20/05/2007

Cebola-da-Pérsia



Cansei os braços
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.


António Gedeão, Balão Esvaziado (in Movimento Perpétuo, 1956)


Allium cristophii

19/05/2007

Uma flor tranquila



Hypericum perforatum, jardins do Palácio de Cristal

Este hipericão, da espécie Hypericum perforatum, parece ter sido costurado à pressa: as flores têm pétalas ligeiramente assimétricas, e ainda guardam alinhavos e um debrum a margeá-las para que não desfiem; nas folhas, opostas, sésseis e com veio central proeminente, são nítidos uns quase-furinhos, resultado de uso descuidado de alfinetes.

Uns e outros são de facto glândulas e constituem a característica mais útil na identificação desta planta. Quando pressionadas, libertam um óleo avermelhado que se julga conter o princípio activo usado em outros tempos para curar quase tudo, e que tem hoje presença obrigatória em anti-depressivos naturais.

Espontânea na Europa, esta herbácea é uma praga em solo americano.

18/05/2007

A ler

"Um cheiro que se não estranha..."

Título furtado daqui


Laranjeiras em frente ao Museu Monográfico de Conímbriga > - fotos Abril de 2007

«Deitei-me e adormeci.
Debaixo da laranjeira,
Caiu-me uma flor no rosto:
Ai! Jesus, que tão bem cheira!»

17/05/2007

Domingo no parque com sorvete



Victoria Park (oeste): cedro-do-atlas e freixo (Fraxinus excelsior)

Há três categorias de veículos motorizados que podem circular num parque londrino: os de emergência, os do serviço de manutenção do próprio parque, e os de venda de sorvetes. Só os últimos são imprescindíveis. Quando ao princípio da tarde a banda sonora da passarada é interrompida para a sesta, é a carrinha dos sorvetes, estridulando um jingle bells circense a cada centena de metros, que enche os ouvidos dos frequentadores do parque. E esse afago auditivo é só o preâmbulo da sua função mais nobre, que é a de nos comprazer o paladar. Uma carrinha cantante, uma sombra de árvore, um banco de jardim, um sorvete de morango e baunilha: eis o clímax de um perfeito domingo à tarde no parque.

[Um parêntesis linguístico-sociológico. O termo sorvete é mais usado no Brasil do que em Portugal: aqui quase toda a gente diz gelado, palavra muito menos expressiva. Em Portugal os sorvetes são coisa do Verão, mas em países como a Inglaterra, onde os meses quentes pouco têm de escaldante, são consumidos o ano inteiro.]

Três razões me levaram ao Victoria Park no meu último domingo em Londres: a pulsão coleccionista de converter em imagens reais todas as manchas verdes no mapa da cidade; o percurso no autocarro 55 entre Oxford Circus e o East End londrino; e o facto de ser no Victoria Park ou na vizinhança que decorrem algumas peripécias de dois livros de Barbara Vine (Asta's Book e The Chimney Sweeper's Boy). Assim como Charles Dickens e Conan Doyle construíram uma Londres oitocentista ficcionada que se tornou mais real do que a Londres dos historiadores, também Ruth Rendell / Barbara Vine nos tem legado, em romances que de policial pouco ou nada têm, um perdurável retrato físico e social da Londres contemporânea.

O Victoria Park ocupa 87 hectares; tal como o Regent's Park (com o qual tem grandes semelhanças), foi inaugurado em 1845 e é dos parques mais antigos de Londres. Os vitorianos consideravam os parques «como instrumentos para a melhoria física e moral, principalmente das classes trabalhadoras» [citação daqui], e o parque foi uma oferta da coroa às gentes pobres do East End. Ladeado por dois canais (o Regent's Canal a oeste e o seu afluente Hertford Union Canal a sul), é atravessado por uma rodovia (Grove road) que o divide em duas partes bem distintas: a metade ocidental é mais frondosa e pitoresca, com sebes de plantas variadas, canteiros floridos, muitas árvores ornamentais em maciços e alamedas, e um lago cheio de meandros com uma ilha arborizada ao centro. É aqui que as mães vêm empurrar os carrinhos de bebé, enquanto os maridos (enfim, nem todos) e os filhos mais graúdos se divertem nos campos de jogos que preenchem boa parte da metade oriental. Mas mesmo aí há um lago enfeitado com muitos lírios amarelos e um jardim inglês à moda antiga (old english garden) protegido por um gradeamento; delimitando o parque a nordeste, alonga-se a mais comprida alameda de plátanos que alguma vez percorri. E foi também na metade oriental que uma benemérita carrinha sorveteira completou a perfeição de uma tarde de domingo.



Victoria Park (leste): lírios amarelos e castanheiro-da-Índia em flor; laburno (Laburnum anagyroides) e campo de jogos

16/05/2007

De olho nele...

e ele de olho em mim.

Ver e ouvir no You tube >
Foi durante a minha visita anual ao bonito castanheiro da Índia que fica no largo dos Álamos - num bairro cujas ruas têm nomes de árvores não concordando nenhum deles com os espécimes que nelas se encontram- que passei por este melro.
Todos nós conhecemos o assobio desta ave e o seu canto (considerado por alguns entendidos > como o mais belo da Europa ), mas como chamar a este repetitivo som metálico? E como interpretá-lo? A mim - que não percebo nada de aves- pareceu-me um chamamento, mas talvez esteja enganada (ver "oiseaux.net").

Quedei-me uma boa meia hora a observá-lo (e pude verificar pelas fotos e pelo filme > que também ele esteve de olho em mim): brilhando ao sol, saltitando do telhado para o murete, e deste para o chão, voltava sempre para o interior da japoneira- muitas vezes com alimento no bico- donde continuava o seu estridente... «aflautar, agloterar, amiudar, apitar, arensar, arremedar, arrolar, arrulhar, assobiar, atitar, bufar, cacarejar, caquerejar, carcarear, carcarejar, chalrar, chalrear, chiar, chilrar, chilrear, chirrear, chirriar, clarinar, cocoriar, cocoricar, corruchiar, corujar, corvejar, crocitar, crujar, cuarlar, cucar, cucular, cucuricar, cucuritar, dobrar, engabrichar, estalar, estralhar, estribilhar, falar, fraquejar, gaguear, galhear, galrear, galrejar, ganizar, gargalhar, gargantear, garrir, garzear, gazear, gazilar, gazinar, gazular, gemer, gloterar, glotorar, gorgolejar, gorjear, gracitar, gralhar, gralhear, grasnar, grasnir, grassitar, grazinar, grinfar, gritar, grugrujar, grugrulejar, grugrulhar, grugrurejar, grugulejar, grugulhar, grugurejar, gruir, grulhar, guinchar, modular, palrar, papear, piar, picuinhar, pipiar, pipilar, pissitar, pistar, pupilar, redobrar, regorjear, remedar, restridular, retinir, rir, rouxinolar, rouxinolear, serrar, soar, suspirar, sussurrar, taralhar, taramelar, taramelear, tartarear, tentenar, tinir, trilar, trinar, trinfar, trissar, trucilar, turturejar, turturinar, turturinhar, ulular, vozear, zinzilular» ( fonte: Houaiss)
Que termo usar de entre alguns dos que se encontram nesta longa lista das vozes das aves? Ainda não me decidi, porque, para ser sincera, não sei qual o mais adequado.

15/05/2007

Filírea


Phillyrea latifolia

Depois de 17 anos à espera, os sábios preparam-nos agora para recebermos de braços abertos, daqui a 10 anos e só então devidamente aprovado, o acordo ortográfico luso-brasileiro. Tarefa árdua, de que nos cabe ir usando as palavras de que a língua portuguesa se orgulha, não vá dar-se o caso de as esquecermos e já não constarem das partilhas. Como, por exemplo, aderno e lentisco. Designam as duas únicas espécies do género Phillyrea, a P. latifolia e a P. angustifolia, ambas espontâneas em Portugal, Norte-de-África e Turquia.

São arbustos da família Oleaceae, como as oliveiras, os ligustros, os lilases, os freixos, os sinos-de-ouro ou os jasmins. De crescimento lento e flores minúsculas esverdeadas (embora abundantes e vistosas em conjunto), dir-se-iam plantas pouco ornamentais. Contudo têm folha perene com bordo transparente e um biquinho no ápice, os frutos são bolinhas coloridas e, quando idosas, exibem troncos encurvados muito elegantes - de madeira clara e maleável, que é usada, como a de buxo, em esculturas. E, claro, sendo sobreviventes das nossas florestas, suportam corajosamente os ventos, a poluição atmosférica e as secas.

Antes da importação maciça no século XIX de perenifólias do Japão e China, eram os adernos-de-folha-estreita e os adernos-de-folha-larga que se apreciavam em jardins soalheiros. Mas não conhecemos no norte exemplares de grande porte deste género. O da foto está num bosquete de arborização recente do Parque Biológico de Gaia, vizinho de espécimes jovens de P. angustifolia.

Segundo o dicionário Houaiss, o termo phillyrea deriva do grego philúra, tília.

14/05/2007

Caminhos de água



Londres: o Regent's Canal entre Victoria Park (à esquerda em cima) e Islington (à direita em baixo)

Embora a Inglaterra não seja a Holanda, é possível num barco a motor ir de norte a sul e de este a oeste do país usando uma ampla rede de canais artificiais. Construídos para transporte de mercadorias, foram o caminho-de-ferro já no século XIX e a revolução rodoviária no século seguinte que lhes retiraram toda a função utilitária. Não que tivessem ficado ao abandono: nos canais londrinos vêem-se famílias inteiras a bordo dos barcos estreitos e compridos que preguiçam água abaixo ou água acima; os caminhos marginais (towpaths, usados para puxar os barcos à corda no tempo em que não havia motores) enchem-se de ciclistas, passeantes, trotadores (tradução possível para joggers), pescadores à linha, gente com cães pela trela, vagabundos bebendo cerveja em lata, e um ou outro turista desorientado.

A construção do Regent's Canal, segundo plano do arquitecto e urbanista John Nash, decorreu entre 1812 e 1825. O canal descreve um arco com uma extensão aproximada de 13,7 Km entre Paddington (a oeste de Londres) e as Docklands (a leste), onde desagua no Tamisa; cinge o Regent's Park no seu limite norte, bissectando o Zoo de Londres, e passa depois por Camden Town, pela estação de King's Cross, por Islington e pelo Victoria Park. O caminho para peões é interrompido nos dois ou três pontos onde o canal mergulha em túneis de extensão variável - o mais comprido deles, o túnel de Islington, ultrapassa os 800 metros - e só de barco é possível conhecê-lo de uma ponta à outra. Não que eu tivesse tamanha ambição: contentei-me em palmilhar contra a corrente os 4 km de Victoria Park até Islington. Esse troço atravessa Hackney, uma das regiões mais pobres de Londres, e o cenário dos bairros sociais, torres de habitação e velhos armazéns não é dos mais agradáveis de se ver. Mas há sempre manchas de arvoredo, alguma vegetação espontânea, bandos de patos e de gansos, e até uma public house de portas abertas para o canal. O curso das águas é por vezes quebrado por sistemas de comportas: são as eclusas (a que os ingleses chamam locks), elevadores aquáticos para que os barcos vençam os desníveis no leito do canal.

Os dois extremos do meu percurso, no Victoria Park e em Islington, compensam largamente o que de menos bonito encontrei no caminho. O canal acompanha em linha recta todo o extremo oeste do Victoria Park, que lhe retribui a gentileza resguardando-o sob uma alameda quase ininterrupta de tílias e plátanos. Em Islington, entre os arcos de uma ponte e do túnel, o canal alarga-se em mais um porto de abrigo para barcos: há árvores de ambos os lados e os jardins particulares estendem floridas ramadas sobre o muro. O silêncio e o sossego são inacreditáveis; mas dois lanços de escada devolvem-nos abruptamente ao tumulto da cidade.

12/05/2007

Nos jornais- "Jardim Botânico renovado abre hoje"

Roseiral- Maio de 2006 (ver álbum)
«O Jardim Botânico do Porto reabre, hoje, depois de uma intervenção de dez meses. Novas plantações, o roseiral remodelado, equipamentos restaurados, caminhos renovados e sinalizados são algumas das melhorias que os visitantes poderão constatar. (...)» ler no Jornal de Notícias >

Botânico reabre hoje
«(...) Em reportagem publicada em Março > em O Primeiro de Janeiro, a coordenadora do projecto de recuperação do jardim, Teresa Andresen, sublinhou que se tratava de uma “obra pesada, que não brilha, mas é fundamental para o jardim funcionar”. O actual Jardim Botânico do Porto teve como principal impulsionador Américo Pires de Lima. » ler n'
O Primeiro de Janeiro >

Ler : O Jardim convida.
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Actualização -13.05.07: Nova vida para o Jardim Botânico no PJ ; Enormes árvores, rãs e nenúfares para observar no Jardim Botânico no DN

Jardim Botânico do Porto no Dias com árvores

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Foto Julho 2002 (ver álbum)

11/05/2007

"Ai flores, ai flores do verde pino"


Foto: inflorescência de Pinus pinaster -Parque da Cidade

-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo?
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?

-Vós me perguntades polo voss' amigo,
e eu bem vos digo que é sã e vivo.
- Ai Deus, e u é?

-Vós me perguntades polo voss' amado,
e eu bem vos digo que é viv' e são.
-Ai Deus, e u é?

-E eu bem vos digo que é sã e vivo,
e seerá vosc’ ant' o prazo saido.
-Ai Deus, e u é?

-E eu bem vos digo que é viv' e são,
E será vosc'ant' o prazo passado.
-Ai Deus , e u é!
D. DINIS > (1261- 1325)

(Ontem não pude ir buscar o meu exemplar do Volume 4 -PINHAIS E EUCALIPTAIS da coleccção Árvores e Florestas em Portugal, já que para mim também tem sido impossível adquirir estes livros no quiosque habitual; tenho curiosidade em saber se esta poesia de D. Dinis é lá citada, pois no primeiro volume, no capítulo dedicado ao Pinhal de Leiria, transcrevem-se excertos de poesias referindo este célebre "cantar de amigo", mas não o próprio poema...)

Lábios da terra



Lamium maculatum / Lamium galeobdolon

Sento-me à porta de casa e penso. o céu onde começa? é imediatamente acima do chão? estamos sempre no céu então?

Ana Hatherly, in 63 Tisanas (1973)

10/05/2007

Cerejeira-preta



Prunus serotina nas margens do Tâmega

Além dos plátanos, choupos, freixos, salgueiros, amieiros e de uma ameaçadora população de mimosas, as margens do Tâmega em Amarante acolhem algumas árvores exóticas invulgares, plantadas talvez pelos serviços do Parque Florestal: encontramos lá um Taxodium distichum com um pé mergulhado na água; uma Maclura pomifera; e uma Prunus serotina, espécie de cerejeira tão incomum entre nós que nem é mencionada no livro Portugal Botânico de A a Z. Originária do oeste do Canadá e dos EUA, onde é conhecida como black cherry (cerejeira-preta em tradução literal), é uma árvore de porte respeitável se comparada com a maioria das suas congéneres, atingindo alturas de 30 m. Tal como as europeias P. lauroceraus e P. lusitanica, as flores da P. serotina aparecem em cachos, que no seu caso são pendentes; mas, dessas três espécies, só a Prunus serotina é de folhagem caduca. A sua floração não é vistosa, pois só surge depois das folhas, ao invés do que sucede com as espécies do género Prunus mais ornamentais. Os seus frutos são comestíveis mas adstringentes, e a sua madeira, forte e de um bonito tom vermelho-acastanhado, é muito valorizada em marcenaria.

09/05/2007

Lilás-da-Califórnia


Ceanothus thyrsiflorus var. repens

O Ceanothus thyrsiflorus é da família Rhamnaceae e nativo da América do Norte. Tem inflorescências piramidais (daí o epíteto thyrsiflorus) que lembram as do lilás, mas as flores são mais elaboradas: 5 sépalas pontiagudas, que se unem num disco, e 5 pétalas orelhudas, como capuchinhos que se estreitam na base. É arbusto de crescimento rápido, e rasteirinho, por isso apropriado como tapete em canteiros ensolarados - ou para jardins que têm dificuldade em sair do papel.

As espécies Ceanothus que dão flores brancas têm em geral ramos espinhosos (e keanothus é o termo grego correspondente). A mais famosa é a prima C. americanus, conhecida como New Jersey tea, cujas folhas substituíram as de chá chinês durante a guerra da independência americana (1775–1783), na sequência da Boston Tea Party - um protesto de colonizadores e índios americanos contra a Grã-Bretanha em Dezembro de 1773, durante o qual se afundaram cerca de 45 toneladas de chá chinês que, durante as semanas seguintes, revestiu as areias do porto de Boston.

08/05/2007

Petição

LISBOA TEM QUE SER RESSARCIDA PELO ABATE DAS ÁRVORES NO CAMPO PEQUENO! «Face ao escandaloso abate levado a cabo pela CML/Espaços Verdes de cerca de 200 plátanos e jacarandás no Jardim do Campo Pequeno, árvores na sua maioria de grande porte, e em nosso entender, em bom estado fitossanitário (dado o levantamento fotográfico das árvores abatidas e dos cotos); vimos pelo presente dar VOZ AO NOSSO PROTESTO, EXIGIR que sejam apuradas RESPONSABILIDADES e que Lisboa e quem nela vive, trabalha e visita SEJAM RESSARCIDOS POR ESTE ABATE.»

imagem do blogue CIDADANIA LX

"la tala"

Pelos vistos continuou o abate das árvores no Campo Pequeno! Da previsão de nenhuma árvore (em 2005) o número passou para 54 depois 97 e actualmente parece que foram 200 os plátanos e jacarandás cortados.
Realmente, somos muito passivos e os nossos protestos, as nossas vozes raramente deixam de ser virtuais.
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A propósito, vejam só a manifestação (video no youtube- no ano passado) contra a "tala" das arvores do "Paseo del Prado" assunto que volta a estar na berra. A baronesa Thyssen, no protesto convocado pela Plataforma SOS Passeo del Prado que anteontem de novo saíu à rua, a certa altura, quando entrevistada para a comunicação social, fala mesmo (video), sem o nomear, do caso Avenida dos Aliados-Praça da Liberdade afirmando que o arquitecto "destruíu essa Praça maravilhosa e fez uma coisa moderna", coisa que lá não será permitida.
Mas nós deixámos, assim como permitimos que as árvores do Campo Pequeno fossem abatidas...
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Entretanto recebemos a notícia do lançamento de uma petição com o objectivo de se apurar a responsabilidade pelo abate das árvores.

Mais vale tarde do que nunca...

Os nossos agradecimentos aos Ecos da Falésia, um toque e BLOG DA SABEDORIA pelos awards!

07/05/2007

Reabertura do Jardim Botânico do Porto

É já neste sábado, 12 de Maio, às 17h30m. A hora parece tardia, mas agora espera-se mais pela noite, e portanto não faltará luz à festa. Já tivemos oportunidade de espreitar o jardim renovado e podemos adiantar que a obra envolveu um redesenho completo dos caminhos no arboreto e na parte confinante com a VCI. O jardim parece maior, e tem perspectivas e recantos completamente novos; apesar de ainda faltarem algumas plantações, está muito mais bonito do que era antes.

Robinias em flor

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Ao lado das gledítsias (Gleditsia triacanthos)- que nesta altura do ano também estão cheias de pequenas flores esverdeadas- uma robínia (Robinia pseudoacacia) com os seus vistosos cachos de perfumadas flores brancas. Pertencem ambas à família das Fabaceae > mas a subfamílias diferentes. Fotos Abril /Maio (Ramalde)

Robinia pseudoacacia no Dias com árvores:

Mais informação: > Wikipedia (FR) ; > The-Tree (UK); > Universidade de Purdue (US); fotos Duke University (US)

05/05/2007

Dez mil folhas


Myriophyllum aquaticum

Esta é uma herbácea da família Haloragaceae cuja identificação é difícil mas especialmente importante. É que as espécies Myriophyllum aquaticum (da América do Sul, conhecida como pinheirinha-de-água), e a europeia Myriophyllum verticillatum (que tratamos por erva-pinheirinha) são quase idênticas, mas a primeira é invasora preocupante dos nossos cursos de água enquanto a outra é, diz-se, inofensiva.

Ambas apresentam a característica disposição das folhas em verticilos (níveis em redor de um eixo, formando belos penachos); multiplicam-se facilmente por meios vegetativos, bastando que os ramos se fragmentem e voltem a encontrar solo que lhes agrade, o que é muitas vezes beneficiado pelos meios mecânicos usados para as remover dos lagos; e têm rizomas muito resistentes, que podem viajar longas distâncias agarrados ao casco de embarcações. Contudo a M. verticillatum está mais frequentemente submersa, aparecendo à tona quase só na época da floração, permitindo a entrada da luz e uma oxigenação mais eficiente do meio aquático, e portanto coexiste com maior diversidade de vegetação.

O exemplar da foto enche um pequeno tanque do Palácio de Cristal e tem muitos pezinhos fora de água à espera de sapatinho.

04/05/2007

Senhoras árvores

Pinheiro Manso - Benagouro

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Pinheiro manso (Pinus pinea) em Benagouro freguesia de Vilarinho da Samardã.
Fica sobranceiro à estrada que liga Vila Real a Chaves e não passa despercebido à saída da curva mesmo ao pé do café Pinheiro. Visitámo-lo numa tarde quente de Setembro de 2003 -no mesmo dia em que também fomos conhecer o de Loivos. Com a provecta idade de 300 anos (de acordo com a documentação da DGF) foi classificado de interesse público em Janeiro de 2001.

"...and my heart has been struck with the hearts of the planes!"

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The Trees Are Down
"...and he cried with a loud voice: Hurt not the earth, neither the sea, nor the trees"-Revelation

They are cutting down the great plane-trees at the end of
the gardens.
For days there has been the grate of the saw, the swish of
the branches as they fall,
The crash of the trunks, the rustle of trodden leaves,
With the 'Whoops' and the 'Whoa', the loud common talk,
the loud common laughs of the men, above it all.

(...)
It is not for a moment the Spring is unmade to-day;
These were great trees, it was in them from root to stem:
When the men with the 'Whoops' and the 'Whoas' have carted
the whole of the whispering loveliness away
Half the Spring, for me, will have gone with them.

It is going now, and my heart has been struck with the
hearts of the planes;
Half my life it has beat with these, in the sun, in the rains,
In the March wind, the May breeze,
In the great gales that came over to them across the roofs from the great seas.
There was only a quiet rain when they were dying;
They must have heard the sparrows flying,
And the small creeping creatures in the earth where they were lying -
But I, all day, I heard an angel crying:
'Hurt not the trees.'

© by Charlotte Mew
(post dedicado a todos os que sentem uma profunda dor com o abate dos plátanos do Campo Pequeno em Lisboa)

03/05/2007

Paz toponímica



O quarteirão da Paz é no Porto o centro de frágil resistência toponímica ao belicismo celebrado noutras partes da cidade; é o necessário mas insuficiente contrapeso à avenida dos Combatentes da Grande Guerra, às ruas dos Heróis, do Heroísmo e dos Mártires, às praças da Batalha e do Exército Libertador, às ruas, praças e avenidas do Marechal, do General, do Coronel, do Major, do Capitão, do Tenente e até do Sargento. A Paz toponímica sobe com dificuldade por uma rua íngreme, junta-se com a Saudade num pequeno largo em forma de quadrilátero irregular, e desfalece numa travessa tortuosa onde ninguém passa. A Misericórdia, representada por um lar da Santa Casa a um canto do largo, ergue contra a Paz um muro de indiferença.

No centro do largo da Paz, cercado pelo estacionamento e pelo trânsito ininterrupto, há um triângulo com relva, flores e árvores. Exactamente três árvores: um cipreste (Cupressus sempervirens), uma magnólia-de-Soulange e um castanheiro-da-Índia. O cipreste é sisudamente igual a si próprio em todas as estações do ano, e nunca se deixa tentar por indumentária nova; a magnólia já teve há dois meses a sua temporada de vaidade; agora é a vez de o castanheiro-da-Índia mostrar quanto vale: ainda mal fez abrir as folhas novas, e eis que já ostenta as pirâmides de flores brancas.

No Porto, os melhores locais para admirar a floração destas árvores são o Parque de Serralves e a rua de Guerra Junqueiro; em ambos se podem ver lado a lado as duas espécies de castanheiros-da-Índia comuns em Portugal: o Aesculus hippocastanum, de flores brancas, e o híbrido Aesculus x carnea, de flores cor-de-rosa. Tal como sucede com as magnólias, são os castanheiros-da-Índia brancos que primeiro florescem. Apresse-se por isso o leitor se ainda quiser ver-lhes as flores.

02/05/2007

Dias sem árvores- Lisboa

Abate de 97 plátanos no Campo Pequeno
Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!
(via Blogue de Cheiros)

Em chama



Calliandra e Brunfelsia em flor - Rua S. João de Brito (Porto)
Ao pé do Romeu e Julieta, um arbusto em chama vermelha.

No Verão de há dois anos perguntaram-me se conhecia as "acácias vermelhas" bastante comuns nas ruas e jardins de algumas cidades de Moçambique. Não sabia que árvores ou arbustos pudessem ser e presumi tratar-se desta bela ornamental de vistosos estames vermelhos que está agora em flor: uma Fabácea pertencente à subfamília Mimosaceae (ou Mimosoideae) do género Calliandra (do grego kalli = belo e andros = masculino, referindo-se aos estames coloridos; tal e qual como os Callistemon), mais concretamente, e salvo erro, uma Calliandra tweediei, originária da América do Sul. No Uruguai, por exemplo, chamam-lhe Plumerillo rojo ; na vizinha Espanha tem o belo nome de Arbusto de la llama .

Mas a Ver veio esclarecer que muito provavelmente as "acácias rubras" de Moçambique são Delonix regia, espécie também conhecida por flor-do-paraíso, pau-rosa e flamboyant (fonte). Pertence como a Calliandra à família das Fabáceas (ou Leguminosae) mas a outra subfamília: Caesalpinioideae

A cochonilha que não é praga


Tamariz no Largo de Cadouços, Foz do Douro - Abril de 2007

Trabutina mannipara é o nome científico do insecto que produz uma melada que foi chamada maná (Êxodo 16:1-35). «Javé disse a Moisés "farei chover para vós pão do Céu" (…) De manhã havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento. (…) Quando a camada de orvalho se evaporou, na superfície do deserto apareceram pequenos flocos, como cristais de gelo. Moisés disse: "Isto é o pão que Javé vos dá para comerdes. Cada um apanhe quanto lhe baste para comer".»

Trabutina mannipara tem a seguinte classificação: pertence ao reino animalia, phylum artropoda, classe insecta, ordem hemiptera, superfamília coccoidea, família pseudococcidae, género trabutina. O nome vulgar para todos os insectos desta superfamília é cochonilha.

As cochonilhas são pequenos insectos que geralmente têm algum tipo de protecção para o corpo. Os jovens imaturos são móveis; as fêmeas adultas não têm asas e são quase totalmente imóveis. Os adultos machos têm um par de asas, mas são delicados e a sua vida é curta. Para se alimentarem, as cochonilhas inserem os estiletes na planta de modo a obterem, por absorção, o alimento de que necessitam. Excretam então a melada, uma substância rica em açucares, aminoácidos, amidas, proteínas e vitaminas. A melada está na origem de diversos tipos de relações tróficas, podendo envolver formigas colhedoras de melada e insectos fitófagos, predadores ou parasitóides que complementam a sua dieta com melada. Pode também servir, como no caso da melada produzida por T. mannipara, para complemento da alimentação humana. Sobre a melada é frequente desenvolver-se um complexo de fungos de cor escura, a fumagina, causa de depreciação de plantas ou frutos. Por causa da fumagina as cochonilhas são consideradas inimigas das culturas, obrigando à monitorização e à aplicação de meios de protecção. As cochonilhas são pragas das culturas agrícolas e das plantas ornamentais.

Tamarix mannifera é a planta que vegeta na Península do Sinai e é hospedeira de Trabutina mannipara. O género Tamarix (tamariz em português) engloba 75 espécies espalhadas pela Europa ocidental e mediterrânica e Ásia oriental. É um arbusto com ramos finos e longos de cor castanha; as folhas, muito pequenas, são escamiformes imbricadas, medem alguns milímetros, e são muito parecidas com as do cipreste, mas moles e caducas. As flores são brancas ou rosa e estão agrupadas em espigas cilíndricas. O tamariz é muito usado como planta ornamental pela sua graciosidade e diversidade cromática ao longo do ano (rosa, depois verde e mais tarde castanha). É também usada para fixação de dunas no litoral.

No arbusto Tamarix mannifera vive a cochonilha Trabutina mannipara, produtora de melada que, uma vez solidificada pelo frio da noite no deserto, pode ser recolhida e servir de alimento. Uma cochonilha que não é praga!


Texto e foto de Ana Aguiar (Eng. Agrícola)
Maio de 2007

01/05/2007

Para dar sorte

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Convallaria majalis

Enquanto entre nós se enfeitam portas e janelas com maias para afastar "aquele cujo nome não se deve pronunciar" (mas que a minha vizinha chama à boca cheia "carrapato"), em França o "porte-bonheur" é o "muguet". Segundo parece, este hábito, agora extremamente popular de se oferecer raminhos de Convallaria majalis no primeiro de Maio para dar sorte, poderá ter-se tornado moda na corte do rei francês Carlos X . Não é excluída também a possibilidade de, tal como outros costumes florais do mês de Maio, radicar em tradições ancestrais associadas à Beltane (Bealtaine ou Beltaine conforme os idiomas > ) festa que marcava o início do Verão na tradição céltica (fonte).

A sua ligação à festa do trabalho é relativamente recente. Com efeito quando se fizeram os primeiros desfiles em França, os manifestantes ostentavam na lapela um triângulo vermelho que simbolizava aquilo que então reinvidicavam, ou seja a divisão do dia em três períodos iguais de "travail, sommeil et loisirs". Mais tarde, o triângulo é substituído por uma rosa brava vermelha (Rosa canina ), uma "églantine" , que alguns anos depois, por volta de 1907, terá dado lugar ao "muguet", símbolo da Primavera na região de Paris.

Apesar de alguns sítios on line mencionarem que esta pequena (ex-)liliácea é originária do Japão, Mrs Grieve no seu Modern Herbal informa-nos tratar-se de uma nativa das ilhas que entra na farmacopeia britânica e dá-nos a conhecer algumas das lendas e tradições associadas a esta planta conhecida em língua inglesa por "May Lily, Convallaria, Our Lady's Tears, Convall-lily, Lily Constancy, Ladder-to-Heaven, Jacob's Ladder, Male Lily", para além de, claro, Lily-of-the-Valley.
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A ler também Muguets for May Day , com o toque muito especial da Julie Ardery, no Human Flower Project

"Maias" nas portas e nas janelas

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uma tradição que se mantém. Fotos hoje, no Porto, freguesia de Ramalde.

A ler: As maias por Rui Reininho, no JN.

Arroz-dos-muros


Sedum arenarium

Este arroz é o complemento natural à sopa-de-pedra: coloniza escarpas nuas de zonas temperadas, sobrevivendo das partículas que resultam da erosão das rochas. Suporta admiravelmente grandes diferenças de temperatura e a reduzida humidade destes ambientes à custa de um metabolismo típico das crassuláceas que lhes permite estarem «acordadas» apenas de noite. Em afloramentos rochosos não pisoteados por másculos alpinistas, nem sujeitos a movimentações excessivas do solo, estendem-se grandes lençóis destas flores brancas a coroar caules vermelhos revestidos por folhas carnudas. E se se for paciente, sem se demorar em ajustes de profundidade de campo e velocidade, podem fotografar-se belas borboletas que as visitam em busca do farto néctar que produzem.