22/03/2005

Folhas novas #2



Foto: pva 0503 - folhas e flores do Quercus robur

O verde fresco e vibrante das folhas novas do carvalho-alvarinho (Quercus robur) é a mais promissora das cores iniciais da Primavera: árvore emblemática do norte e centro do país, o carvalho é vida pujante pela sua longevidade e resistência, e firme sustento de vida pela abundância das suas sementes.

No Porto não há muitos dos nossos carvalhos, mas os poucos que há bem merecem uma visita:

1) O Largo Abel Salazar (ao Hospital de Santo António) viu terminar em Outubro passado, com três anos e dez meses de atraso, a odisseia da sua requalificação. Apesar de o arranjo do Largo, na continuidade do novo Jardim da Cordoaria, ser um desgosto, quase todos os carvalhos sobreviveram às obras e aos maus tratos, e quatro jovens exemplares foram acrescentados ao conjunto. Tirando estes últimos, já todos os carvalhos do largo exibem folhagem nova.

2) Ainda na cidade, há bonitos carvalhais no Parque de Serralves e na Quinta do Covelo. Aliás, um dos propósitos das obras em curso em Serralves é o reforço da flora autóctone, com natural destaque para os carvalhos. Quanto à Quinta do Covelo, é deplorável que em anos recentes tenham sido plantados na mata vários carvalhos americanos (Quercus rubra): ora essa mata é um dos últimos resíduos de vegetação natural em todo o Grande Porto, e é óbvio que a sua renovação se deve fazer com plantas autóctones (carvalho-alvarinho, sobreiro, pinheiro-manso, etc.) criadas a partir de sementes colhidas no local.

3) É preciso sair do Porto para encontrar carvalhos centenários que encham as medidas da nossa admiração. Os nossos favoritos são os de Viseu (Quinta do Fontelo e Parque Aquilino Ribeiro) e os da Quinta da Aveleda, em Penafiel.

21/03/2005

Dia Mundial da Poesia

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Poesias no Dias com Árvores
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Dia Mundial da Floresta

  • .Árvores, Florestas e Homens (J.Neves Vieira) no Naturlink «O Engenheiro José Neiva Vieira apresenta-nos a origem das comemorações do Dia da Floresta, dos cultos ancestrais da árvore e da floresta à história das comemorações, que em Portugal se realizam desde 1907.»

Árvores do Jardim do Carregal #8



Fotos: pva 0411/0502 - Chamaecyparis lawsoniana - Jardim do Carregal e Palácio de Cristal (Porto)

(...)«salsinha» é só salsa picada ou um nome genérico para tudo que num prato é puro adorno. (...) Os defensores da salsinha dizem que ela só existe para bonito, o que só confirma nossa posição: o enfeite não serve para nada e rouba espaço da comida. Mas na cozinha mais preocupada com estética do mundo, a japonesa, é raro se ver salsinha. Você encontra pássaros diáfanos feitos de nabo ou pagodes de gengibre na beira dos pratos, é verdade, mas aí não é mais salsinha. Aí é filosofia.
Luis Fernando Verissimo

A folhagem da Chamaecyparis lawsoniana, perene, escamiforme, disposta em ramagem achatada e rendada como a das avencas, e os cones que parecem novelos pequeninos e se agrupam nas pontas dos ramos, fazem esta conífera assemelhar-se aos ciprestes (cyparis) e às tuias, que são de facto da mesma família (Cupressaceae). Mas a copa densa é piramidal, o hábito é pendente e este género pode atingir 50 metros de altura. O ritidoma descasca-se em tiras, deixando ver o tronco avermelhado, que frequentemente se ramifica desde a base, formando apêndices colunares que rastejam (a palavra grega chamai significa justamente deitado no solo) antes de ascender e lhe dão aspecto de âncora (ou candelabro ou tromba de elefante, as opiniões aqui dividem-se).

No Porto esta espécie frondosa ornamenta muitas praças e jardins. Os exemplares da primeira foto, com cerca de 20 metros de altura, vegetam no Jardim do Carregal e apresentam um porte notável, o que confirma o apreço deste género por climas amenos e solos húmidos mas bem drenados como foi o da zona do Carregal até o caudal do rio Frio ser desviado.

Esta espécie é conhecida como cedro-branco (mas não é um cedro) e é originária da América do Norte. Crê-se que chegou à Europa em 1854 e que as primeiras sementes bem sucedidas foram plantadas por Charles Lawson, que lhe dá o nome.

Diz quem entende de perfumes que as folhas desta resinosa têm aroma de salsa.

Anteriores na mesma série: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7

20/03/2005

Domingo de Ramos - tradições

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Enquanto que o Natal é uma festa fixa, a da Páscoa é móvel, tendo a sua data sido determinada pelo Concílio de Nicéia (325), para o domingo que se segue à lua cheia do equinócio da Primavera. Uma semana antes celebra-se o Domingo de Ramos, que este ano coincide pois com o início da Primavera (hoje, precisamente às 12,30 ;-)
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Por todo o país multiplicam-se as cerimónias litúrgicas que marcam o início da Semana Santa e comemoram a entrada de Jesus em Jerusalém onde foi acolhido pela população que entoava cânticos e acenava com ramos de palmeiras e oliveiras, segundo relatos da Bíblia e de outros textos. Ponto alto das celebrações é a benção dos ramos seguida (ou não) das chamadas procissões dos ramos, que por vezes têm designações específicas em algumas regiões (como por exemplo em Tavira onde se chama "Procissão do Triunfo").

Tradicionalmente, os "ramos" podem ser simples, de palmas ou de oliveira, ou formados também por outras espécies como loureiro, alecrim e rosmaninho. Também ocorrem enfeitados com flores, frutos, laços; em algumas localidades, distinguem-se o ramo simples, o" ramo de andor" e o "palmito", sendo estes últimos elaboradas peças de artesanato (como acontece por exemplo em Ribeira Lima, em Caminha e em Porto Santo, só para referir três sítios com informação na WWW).

Nas procissões desfilam os ramos que previamente foram benzidos na igreja e que depois, são levados para casa para protegerem e darem sorte (ver como é em Tortosendo, Beira-Baixa, por exemplo); outros ramos são destinados aos padrinhos que em troca oferecem o folar ou dão "as amêndoas" (termo que no plural pode significar, neste contexto, "qualquer oferta que se faz pela Páscoa".)

Saindo das tradições portuguesas, e porque já aqui se falou do seu célebre "Palmeral" , património da humanidade desde 2000, refira-se, para terminar, a "Procesión de las Palmas", ponto alto da celebração do Domingo de Ramos em Elche, município de Valencia (Espanha).

Adenda (21-03-05): Em certos lugares, nomeadamente na cidade, as pessoas não levam os seus ramos: nas próprias igrejas podem "colher" o seu ramalhete dos grandes ramos de oliveira (e de alecrim, etc..) postos à sua disposição.
(Depois em casa, o ramito ainda pode ser distribuído pelos membros da família, interessados. A mim calhou-me esta amostrinha. "Olha que está benzido!". Claro! É para dar sorte ;-)
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19/03/2005

Conteiras - oportunidade única!

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É só para avisar (os aficionados ;-) que, como podaram as conteiras (Melia azedarach) de Antunes Guimarães, há muitos galhos no chão e podem colher-se os frutinhos à mão cheia! Para quem não sabe, os caroços das drupas da conteira, também chamada amargoseira, mélia e árvore-dos-rosários (ver aqui uma foto), serviam justamente para se fazer "rosários", devido à facilidade com que se podem enfiar.

Eu depois conto mais. Agora vou para a colheita!

P.S.: 1-Os frutos são tóxicos, por isso a apanha e a preparação (até o caroço ficar limpo) não é uma actividade para crianças que não consigam controlar a vontade de os meter à boca. De qualqer modo são intragáveis, daí o nome de amargoseira!

2- Aliás pode fazer-se com eles un insecticida de largo espectro para plantas.
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Árvores que dão pássaros

ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM PÁSSAROS E ÁRVORES QUE
O POETA REMATA COM UMA REFERÊNCIA AO CORAÇÃO

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem com a poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo, Homem de Palavra[s] (1970)

18/03/2005

Que grandes podas!

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O dia até tinha começado bem, com uma certa qualidade... mas imagens como as que LFV publicou no Cabo Raso dão-me a volta à boa disposição e começo logo a trocar os pês pelos éfes.
Haveria mesmo necessidade de podar deste modo as tílias da Praça da República?

Já uma vez publicámos fotografias de tílias podadas e não podadas em Lamego em que se via a diferença; bem sei que nas da Praça da República a poda não foi tão radical, mas volto a repetir: haveria mesmo necessidade de as decotar assim?!
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Rua com qualidades



Fotos: pva 0503 - flores de loureiro e camélia na rua Miguel Bombarda (Porto)

No meu trajecto diário percorria de uma ponta à outra a rua D. Manuel II, com paragens para saudar as tílias (as jovens, à entrada da rua, e as veteranas, junto ao Palácio) e comprar o jornal na loja do gato preto. Mas agora que arrancaram as tílias, o gato se fez absentista, e os passeios foram convertidos em labirintos poeirentos, um tal percurso seria um mau começo de dia para quem não abdica de dar descanso à indignação.

Desvio-me então pela rua Miguel Bombarda. Os mais distraídos alegarão que a rua não tem árvores, que os prédios são feios, que os passeios são estreitos e, pelo menos de um lado, sempre ocupados por carros. Tudo isso é verdade, mas:

- como o trânsito é pouco, caminho à vontade (em contra-mão) pela faixa de rodagem;

- vejo na montra da Assírio & Alvim (que está fechada de manhã) os livros que poderei comprar ao fim da tarde, no regresso a casa (truque excelente para um dia positivo, o de saber que ele terminará com a posse do livro desejado);

- uma sebe de loureiros debruça-se, estridente de chilreios, do muro no troço final da rua, largando folhas estaladiças que dá gosto pisar e, agora que a floração está no auge, carregando o ar de perfume;

- logo a seguir, para terminar a rua em beleza, há as camélias ao cimo de um discreto lanço de escadas, incluindo a que dá a flor na foto e me parece muito rara (rara por si mesma e pela surpresa de estar onde está).

17/03/2005

"A árvore e a cidade" - Joaquim Vieira Natividade

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«Uma das coisas que desfavoravelmente impressiona quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo. Há quem fale, à boca pequena, de atávicos instintos arboricidas, o que é desprimoroso, antipático, quando não degradante e sinistro, porque pode levar a crer que, apesar de baptizados e de nos termos por bons cristãos, de todo nos não libertámos ainda dos vícios e das tendências ingénitas, da infiel moirama. Para se contornarem os melindres, recorramos, não já ao neologismo "arborifobia", porventura também cruel, mas a eufemismos suaves e eruditos, como a dendroclastia, para traduzir o desamor de muitos dos nossos municípios pela árvore ornamental.

Em boa verdade, por esse País fora, em tantas caricaturas de jardins a que se dá por vezes o nome de parques municipais, raro se nos depara uma árvore verdadeira, uma árvore autêntica, em todo o esplendor da majestosa arborescência; a árvore esbelta, digna, umbrosa e acolhedora, orgulho da Criação. Onde acaso existiu, poucas vezes escapou a brutais mutilações que a transformaram em grotesco Quasímodo, sem o mínimo respeito pela dignidade do mundo vegetal. Nos jardins, em lugar da árvore, plantou-se um reles ersatz, uns arbustozitos burlescos, quase bobos arbóreos, tão inúteis que nem dão sombra a uma pessoa crescida: as tais falsas acácias de importação, maneirinhas, embonecadas, dengosas, com o ar, não de fazerem parte do jardim, mas de terem ali ido, em passeio, exibir ramagem, com a sua "permanente" manipulada no salão de qualquer coiffeur arborícola municipal.

Compreende-se, num povo de fraca cultura, o desamor instintivo ao marmeleiro e ao castanheiro, árvores estas consideradas, desde remotos tempos, estimáveis ferramentas de educação e esteio dessa vida patriarcal, austera e digna, que os velhos, ao olharem o que vai pelo mundo, recordam com saudade e respeitoso enlevo.
Já se não compreende, todavia, que se mutilem ou suprimam sem piedade o ulmeiro, o plátano, o umbroso freixo, o álamo esbelto, os nobres e austeros ciprestes, os cedros, os carvalhos e tantos outros soberbos gigantes vegetais que, estranhos, embora, muitos deles à nossa flora, encontraram na Lusitânia como que a sua segunda pátria.


Num país castigado por uma ardente canícula, dir-se-ia que temos horror à sombra; onde se pediam arvoredos frondosos e acolhedores, o ninho de um oásis a suavizar as inclemências do estio, fizemos terreiros imensos, cruamente ensoalheirados e inóspitos; quando tantos dos nossos monumentos lucrariam com uma nobre moldura vegetal que acarinhasse e aquecesse a frieza da pedra ou por vezes quebrasse, com a cortina da folhagem, a monotonia das grandes massas arquitectónicas, e num ou noutro caso escondesse até a sua real pobreza; quando a presença da árvore exaltaria o poder evocador e o poético encanto que emana de tantas ruínas, como acontece aos templos perdidos nos bosques sagrados da Grécia nós, pela calada, metodicamente, cinicamente, fomos degolando, mutilando, rapando tudo o que tivesse jeito de árvore para não prejudicar as "vistas", tal como faria qualquer ricaço de letras gordas aos empecilhos que ofuscassem ou escondessem os arrebiques pelintras do seu chalet.

O que haveria a dizer sobre as grandezas e as misérias da árvore nas cidades e nas vilas de Portugal!»

Joaquim Vieira Natividade , "A árvore e a cidade", 1959
(republicado in O Culto da Natureza, 1976)

16/03/2005

"Sizentismo"

Já se criaram partituras sem notas, quadros sem cor, livros sem palavras, filmes sem imagens - e os artistas que desse modo levaram a criação às fronteiras do nada ficaram na história como visionários. O problema é que, uma vez assimilada a presumível intenção irónica do gesto, a repetição está fora de causa: ou se desiste de criar, ou se regressa a formas mais convencionais de expressão.

Mas há uma arte (a arquitectura) e um país (Portugal) em que o nada continua a render, e onde os artistas que o praticam, quais alfaiates do rei-que-vai-nu, explicam com minucioso detalhe a uma plateia reverente todos os subtis cambiantes do vazio. E o nada, na versão do pronto-a-vestir arquitectónico para espaços públicos, é uma calçada lisa de granito, sem réstia de ornamento em que a vista possa repousar. Vai ser assim a nova Avenida dos Aliados, como já o são a Cordoaria, o Carmo e muitos outros locais da cidade.

É preciso dizer claramente que a arte que assim destrói o espaço público não presta: é irrisória, é arrogante, é desrespeitadora da cidade e da sua memória; é infinitamente inferior à arte dos calceteiros que compuseram os expressivos desenhos que serão imolados ao cinzento uniforme do granito, e à dos jardineiros que mantêm pacientemente os canteiros agora proscritos.

P.S. 1) A crer na maquete do projecto, as duas magnólias junto à Igreja dos Congregados, a branca que se vê na foto e outra rosa mais jovem, também estão condenadas. Mas quem as manda florir tão escandalosamente? Não sabem elas que os arquitectos do dream team (como lhes chamou o nosso Presidente da Câmara) abominam flores?

2) Até que a voz nos doa. Não é esta a primeira vez, nem será infelizmente a última, que escrevemos sobre o floricídio que vai avassalando a cidade: confira aqui e aqui.


Fotos: pva 0502

15/03/2005

Suggia

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Busto de Guilhermina Suggia com araucária ao fundo nos jardins do Conservatório de Música do Porto.
(Entrada dedicada à Associação Guilhermina Suggia pela boa notícia ;-)

14/03/2005

Dos jornais - ainda a Quinta de Marques Gomes

Com o título Palacete da Quinta Marques Gomes poderá ser restaurado ainda este ano, apareceu hoje no Comércio do Porto uma desenvolvida reportagem sobre este amplo espaço verde em Gaia. Já antes aqui alertámos para a importância da preservação desta quinta num concelho tão carecido de espaços verdes públicos, mas a notícia apresenta o projecto de urbanização (da responsabilidade do ESAF - Espírito Santo Fundos Imobiliários, SA) como irreversível. A recuperação do palacete é uma boa notícia, embora se receie que essa seja a moeda de troca para autorizar a destruição do que a quinta tem de mais valioso (que não é propriamente a mata, em grande parte invadida por acácias, mas sim os terrenos agrícolas e a vista sobre o estuário do Douro).

«It is difficult to realize how great a part of all that is cheerful and delightful in the recollections of our own life is associated with trees.» ~Wilson Flagg

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13/03/2005

Folhas novas


Foto: pva 0503 - Acer japonicum

Fins de fevereiro. Saí para te esperar. Vi folhas novas num arbusto da alameda - isso mesmo, aquele que dá os copos, que à noite cheiram alto - e senti-me rejuvenescido. Voltei para casa e até me esqueci de ver o correio.

Ruy Belo, Imagens vindas dos dias (in Homem de palavra[s], 1970)

12/03/2005

Descendo das alturas


Fotos: pva 0503 - Narcissus spp.

A consciência cívica não nos permite que obriguemos os nossos leitores a adoptar, em permanência, uma postura que lhes pode provocar maus jeitos e dores nas articulações. Não nos referimos ao modo como se sentam ao computador quando navegam pelo nosso e por outros sítios virtuais - pois sobre isso não nos cabe dar conselhos -, mas sim às 2+7 palmeiras Washingtonia robusta aqui divulgadas, tão absurdamente altas que não podem ser observadas, ao pé e de corpo inteiro, sem um esforçado contorcionismo que põe o nariz no prolongamento em linha recta do pescoço. Para não criar vício de postura, convém ver uma só palmeira de cada vez e não exceder um período moderado de observação; e, nos intervalos de se olhar o céu, deve-se olhar o chão. Com essa descida abrupta do ângulo de visão não se perde tempo, pois o chão, se bem escolhido, também é rico em possibilidades didácticas. Por exemplo, em Serralves, junto ao roseiral (de onde estas fotos não são), o chão debaixo do grande castanheiro está salpicado de narcisos brancos e amarelos. Rasteiros, efémeros, cada rebento deixando pender a sua flor com o saiote da corola sob o cálice estrelado, são uma dádiva para quem anda de olhos no chão. Os outros, distraídos e aéreos, além de não os verem ainda chegam a pisá-los.

11/03/2005

Ao longe as magnólias em flor ...

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Fotos: mdlramos 0502 - Via Panorâmica (Porto)
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10/03/2005

Ramada Alta

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Foto mdlramos: 0402

Pode ler-se num jornal da cidade que, no âmbito do processo de acompanhamento do estado sanitário do arvoredo, a Câmara do Porto decidiu abater um dos liquidâmbares localizados na Praça Coronel Pacheco e uma tília de grande porte, no Largo da Ramada Alta. Estas árvores, parte da memória da cidade, deveriam ser alvo de medidas que lhes melhorassem a saúde e evitassem a solução drástica do abate. Ficamos aturdidos com um tal desbarato do nosso património.

Sobre a tília, e o Largo da Ramada Alta, escreveu João de Araújo Correia em Pó levantado (1970):

Sempre que passo à Ramada Alta, nas minhas idas ao Porto, fico encantado com aquele recanto de província, miraculosamente conciliado com a passagem de tanto automóvel. Digo entre mim: qualquer dia, desaparecem a capela e aquelas duas árvores, aquelas duas tílias que lhe fazem sentinela. O largo, que ainda se chama largo e que até se chama da Ramada Alta, nome antigo, de arredor de cidade, morrerá ou se crismará em praceta, sem capela e sem árvores ou só com dois palitos, floridos de cimento, como homenagem à natureza extinta. É preciso que a Ramada Alta mude de nome, que não cante ali nenhum pássaro, nem ali se fabrique, em folha natural, o velho oxigénio, um anacronismo, e que o ar se polua e engrosse com as emanações de tanto automóvel. Só assim o larguinho, com o nome de praceta, merecerá o bilhete oficial, que o acredite como coisa citadina. (...)

Sempre que passo à Ramada Alta, fico encantado com aquele pedaço de coisa antiga ainda viva e até com o seu ar de vivedoira. (...) Começa hoje a pensar-se, lá fora, que o melhor processo de fixar boa gente, nas cidades, é não as desfigurar. Se o mau urbanismo as desfigura, substituindo por monstruosidades as coisas graciosas, o morador que trabalha foge para o campo. Se lhe falta ar respirável, ar de família, emanado de alguma coisa velha, com sua tradição, deserta. Entrega a cidade ao banditismo, que se apodera de bairros construídos, de um dia para o outro, por arquitectos sem alma.

O Porto, que vai sacrificando a um progresso mal compreendido os seus velhos palácios, que arranca árvores por dá cá aquela palha progressista, vai perdendo, de ano para ano, o ar tripeiro. Começou a perdê-lo com a destruição do convento da
Avé Maria, o prolongamento da Praça da Liberdade e o suplício do palácio de Cristal. Substituiu-o por horroroso sapo-concho. A população do Porto aumentou muito nos últimos anos. Mas, se o Porto se envergonhar da fisionomia tripeira, verá o que lhe pode acontecer. Obrigará à deserção os que se não contentam com o funcional. (...)

O Largo da Ramada Alta, se não morrer (...), será um elo capaz de prender ao Porto uma ou duas almas incompatíveis com o banditismo.

09/03/2005

As sete magníficas

......................................from above and from below.



Fotos: mdlramos 2004
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As sete palmeiras do Palácio de Cristal -a que gostamos de chamar "as sete magníficas"- são da espécie Washingtonia robusta, uma das duas únicas espécies da América do Norte que constituem o género criado em 1879 por H. Wendland para abrigar estas palmeiras anteriormente incluídas no género Pritchardia (de W.T. Pritchard, missionário protestante envolvido na colonização do Taiti). A designação do género pretendia homenagear G. Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos.
aqui falámos de dois belíssimos exemplares destas palmeiras, vulgarmente denominadas palmeiras-do-México ou palmeiras-de-leque mexicana (em língua inglesa Mexican fan palm e também Skyduster palm) consideradas por alguns botânicos uma variedade da Washingtonia filifera, a palmeira da Califórnia (de que no Porto também existem belos exemplares). Diferencia-se desta pelo seu espique mais esbelto e mais alto, e pela maior robustez do seu crescimento, daí o designativo da espécie. As suas folhas costapalmadas (em forma de abano) estão dispostas numa coroa mais estreita e apresentam muito poucos filamentos brancos ao contrário da sua congénere W. filifera.
A sua introdução na Europa foi mais tardia e deve-se ao intrépido botânico checo Benedikt Roezl *(1824-1885) que enviou as suas sementes depois de ter encontrado a espécie nas margens do rio Sacramento em 1869. Árvore ornamental de eleição é bastante rústica e muito resistente ao vento.

No Jornal de Horticultura Prática que amiúde mencionamos, e que constitui uma fonte preciosa para a história da Horticultura e da Jardinagem em Portugal, a referência à espécie Washingtonia robusta surge em 1888, num interessante artigo de Jules Daveau, na altura jardineiro chefe do Jardim Botânico da Escola Politécnica de Lisboa, cargo que ocupou de 1876 a 1892**. Nesse texto, intitulado simplesmente "Washingtonia", o autor que, vem a propósito lembrar, é o responsável pelo traçado da emblemática "rua das Palmeiras" desse jardim, depois de discorrer acerca da Washingtonia filifera, «introduzida no mercado em 1871», e informar sobre a constituição do novo género para acolher estas palmeiras anteriormente classificadas como Pritchardia, descreve detalhadamente a espécie tão bem representada no Palácio de Cristal.
Esta era então uma novidade que entusiasmava os amadores e profissionais por exceder «a sua congénere em elegância, vigor e rusticidade» segundo as palavras do distinto jardineiro que nos dá conta também das suas experiências: «Cultivando esta bela aquisição em Lisboa só há poucos meses, nada podemos dizer por experiência, a não ser que, em menos de oito meses, as nossas plantas se desenvolveram com um vigor que as tornou desconhecidas (sic).» (Ob. cit., p.117)

* Ler Benedikt Roezl - botánico y explorador ; Benedikt Roezl- Portrait d'un fou
**Ler por C.N. Tavares a História do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa (in O Reino das Plantas, Triplov)

(Post-scriptum: estava desde Setembro para escrever sobre estas palmeiras ;-) após a leitura duma entrada publicada por Jorge Ricardo Pinto quando ainda animava o Avenida dos Aliados. Este apontamento é apenas um pretexto para fazer uma ligação para o referido texto e manifestar as nossas saudades.)

08/03/2005

Parques em Revista- a ler

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A edição americana da National Geographic tem neste número de Março uma reportagem sobre Frederick Law Olmsted (1822-1903) e a sua paixão por parques. Trata-se do autor do Central Park, "America's best known landscape architect. Writer, engineer, and visionary, (who) became a driving force behind many of America's urban parks. ". "He was convinced that natural beauty could improve human nature." escreve a certa altura John G. Mitchell autor do artigo.

O número de Março da edição impressa portuguesa traz uma reportagem sobre o chamado pulmão de Lisboa : "Septuagenário, ameaçado, mas sempre activo, o Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, esconde mil e um segredos."

Interessante também (e apenas nos referimos à temática que nos ocupa no âmbito do blog) o artigo sobre as espécies invasoras .
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07/03/2005

Índice de autores - actualizado

Ver (actualização anterior em Novembro 2004)

Palmeiras de auto-estrada



Fotos: pva 0503 - Washingtonia robusta - Vila Nova de Gaia

Desde 1963, ano da inauguração da Ponte da Arrábida, e até quase final da década de 80, a única auto-estrada do país, embrião da futura Porto-Lisboa, compunha-se de dois troços desconexos: do Porto, ela partia da Via Marechal Carmona e, atravessado o rio, ia terminar poucos quilómetros depois nos Carvalhos; quem continuasse viagem tomava a EN1 e só reencontrava a auto-estrada já com Lisboa à vista.

Nesse tempo que hoje parece tão recuado, «auto-estrada», aqui a norte, era pois um substantivo próprio, designando uma bem determinada pista de aceleração que não enchia as medidas dos nossos heróis do volante. Agora que a fome se fez fartura quase apopléctica, há ainda quem não esteja satisfeito - e, por querer «deixar obra feita», prossiga com denodo até ao completo asfaltamento do país.

Há mais de quarenta anos que estas palmeiras (Washingtonia robusta) numa quinta próxima dos Carvalhos são vizinhas da auto-estrada; e isso é muito tempo, mesmo para quem, como elas, ultrapassou um século de vida. Incrivelmente esguias e flexíveis, agitam o seu penacho de palmas a uma altura improvável, e até os aceleras mais ensimesmados lhes terão por vezes concedido um micro-instante de atenção.

A Washingtonia robusta é originária do México (daí o seu nome vulgar palmeira-de-leque-mexicana) e só foi introduzida na Europa no último quartel do século XIX. Estes dois exemplares parecem-nos ainda mais altos do que as sete famosas palmeiras da mesma espécie no Palácio de Cristal, das quais falaremos proximamente.

[A oportunidade de visitar e fotografar estas notáveis palmeiras deveu-se ao Eng. Paulo Almeida, a quem muito agradecemos.]

06/03/2005

A "palmeira furtiva" ao longe

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Foto: 0404

Depois de ler a descrição do quintalito encravado lá no alto do paredão (e os comentários), procurei-o em algumas fotografias tiradas do cimo da Torre dos Clérigos, e encontrei esta. Será o que se avista no centro da fotografia (assinalado com uma seta) o tal «exíguo torrão» por detrás da Estação de S. Bento, na Rua da Madeira, onde «há um quintal com couves, uma palmeira e meia dúzia de arbustos»?

Palmeira de sete cabeças


Foto: pva 0502 - Phoenix reclinata na Rotunda da Boavista (Porto)

Congénere da palmeira-das-Canárias, a tamareira-do-Senegal (Phoenix reclinata) é uma palmeira que em geral brota em múltiplos espiques, que inclinam graciosamente as coroas de palmas que os encimam. A formação destas touceiras de caules recurvados permite distingui-la da verdadeira tamareira (Phoenix dactylifera) que tem folhas de um verde azulado e é usualmente solitária. As folhas são pinadas, de 2-3 metros de comprimento, com espinhos em vez de folíolos na base; as drupas alaranjadas, comestíveis e parecidas com tâmaras, pendem de cachos que lembram vassourinhas de contas. Como todas as palmeiras do género Phoenix, é uma espécie dióica, exibindo inflorescências femininas amarelas muito vistosas que nascem nas axilas das folhas.

O conjunto da foto mora no jardim da rotunda da Boavista. Tem tolerado o frio da cidade, de que naturalmente não gosta, sobreviveu à invasão da rotunda por automóveis, que perturbou por alguns meses a sua calma existência, e foi poupada durante a recente requalificação do jardim, que porém despiu de flores o canteiro onde vegeta.

A foto mostra também parte do alinhamento de liquidâmbares, aqui ainda sem as folhas do ano, que circunda o jardim; e, ao fundo, uma rampa novinha bastante reclinata. Não servindo, pela inclinação tão acentuada, para peões normais, este apêndice da Casa da Música tem porém uso assegurado. Com a progressiva mineralização de muitas praças na cidade, antes ajardinadas e agora, graças ao progresso, transformadas em vastas eiras de pedra, o gosto pelas várias formas de patinagem tem-se acentuado entre os jovens portuenses, que adoptam estes desertos como amplo espaço de treino. A prova maior da modalidade poderá fazer-se nesta rampa de luxo, disputando a internacionalização com a corrida de donas elviras e o afamado desfile de Pais Natais.

05/03/2005

Saudades do Sul...

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Foto mdlramos: 0408- Phoenix canariensis na Guia (Albufeira)
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Os nomes das árvores: Palmeira-das-Canárias

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Se bem que vulgarmente sejam chamadas árvores, as palmeiras não o são e distinguem-se destas, entre outras razões, por não terem ramos e pelas características do seu caule (que se denomina espique e não tronco) sem anéis de crescimento, nem ritidoma, e constituído pela sucessão das bases foliculares.
Na altura em que Lineu as designou como "Principes plantarum", o mundo ocidental apenas conhecia cerca de 15 espécies. Actualmente estão classificadas na ordem das Palmales limitada à família denominada Arecaceae (também conhecida por Palmaceae e Palmae) que contem cerca de 200 géneros e mais de 2500 espécies.

A Palmeira-das-Canárias (Phoenix canariensis) é a espécie do género Phoenix mais plantada para fins ornamentais no nosso país devido à sua beleza e robustez. Pode confundir-se por vezes com a sua congénere, a tamareira (Phoenix dactylifera), mas os frutos são insípidos, tem um espique mais espesso e menos alto, e as características folhas pinadas (em forma de pena) são de um verde mais intenso e brilhante.
A designação do género é aliás o termo grego para a palmeira-tamareira e está relacionado não com a ave mítica renascida das cinzas mas com a Fenícia donde os gregos pensavam que era originária.
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Nas Ilhas Canárias de onde é oriunda esta espécie e onde pela primeira vez foi identificada pelo botânico inglês Philip Parker-Webb em 1840 (Cf. Brosse,2000), faz-se a extracção da seiva das palmas que depois de tratada fica reduzida a uma espécie de mel.

Ler Phoenix canariensis in the Wild (artigo originalmente publicado em Abril de 1998 na revista da International Palm Society)

04/03/2005

Palmeira furtiva


Foto: pva 0501 - Phoenix canariensis na Rua da Madeira (Porto)

A Rua da Madeira, que vai da estação de São Bento à Praça da Batalha, é um lugar quase secreto no Porto: evitada pelos transeuntes usuais, corresponde, numa cota inferior, ao logradouro da Rua 31 de Janeiro; e, como as traseiras não se mostram às visitas, foi-se nela cristalizando, muito anos antes de se falar da crise da Baixa, um ar de abandono e marginalidade. A ironia é que agora a degradação alastrou à sala de visitas: na Rua 31 de Janeiro fecharam a livraria Bertrand e a discoteca Santo António, multiplicaram-se bazares de quinquilharias, e várias montras foram entaipadas. Visíveis intermitentemente entre os automóveis estacionados no passeio, uns inexplicáveis carris, onde nunca passaram nem hão-de passar eléctricos, descem da Batalha para falecer subitamente ao fundo da rua.

Subindo a Rua da Madeira desde S. Bento não a desvendamos por completo, pois o segredo que ela é oculta outros segredos: do lado esquerdo vigiam-nos prédios escalavrados em equilíbrio duvidoso; do direito acompanha-nos o alto paredão sobre o terminal ferroviário até que, acima da bocarra do túnel, outros prédios se interpõem na nossa vista. Que esconderão estes prédios? Que haverá nas traseiras das traseiras? Esta coisa precária e ternurenta: num exíguo torrão cravado no granito que forra o túnel, há um quintal com couves, uma palmeira e meia dúzia de arbustos. Ficar aqui, neste posto de vigia debruçado vertiginosamente sobre a estação e coroado por uma palmeira intemporal, a ver os comboios chegar e partir: que melhor imagem de uma nostalgia sem remédio?

03/03/2005

As Palmeiras dos Leões- Postal antigo

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Bilhete postal sem data (colecção particular) ; fotógrafo desconhecido.
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«Quando a jardinagem florista se afasta das culturas vulgares, torna-se uma especialidade e imprime um certo cunho particular, que na linguagem hortícola se chama estilo.
Este estilo pode determinar-se pela moda, pela natureza dos lugares ou simplesmente pelo capricho do jardineiro, embora sujeito a certas e determinadas regras.
A sua invenção ou aplicação, apropriada às circunstâncias, é uma de gosto e imaginação.
É isto que notamos no jardim ultimamente traçado na Praça dos Voluntários da Rainha*, e elegantemente delineado pelo bem conhecido jardineiro-paisagista Jerónimo Monteiro da Costa.

O passeio é formado por dois grandes arrelvados, aos lados da taça, tendo no centro um forte exemplar da esbelta Palmeira Phoenix canariensis, e, fazendo cortejo a estes príncipes do reino vegetal, algumas Azaleas, Thuyas aureas, Roseiras e outras plantas de ornamento.
A taça que existe na praça quase que perde a sua mesquinhez, pois é realçada pelo arrelvado de forma oval que a circunda, e que é guarnecido de maciços compostos de Iresines diversas e de Gnaphalium, desenhando os mais bem combinados mosaicos e produzindo os efeitos mais surpreendentes.»

Joaquim Casimiro Barbosa, in Jornal de Horticultura Prática", 1888 (vol. XIX, p. 162).

*Actual praça de Gomes Teixeira, também conhecida por praça da Universidade ou dos Leões, que na altura e desde 1832, apesar de ostentar havia já dez anos o chafariz com leões alados, se chamava Praça dos Voluntários da Rainha (por ser o local onde se exercitavam os militares desse batalhão).

A Praça dos Leões hoje em dia: Descubra as diferenças !!!

A propósito de Jerónimo Monteiro da Costa e do seu legado ler: Árvores do Jardim do Carregal #3 e O Parque de Vizela 120 anos depois .
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02/03/2005

Forests Forever - um site

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«Your dream forest may lie within.
The forest you have entered in your dreams.
An irreplaceable treasure,
our's children inheritance.»

(Via Ondas2 ,-)
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Retrato


Foto: pva 0502 - Cryptomeria japonica «Elegans»

O meu perfil é duro como o perfil do mundo.
Quem adivinha nele a graça da poesia?
Pedra talhada a pico e sofrimento,
É um muro hostil à volta do pomar.
Lá dentro há frutos, há frescura, há quanto
Faz um poema doce e desejado;
Mas quem passa na rua
Nem sequer sonha que do outro lado
A paisagem da vida continua.

Miguel Torga, Diário VI (1952)

01/03/2005

E então as camélias?



Fotos: pva 0502

Claro que somos parte interessada, mas temos que admitir, por muito que isso custe à nossa esforçada isenção, que a visita de sábado ao Viveiro Municipal correu mesmo bem. Mais de sessenta pessoas vindas dos mais diversos pontos do país (Porto e Lisboa, pelo menos) ouviram o nosso entusiástico guia, Dr. João Gonçalves da Costa, dissertar sobre o nome científico de numerosas plantas e contar saborosas histórias a propósito de várias delas.

(Por falar em saborosa, eis uma dúvida acerca da infusão de folhas do Nerium oleander: a bebida é incontestavelmente venenosa, mas, se noutros tempos houve quem a ingerisse voluntariamente e sem intenções suicidas, é de admitir que seja agradável. Quem sabe se não seria esta a melhor bebida para concluir cada um dos inefáveis banquetes do Clube dos Anjos?)

A dada altura, alguns participantes da visita, correndo os olhos pelas plantas que ainda faltava explicar, não contiveram o nervosismo: e então as camélias? Acabámos por lá chegar, mas o nosso guia, e porque não há palavras que substituam o exercício de ver, evitou prudentemente sobrecarregar-nos de informação, optando por distribuir no início da visita um curto texto informativo sobre camélias.

Estas quatro fotos são um resumo possível do que vimos, e parte ínfima do que poderíamos ter visto. A cada olhar é dado ver coisas diferentes, como o desta visitante que viu a beleza perdurar fora do prazo.

28/02/2005

Choupalma



Foi com deleite que lemos a cândida notícia da adopção maternal por uma árvore de outra de género distinto. Pena que ao cronista tenham de ser feitos alguns reparos.

1) A árvore-mãe-adoptiva não é um plátano. Conhecendo-se bem os plátanos, obrigação de quem escreve sobre jardins urbanos onde este género é muito comum e de fácil identificação pelo tronco marmoreado, dir-se-ia mesmo mãe improvável dado que o tronco dos plátanos é liso e se descasca facilmente, regaço demasiado instável para uma semente. Como desculpa do cronista só o facto deste conjunto curioso de mãe e filha estarem em terreno do Passeio Alegre ocupado por um campo de mini-golfe com entrada paga. A árvore mãe é um choupo de pequeno porte, com ritidoma tipicamente rugoso e escuro e copa elegante.

2) O cronista entendeu por bem enriquecer o seu texto com o neologismo plataneira, que supomos inspirado por plátano e palmeira. Mas "eira" não caracteriza a palmeira, "palma" sim; dadas as circunstâncias, a nossa proposta é que a esta inédita associação se chame choupalma.

27/02/2005

Fascínio por a(r)v(or)es

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fotos: mdlramos 0502
A fala grosseira dos humanos que discutiam à porta do café não me deixou distinguir os pipilados e chilreados dos pardais, e não pude por isso confirmar se eram uns simples "chilp chev chilp chelp churp" (caso do pardal~Passer domesticus), ou se variantes com "chili-chili-chili" (pardal-espanhol ~ Passer hispanoliensis), "tsu-witt" (pardal-montês~ Passer montanus) ou "trirp-trirp-trirp-trirp" e "chilp chilp chrirp chilp" (pardal do Levante~Passer moabiticus); palpita-me no entanto que se tratam de pardais "tout-court" pois a certa altura pareceu-me ouvir um irritado "matraqueado típico "cher'r'r'r'r " (sic* ;-)
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Do que não resta a menor dúvida é que os liquidâmbares estão todos a abotoar.
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* Cf. Guia de Aves ; SPEA
...Ouvir Passer domesticus in Animal Diversity Web (ADW) (University of Michigan)

26/02/2005

Dos Jornais - Intervenção nas árvores do Porto

No Público de hoje: «Câmara do Porto intervém em sete mil árvores até Abril e abate duas dezenas por motivos sanitários (Por Jorge Marmelo) Intervenção está a ser feita com base num estudo realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Maioria das árvores a abater são tílias
Uma equipa municipal especializada em intervenção em árvores, composta por sete jardineiros e coordenada por uma engenheira florestal, está a realizar, até ao próximo mês de Abril, uma gigantesca operação de poda e tratamento em sete mil árvores, das cerca de 40 mil que existem no espaço público da cidade do Porto. A intervenção vem na sequência de um diagnóstico realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do qual resultou já o abate de 14 árvores, cujas condições sanitárias constituíam um perigo para a segurança pública. De acordo com um comunicado da Câmara Municipal do Porto, o acompanhamento do estado das árvores da cidade ditou ainda a necessidade de derrubar outros 20 espécimes, tílias na sua maioria, prevendo-se que este número possa aumentar com o avanço dos trabalhos.
Segundo o comunicado, as podas que estão a ser realizadas visam melhorar o estado fitossanitário das árvores, corrigir o seu crescimento e desenvolvimento e beneficiar a sua intervenção harmoniosa no território urbano.
O vereador do Ambiente da autarquia, Rui Sá, garantiu, porém, que todas as intervenções estão ser feitas "com regras e por pessoas com formação adequada". "Não se trata de podas assassinas. Aliás, muitos dos problemas de quedas de árvores resultam de podas mal feitas no passado", disse o vereador ao PÚBLICO.
Rui Sá esclareceu que as árvores já abatidas foram aquelas que o estudo da universidade transmontana identificara como sendo os casos mais graves. Todavia, a queda recente de duas tílias na Praça da República, que não estavam entre os casos graves diagnosticados, obrigou a autarquia a analisar mais demoradamente o estado das árvores daquela praça, do que resultou, entretanto, a necessidade de abater outras cinco árvores. Pelo mesmo motivo, mas na Rua de D. Manuel II, junto ao Palácio de Cristal, houve ainda a necessidade de derrubar mais quatro tílias.

Abates e transplantes em várias zonas da cidade
Por força das obras de construção do túnel entre as ruas de Ceuta e de D. Manuel II, o pelouro do Ambiente procedeu ainda ao transplante de oito árvores, que foram entretanto colocadas na Praça da República, substituindo as que ali foram abatidas.

A requalificação do troço terminal da Avenida da Boavista motivou também o abate de 137 choupos e prevê-se ainda a necessidade de transplantar 80 tílias para vários locais da cidade. Futuramente, os passeios laterais da avenida contarão com 212 novas árvores.

A cidade do Porto tem, desde o passado mês de Janeiro, 238 novas árvores classificadas (antes eram apenas quatro, agora são 242). Entre os espécimes actualmente protegidos por iniciativa de um grupo de cidadãos estão os metrosíderos da Avenida de Montevideu, as palmeiras e araucárias do Passeio Alegre, as magnólias de S. Lázaro, a ginkgo das Virtudes, o belíssimo jacarandá do Largo do Viriato e a araucária e os plátanos da Cordoaria.

Não classificado ainda, mas já merecedor de uma atenção especial, foi detectado pelo estudo da UTAD um caso raro e algo insólito: segundo Rui Sá, de um dos plátanos do Passeio Alegre, localizado nas instalações do Clube de Minigolfe do Porto, brotou uma palmeira. Esta "plataneira", chamemos-lhe assim, não resultou, segundo o vereador, de nenhum enxerto artificial, devendo antes ter sido causada pelo arrastamento de sementes de palmeira pelo vento ou pelo transporte das mesmas por algum pássaro.»

After rain...

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After rain, the trees seem to breathe more easily, to declare their own shapes more clearly, to be committed even more to the vertical.
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Intelligence is not a competence but a brightness.
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The knowledge that we possess is leaden and useless when compared with the knowledge that suddenly arrives, with an energy that burns up every complacency.
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As the shape of the winter sun is held in mist and cloud, so joy may be veiled or contained.
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From values, shadows, tones, we may learn a tenderness, a fineness of concern, which we can lend in turn to values, shadows, tones.
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Thomas A. Clark, Distance & Proximity
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(Transcrito d' aqui ;-)

País sem memória


Fotos: mdlramos 0502

Na nossa recente ida a Arcos de Valdevez conversámos com uma senhora a quem um vizinho exige que derrube uma oliveira multicentenária, para que certo veículo possa circular no estreito caminho que divide a propriedade da senhora da do vizinho. No caminho passam sem dificuldade automóveis, tractores e ambulâncias - mas não aquele preciso veículo que o vizinho insiste em fazer lá passar. A senhora, amiga e proprietária da oliveira, opõe-se firmememente ao capricho do vizinho e não abdica do seu direito em manter a árvore de pé; o vizinho, apoiado pela junta de freguesia, move influências, insinua ameaças, barafusta nos jornais. A imprensa local, já se sabe, é defensora do «progresso»: um parágrafo venenoso num jornal concelhio apela à compreensão da proprietária, apresentando o derrube da árvore, e consequente embelezamento (?) do caminho, como um dos melhoramentos em que a junta está empenhada.

Resta acrescentar que esta heróica opositora do «progresso» - entendido no seu significado português de fazer obra, importante ou não, desprezando património e ambiente - é uma viúva de oitenta anos. Apesar de viver sozinha, não é de modo nenhum uma velha senhora indefesa, pois a família, toda ela emigrada, com quem mantém assíduo contacto, é unânime em secundar a sua posição; e o seu advogado assevera-lhe que, num caso como este, a razão e o direito estão do seu lado. Acima de tudo, é uma senhora lúcida, com uma vitalidade física e mental admirável, que não se deixa vergar nem confundir pelo coro daqueles que, querendo mal à oliveira, é também a ela que querem mal.

As árvores antigas, como esta oliveira, são um símbolo de permanência atravessando épocas: representam a memória e o respeito pelo passado; a cada geração que com elas convive é dado o privilégio de as legar como herança. Em Portugal, onde se derrubam árvores pelos mais fúteis motivos, poucas são as que nos ligam ao passado. Somos cada vez mais um país desmemoriado e postiço, que varre a sua identidade para debaixo de tapetes de asfalto ou a esmaga com toneladas de betão.



P.S. Não incluímos fotos da oliveira porque preferimos que o seu local exacto não seja conhecido. Em lugar dela, vemos na primeira das fotos o que resta da Magnolia grandiflora aqui referida; e, nas outras duas, mostramos dois panoramas do rio Vez, com o solar da Quinta do Requeijo em fundo à direita.

25/02/2005

Homenagem

Responso VI

De dia, entre os veludos e entre as sedas,
Murmurando palavras aflitivas,
Vagueia nas umbrosas alamedas
E acarinha, de leve, as sensitivas.

Fosse eu aquelas árvores frondosas,
E prendera-lhe as roupas vaporosas!

Cesário Verde
150 anos

Uma árvore corada



Fotos: pva 04/05

Esta é uma Rosaceae que merece destaque entre as plantas ornamentais pela formosura do porte e a coloração da folhagem e de que há, por isso, muitas variedades e cultivares. De folha perene, o vermelho rubro das folhas jovens dá-lhe, no inverno, um ar corado de saúde que muitos olhares confundem com a sua primeira floração do ano. No início da Primavera a copa enche-se de flores brancas, que nascem em umbelas achatadas e se combinam harmoniosamente com as folhas adultas, que são agora de um verde luzidio. O nome científico Photinia, palavra grega que significa reluzente, celebra precisamente este brilho excepcional da folhagem.

A maioria dos exemplares que conhecemos são híbridos da japonesa Photinia glabra e da chinesa Photinia serrulata. Há-os com bom desenvolvimento por toda a cidade, que parece ter clima que lhes é propício. Realce para a fotinia do jardim central de Serralves (foto à direita), a da quinta Vilar d'Allen e as cinco da rotunda da Boavista (foto à esquerda).

24/02/2005

Nas margens do Vez


Foto: pva 0502 - Arcos de Valdevez

Será que o castanheiro, fotografado no remanso do passado domingo, se lembrava de outros invernos como este, com o pó suspenso no ar arranhando a garganta seca? Talvez as suas ramadas se erguessem a pedir chuva, mas sem o dramatismo das árvores de Florbela Espanca: afinal estamos no verde Minho, a uma dezena de metros do caudaloso rio Vez. Talvez recordasse o tempo em que a sua Quinta do Requeijo (Arcos de Valdevez) ostentava um palacete enfaticamente minhoto ainda não tocado pelo abandono. Entretanto chegou a chuva que lhe há-de renovar a seiva e a vida; uma vida de árvore entre ruínas e mato rasteiro, preferível à morte quase certa que lhe traria o habitual receituário das empreitadas à portuguesa.

(Havia no mesmo local uma das maiores magnólias do país, mencionada por Ernesto Goes, que obras desde então interrompidas não hesitaram em sacrificar; e grande parte da quinta foi há poucos anos terraplenada para se construir um complexo de piscinas, rodeado por um vasto parque de estacionamento pontuado aqui e ali por árvores enfezadas.)

23/02/2005

Gota de chuva em ramo de lódão

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Fotos: mdlramos 0502
Poderia bem ser o programa ideal para os próximos dias: procurar arvorezinhas nas gotas de chuva.
Mas amanhã já prevêem "céu pouco nublado", pelo menos no Norte! "So sad!"
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(Será que é preciso ter espírito índio para que resulte a dança da chuva?)
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Viveiro Municipal na antiga Qtª das Areias

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. Fotos mdlramos: 0403 ...................Viveiro Municipal do Porto- Campanhã

Aspecto de uma das ruas dos jardins com alguns exemplares da magnífica colecção de camélias

O Viveiro Municipal da cidade do Porto encontra-se sediado no lugar de Azevedo, em Campanhã, na antiga Quinta das Areias, propriedade que veio substituir a chamada Quinta de Furamontes ou Casal da Capela cuja referência mais antiga conhecida é do séc. XVII. Esta propriedade com uma área de cerca de 6,7 hectares encontra-se desde 1937 na posse da Câmara Municipal do Porto que, para além do viveiro, aí vem desenvolvendo uma importante acção na área da educação ambiental.

Fontes: Qtª das Areias e Horto Municipal (EB23 Nicolau Nasoni) ; Viveiro Municipal (in Visitar Porto, site do Turismo da CMdo Porto)
Ver mais fotografias do
Horto Municipal (página de O Porto em Fotografia)
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