonotis leonurus

Esta herbácea da horta de Serralves é de origem sul-africana. As folhas são aromáticas, esguias e têm as margens crenuladas. As flores têm as 5 pétalas e as 5 sépalas unidas num tubo penugento laranja cujo topo parece uma orelhinha de leão; o arranjo das inflorescências numa cimeira verticilada é característico do género Leonotis.

A espécie Leonotis leonurus é usada popularmente em infusões para aliviar resfriados, na água dos animais para prevenir doenças e em cigarros como suave narcótico. Pertence à família Lamiaceae (ex-Labiatae), que inclui boa parte das saborosas ervas usadas na culinária mediterrânica e várias herbáceas perfumadas; entre elas, os conhecidos oregão, tomilho, alecrim, manjerona, hortelã, hissopo, rosmaninho, salva, manjericão, menta, marroio, bergamota, erva-cidreira e alfazema.

20.7.06

Novo índice- Araucaria

Nota: O género Araucaria pertence à família Araucariaceae que inclui o género Agathis (ver: Árvores do Jardim do Carregal #2 -Boa notícia ) e Wollemia (Um murmúrio do passado)

Links externos: Araucaria description (The Gymnosperm Database) ; Araucariaceae (in Arboles Ornamentales)

19.7.06

Araucaria classificada - Vila Praia de Âncora

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Classificada de interesse público em 1995, esta araucária habita um pequeno jardim na rua de 5 de Outubro em Vila-Praia-de-Âncora (Concelho de Caminha). Media então 45 metros de altura, 3.40 m. de perímetro (a 1.30 m. do solo) , 13 a 14 m. de diâmetro de copa e -segundo a placa "identificativa" que se encontra ao seu lado- terá sido plantada em 1886. Trata-se de um dos mais altos exemplares da araucaria mais comum em Portugal, a Araucaria heterophylla -o que não confirma o que diz a referida placa...-vulgo araucária-de-Norfolk, espécie originária da pequena ilha australiana de onde deriva a sua designação vulgar, e em cuja bandeira aparece representada.
Tentando ajudar M. Simões -que muito gentilmente nos enviou as duas fotos panorâmicas que publicamos- a encontrar informações sobre araucárias-de-Norfolk de porte semelhante transcreve-se o que Ernesto Goes diz no seu livro de 1986 sobre as dimensões de duas das mais notáveis destas araucárias em solo português: «O maior exemplar que conhecemos desta espécie situa-se no Parque de Monserrate em Sintra, próximo do Palácio, que tem 6. 25 m. de PAP, 44 m. de altura e 22 m. de diâmetro. Esta árvore deve ter sido plantada em meados do século passado, pelo primitivo proprietário desta Quinta, Sr. Francisco Cook, de nacionalidade inglesa. (...)
O segundo exemplar em grossura de tronco situa-se no Jardim do Monteiro Mor (Jardim do Museu do Traje) no Lumiar, em Lisboa. Trata-se da araucária mais antiga do país; plantada por Jacome Ratton no final do séc. XVIII, e também a primeira plantada na Europa ao ar livre. Tem presentemente 5, 93 m. de perímetro (PAP), 43.5 m. de altura e 20.2 m. de diâmetro da copa. (...) » (nota: de acordo com o site do Instituto Português dos Museus a data de plantação terá sido 1842 > cf. )


Araucária de Vila-Praia de Âncora- Araucaria heterophylla classificada de interesse público em 1995
Fotos: © manueladlramos e Manuel Simões - clicar nas imagens para aumentar

18.7.06

Do outro lado da Avenida



Em frente da buganvília que cresce abraçada ao plátano, do lado oposto da Avenida da Boavista, há prédios de muitos andares que ainda mais valorizam, pelo contraste, os jardins do Centro Condessa de Lobão. Um desses prédios, o último antes do cruzamento com a rua de António Cardoso, pertence, tal como o próprio Centro, ao Instituto de Segurança Social; tem entrada pela rua de António Patrício e é em parte redimido pelo pequeno mas variado jardim que delimita o parque de estacionamento. Além dos arbustos e árvores que se vêem na foto (lava-garrafas - ou Callistemon viminalis -, salgueiros-chorões, eucaliptos-de-flor e loendros), há hibiscos, azáleas, castanheiros, magnólias, tílias, robínias, plátanos e ainda uma pequena alameda de jacarandás. Essas plantas foram criadas nos viveiros do Centro Condessa de Lobão, muitas delas por um dos actuais professores da instituição, Manuel Fernandes, a mesma pessoa que em 1 de Julho aí guiou a nossa visita. Quando houver oportunidade, perguntarei ao Prof. Manuel Fernandes que carvalho é este de folhas descomunais (mais de 40 cm!) no jardim da rua de António Patrício. Pela semelhança com alguns que vi nos Kew Gardens, julgo tratar-se de um Quercus mexicano, mas não sei dizer qual a espécie.

17.7.06

Viúvas



Não foi fácil fotografar este exemplar da espécie Trachelium caeruleum. Competimos duramente, num corropio desaconselhável no Verão, com várias borboletas que, inquietas com a promessa de fama, se dividiam entre o dever de colaborar na polinização e o revolteio elegante e sedutor a que nenhum fotógrafo resiste.

Esta herbácea da família Campanulaceae, já com cerca de um metro de altura, acordou com o calor. O azul (do latim caeruleum) das flores faz coro com o das numerosas hortênsias que enfeitam as escadarias da mata e o bordo do jardim formal da Quinta de Sto. Inácio.

O género Trachelium (nome que alude ao formato tubular longilíneo das flores) é de origem mediterrânica, sendo frequente em zonas húmidas do Norte de África, e abrigando 3 espécies europeias. As folhas são serradas e alternadas, ganhando um tom avermelhado quando adultas. As flores têm 5 pétalas e um estilete longo que confere à inflorescência o ar cabeludinho que se nota nas fotos e que lembra os Centranthus.

16.7.06

A buganvília da Boavista

...avista-se de bem longe, mesmo quando não está acompanhada na sua "floração de papel" pelo jacarandá primeiro e depois, como é agora o caso, pelo eucalipto-de-flores-vermelhas.


Fotos © manueladlramos - clicar nas imagens para aumentar
Para além da sua dimensão assinalável, esta buganvília tem a particularidade de se apoiar num plátano e por ele subir, evidenciando nisso a sua verdadeira natureza de trepadeira.
Na visita efectuada a este local há exactamente duas semanas, ficámos a saber que o terreno onde se encontram- a buganvília e o plátano- e que é usado como parque de estacionamento, pertence ao Centro Condessa de Lobão, o que, dado o carinho e orgulho que nesta casa têm pelos jardins e pelas suas árvores, poderá contribuir para que sejam protegidos e escapem durante mais algum tempo a uma eventual voragem "requalificadora".
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15.7.06

Buganvílias



«Nossa casa é antiga, embora não secular - explicava-me aquela senhora - e o senhor sabe como essas construções antigas têm pé direito alto, um despropósito. Nossos dois andares enfrentam bem uns três dos edifícios vizinhos. Isso lhe dará uma ideia da altura de minhas buganvílias, pois as raízes delas se misturam com os alicerces, e temos praticamente dois telhados: o comum, e esse lençol rubro de flores, quando vem pintando a primavera.

Não, não pense que as flores cobrem o telhado: elas formam o seu teto especial, no terraço, dominando a pérgula - e a boa senhora sorriu - que o antigo proprietário fez questão de construir, para dar um ar meio silvestre, meio parnasiano, àquela superfície árida de ladrilhos. Nossa casa está longe de ser bonita, embora eu goste muito dela; e quando as buganvílias funcionam a todo vapor, na florescência, não imagina como a nossa modesta alvenaria se transforma numa coisa espetacular, todo aquele dilúvio de escarlate que a brisa do Brasil beija e balança, os ladrilhos também se deixam atapetar de florinhas, e até o cãozinho, indo brincar no terraço, costuma voltar trazendo no pêlo branco manchas encarnadas de primavera. Caem florinhas nas panelas da cozinheira, cá em baixo, e se a gente deixar entreaberta a janela do banheiro, pode tomar seu banho de Bougainvillea spectabilis Willd., ou que nome tenha; sei que é uma nictaginácea, ouviu?

Tudo isso é simpático, mas tem os seus inconvenientes. Quando nos instalamos, um mestre-de-obras ponderou: "Eu, se fosse madame, cortava essas trepadeiras. Veja como os troncos encorparam, e como as paredes vão trincando. A raiz está abalando tudo." Não tive coragem de matar uma planta de Deus, aliás duas, subindo lado a lado, confundindo lá em cima os galhos e fazendo de nossa casa um coisa diferente, no cinzento da zona Sul (os moradores dos edifícios garantem que, vista do alto, a casa vale muito mais do que vista da rua, por causa das buganvílias, que fazem bem aos olhos). E depois, já tivemos que sacrificar a goiabeira para abrir mais uma caixa d'água subterrânea, Deus nos perdoe. Não, as buganvílias, não. A casa pode vir abaixo, e seremos soterrados sob tijolos e flores, mas todo o poder às buganvílias!

Há dias foi engraçado, porque convidamos um casal para almoçar, e já na horinha me lembrei que não tínhamos flores em casa. Fui comprá-las correndo, mas a greve da Leopoldina acabara com elas, ou era a própria greve das flores, que pediam aumento de orvalho; não havia uma triste corola à venda. E não era dia de feira no bairro, de sorte que não se podia recorrer a flores de calçada. Voltei de alma ferida, porque se pode trabalhar sem flor, dormir sem flor, mas comer sem flor é desagradável, tira o sal. Estava imersa em vil desânimo, quando me pousou no nariz, trazida pelo vento, a florinha da buganvília, cujos ramos estão explodindo de vermelho, entre pinceladas verdes. Voei ao quarto de depósito, saí de lá brandindo a escada de três metros, e icei-a na pérgula. E com o risco de romper o esqueleto, pois escada de casa velha também é velha e desconjuntada, aos olhos divertidos ou indignados da vizinhança, fui ceifando com tesoura aquele mar de florinhas sanguíneas. Enchi duas cestas enormes, e nunca minha casa ficou tão bonita como enfeitada assim à última hora, sem gastar um cruzeiro; o casal ficou encantado, mas que beleza de flor, então eu expliquei que buganvília não tem propriamente flores, tem brácteas, que são folhas iguais às outras, mas valorizadas pelo vermelho. Deu tudo certo, e eu senti que os imensos pés de buganvília me agradeciam e pagavam dessa maneira a decisão de poupar-lhes a vida até a consumação dos séculos - ou da nossa velha casa, que elas vão destruindo poeticamente.»


Carlos Drummond de Andrade - Fala, amendoeira (1957)

14.7.06

CCDRN: o gosto de proibir # 2

Está na altura de regressarmos, passadas já três semanas, ao caso dos jardins da CCDRN, um património que esse organismo quer vedar abusivamente ao usufruto público, privatizando-o em benefício dos seus funcionários e dirigentes. O uso que faço da palavra privatizar não é retórico: a CCDRN, na placa com que pretende proibir os utentes de aceder aos terrenos da Casa Allen à face da rua António Cardoso, escreve, em lapsus linguae revelador, que esse jardim é particular.

Seguindo a sugestão da Carla, escrevi, no dia 27 de Junho, uma carta ao Presidente da CCDRN sobre o acesso público ao jardim. Duas semanas depois, ainda não tive resposta - e ficaria na verdade muito surpreendido se alguma vez a tivesse.

Eis a carta na íntegra:

Exm.º Senhor Presidente da CCDRN
Rua da Rainha D. Estefânia, n.º 251
4150-304 Porto

Porto, 27 de Junho de 2006
Assunto: acesso público ao jardim da CCDRN


Exm.o Sr. Presidente:

O jardim da sede da CCDRN, à rua da Rainha D. Estefânia, é um exemplo precioso da arte dos jardins portuenses na viragem dos séculos XIX e XX. Como outros jardins da zona do Campo Alegre, hoje pertença da Universidade do Porto (como o Jardim Botânico, o Círculo Universitário ou a própria Faculdade de Arquitectura), insere-se num percurso histórico e patrimonial que recorda o que foram os grandes jardins privados de ilustres famílias portuenses como os Andresen, os Burmester e os Allen. Há traços comuns a todos esses jardins: as inúmeras camélias de porte arbóreo, o coleccionismo de árvores exóticas, a presença de estufas de aclimatação, os canteiros desenhados a buxo. Todo este património merece ampla referência no livro Jardins Históricos do Porto (edições Inapa, 2001), da autoria de Teresa Andresen e Teresa Portela Marques.

É pois natural que os turistas ou simples cidadãos que se interessem por jardins e valorizem este património queiram visitar, como parte do referido percurso, os jardins da CCDRN. E uma visita só não chega, pois os jardins mudam com as estações do ano e cada visita traz a sua surpresa. A mais recente e desagradável surpresa que tive foi a de ser impedido pelo vigilante de serviço, na passada sexta-feira, de visitar o jardim da CCDRN; e ontem uma amiga minha viveu igual experiência. Já antes, e incompreensivelmente, era proibido fotografar o jardim; agora também é proibido vê-lo.


É estranho que, funcionando na sede da CCDRN um centro de documentação aberto ao público ao qual o acesso se faz pelo jardim, se queira impedir o mesmo público de frequentar o jardim. Será para que não se veja o uso pouco digno que lhe tem sido dado, ocupado como está em grande parte pelo estacionamento?


Seja como for, esta atitude da CCDRN (semelhante à que o mesmo organismo tomou em relação ao jardim da Casa Allen, à rua de António Cardoso) é lesiva do natural usufruto, por parte dos cidadãos, de um espaço com alto valor patrimonial que estava, até há bem pouco tempo, aberto a quantos o quisessem admirar. Apesar de ser co-autor de um livro (À Sombra de Árvores com História, edição de 2004, já esgotada, da associação Campo Aberto) onde também se mostra e fala da monumental canforeira no jardim da CCDRN, não lhe peço autorização especial para frequentar o jardim. O que lhe peço é que esta decisão de o privatizar em benefício exclusivo da CCDRN e dos seus colaboradores seja anulada, e que ele volte a ser visitável pelo público em geral.

Agradecendo a atenção dispensada, apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,
Paulo Ventura Araújo

13.7.06

Rosa - citações

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Rosas e rosáceas - claustro da Sé Velha de Coimbra
«L' histoire de la rose exigerait à elle seule, un livre...» (Gubernatis, 1878)

«Mystic, beautiful, with our faces againts theirs, we drink the breath of the earth that has turned to spirit; inhaling their fragance, we taste the air of paradise.» (Skinner, 1911)
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12.7.06

Rosas para Santa Isabel # 3

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Depois da espera e dos preparativos finalmente a procissão: à passagem do andor enfeitado com centenas de rosas, as pessoas lançam pétalas sobre a Rainha Santa e pedem bençãos.


Fotos: manueladlramos-Julho 2006- Procissão da Penitência -Coimbra - clicar nas imagens para aumentar
Ver aqui mais fotos desta e da procissão solene de domingo- por Paula Almeida e aqui reportagem n'asbeiras online.

Rosas para Santa Isabel # 1 -Rosas para Santa Isabel #2

Rosas para Santa Isabel # 2

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Em Coimbra, de dois em dois anos nas Festas da Rainha Santa, enquanto a cidade devotamente espera, fazem-se os preparativos para o grande momento: a chamada Procissão da Penitência em que a imagem de Santa Isabel sai do Convento de Santa Clara-a-Nova e é levada até ao outro lado do Mondego, onde permanece na Igreja da Graça até ao Domingo seguinte.
Rosas são simbolicamente levadas pelas pessoas que assistem ou integram o cortejo e às centenas enfeitam o andor da Rainha Santa Isabel
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Esta é personificada por crianças de todas as idades, por jovens e mulheres envergando os trajes em que tradicionalmente é representada a Santa.

A presença das crianças tem o condão de tornar festivos momentos de grande penitência.

Fotos: manueladlramos- Julho de 2006
Ver aqui mais imagens das procissões e da Rainha Santa -in Passear por Coimbra

Rosas para Santa Isabel # 1

11.7.06

Bambú-celeste

Sejamos francos: as visitas a Amarante não são apenas para rever um belo plátano ou nos embrenharmos no Parque Florestal de nariz arrebitado pelo aroma a ananás das numerosas pseudotsugas. Há por lá uns docinhos de fabrico caseiro temperados pelas brisas do Tâmega que nos fazem vencer alegremente as léguas entre Porto e Amarante. E no fim não contam só como pecados. Senão vejamos.

Depois de enchermos a barriguinha de lérias, barrigas-de-freira, brisas, galhofas, queijinhos e papos-de-anjo é imperioso caminhar. E foi num desses passeios junto ao rio que encontrámos vários exemplares floridos de Nandina domestica.


Nandina domestica

O género Nandina, da família Berberidaceae, tem uma só espécie (mas dezenas de variedades) originária da China e Japão. De folhas tripinadas, com folíolos lanceolados, tem um hábito que faz lembrar o do bambú se não for podado como sebe, o que infelizmente acontece com frequência por ser arbusto entouceirado. De folhagem semidecídua, rubra com o frio, floresce exuberantemente no Verão e enfeita-se de bagas alaranjadas no Outono.

No Japão a Nandina domestica é considerada herbácea da sorte, sendo cultivada, desde o século XIII, em nichos de sombra debaixo dos pórticos. Os frutos são usados tradicionalmente para aliviar a asma.

O nome do género deriva do japonês nandin; o latim domesticus significa caseiro, familiar.

10.7.06

Plátano de Amarante


Fevereiro de 2006 / Junho de 2006

Para quem chega de comboio, este largo é a sua primeira imagem de Amarante. O que não é, convenhamos, uma experiência entusiasmante ou que faça jus aos reais encantos da cidade; por isso, talvez nos alegre saber que a frase inicial deste texto está completamente errada. É que ninguém chega a Amarante de comboio: o ronceiro veículo que percorre o que resta da linha do Tâmega, entre Livração e Amarante, não é um comboio, mas sim uma automotora diesel; que, de facto, transporta pouquíssimos passageiros. Tão poucos que na estação já nem a bilheteira abre.

Mas este largo ostenta um monumento que vale bem uma visita: não o edifício da estação, e muito menos o medonho prédio fronteiro onde funciona um dos dois shoppings de Amarante. Trata-se, isso sim, de um plátano: uma árvore soberba, altiva como são os plátanos quando não lhes tolhem o crescimento. Numa cidade onde as árvores nas ruas são regularmente cortadas à escovinha, a sua existência é verdadeiro milagre de São Gonçalo.

9.7.06

Rosas para Santa Isabel # 1

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«Ó minha Rainha Santa
Coração das boas obras;
Para matar a fome aos pobres
O pão transformaste em rosas. »

Nesta quadra- patente numa das imagens (1ª foto) de Santa Isabel que enfeitam em arranjos floridos dezenas de montras das lojas da cidade de Coimbra- invoca-se o mais popular dos milagres* atribuído à Rainha Santa, cantado e contado popular e eruditamente vezes sem conta.



Montras em Coimbra invocando a Rainha Santa Isabel e o Milagre da Rosas
Fotos: manueladlramos- Julho de 2006 - clicar nas imagens para aumentar
Rosas com rosas se pagam, e esta flor reina com a Santa por toda a cidade, adornando inúmeras pequenas esculturas, pinturas e fotografias- a maioria das quais reproduz a estátua de Santa Isabel, da autoria de Teixeira Lopes (encomendada ao escultor pela Rainha D. Amélia). Esta figura da venerada Rainha Santa é o centro de muita atenção e de sentidas devoções, no alto do pesadíssimo andor enfeitado com cerca de 1500 rosas, que hoje, a partir das 18 horas, percorre de novo em procissão as ruas da cidade, regressando ao Convento de Santa-Clara-a Nova (ver foto panorâmica) de onde saíu com igual pompa e circunstância na passada quinta-feira, 6 de Julho.
Uma digníssima e comovente homenagem que de dois em dois anos é prestada àquela que ainda em vida já chamavam Santa, e que, depois de morta, se tornou padroeira da Coimbra, protectora de Portugal, mensageira da Paz.
*Que antes dela, segundo a tradição, também outras santas tenham transformado a sua dádiva de caridade em flores- nomeadamente Santa Isabel da Húngria (1207-1231), por sinal tia avó de Isabel de Aragão (1271- 1336), Santa Cassilda de Toledo (? ca.1107) e Santa Godelieva (1045-1070) (cf. fonte)- não afecta minimamente a extraordinária onda de devoção pela "Rainha Santa", nem o invulgar rol de atributos desta dona e grande senhora da Idade Média.

Ler Unidos na devoção; Uma Rainha aclamada em fé (n'O Primeiro de Janeiro)
Ver
Fotos da Procissão e da Rainha Santa (in Passear por Coimbra)

E ainda:
Rainha Isabel's Roses (no mt. especial Human Flower Project) ;
e
Estórias Curiosas - IV (Milagre das Rosas) (no histórias e sabores)

8.7.06

Madressilva-dos-Himalaias


Leycesteria formosa

O género Leycesteria, da família Caprifoliaceae, contém meia-dúzia de espécies dos Himalaias e sul da China. As folhas são opostas, pontiagudas e escuras, a folhagem de hábito pendular. As flores, brancas na espécie L. formosa, nascem em cachos suportados por brácteas cor de vinho. O nome do género homenageia William Leycester (1775-1831), juiz na província de Bengala.

O exemplar da foto é do Jardim Botânico do Porto, fotografado no ano passado por esta altura. Este ano, por causa das obras, só na estação dos frutos este arbusto se poderá exibir aos visitantes.

7.7.06

Botânico em obras


Jardim das suculentas em 31 de Dezembro de 2005

O Jardim Botânico do Porto fechou para obras no final de Junho; mas, além dos avisos de obras, o visitante desprevenido não encontra qualquer cartaz anunciando prazos, explicando o projecto, ou pedindo desculpa pelo incómodo. Sabemos, porém, que a intervenção deve prolongar-se até Outubro, permanecendo entretanto o jardim encerrado ao público. Segundo escreveu Teresa Andresen em Julho de 2003 (há três anos!) na revista Jardins, a equipa responsável pelo projecto é constituída por ela própria como coordenadora, pelos arquitectos paisagistas Teresa Portela Marques, Ana Catarina Nunes e Luís Guedes de Carvalho, e ainda pelo botânico Paulo Alves. Eis algumas das passagens mais significativas desse artigo:

«(...) Os objectivos principais do projecto de recuperação são:

  • Conservar o jardim recuperando o seu carácter específico de jardim botânico e a sua função associada à investigação e ensino da Botânica, por um lado, e ao conhecimento mais geral das plantas, por outro (...);

  • minimizar condicionantes de impacto negativo no jardim, particularmente o ruído que se faz sentir a partir da via de cintura interna;

  • reforçar o papel do Jardim Botânico na qualificação da imagem da cidade e, em particular, no Pólo III Universitário em que se insere.
A recuperação da vegetação constitui, naturalmente, um dos aspectos mais significativos pois será decisiva na reabilitação do jardim. Pretende-se assim: reinstalar e/ou melhorar as colecções de plantas nos jardins formais e no arboreto, nomeadamente renovar a colecção de gimnospérmicas cujos exemplares, devido ao apertado compasso de plantação, não encontram condições para se desenvolverem adequadamente; aumentar a colecção com espécies de interesse botânico e/ou ornamental e espécies autóctones que, presentemente, quase não integram a colecção; aumentar a colecção de cactos e suculentas, uma das mais emblemáticas do jardim, e recuperar a estufa; proceder a tratamentos de conservação da colecção de camélias, na sua maioria formando sebes talhadas de grande distinção e valor ornamental e que constitui um dos conjuntos mais significativos do jardim e mesmo da cidade; renovar a colecção de arbustos dos bosquetes envolventes à casa, na sua maioria compostas por azáleas e rododendros, mas que apresentam sinais de envelhecimento ou problemas fitossanitários. Pretende-se ainda criar uma colecção de herbáceas vivazes de flor.

Para o sucesso da intervenção ao nível da vegetação (...) torna-se igualmente necessário proceder a trabalhos de recuperação, adaptação e reconstrução das estruturas construídas - pavimentos, muros, escadas, etc. - e de edifícios como a estufa de suculentas, à renovação de infra-estruturas - nomeadamente instalação de rede de rega automática e revisão da rede de drenagem - e à instalação de novo equipamento - bancos, papeleiras, sinalética. (...)»

6.7.06

Rosa, rosas - no dicionário

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Sentido figurado e expressões idiomáticas
«Rosa fig. (...) Pessoa que pela sua idade e beleza faz lembrar o viço e a cor das rosas. Mulher formosa (...)
Rosas fig. Alegrias, venturas: Nem tudo são rosas na vida.
Dia, manhã, tarde de rosas: Dia, manhã, tarde serenos, tépidos, sem vento, sem nuvens.
Mar de rosas: sereno, chão.
Ver tudo cor-de-rosa: ser optimista.
Prov. Não há rosa sem espinhos, não há alegrias sem contratempos. (...)»
in Lello universal : Dicionário enciclopédico luso-brasileiro (ed. de 1930)

Em Língua Francesa:
«(...) voir la vie en rose, voir tout en rose: ne considérer que le bon coté des choses, être très (trop) optimiste.
voir l'avenir en rose: être confiant dans l'avenir. » ( rose- Wiktionnaire)

Em Língua Inglesa:
usa-se a expressão idiomática "no bed of roses" antónima de "a bed of roses" ;-) que significa "a pleasant or easy situation" e terá tido origem no verso "And I will make thee beds of roses... " - do poema intitulado "The Passionate Shepherd To His Love" (1599) de Christopher Marlowe's (fonte); ver tb. sobre a utilização desta imagem na cultura Pop > .

Clicar na imagem para aumentar
Da mesma série: Amêndoas ; Castanha ; Epítetos para árvores
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5.7.06

"Mignonne, allons voir si la rose ..."

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Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avait déclose
Sa robe de pourpre au soleil,
A point perdu cette vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vôtre pareil.

Las ! voyez comme en peu d'espace,
Mignonne, elle a dessus la place,
Las, las ses beautés laissé choir !
O vraiment marâtre nature,
Puisqu'une telle fleur ne dure
Que du matin jusqu' au soir !

Donc, si vous me croyez, mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse :
Comme à cette fleur, la vieillesse
Fera ternir votre beauté.

"Ode à Cassandre"
Pierre De Ronsard (1524-1585)
Les Odes... -Livre Premier, XVII (pg.117)


Fotos: rosas de Maunette no "jardim das Laranjeiras"
Maud, comme je n'ai pas trouvé une vraie "Rose Pierre de Ronsard" pour t'offrir, j'ai pensé, bien sur, à ce poème (et comme ce jour est le tien je n'ai pas eu à me décider sur le "s"...) .
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4.7.06

O Marquês não volta mais



O Jardim do Marquês, recém-recuperado pela Metro do Porto, a mesma empresa que quase o destruiu, não foi pretexto para qualquer cerimónia de cortar-a-fita: simplesmente tirou-se a vedação, permitindo-se assim o regresso dos frequentadores. Pode atribuir-se esta discrição à modéstia, mas também observar-se que, quatro semanas após a abertura, os trabalhos de jardinagem ainda não parecem concluídos, persistindo, em algumas das zonas verdes, o castanho do solo despido. Avanço ainda assim com uma opinião, pois se esperasse até tudo estar pronto o assunto perderia oportunidade. Oxalá parte das críticas falhem o alvo: seria sinal de que aquilo que falta fazer é melhor do que deixa adivinhar quanto já foi feito.

Mantendo-se embora o coreto, os bancos (antes vermelhos, agora verdes), as palmeiras e quase todos os plátanos (alguns, porém, muito maltratados), o carácter do jardim foi irreversivelmente transformado: as saudades do Marquês afinal não têm cura. A fonte circular transferida da Praça D. João I, dividindo-se em dois patamares, é mais alta, limpa e moderna do que a sua antecessora; a água, em vez de esguichar debilmente, jorra agora do patamar superior em vistosa abóboda; em redor da fonte, o desaparecimento de vários plátanos e a supressão da bordadura florida criaram uma clareira ensolarada, muito diversa do aconchego romântico de outrora.

Além do respiradouro gradeado, abriram-se no jardim dois acessos à estação do metro. O efeito não é intrusivo, pois arredaram-se as saídas para a periferia (uma a nordeste, outra a sudoeste), e camuflaram-se os muretes de protecção com duas longas sebes de camélias. Sem se prejudicar a circulação dos utentes, e respeitando-se a simetria do desenho original, aumentou-se visivelmente o espaço reservado à vegetação. Dois plátanos enfraquecidos, mas preciosos pela sombra que asseguram, foram escorados com cabos para evitar o seu abate. Camélias às dúzias, plátanos amparados na velhice: são setas que me apontam ao coração, deixando-me quase incapaz de dizer mal.

Mas algum mal é preciso dizer, pois o efeito geral do jardim não é agradável. Faltam ainda muitas plantas nos canteiros; mas, se não se diversificar a sua escolha, ou se os espaços agora vazios se destinarem a relvados, o resultado final não é promissor: demasiado buxo, algumas piracantas, umas ervitas rastejantes; tudo de um verde monótono, impenitente, sem alegria, que o colorido das flores sazonais - aqui proscritas tal como sucedeu nos Aliados, Rotunda da Boavista, Cordoaria, Avenida Montevideu, Praça do Infante, etc. - nunca irá aliviar.

É trágico que o espaço público do Porto esteja refém de arquitectos guiados por uma ideia desvairada e obsessiva: a de que os canteiros floridos são incompatíveis com a modernidade. Enquistados na sua bisonha auto-suficiência, deles não podemos esperar que algum dia abram os sentidos ao fascínio das flores; mas que a cidade seja por eles condenada à mesma cegueira é de um despotismo insuportável.

3.7.06

Camarões e flamingos


Justicia brandegeana

Encontrámos recentemente em locais distintos dois arbustos cujo parentesco se adivinhou por um pedacinho das respectivas flores. Trata-se de um exemplar de Justicia brandegeana e outro de Justicia carnea. Em ambos as inflorescências são longas e muito vistosas, com cinco sépalas a formar um cálice, havendo no primeiro brácteas ovais em nuances de ruivo que se sobrepõem e formam um tubo que parece um camarão, e no segundo espigas densas terminais de flores de um rosa acetinado que faz lembrar o dos flamingos. Além disso, a corola é feita de um par de línguas finas (brancas no primeiro arbusto, cor-de-rosa no segundo) que formam um varandim coberto: o tecto tem agarrados os estames, o chão é um alpendre convidativo para insectos e colibris. Quando um insecto se decide por uma visita, aterra na pétala inferior fazendo oscilar o conjunto, garantindo que o topo toca no dorso do bichano e que aí deposita uma gota de pólen; quando este insecto aborda outra flor, liberta pelo mesmo processo o pólen que transporta. Truques para uma polinização cruzada bem sucedida.

A Justicia brandegeana é mexicana, e a J. carnea brasileira. Pertencem à família Acanthaceae (como os Acanthus mollis), e devem o nome ao naturalista escocês James Justice (1698-1763), amador que se especializou no cultivo de bolbos e frutas exóticas. Apreciam bordaduras ou canteiros soalheiros, embora tolerem a sombra, e solo permeável e bem irrigado: justamente o que vai faltando na cidade.


Justicia carnea

2.7.06

A nossa pequena antologia: Sophia de M. B. Andresen-2

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Paisagem
O nosso jardim de Sophia
Jardim reservado
No Jardim dos "Jotas"
Para minha imperfeição
Lanterna chinesa
A nossa pequena antologia

O rei de Ítaca
Novembro
a noite de Natal

Sophia de Mello Breyner Andresen
6 de Novembro 1919 -2 de Julho de 2004
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Begonia tuberosa



Lua de prata de leite
Que tens um ar de amarela,
Quem foi que te pôs de enfeite
Ao céu, se não és estrela?

Fernando Pessoa (1934)

1.7.06

731 dias com árvores

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Este blogue fez ontem dois anos!
Esperamos que o espírito das plantas -do licor que escolhemos para celebrar- lance sobre tod@s nós a sua benção.

(Não era por falta de licor de pilritos que íamos deixar de comemorar ;-)
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