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A história de Tutti que não quer ir para a mata... ( e prefere estar ao pé da Formiguinha & companhia ;-)
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A história de Tutti que não quer ir para a mata... ( e prefere estar ao pé da Formiguinha & companhia ;-)
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manueladlramos
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31.5.06
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Em notícia de segunda-feira n'O Primeiro de Janeiro, com o título Loendros estimulam turismo, lemos sobre os milhares de visitantes que em Maio-Junho se maravilham com a maior mancha europeia de Rhododendron ponticum subsp. baeticum, coroada nesta altura por cachos de flores roxas.
Loendro é o nome popular que na região se adoptou para este arbusto, reservando-se talvez outras designações (como loureiro-rosa, espirradeira ou cevadilha) para a espécie Nerium oleander - que, apesar da semelhança superficial, nada tem a ver com o género Rhododendron - para atenuar a inevitável confusão.
A Reserva Botânica de Cambarinho, com cerca de 24 hectares na serra do Caramulo, Vouzela, perto do rio Alfusqueiro, foi criada em 1971 e está sob a tutela do Instituto da Conservação da Natureza, protegendo-se deste modo este rododendro de crescimento espontâneo apenas na Península Ibérica.
Fotos: Rhododendron ponticum no Jardim Botânico do Porto e no Jardim de São Lázaro
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Maria Carvalho
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31.5.06
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Etiquetas: Cambarinho, Ericaceae, Jardim Botânico - Porto
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o florir dos jacarandás em Lisboa (já que por cá, jacarandá em flor ainda não há...)
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manueladlramos
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30.5.06
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Etiquetas: Bignoniaceae
«Quase ninguém ficou indiferente à invasão de traças que este fim-de-semana aconteceu na região do Porto. Tratou-se, entre outras, da espécie Autographa gamma, um lepidóptero da família Noctuidae. O batimento de asas é tão rápido que torna impossível ver o bonito desenho que as asas anteriores apresentam: uma ornamentação prateada em forma de gama sobre fundo em vários tons de castanho pode ser uma explicação para o nome científico dado a esta espécie identificada por Linneu em 1758 (na altura recebeu o nome Phalaena gamma).
A rápida subida da temperatura destes dias poderá ser a causa da concentração em poucos dias da emergência destes noctuídeos migrantes. Nos próximos dias tudo voltará à normalidade e a vida destes indivíduos acabará, mas não sem antes terem deixado milhares de ovos cuidadosamente colocados nas páginas inferiores de folhas de diferentes espécies de plantas. Alguns dias depois haverá lagartas a alimentarem-se vorazmente das folhas de árvores como bétulas ou salgueiros, plantas herbáceas cultivadas como os cereais trigo, aveia ou cevada, e ainda em muitas plantas espontâneas da flora portuguesa como as urtigas, cardos ou trevos.
E para quem pensava que estas traças iam fazer buracos nas camisolas de lã e cobertores, pode ficar descansado. As traças da roupa são também borboletas que, tal como estas, tendem a voar à noite mas tratam-se de espécies dos géneros Tinea e Tineola da família Tineidae. São mais pequenas (9 a 16mm de envergadura contra 45mm da Autographa gamma) e geralmente preferem ficar em casa do que voar pelas ruas à volta de candeeiros e árvores.
Quanto a esta traça Autographa gamma, para o ano, por esta altura, quando a temperatura subir, teremos outra invasão nas nossas ruas, casas e árvores, para surpresa de muitos e gáudio de morcegos e aves insectívoras. Afinal, mesmo na cidade, as folhas das árvores também são importantes para criar biodiversidade.
Sites propostos:
http://ukmoths.org.uk/show.php?bf=2441
http://ftp.funet.fi/pub/sci/bio/life/intro.html
http://www.inra.fr/Internet/Produits/HYPPZ/RAVAGEUR/3autgam.htm
http://www.leps.it/SpeciesPages/AutogGamma.htm »
Texto de Ana Aguiar (Eng. Agrícola)
Foto de manueladlramos: "A minha palhinha é melhor do que a tua..."
Borboleta alimentando-se do néctar da flor de goivo (Cheiranthus cheiri)
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Paulo Araújo
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30.5.06
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Etiquetas: Colaboração
«essa árvore é perfeita
pena que as folhas são verdes
e caem, sujando minha ignorância
pena que as raízes são subterrâneas
e profundas - e eu tão superficial
pena que o tronco tem casca externa
pena que as flores não combinam
com a cor do novo carro que comprei
pena que, um dia, insatisfeito,
terei que cortá-la e não plantar outra no lugar
pena que os frutos são comestíveis demais
e atraem pássaros barulhentos e indesejáveis
pena que não dê sombra à noite
pena que não abane o rabinho
quando chego em casa
pena que cresça para cima
pena que produza oxigênio
pena que não seja de ferro, plástico e papel celofane
pena que o perfume das flores seja apenas aroma
pena que seja apenas uma árvore»
Poema inédito de NICOLAS BEHR
(de seu próximo livro INICIAÇÃO A DENDROLATRIA)
obrigada, nikolaus!
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manueladlramos
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29.5.06
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Etiquetas: Dias sem árvores, Nicolas Behr, poesia, poesia-árvore
Não são só as folhas aromáticas verde-alface, com bordadura levemente rosa, ou as bagas pretas do hipericão que aliviam depressões e têm justa fama na medicina homeopática. As flores solitárias amarelas com longos estames, aninhadas em canteiros de oregão, cebolinho, manjericão, tomilho, estragão, alecrim ou rosmaninho, a espreitarem entre morangos, salsa e limonete, são consolo perfumado para a alma.
O género Hypericum tem cerca de 400 espécies, quase todas tropicais, que os botânicos catalogam em geral na família Guttiferae. As flores das fotos são de espécies distintas da horta (à esquerda, planta rasteira) e do jardim (arbusto em pleno sol) da Quinta de Santo Inácio.

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Maria Carvalho
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28.5.06
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Etiquetas: Guttiferae
Já se sabe que ambiente é um termo da mais vasta abrangência; mas o seu uso está a ser esticado a tal ponto que ele corre o risco de se esvaziar de significado. É que nem são precisas grandes acrobacias de retórica para argumentar que uma acção e a sua oposta são ambas em benefício do ambiente; ou, pelo menos, de alguma das múltiplas acepções desse vocábulo - esquecendo momentaneamente, se der jeito, todas as outras. Consideremos, por exemplo, a construção ou não de uma via rápida. Se o seu único traçado possível destruir uma zona de grande valor ecológico, então é bom para o ambiente que a estrada não se faça. Mas, se a estrada desviar o trânsito do centro de uma localidade, então o ambiente vai ser beneficiado com a sua construção, pois as ruas da localidade ficarão mais tranquilas e menos poluídas.
Um outro exemplo, desta vez real. Há pouco mais de dez anos, plantaram-se em Famalicão 26 liquidâmbares; e até as crianças terão percebido que com isso o ambiente em Famalicão melhorou. Quem sabe até se as crianças famalicences não terão sido então incumbidas de compor redacções sobre a árvore e o ar que respiramos - a propósito, justamente, das novas árvores no centro da cidade. As crianças cresceram e saíram da escola, e o seu mundo de certezas infantis vai sendo derruído por sucessivos abalos. Agora a Câmara que há dez anos plantou os liquidâmbares convida-as a acreditar que o ambiente é beneficiado pelo arranque das mesmas árvores.
Abstenho-me de discutir as razões deste abate. O que me incomoda é o uso a despropósito de uma palavra: se em nome do ambiente fazemos uma coisa e o seu contrário, então ambiente não significa nada. É claro que, se os moradores não queriam aquelas árvores (e estão no seu direito), eles vão ficar felizes com a rua despida. Ficando felizes, serão mais cordiais no trato. As relações entre vizinhos serão de uma cortesia exemplar. Haverá pois, sem dúvida, um ambiente de boa vizinhança, o que, por assim dizer, se traduz em bom ambiente tout court. QED
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Paulo Araújo
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27.5.06
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Etiquetas: Famalicão
Outros Índices (nem todos estao actualizados...)
Links externos : Myrtacea (Wikipedia-inglês);Myrtacea (wikipedia-português);Familia Myrtaceae (Arbolesornamentales) ;Family Myrtaceae (CSDL)
Melaleuca and Callistemon
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manueladlramos
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26.5.06
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Etiquetas: Index
«Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas é infinita, faz-se impossível ao entendimento, por muito atilado que seja, captar todas as vozes de vegetais. E só os mais perspicazes entre os humanos conseguem entender a conversa entre duas plantas de espécies diferentes: cada uma usa o seu vocabulário, como por exemplo num diálogo em que A falasse em espanhol e B respondesse em alemão.
Levindo, jardineiro experiente, chegou a dominar as linguagens que se entrecruzavam no jardim. Um leigo diria que não se escutava nada, salvo o zumbir de moscas e besouros, mas ele chegava a distinguir o suspiro de uma violeta, e suas confidências ao amor-perfeito não eram segredo para os ouvidos daquele homem.
Até que um dia as plantas desconfiaram que estavam sendo espionadas e planejaram a conspiração de silêncio contra Levindo. Passaram a comunicar-se por meio de sinais altamente sigilosos, renovados a cada semana. Em vão o jardineiro se acocorava a noite inteira no jardim, na esperança de decifrar o código. Enlouqueceu.
Perdendo o emprego, as coisas não voltaram à normalidade. As plantas haviam esquecido o hábito de conversar direito. Já não se entendiam, brigavam de haste contra haste, muitas se aniquilaram em combate. O jardim foi invadido pelas cabras, que pastaram o restante da vegetação.»
Carlos Drummond de Andrade, Contos plausíveis (1981)
Cinerária (Senecio cruentus)
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Maria Carvalho
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25.5.06
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Um excelente local para observar de perto bonitos amieiros no seu habitat natural, e assim completar a lição sumária que aqui demos sobre o assunto, é em Ponte de Lima, ao longo da margem direita do rio. Além desse motivo dendrófilo e de todos os outros já aqui registados para voltar repetidamente à vila mais florida do país, acresce que depois de amanhã (sexta-feira) é inaugurado, para durar até 30 de Outubro, o segundo Festival Internacional de Jardins.
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Paulo Araújo
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24.5.06
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Etiquetas: Betulaceae, Ponte de Lima, Rios
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A Magnólia do Convento
«A magnólia do convento pode munto bem ser a arve más antiga da nossa serra e nã era d'a admirar qu' ela t'vesse sentido o tremor de terra de 1755 e já ser até crecidinha.
Já há uns belos tempos qu' andava a sentir soidades dela. Olhav'-à cá de baxo e as vistas f'cavam-me presas naquela copa. D'zia qu' havera d' ir lá, mái nã m' opunha. E o empenho era maior de dia p'ra dia.
Ontordia, pensí qu' ela já taria de flor e nã me dí sustido. Abalí e fui mémo. (...)»
Imperdível o relato desta visita à maior Magnolia grandiflora de Portugal (de acordo com E. Goes) pelo Parente de Refóias
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manueladlramos
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24.5.06
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Etiquetas: Algarve, Arvore monumental, Magnoliaceae, Monchique
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Têm reparado nas flores, grandes, brancas, e no seu perfume de passagem? As Magnolias grandiflora estão a florir há já uma semana, o que ainda não acontecia quando visitei esta, em Cabanas. Não se trata de uma qualquer: secular, "guardiã", classificada de interesse público, foi cantada e amada por poetas:
«Alta magnólia, brônzea de folhagem,
E de flores de neve a arder no lume
De capitoso e oriental perfume,
Do convento-solar guarda a passagem.» (Alberto de Oliveira)
Silhueta em contraluz de Magnolia grandiflora classificada de interesse público em 1944. Sita no Convento de Cabanas, com «a idade provável de 150 anos, altura total- 17 m, circunferência (do tronco a 1,30 m)-4.00 m e diâmetro provável da copa- 25,50 m» (1)


É por assim dizer quase impossível chegar a este local "sombrio e muito pitoresco" (2) sem perguntar o caminho: não vislumbrei uma placa, um sinal, uma seta a indicar a existência de património classificado. Mesmo o simples acesso ao lugar só se encontra depois de se ser devidamente orientado em Afife. Por isso a surpresa é completa quando se depara com a pontezinha sobre o "ribeiro de águas cristalinas", a belíssima e secular magnólia e o Convento de São João de Cabanas, imóvel também classificado de IP (pertença de um particular).
Ribeiro ou Rio de Afife : em primeiro plano a folhagem perene da magnólia.
Nuns azulejos datados de Junho de 2004 e assinados pela 'Comissão do Centenário' - do nascimento de Pedro Homem de Mello (3)- pode ler-se: «Neste ambiente irreal de Cabanas, no secular mosteiro junto ao ribeiro de águas cristalinas, à sombra da magnólia guardiã, se inspirou o poeta para as suas mais belas poesias.»
Para não fugir à regra, e pelo que se pode verificar de desordenada e intensa urbanização da zona, este bucolismo parece ter os dias contados. É pena. Entretanto, é sem dúvida um sítio a (re)visitar.
(1) In Árvores Isoladas, Maciços e Alamedas de Interesse Público-Instituto Florestal ; (2) Id.
(3) Ler artigo do Prof. Cândido O. Martins
Mais sobre Afife e a sua história
Outras Árvores Classificadas
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manueladlramos
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23.5.06
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Etiquetas: Arvore classificada, Magnoliaceae
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Conforme aqui assinalámos, o renovado Bairro da Bouça ainda não tinha, doze dias antes da inauguração oficial, uma amostra de árvore que prometesse a frescura de uma sombra. Uns dias após a cerimónia, a Câmara honrou parcialmente a promessa que na ocasião fez ao arquitecto e lá plantou vinte e seis árvores: dezassete amieiros (Alnus glutinosa) num dos pátios e nove sorbeiras (Sorbus domestica) no passeio. Um outro pátio também com relvado ao centro ficou ainda despido de árvores; esperemos que o lapso seja corrigido em breve.
O amieiro, árvore endémica no nosso país, é pouco vulgar em arborização urbana, talvez porque, prefirindo zonas húmidas ou alagadiças, não possa sobreviver confinado a uma caldeira. Mas, num caso como este, em relvado com sistema automático de rega que não poupa na água, talvez o amieiro seja a escolha certa: ao contrário de outras árvores, ele nunca se irá queixar da terra permanentemente encharcada.
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Paulo Araújo
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22.5.06
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Etiquetas: Betulaceae


O género Leucospermum, de origem sul-africana, é parente das próteas, grevíleas e banksias. Aprecia zonas montanhosas ou dunares. As folhas são simples, sem pecíolo e com uns três a dez dentinhos na ponta. As flores mostram traços típicos da família Proteaceae em arranjos vistosos, cor-de-rosa, cor-de-laranja ou amarelos, de numerosos estames recurvados, espetados numa almofada de tépalas. São plantas frágeis, embora possam atingir porte arbóreo, e encabeçam a lista de espécies em perigo de extinção.
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Maria Carvalho
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21.5.06
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Etiquetas: Proteaceae
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manueladlramos
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20.5.06
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Etiquetas: Robert Frost
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A associação Campo Aberto acaba de editar um novo livro dos autores deste blogue. Trata-se de Um Porto de Árvores, documentário fotográfico sobre os jardins na região do Porto por nós visitados em 2004 e 2005, entre eles o do Palácio do Freixo, Villar d'Allen, Jardim Botânico do Porto, Casa Tait, Fundação Engenheiro António de Almeida, Quinta do Alão, Viveiro Municipal do Porto e jardim dos SMAS. Em 48 páginas de formato 20x24, o livro oferece 54 fotos a cores de muito boa qualidade (incluindo 20 de página inteira), acompanhadas por descrições sumárias dos jardins visitados e das suas árvores.

O preço é de 8 euros para sócios da Campo Aberto, e de 10 euros para o público em geral. O livro pode ser comprado directamente à Campo Aberto (encomendas pelo endereço contacto@campoaberto.pt).
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Paulo Araújo
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19.5.06
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Etiquetas: Divulgação, Livro

Uma das efemérides assinaladas no último número do Tripeiro é a do cinquentenário no Porto dos oito pinheiros-mansos que, na praça hoje chamada de Humberto Delgado, formam guarda à estátua de Almeida Garrett. Viajaram de Itália, foram plantados a 19 de Maio de 1956, e quando chegaram já eram espigadotes, medindo cada um sete metros de altura. Desde então alargaram a copa, mas verticalmente o seu crescimento foi moderado. Embora embranquecidos de pó e incomodados pela confusão das obras, foram poupados pela onda sizenta que submergiu o coração do Porto. Sorte a deles terem sido plantados por ordem de Fernando Távora, arquitecto respeitado pelos iconoclastas destruidores da avenida.
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Paulo Araújo
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19.5.06
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-NaturezaMortacomFrutas(1873).jpg)
Natureza morta com frutas (1873), de Agostinho José da Motta (1824-1878). Exibe apetitosas peças de abacate (fruto da Persea americana), goiaba (Psidium guajava), jaca (Artocarpus heterophyllus), carambola (Averrhoa carambola), pêra-de-água (Syzygium saramangense), anona (Annona squamosa) e uma fruta desconhecida, a das bolinhas rubras no topo, que os leitores brasileiros amigos destas iguarias talvez identifiquem imediatamente.
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Maria Carvalho
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18.5.06
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Etiquetas: Pintura
«A Quinta da China, localizada junto ao Douro, já existia nos finais de Setecentos, embora se pense que as grandes intervenções que a tornaram numa das quintas mais notáveis do Porto se tenham realizado já no século XVIII. A estrutura da propriedade assenta num hábil terraceamento da escarpa que se ergue a partir do rio, obtido através da construção de muros de suporte e de um conjunto de outros elementos decorativos sendo também de destacar o terraço ajardinado fronteiro à casa e voltado para o Douro, rematado por um parapeito de grande interesse.
Em 1788 a quinta da China pertencia ao negociante João Loppes Ferraz. Posteriormente foi adquirida por António Martins de Souza e Olinda Perez, pais de Aurélia e Sofia de de Sousa, ambas notávies pintoras, que regressando a Portugal depois de um período de emigração no Brasil e no Chile aí passam a viver em 1869. Aurélia de Souza (1866-1922) reproduziu, em várias das suas telas, nomeadamente em Paisagem - Margens do Douro, as amplas vistas que se desfrutavam da Quinta da China.» in Jardins Históricos do Porto, de Teresa Andresen e Teresa Marques (Edições Inapa, 2001) p. 41.
A propósito, ler:
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manueladlramos
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17.5.06
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Foram elas, entaladas entre uma igreja e um quartel, quem me deram as primeiras lições sobre o que é ser tília: a copa, de folhagem verde com reflexos prateados, desenhando um perfeito arco de parábola e estendendo-nos o amplo refúgio da sua sombra; os pássaros fazendo dela sala de concertos em cada fim da tarde. Idênticas lições foram mais tarde repetidas pelas tílias de outros pontos da cidade (Praça da República, Filipa de Lencastre, Ramada Alta), mas são as mestras das primeiras letras quem mais fundamente nos marcam. Por isso me dói que em 2004 uma das tílias da Lapa tenha sido abatida, e que as outras se vejam diminuídas por repetidas podas: assim desgrenhadas, de copa rala, mal as reconheço. A verdade é que já quase não há no Porto tílias intactas, e assim, por falta de material didáctico de qualidade, ficam os novos estudantes de tílias privados da sua lição introdutória. Mas para a lição seguinte, que aliás está prestes a começar, e diz respeito ao perfume das suas flores - estas tílias, apesar dos maus tratos que sofreram, ainda são professoras bem capazes.
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Paulo Araújo
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16.5.06
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Etiquetas: Tilia
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Meu amor, se queres cerejas,
Apega-te à cerejeira...
Vai comendo e vai botando,
Vai metendo para a algibeira. *
Não é por falta de cerejeiras que aqui na cidade ficamos sem as provar: já por cá se encontram à venda. Este último fim-de-semana, na Feira de Produtos Biológicos do Parque da Cidade, davam-nas a provar (e a vender também, claro). Deliciosas! Também gostei do elixir de sabugueiro, do elixir de pétalas de rosa, dos bolinhos de alfarroba... e, mais uma vez, esqueci -me de comprar o licor de limonete .
*Cancioneiro de Entre Douro e Mondego, Arlindo de Sousa (Livraria Bertrand, 1944)
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15.5.06
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Etiquetas: Cancioneiro popular, Divulgação, poesia
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Três veteranos que brilham pela qualidade:
Botany photo of the day ;
Human flower project ;
Lugar do olhar feliz
Um ainda jovem, mas 'munto bem afêçoado' e que já provou o que vale:
O Parente de Refóias
Um outro novinho, acabado de chegar, que mostra sem rodeios ao que vem:
Vamos ao que interessa
E por fim o bem ilustrado Flora e Fauna da Arábida.
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manueladlramos
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15.5.06
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Jasminum primulinum
Triste por não ver
a lua repararás
no jasmim em flor?
Jorge Vilhena Mesquita
O sentimento da ausência (2005)
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Maria Carvalho
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14.5.06
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Etiquetas: Jorge Vilhena Mesquita


Magnolia acuminata - Jardim Botânico de Coimbra
Já aqui celebrámos efusivamente, com a ajuda do Eduardo, a colecção de magnólias do Jardim Botânico de Coimbra. Não pensávamos voltar ao assunto ainda na temporada de 2006, mas há uma magnólia, desfasada das restantes na floração, de que agora se impõe dar notícia: é a Magnolia acuminata que mora no canto nordeste do quadrado central. Árvore que pode chegar aos 25 metros de altura, é originária da costa leste da América do Norte, onde corre risco de extinção. Caducifólia como as suas congéneres asiáticas, distingue-se destas por florir só depois da rebentação das folhas. Os botões começam por ser azulados (daí talvez o nome da árvore em português), mas as flores têm pétalas verdes, o que as torna pouco vistosas; observadas de perto, porém, deixam ver um tufo de estames semelhantes a fios de ovos. Foi castigada com o nome comum cucumber magnolia - ou magnólia pepineira em tradução livre - por alguém a quem os seus frutos imaturos lembraram pepinos. As suas flores tão invulgares suscitaram o interesse de viveiristas, existindo híbridos como a Magnolia "Elizabeth", de flores amarelas, obtidos por cruzamento da M. acuminata com a chinesa M. denudata, de flores brancas.
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Paulo Araújo
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13.5.06
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Etiquetas: Jardim Botânico - Coimbra
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manueladlramos
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12.5.06
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Etiquetas: Avenida dos Aliados
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Populus spp
De novo no tempo do "algodão das árvores"!
À falta de neve no Inverno, temos esta "folheca" na Primavera.
adenda - E atenção, estas sementinhas voadoras dos choupos não são responsáveis pelas "alergias" dos pólens! Como se pode ler no boletim da Rede Portuguesa de Aerobiologia, são outras as plantas que neste período se encontram em época de polinização:
«Região Norte- Durante a semana de 6 a 12 de Maio serão de esperar elevadas concentrações de pólen atmosférico salvo nos dias em que ocorra precipitação prolongada a qual provocará uma redução temporária das concentrações de pólen atmosférico. Os tipos polínicos presentes na atmosfera pertencerão particularmente aos tipos Quercus spp. (carvalhos), Pinaceae (pinheiros e cedros), Urtica (urtigas) e Poaceae (gramíneas). Para os restantes tipos polínicos serão de esperar baixas concentrações. (...)
Por todo o país continuar-se-á a registar um aumento das concentrações de pólen de Olea europaea (oliveira), Poaceae (gramíneas), Plantago spp. (tanchagens) e Chenopodiaceae-Amaranthaceae (quenopódios e bredos). (...)»
Fonte SPAIC (via Blog dos Bichos)
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manueladlramos
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12.5.06
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Etiquetas: Salicaceae

O muro desta foto (junto à casa do roseiral, nos jardins do Palácio de Cristal), além do revestimento verde-amarelo de Ficus pumila, exibe manchas de tom rosado, efeito dos exemplares de Centranthus ruber, herbácea da família Valerianaceae cujas flores, de cor branca, vermelha ou rosa, têm pé alto e assim ressaltam de uma superfície tão cheia de plantas. É altura de a apreciarmos empoleirada nos muros da cidade, antes que volte a hibernar.
Outro muro
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Maria Carvalho
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11.5.06
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Etiquetas: Palácio de Cristal, Valerianaceae
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No próximo dia 14
(nas bancas com O Público)
o número de Maio d' O TRIPEIRO
do Índice:
Editorial
Destaque - O Porto verde
Antes dos jardins houve as alamedas
Parque da Cidade (...)
via Quinta do Sargaçal
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10.5.06
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Etiquetas: Divulgação, Revista


Folhas novas de sobreiro; sobreiros em Fonte de Moura
"O Criador deve ter-se divertido muito a fazer a criação"
Foi a minha avó que me ensinou a reparar na beleza do pôr-do-sol (momento que ela raramente perdia), na força do mar, na melodia do canto do rouxinol, na frescura de uma sombra num dia de verão. Mais tarde a minha mãe mostrou-me todas as árvores bonitas da cidade do Porto (não posso esquecer o Negrilho da marginal, a Tília da Praça da República e o Jacarandá do Viriato); o meu pai dizia "repara na vegetação: a árvore pode estar mal colocada, não será provavelmente a melhor espécie para aquele jardim, mas o importante é que alguém plantou e tratou daquela árvore e este gosto pelas árvores é o primeiro passo, depois virá o saber escolher a espécie certa para cada local."
Esta primavera ao ver mais uma vez os sobreiros desta cidade em toda a sua diversidade e beleza pensei "o Criador deve ter-se divertido muito".
No Porto os sobreiros "mudam" a folha na primavera: mas não mudam todas as folhas como fazem as verdadeiras árvores marcescentes que em cada primavera, pouco antes de surgir a nova rebentação, deixam cair todas as folhas secas. Os sobreiros, aqui no Porto, deixam cair só uma parte das folhas que durante um ano inteiro trabalharam fotossintetizando para que a árvore vivesse. E essas folhas caem quando uma nova camada de folhas surge. Por isso todos os anos entre Abril e Maio podemos ver, um após outro, cada sobreiro deixar durante escassas semanas a sua característica cor verde escuro para ficar castanho/dourado e depois verde claro como se de uma caducifólia se tratasse.
O criador deve ter-se divertido muito?
Texto e fotos de Ana Aguiar (Eng. Agrícola)
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Paulo Araújo
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10.5.06
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Etiquetas: Quercus
Quarta 10 de Maio às 21:20, na sede da Campo Aberto
Rua de Sta Catarina, 730-2.º (perto do cruzamento com Gonçalo Cristóvão)
Mais informação aqui
foto manueladlramos -UTOPIES URBAINES (Estação do Metro do Luxemburgo-Paris-agosto 2005)
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manueladlramos
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9.5.06
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Etiquetas: Campo Aberto, Campo na cidade, Paris
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Imagens: Google Maps - Porto Portugal ; Carte Topographique des Lignes d'Oporto (ca 1833) - clique para aumentar
Ver também Planta do Porto [e arredores] (18--) BND
«Do séc. XVIII são também as obras de terraceamento, ajardinamento e decoração arquitectónica realizadas nas quintas da China e das .Virtudes. Nestas quintas avulta mais o extraordinário esforço dispendido na construção plástica desse enorme volume de alvenarias. Em todo o caso representam um meritório esforço de humanização e utilização de ásperas escarpas, por vezes rochosas, e contem no seu recheio elementos decorativos de interess artístico. O engenho e recursos económicos dos realizadores de Isora Bella teriam feito destas cascatas de terraços um grandiosos monumento de arte paisagista. As duas quintas estão também mais ou menos degradadas e ameaçadas. » Ilídio de Araújo, in Jardins, parques e quintas de recreio no aro do Porto (Porto, 1979) , p. 9
Avenida Paiva Couceiro- marginal do Douro- em primeiro plano urbanização e edifícios da Mota-Engil
«A crónica e continuada falta de "responsáveis" responsabilizáveis pelo desenvolvimento ordenado da cidade, fez com que esses elementos do seu património cultural em vez de serem nelas convenientemente integrados, tenham antes vindo a ser por elas sistematicamente destruídos; e ao procurarmos explicar este fenónemo chegamos frequentemente à conclusão de que ele se deve à falta de técnicos qualificados em certos sectores-chave, falta essa explicada pela inexistência (ou insuficiência) nas nossas Universidades de cursos que formem técnicos devidamente habilitados nos domínios do Urbanismo, da Arquitectura Paisagista e do Ordenamento do Território. Porque esses cursos não existem ou são insuficientes, e porque os técnicos com essas qualificações são poucos, as decisões sobre aquelas matérias são normalmente tomadas com bases em pareceres de técnicos ou "administrativos" que sobre elas não têm não podem emitir senão pareceres muito sectorizados, necessariamente incorrectos, e frequentemente disparatados....» Ilídio de Araújo, id. p.17
Sobre o projectado empreendimento da Quinta da China e as suas implicações pouco ou nada sei dizer, mas aqui fica a minha contribuição com algumas imagens e textos acerca do local (ver o que sobre o assunto se escreveu na Baixa do Porto, até agora) .
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manueladlramos
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9.5.06
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Com a Primavera
o velho tanque de pedra
é um lagar de pétalas.
Jorge Vilhena Mesquita
O sentimento da ausência (2005)
Quinta da Aveleda
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Maria Carvalho
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8.5.06
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Etiquetas: Jorge Vilhena Mesquita, poesia, Quinta da Aveleda
novo grupo no Flickr
anunciado pela jardineira
«Convite ao olhar e a partilhar as descobertas de flores silvestres, de "ervas daninhas", de composições de flores a explodir de cor nos prados, baldios e bosques, nos muros ou nas beiras do caminho.
Por sugestão da Rosa, foi criado o grupo no Flickr "flora portuguesa no seu habitat" , aberto à participação de todos os que queiram contribuir com fotografias de flores espontâneas ou comunidades vegetais naturais (ou semi-naturais, como as pastagens), para dar a conhecer a diversidade, a resistência e a conservação do nosso património natural.»
Que boa ideia! Já me inscrevi e logo que possa mando fotos ;-)
Foto: Dedaleiras (tb. chamada digital, erva-dedal, abeloura, erva-albiloura > Digitalis purpurea) e suas companheiras brancas (Silene spp)
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manueladlramos
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8.5.06
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Etiquetas: Caryophyllaceae, Divulgação, Plantaginaceae
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Pittosporum tobira em flor no jardim da Rotunda da Boavista ( fotos: manueladlramos)
De dentro da loja onde precisei de ir, enquanto esperava sem gosto pela vez de ser atendida, deixei o meu olhar alongar-se pelo jardim: não se deteve nos relvados ralos sem ponta de cor- já há uns tempos que aí nada floresce- mas pousou encantado numa árvorezinha resplandecente à qual me dirigi assim que fiquei aviada. O jardim continua pouco frequentado e por isso não precisei de disputar a ninguém o banco, lugar privilegiado ao sol da manhã de sábado, debaixo da árvore que rescendia um aroma (in) confundível com o da flor de laranjeira.
A estas plantas (árvorezinhas e arbustos) gosto de lhes chamar apenas tobiras. É o designativo da espécie e parece ser assim que lhe chamam no Japão, país de onde é originária. Mas ainda não descobri o que significa, assim como também ainda nao investiguei a razão de ser de uma da suas outras designações vernaculares mais estranhas: Japanese cheesewood. Outros nomes: (simplesmente) pitósporo, pitósporo-da-China, pitósporo-do-Japão; pitosporo del Japón, azahar de la China; pittospore du Japon, pittospore odorant ; australian laurel, Japanese pittosporum, japanese mock orange, mock orange. Por curiosidade, refira-se que este último nome não é exclusivo desta planta, designando algumas outras do género Philadelphus, recentemente aqui retratado.
Anterior: Ramalhete de pitósporos
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manueladlramos
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7.5.06
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Etiquetas: Jardim da Rotunda, Pittosporaceae
«Além de referir as mais importantes Quintas do Porto, Rebello da Costa dá-nos algumas das características gerais destas quintas que se tornam elementos importantes para uma definição de tipologias de espaços exteriores nas quintas dos Norte do país durante o séc. XVIII.
"Não lhes são necessárias cautelas para evitarem o rigor da neve ou o ardor do Estio. Em todas as estações do ano as laranjas, limões, limas, cidras, alfaces, couves, etc. crescem e sazonam-se completamente. Muitas dessas quintas dilatam-se por Massarelos, Vilar e Cedofeita. Raríssima haverá da qual se não goze vista de rio e mar; raríssima a que não tenha, dentro dos seus muros, copados bosques de frondosos castanheiros, carvalhos e outras árvores pomposas. Os lagos e tanques de água perene são nelas frequentíssimos, de sorte que, com o impulso e peso da sua corrente, trabalham alguns moinhos e azenhas.
As casas de campo são, pela maior parte, rodeadas de espessos arbustos que, trepando até ao cume dos telhados, representam aos olhos agradáveis labirintos semeados de jasmim, martírios e muitas outras flores, cuja variedade e cheiro suavíssimo é o encanto dos sentidos.
Os ingleses, franceses, holandeses, hamburgueses e outras famílias estrangeiras comerciantes são os que arrendam estas quintas e nelas vivem a maior parte do ano; mas os portugueses reservam para seu uso e divertimento as melhores e as mais custosas.
Tais são: da parte do nascente, norte e poente, a das Virtudes [...];a do Pinheiro [...];a dos Carvalhos [...];a de Santo Ovídeo[...]; a da Prelada [...];a da Fonte [...]; a do Bom Sucesso. Seguem-se as três quintas do Vilar [...];a do Regueirinho [...].
Segue-se para o nascente a de Sacais[...].
As que estão à borda do rio Douro são: a do Prado [...] ; a da China [...]; a da Campanhã [...]; a do Freixo; a do Sardão. Segue-se a Quinta dos Fiais, sita na freguesia de S. Pedro de Avintes [...] ." Agostinho Rebello da Costa, Descripção da cidade do Porto, 1789, p.66-9 »
in Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal (Helder Carita /Homem Cardoso - Círculo de Leitores, 1990), pp 284-5
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manueladlramos
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6.5.06
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Etiquetas: Agostinho Rebello da Costa, Helder Carita
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Grow a Landmark: Wisteria
Julie Ardery in Human Flower Project
"Knock yourself out with this portfolio of pictures from the Ashikaga Flower Garden, where big crowds enjoy the fuji blossoms every spring." (another hanami craze ;-)
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manueladlramos
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6.5.06
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Há tempos um botânico português acompanhou um seu colega estrangeiro numa visita ao parque de Pedras Salgadas. Em vez de se encantar com a harmonia do lugar, com o seu jogo de cores e formas, com o modo como edifícios e vegetação se completavam; em vez de se deter de pescoço empinado admirando o gigantismo das árvores - o estrangeiro, especialista em coisas miúdas como musgos e fungos, gastou toda a visita inspeccionando alguns metros de muro. Foi como ir a África e interessar-se só por formigas, ignorando os grandes mamíferos das savanas. Formigueiros e musgos são decerto assuntos apaixonantes, mas os leigos considerarão que quem não presta atenção a mais nada, tanto em Pedras Salgadas como em África, não tira o máximo proveito da sua visita.
Mas, depois de termos admirado o que é grande, e construído a traços largos o mapa mental de um lugar (de um jardim, por exemplo), a etapa seguinte é descermos aos detalhes: primeiro as alamedas, depois cada uma das suas árvores, em seguida os arbustos, os canteiros, as flores. Mesmo as flores têm uma hierarquia: há as que são semeadas e as que brotam espontaneamente; as que nascem do chão e as que se agarram aos muros. Cumprido esse percurso observativo - do geral para o particular, do grande para o pequeno, do delicado para o rústico - podemos sem culpa dedicar a um muro alguma da nossa atenção.
Claro que o muro tem que ser especial: há-de ser de pedra e não de tijolo ou betão; é preferível que esteja todo forrado de verde; mas a pedra, se estiver exposta, deve acusar o desgaste do tempo. Os melhores muros, como este nos jardins do Palácio de Cristal, cobrem-se de trepadeiras e enfeitam-se, na altura própria, de flores vadias. As da foto, a que a nossa ignorância seria tentada a chamar malmequeres ou margaridas, têm o nome científico de Erigeron karvinskianus, pertencem à família Compositae (que agrupa as flores "tipo malmequer"), e vieram do México; mas consideram que qualquer velho muro do continente europeu é por direito a sua casa.
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Paulo Araújo
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5.5.06
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Etiquetas: Asteraceae, Palácio de Cristal

As fotos de liláses que hoje aqui mostramos (tiradas há poucos dias em jardins do Campo Alegre) foram suscitadas por um comentário a um texto anterior. O lilás, nome vulgar dos arbustos do género Syringa, é da família Oleacea e por isso parente dos ligustros, jasmins, oliveiras e freixos, entre outros. Tivesse a nossa tradição de colocar flores nas portadas e janelas outros capítulos como os do domingo de Ramos e o do 1º de Maio, e talvez houvesse oportunidade de enfeitar as casas noutros dias do ano com outras plantas de conotação festiva que por isso seriam especialmente acarinhadas.
A Syringa é arbusto europeu e asiático, de folha caduca cordiforme, flores perfumadas de 4 pétalas cor-de-rosa, azuis, roxas ou brancas unidas num tubo cujo início se detecta no centro mais escuro da flor, agrupadas em inflorescências como as do género Ligustrum; os frutos parecem vagens minúsculas, semelhantes às do sino-dourado (género Forsythia).

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Maria Carvalho
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4.5.06
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Etiquetas: Oleaceae
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«Guerrilla gardeners wage turf war: Guerrilla gardeners are sowing the seeds of resistance in south London,
with a spot of illicit gardening in its neglected public spaces.
Striking at night, armed only with shrubs and plants, they set out to brighten up roundabouts and verges. (...) Mr Reynolds said he has never run into any problems with the authorities - in fact he even entered one of his guerrilla gardens into a local "in bloom" competition and got a nomination. (...)
It is a continuing battle against vandalism, water shortages and errant cars, but the guerrilla gardeners are holding firm. Member Camilla Maxwell-Morris told the BBC: "It's about brightening up people's lives and putting a bit of green and flowers into the grey areas of London." » Ler reportagem completa (BBC News)
Mais informação: Guerrilla gardeners em Londres; Guerrilla Gardening na Holanda
Ver também: BBC - Action Network - Urban environments
(Obrigada EP ;-)
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manueladlramos
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3.5.06
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Etiquetas: Londres


Fotos de Augusto Ferreira
Eis como começa a notável reportagem de Carla Maia de Almeida publicada com o título Os plátanos também se abatem na mais recente edição (30 de Abril) do Notícias Magazine:
«Este Verão vão faltar sombras no jardim central de Pinhal Novo. Uma fúria serradora abateu-se sobre os plátanos, deixando-os irreconhecíveis, uns troncos com meia dúzia de ramos em forma de garra, ou menos do que isso. Talvez ficassem bem nos cenários assombrados de Tim Burton, mas a vida é outra coisa, quem sabe. As poucas pessoas que, num domingo à tarde, gozam o sol ainda cerimonioso da Primavera, procuram os cantos mais abrigados por arbustos, alentando conversas espaçadas, enquanto os bancos de pedra permanecem vazios, inóspitos, como tudo o resto.
O pinheiro manso, símbolo da vila, é agora a árvore que governa o recinto, onde cabem também a igreja, o coreto, o parque infantil e, cruzada a rua, a estação de caminho-de-ferro. É uma das saídas possíveis. Este Verão, quando o jardim se transformar numa eira de calor, vão ser muitos os desertores do Pinhal Novo, sôfregos por um vento de praia ou pelo fresco artificial dos centros comerciais, agora pomposamente chamados de fóruns. Visto da estrada, o anúncio, quase comovedor, diz que é no Fórum Montijo que «o avô Júlio vai passar as tardes de domingo com a neta». Os jardins estão fora de moda, não há dúvida. A avaliar pelo estacionamento ao ar livre, gigantesco, a abarrotar de automóveis, é nestes parques de cimento que maioria dos «avôs Júlios» e família prefere passar uma tarde soalheira de Primavera.»
Além deste doloroso começo, a reportagem inclui declarações muito pertinentes de Ana Júlia Francisco e Maria Domingas, ambas da Sociedade Portuguesa de Arboricultura, e é ilustrada com belas fotos de árvores (não podadas) nos jardins públicos de Lisboa e Porto; texto completo aqui ( 1,4 MB - pdf). (Ah, é verdade: nela também se fala de nós.)
Publicado também no Dias sem árvores
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Paulo Araújo
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2.5.06
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Etiquetas: Dias sem árvores, Platanus
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«O dia das "Maias" é o primeiro de Maio, que desde tempos imemoriais se comemora em Portugal e assume diversas formas celebrativas de Norte a Sul. No Minho, Douro Litoral e Beira Litoral (seguindo a lição de Ernesto Veiga de Oliveira- quem mais completamente estabeleceu o painel maiático, reolhendo maieiticamente contribuições parcelares anteriores - in "Comércio do Porto", de 13 de Maio e 24 de Junho de 1958) , a essência festejante está na aposição de giestas (por antonomásia "maias"), às vezes de outras flores, nas janelas, nas frestas ou aldrabas das portas, nos currais, em cancelas, nos próprios animais, nas lojas de artífices, e em camionetes, locomotivas, passagens de nível, barcos e traineiras, ostentando rapazes e raparigas, com as orelhas floridas, os seus melhores trajos.
Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem representar o "Maio-moço" e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele (Abade de Baçal). Na Beira-Alta e na Beira-Baixa (embora nesta apareça excepcionalmente um boneco de palha) são também rapazes ataviados de giestas quem personifica o "o Maio", retouceiro e sátiro, centralizando o peditório cerimonial em dinheiro ou castanhas.
Na Estremadura, a "Maia" é uma rapariguinha adereçada com flores que percorre as ruas da povoação acolitada pelas companheiras. Nas províncias do Sul a pessoalização também é normalmente feminina. Assim no Alentejo, com particular incidência em Beja. Aqui as "Maias" são meninas que vestem de branco e enfeitam com flores, pondo-lhes na cabeça um coroa de mais flores, e sentando-as em cadeiras, à esquina de alguma rua, nalgum largo ou junto à porta de sua casa. Em seu trono enfeitado de rosas se aquietam algumas horas, enquanto companheiras mais crescidas, com pequenas bandejas na mão, pedem a quem passa: "-Meu senhor, um tostãozinho para a 'maia'!"; ou "Um tostão para a Maia- que não tem saia!" (Manuel Joquim Delgado).
No Algarve, em quase todas as casas é costume arranjar-se um grande boneco de palha de centeio, farelos e trapos, que depois vestem de branco e cercam de flores. É a "maia" colocada à vista de quem passa, e em volta da qual se fazem bailes e descantes (Reis Dâmaso)» José Quitério, "As Maias" in "Manjares Rituais em Portugal", cap. III do LIVRO DE BEM COMER (Assírio & Alvim, 1987) 
Enquanto que o hábito de se colocarem giestas amarelas às portas, varandas, etc. não se perdeu, assim como perdura o costume de se fazerem bonecos de palha, será que ainda se encontram rapazes e raparigas, meninos e meninas enfeitados tal como estes textos antigos relatam?
Todavia no 1º de Maio não há só esta tradição ligada aos ramalhetes de maias e aos "maios", a bonecada satírica; também se verificam práticas de "manjares rituais", como por exemplo o costume de se comerem castanhas com o objectivo de conjurar o "Maio", o "Burro" ou o "Carrapato": «Como diz Ernesto Veiga de Oliveira, na faixa ocidental atlântica do país, do Minho ao Tejo, não há nenhuma prática alimentar específica deste dia. Em Trás -os-Montes e nas Beiras Altas e Baixas já o caso muda de figura. Em Bragança, informa o Abade de Baçal que se comem castanhas, para "evitar mordos do burro". Em Rio de Onor - é Jorge Dias que o escreve- no 1º de Maio é costume toda a gente comer castanhas, dizem eles que é para se livrarem das maleitas. (...) em Vouzela as castanhas secas ou piladas chamam-se Maias (...) e em Tabuaço anda pelas ruas, no 1º de Maio, um rapaz muito enfeitado a gritar com uma voz muito prolongada: "-Castanhas ao Maio!..."» (id.)
Anterior: "As Maias " por José Leite de Vasconcelos
Ver:"Sítio concebido para reunir informação sobre os Maios."
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manueladlramos
em
1.5.06
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Etiquetas: Fabaceae, José Leite de Vasconcelos, Maias, Usos e costumes

Muitos arbustos anónimos de folha caduca dão-se nesta altura finalmente a conhecer: alindam-se com folhas, flores e aromas; e, uma vez atraída a nossa atenção, cumpre-nos procurar-lhes o rasto nos compêndios botânicos em leituras de fim-de-tarde.
O arbusto semi-lenhoso e touceirado da foto é da espécie Philadelphus coronarius, incluída na família Hydrangeaceae. As folhas são tomentosas na face superior, com veios salientes desde a base e de margens levemente serradas; as flores são brancas, de 4 pétalas, com numerosos estames e um perfume insinuante. Sendo nativa da Europa, Ásia Menor e Cáucaso, adapta-se bem ao frio e à humidade das florestas europeias. No Parque de Serralves, na bordadura do bosque dos eucaliptos e no terraço lateral, vegetam exemplares magníficos de Philadelphus; e também vimos um de grande porte no jardim do Alão.
Certos híbridos de P. coronarius, P. microphyllus (do Texas) e P. mexicanus (do México), criados em França no século XIX por Victor Lemoine, exibem folhas douradas e flores grandes com base manchada de rosa.
Philadelphus coronarius em Serralves
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Maria Carvalho
em
1.5.06
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Etiquetas: Hydrangeaceae, Serralves