30.4.06

Conselho

A doctor can bury his mistakes but and architect can only advise his client to plant vines.
- Frank Lloyd Wright


Glicínias com rododendro em fundo

A ler- "Serras de Valongo - um património natural a descobrir e conservar"

«Localizadas a poucos quilómetros da cidade do Porto e repartidas entre os concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes, as chamadas serras de Valongo ocultam nas covas mais profundas e nas cristas mais desérticas plantas e animais raros e magníficos. ...» - no Naturlink
Boa lembrança do Octávio Lima, no
Ondas.
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29.4.06

Cancioneiro popular - árvore de Jessé

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A arbre de Jassé *
Cada ramo tem seu rei,
Soi'la mãe do meu amor,
No jardim vos prantarei.


*«Árvore de Jessé: representação iconográfica da genealogia de Jesus, de origem medieval [...] Jessé (ou Isai) pai de David, aparece geralmente deitado. Na cabeça ou no tronco, estão inseridas as raízes de uma árvore de cujos ramos saiem os reis de Judá, e por vezes os Profetas. Ao cimo, Jesus, ou Maria com o Menino nos braços.» (Silva, A. da- "Árvore". Rel.. In Verbo: enciclopédia luso-brasileira de cultura. Lisboa : Verbo, D.L. 1992)

A propósito sugere-se a visita da magnífica árvore de Jessé em talha dourada (séc. XVII/XVIII) do retábulo de Nossa Senhora da Conceição, na Igreja de S. Francisco, no Porto.

28.4.06

Palestra- A Natureza na Bíblia

Inaugurando o ciclo A Natureza nas Religiões e nas Filosofias
decorrerá hoje às 21:30, na sede da Associação Católica do Porto, Rua Passos Manuel, n.º 54,
uma palestra intitulada A NATUREZA NA BÍBLIA,
por Frei Geraldo (o sacerdote beneditino, Prof. Dr. Pe Geraldo Coelho Dias, OSB)

Organização da Campo Aberto - associação de defesa do ambiente

Nos jornais- Siza em Madrid projecta dias sem árvores


Na berlinda "o plano dos arquitectos Álvaro Siza e Juan Hernandez de Léon para o reordenamento do percurso entre os museus do Prado, Thyssen e Reina Sofia" (DN) que implicará a "mexida" (ou não) em 738 árvores centenárias. Cara baronesa estamos consigo!
Foto (LUIS MAGÁN) in EL PAIS

24 de Abril: Carmen Thyssen planta cara a Gallardón por la reforma del paseo del Prado : «"Quieren ponernos una autopista delante, y encima lo harán cortando una arboleda única", afirma Carmen Thyssen al referirse a la vía de cinco carriles de coches que caerá en el lado del museo y que obligará a mover los árboles centenarios que hoy respiran frente a ella. "La gente que venga a nuestro museo será la que se trague el monóxido de carbono(...)".
Pero es al hablar de los enormes árboles plantados en la época de Carlos III que está previsto trasplantar, cuando la baronesa se pone en pie de guerra: "Buscaré a otros amantes de la naturaleza como yo y nos ataremos a cada árbol para impedir que acaben con ellos, son divinos, una belleza. Me llevaré la tartera con comida y bebida, y ya veremos quién me mueve de ahí. Todo el mundo sabe que es imposible trasplantar árboles de ese tamaño y que la mayoría morirán. Me parece estupendo que se remodele la zona, pero que se haga preservando lo que ya está, sin destruir. No quiero pensar, además, en el calor que hará en verano, sin una sombra en todo el paseo"... Según se indica en la Memoria del Plan Especial, está previsto talar (o "extraer") cerca de 700 árboles en toda la obra. De ellos, existen 95 catalogados que deben ser cuidados al máximo durante las obras, siguiendo las determinaciones establecidas por la Dirección de Patrimonio verde. (...)»
28 de Abril: Gallardón arrancará 738 árboles del Paseo del Prado para modificar su trazado :«El Ayuntamiento de Madrid no modificará el trazado previsto en su proyecto de reforma del eje Prado-Recoletos aunque admite que en una operación de esa envergadura, que afecta a unas 160 hectáreas desde la plaza de Colón al norte hasta Atocha al sur, a lo largo de 5 kilómetros, puede haber alguna modificación. Entre estas modificaciones se encuentran "someter" a 738 árboles a un "tratamiento específico". 461 serán "trasladados" y 272 "extraídos". El coordinador general de Urbanismo, Francisco Panadero, dijo a Libertad Digital que sólo se van a "tratar" 29 árboles. La baronesa Thyssen ha advertido al Ayuntamiento que se llevará el museo a Suiza si se destroza el Paseo del Prado y se encadenará a los árboles(...)»

Ver arq.txt: Eje del prado. Documentación del proyecto de Siza en Madrid buscando arquitectura

Adenda
29 de Abril: Gallardón rehúsa cambiar el proyecto del eje Recoletos pese a las presiones del Thyssen ; Ayuntamiento dice que las obras en el Paseo del Prado afectarán a 29 arboles y que Thyssen no alegó ; Madrid: Contra la tala de árboles en el paseo del Prado (in-Ecologistas en Acción de la Comunidad de Madrid)

Afinal valeu a pena protestar:
19 de Maio: El Ayuntamiento someterá de novo a información pública durante 6 meses el proyecto del eje Prado-Recoletos
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27.4.06

Curva na estrada



Todos conhecemos os estudos estatísticos que traduzem no presumível rigor dos números tudo quanto é do domínio do senso comum. Por exemplo, julgamos nós que certos painéis publicitários (vulgo outdoors) de conteúdo apelativo, colocados junto a uma curva apertada, podem provocar acidentes por distraírem os condutores. Mas a estatística desaconselha-nos a precipitação: há que comparar e quantificar; antes de proibir o painel sugestivo, é preciso experimentar, nesse mesmo local e noutros, painéis de conteúdos diversos. Ficaremos todos mais esclarecidos se no final a estatística nos fornecer a lista dos possíveis assuntos para outdoors por ordem crescente de risco, dos mais inócuos (equipamento para bricolage, propaganda política) aos mais perturbadores (mmmhhh), passando por aqueles de perigosidade média (como sejam os anúncios com gatos).

Seria imperioso saber, em prol da segurança das pessoas e bens que circulam na estrada de Guimarães a Tabuadelo, se esta olaia, toda de liláses e requebros, deveria estar onde está, mostrando-se sem vergonha aos condutores. Mas a estatística abstém-se de investigar o caso e, sem estudos em que se apoie, a fiscalização nada pode fazer. Também as denúncias chegam tarde: na hora em que publicamos esta, já a olaia, essa dissimulada, se cobriu toda de um verde inocente. «Que ando a acenar aos condutores? Eu?! Ora essa!» - diz ela em tom de fingida indignação cortado por risinhos abafados.

26.4.06

A um Negrilho

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S. Martinho de Anta, 26 de Abril de 1954

Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.

Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!

Miguel Torga in Diário VII (1956)


Foto: in Árvores Monumentais de Portugal, Ernesto Goes(1984)
Este negrilho (ou ulmeiro) entretanto começou a secar e morreu. À sua frente foi plantada uma nova árvore da mesma espécie (Ulmus minor). O Velho lá continua, ainda mais reduzido do que se pode ver
numa das páginas (Lugares> Largo do Eirô) dedicadas a Miguel Torga, do excelente projecto viajar com... os caminhos da literatura, mas mesmo assim, monumental, impressionante.

25.4.06

"É preciso avisar toda a gente..."

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Árvores da Liberdade


Lisboa, no Largo do Carmo (fonte: Centro de Documentação 25 de Abril -Universidade de Coimbra)

No Porto também subimos às árvores: eu empoleirei-me em cima de um castanheiro-da-Índia em flor, não no dia 25, mas dias depois, quando foi a libertação dos presos políticos, da sede da PIDE, na rua do Heroísmo.
(Hoje parte de lá um desfile com início às 14.30, integrado nas comemorações populares do 25 de Abril)
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Uma fotografia do 25 de Abril

Primeiro as árvores cobri-
ram-se de folhas depois

de pássaros e depois de
homens.

Jorge Sousa Braga, Porto de Abrigo (2005)


Cravina (Dianthus barbatus)

24.4.06

Pilriteiros engraçados

Fazendo jus a alguns dos seus outros nomes - espinheiro-alvar e espinheiro-branco- os pilriteiros estão, por cá, em plena floração. Pertencente à extensíssima família das Rosáceas, este Crataegus florido foi a descoberta da semana. O facto de estar nas imediações de uma construção- já parada há anos...- levam-me a publicar as fotografias, chamando assim a atenção para a beleza do seu porte.


Pilriteiro em flor no Bairro das Campinas
"Eu sei como se passa lá para dentro..."- informou-me uma das crianças. Avançámos por um buraco na rede que circunda a obra, e estivemos todos contentes a observar a floração mais de perto. Provavelmente, o nome que esta arvorezinha tem em inglês -"pão com queijo" ("bread and cheese") -ficou-lhes mais facilmente na memória do que "pilriteiro". Acho que vou escrever uma "redacção" sobre esta árvore e entregá-la na escola que fica mesmo ao pé; não me esquecerei de mencionar, para além dos seus divertidos nomes, as propriedades medicinais e contar a lenda do mago Merlim e de Viviane... Pode ser que ela assim arranje (mais) uns aliados.


Na Rua Beato Inácio de Azevedo e no Parque da Cidade há vários exemplares em flor (não confundir, neste último local, com os sabugueiros.)
(O que é um carrapiteiro? - Pilriteiro dá pilritos -Campo na cidade - Serralves -O nosso licor -365 dias com árvores )
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22.4.06

Acerca do quintal da vizinha

A cerca do quintal da vizinha:

ali a dispuseram para que desperte vontade
em mim de
a transpor. O
quintal
é pequeno. Nada guarda de importante. Mesmo
a cadeira de bunho onde
ela fica sentada
está estragada demais
(não desperta cobiça)
só a ela
poderá servir. O
quintal é um baldio mas
(dentro)
guarda uma vida
a
cerca que o circunda ostenta o pequeno aviso que
pede
para não transpor. A
cerca do quintal da vizinha é
o que lhe dá valor.

João Luís Barreto Guimarães, Rés-do-chão (Gótica, 2003)


Hydrangea macrophylla

21.4.06

O burrinho sabichão

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Papoila comum (Papaver rhoeas)
«O uso medicinal limita-se às pétalas e às cápsulas secas. As primeiras recolhidas em plena maturidade, serão estendidas em folhas de papel ou esteiras o mais rapidamente possível, de preferência num local quente, seco e arejado, sem ser ao sol, e revolvidas com frequência. Deverão addquirir um tom escuro e avermelhado ao secar, mas sem que fiquem completamente enegrecidas. Quando estiverem bem secas, guardam-se em boiões ou em caixas, comprimindo-as por forma a evitar ao máximo o contacto com o ar, vedando-as hermeticamente. As cápsulas devem ser recolhidas em plena maturidade, altura em que estarão já meio secas; a secagem consumar-se-á naturalmente, bastando para isso espalhá-las numa esteira.

A papoila reproduz tenuemente alguns efeitos da dormideira. As suas flores são ligeiramente narcóticas, calmantes e peitorais. (...) Empregam-se em infusão (1 pitada de pétalas secas para uma chavena de água fervente ao deitar) ou melhor ainda em xarope: verter 1 litro de água fervente sobre 65 g. de pétalas secas; deixar em infusão durante 6 horas; filtrar e acrecentar 180 g. de açúcar para 100 g. de líquido. Tomar em doses diárias (em colheres de café) espaçadas ao longo do dia (...) Como peitorais, as suas flores são igualmente usadas pelo povo nas bronquites, e na tosse convulsa; acalmam os espasmos e favorecem a expectoração. (...)»
in O Grande Livro das Ervas, de Pierre Lieutaghi - Temas e Debates

20.4.06

Papoilas em terreno expectante



As papoilas são flores com algum prestígio literário, símbolo de um decadentismo rebuscado e suspiroso, próprio de quem se põe à margem do turbilhão da vida. Dos frutos imaturos de uma delas (Papaver somniferum) extrai-se o ópio, alucinogénio já conhecido na Grécia antiga mas de que o consumo só se vulgarizou no Ocidente durante a época vitoriana. O escritor Thomas De Quincey (1785-1859), que manteve o vício durante toda a sua vida adulta, descreveu nas suas Confissões de um opiómano inglês a agonia física e mental e a distorção do senso espacial e temporal provocadas pelo ópio. Apesar da letargia que tal vício induz, De Quincey deixou obra extensa ainda que fragmentária. Sherlock Holmes, outro opiómano famoso, conseguiu que esse hábito não interferisse com o exercício da sua profissão: como nos relata Watson, o ópio era tão só uma pausa escapista que o detective a si mesmo concedia entre duas investigações aturadas. Destes exemplos poderia talvez inferir-se a compatibilidade entre o ópio e uma existência normal e até produtiva, não fossem dois detalhes: De Quincey passou a vida a fugir de credores (pois naquela época quem não pagasse dívidas ficava preso até que as liquidasse); e Sherlock Holmes beneficiou da invulnerabilidade própria da sua condição ficcional. Mais perto de nós por ser português, e mais longe por ter sido em Macau que o seu destino se cumpriu, Camilo Pessanha (1867-1926) seria melhor cartaz em campanha contra o consumo do ópio (ou de derivados como a heroína): figuramo-lo, nos seus últimos anos, quase andrajoso, de olhar vazio, abandonado até pela poesia.



As papoilas das fotos pertencem ao género Papaver mas não à espécie P. somniferum, e são por isso alheias a toda esta história. Não são cultivadas nem enfeitam um jardim; em vez disso, regressam em cada Primavera, sem serem convidadas, ao mesmo terreno expectante, e voltarão enquanto a expectativa não se consumar. Este animismo típico da nossa modernidade bem poderia traduzir-se num desejo de flores e árvores, mas o que o terreno espera é de facto um prédio com muitos andares.

19.4.06

Uma vela...

...................... . pela memória, contra o esquecimento.
«Dans l'effort qu'il fit pour se lever, une gerbe de sang fusa. Il parvint à poser un pied sur le rebord de la cuvette; et tirant de sa main accrochée à l'encadrement de la fenêtre, se hissa jusqu'à poser le second pied. Rapprochant ses bras dans la position d'un plongeur, il faufila une moitié de son corps dans le carré béant de la fenêtre et se trouva suspendu entre terre et ciel. Son bras gauche pendant le long de la muraille, saignait déjá jusqu'au premier étage.

Au-dessus du marronnier passaient d'énormes oiseaux dont les ailes de papillons, jaunes, bleues, vertes, réfléchissaient le soleil comme des glaces. Les oiseaux papillons filaient si vite qu'on pouvait les suivre du regard; ils s'élevaient si haut par-dessus les toits, par-dessus le marronnier et le petit garçon, que ce dernier se moqua doucement de soi.

Soudain l'âcre odeur du sang s'évanouit, son bras cessa de saigner, les papillons s'atténuèrent et des paroles chantantes et traversées de rêve se firent entendre, tandis que le soleil prenait le visage d'Ernie dans ses mains douces; c'étaient les paroles que prononçait l'ancêtre tous les vendredis soir, au repas solemnel qui ouvre le sabat de gloire et de paix, les paroles du Psalmiste:"Viens, bien-aimé, au devant de ta fiancée."» in Le dernier des Justes , de André Schwartz-Bart (p.232-3), Éditons du Seuil, 1959

"O carvalhêro da Estrada do Alferce já tem candêo..."

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«Q'ondo a q'ôresma chega, o alvoredo c'meça todo a arrebentar. Uma tarde destas, parí ô pé do carvalhêro da estrada do Alferce, só p'a ver com-m' ele 'tava carregadinho de candêo. (...)»
A ler n' O Parente da Refóias (sobre o carvalhêro, as endoenças, as alcagoitas e m't mai ;-)

Carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis)

Simetria



Aprendemos em pequeninos que uma dobra num rectângulo de papel, seguida do corte de um modelo, produz, abrindo-se a página, uma figura com simetria relativamente à linha de dobragem. Assim fizemos frisos de pássaros, peixes, conchas, bonecas e letras. Pois foi justamente este o procedimento que os tulipeiros adoptaram para fabricar as suas folhas.

Ao contrário da maioria das plantas, cujas folhas nascem inteiras, mas minúsculas, crescendo depois sem perder o formato inicial, o tulipeiro começa por fabricar apenas metade de cada folha; esta replica-se uns dias mais tarde como se desdobrasse uma página vincada.

A forma das folhas tem um interesse adicional: elas lembram silhuetas de gatos, com orelhas e bigodes perfeitamente desenhados. Para rematar tanta sabedoria, a floração ocorre em simultâneo com a folhagem nova e as flores são lindas tulipinhas com laivos cor-de-laranja e bordo caprichosamente revirado.

Por tudo isto aqui fica a sugestão: o tulipeiro mais majestoso do Porto está no jardim da Casa das Artes, na rua António Cardoso.

18.4.06

A ler

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Cidade e utopia, crónica por Bernardino Guimarães no JN
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Árvore da Páscoa e da Pascoela


aqui falámos desta espécie de Viburnum, chamando particularmente a atenção para as suas inflorescências em forma de coroa constituída por vistosas flores falsas com função meramente decorativa rodeando as flores férteis.
Este belíssimo Viburnum plicatum encontra-se numa ruela do Bairro das Campinas (perpendicular à av. Vasco da Gama). A sr. Florinda, sorrindo satisfeita quando lhe elogiei o nome, informou que lhe chamam simplesmente a "árvore-da-páscoa" porque floresce justamente nesta altura e isto há já uma vintena de anos.
Com a requalificação em curso no bairro, todos estes jardins e hortas estão a ser eliminados: tanto os mais ajeitados como os mais podões. As pessoas gostam dos arranjos levados a cabo nos prédios, e muitos até vêem com bons olhos o desaparecimento das couves, das casotas e dos vasos dos vizinhos. Os atingidos, todavia, lamentam não poder continuar a entreter-se nos pedacitos de terreno onde cresciam para além das couves, alfaces e outros primores, loureiros, árvores de fruta, japoneiras...
Esperemos que, quando 'limparem' o jardim ao requalificarem esta zona, preservem este belo exemplar !

Para mais informação sobre os viburnos - Las especies de Viburnum cultivadas en España , e em particular sobre esta espécie -Viburnum plicatum f. tomentosum 'Mariesii' ,Viburnum plicatum 'Shasta'

17.4.06

Notícia: Carvalho classificado em Montalegre

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Carvalho da Forca: Árvore de Interesse Público (no site oficial da CM): «Plantado na Praça do Município, este exemplar arbóreo foi finalmente classificado como de alto valor ecológico, paisagístico, cultural e histórico.
É um dos emblemas mais característicos da vila de Montalegre que viu finalmente ser-lhe reconhecido o seu alto valor patrimonial. Falamos do "Carvalho da Forca" (espécie Quercus robur L.), erguido na Praça do Município (em frente ao edifício da Câmara Municipal).
O projecto camarário Ecomuseu de Barroso coordenou o processo de classificação do carvalho, como ?Árvore de Interesse Público?. (...)» .


Árvore elevada a Interesse Público (no Jornal de Notícias) : «Para assinalar a atribuição da classificação, a Câmara colocou uma placa junto à árvore. "Desta forma, todos saberão que estão perante uma Árvore de Interesse Público, que deve ser preservada", explica o presidente, Fernando Rodrigues, para quem o velho carvalho poderá constituir mais um motivo de atracção turística para o concelho.»

Carvalho da Forca (no blogue TdB - Terras de Barroso) : «(...) Tal como o "Carvalho da Forca", também, outros carvalhos, nomeadamente os da zona envolvente do Castelo de Montalegre, poderiam ser objecto de outras propostas de classificação, mas para que tal acontecesse não poderiam ter sido sujeitos à poda bárbara que lhes deferiram num passado recente. (...)»

Montalegre - Wikipédia
SCETAD - Câmara Municipal de Montalegre
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16.4.06

"Tudo era da idade e da cor das palmas verdes."

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[25 março-1893] «A SEMANA foi santa - mas não foi a semana santa que eu conheci, quando tinha a idade de mocinho nascido depois da guerra do Paraguai. Deus meu! Há pessoas que nasceram depois da guerra do Paraguai! Há rapazes que fazem a barba, que namoram, que se casam, que têm filhos, e, não obstante, nasceram depois da batalha de Aquidabã! Mas então que é o tempo? É a brisa fresca e preguiçosa de outros anos, ou este tufão impetuoso que parece apostar com a eletricidade? Não há dúvida que os relógios, depois da morte de López, andam muito mais depressa. Antigamente tinham o andar próprio de uma quadra em que as notícias de Ouro Preto gastavam cinco dias para chegar ao Rio de Janeiro. (...)

Aí vou escorrendo para o passado, cousa que não interessa no presente. O passado que o jovem leitor há de saborear é o presente lá para 1920, quando os relógios e os almanaques criarem asas. Então, se ele escrever nesta coluna, aos domingos, será igualmente insípido com as suas recordações. (...)

As semanas santas de outro tempo eram, antes de tudo, muito mais compridas. O Domingo de Ramos valia por três. As palmas que traziam das igrejas eram muito mais verdes que as de hoje, mais melhor. Verdadeiramente já não há verde. O verde de hoje é um amarelo escuro. A segunda-feira e a terça-feira eram lentas, não longas; não sei se percebem a diferença. Quero dizer que eram tediosas, por serem vazias. Raiava, porém, a quarta-feira de trevas; era princípio de uma série de cerimônias, e de ofícios, de procissões, sermões de lágrimas, até o sábado de aleluia, em que a alegria reaparecia, e finalmente o Domingo de Páscoa que era a chave de ouro.


Tenho mais critério que meu sucessor de 1920; não quero matá-lo com algumas notícias que ele não há de entender. Como entender, depois da passagem de Humaitá, que as procissões do enterro, uma de São Francisco de Paula, outra do Carmo, eram tão compridas que não acabavam mais? Como pintar-lhe os andores, as filas tochas inumeráveis, as Marias Behús, segundo a forma popular, centurião, e tantas outras partes da cerimônia, não contando as janelas das casas iluminadas, acolchoadas e atapetadas de moças bonitas - moças e velhas - porque já naquele tempo havia algumas pessoas velhas, mas poucas. Tudo era da idade e da cor das palmas verdes. A velhice é uma idéia recente. Data do berço de um menino que vi nascer com o ministério Sinimbu. Antes deste - ou mais exatamente, antes do ministério Rio Branco - tudo era juvenil no mundo, não juvenil de passagem, mas perpetuamente juvenil. As exceções que eram raras, vinham confirmar a regra.»
(134) A Semana, de Machado de Assis

15.4.06

Amêndoas - no dicionário

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« (...) Loc.: Amendoas confeitas, as que estão descascadas e cobertas de açucar. -Amendoas marquezinhas, as mais pequenas mas tambem cobertas. -Amendoas doces , base de muitas preparações médicas emulsivas. -Amendoa amarga, as que encerram os mesmos principios que as amendoas doces, mas que contem especialmente um veneno bastante energico chamado ácido hydrociánico. -Dar as amendoas, lembrança affectuosa, que se usa pela Paschoa. -Olhos de amendoa, diz-se d'aquelles que têm uma certa languidez voluptuosa. - Em Ourivesaria, amendoa, é um brinco ou pingente de pedras preciosas assim chamado por ter a fórma de amendoa. -Dôce de amendoa, aquelle que é feito com amendoa ralada.

- "O papagaio treme maleitas porque lhe não dão amendoas confeitas." Herman Nunes, Refranes, fol. 83, v. - "Dá Deos amendoas a quem não tem dentes." Anexim recolhido por Bluteau, no Vocabulario, hoje substituido por: Dá Deus nozes a quem não tem dentes. »
in VIEIRA, Domingos Frei - Grande diccionario português ou thesouro da lingua portuguesa. Porto : Ernesto Chardron e Bartolomeu H. de Moraes, 1871-1874 .

Da mesma série: Epítetos para árvores; Castanha

Flores da Páscoa

14.4.06

Salmo



Deste-nos, é certo, o corrimão.
Mas os degraus,
os degraus onde começam?

José Miguel Silva, O sino de areia (Gilgamesh, 1999)


Colletia cruciata

13.4.06

Faltam as árvores




Não é de bom tom chamar bairro ao que se vê nas fotos: urbanização, por ser palavra mais comprida, seria mais aceitável; mas o nome oficial, dignamente multissilábico, é Conjunto Habitacional da Bouça. Um dos paradoxos nacionais nesta era de comunicação pletórica é que, entre os vários modos de dizer a mesma coisa, sempre optemos pelo mais complicado. A perífrase e o eufemismo nunca como hoje tiveram tanta voga em Portugal.

Situado no cruzamento entre as ruas da Boavista e das Águas Férreas, o Bairro da Bouça, projectado por Siza Vieira, ficou incompleto quando há quase trinta anos recebeu os primeiros moradores. Fizeram-se então menos de metade das habitações previstas. Mas, na versão inacabada, o bairro tinha algo que a versão completa, a inaugurar no próximo 25 de Abril, ainda não tem. Tinha árvores, plátanos jovens que eram quase o único adorno vegetal nos mil metros de extensão da rua da Boavista. Em toda a rua, estreito corredor enfumarado de trânsito, não há hoje uma árvore que nos ajude a respirar. Oxalá se plantem, no bairro renovado, muitas árvores que compensem as que foram sacrificadas - e também disfarcem os paredões cinzentos que rematam os pátios entre os blocos. (Mas não estou muito optimista: calcar a terra com um cilindro compressor, como se vê na segunda foto, não é a preparação ideal para o plantio de árvores.)

Ainda correrão as águas férreas que deram nome à rua e à quinta que existiu na vizinhança? Por certo há muito entubadas, a nenhuma árvore tais águas podem aproveitar. Além do bairro, outro dilúvio de betão se prepara para obliterar de vez a memória da quinta e das suas águas: trata-se da cidade judiciária, mega-complexo que justificará também a abertura de uma nova via no quarteirão entre a rua da Boavista e a Lapa.

12.4.06

Olaias em flor por toda a cidade

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Chegou a nossa vez ;-)
No ano passado estavam mais atrasadas, não estavam?
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11.4.06

Flores de caracóis

Dir-se-á que quase todas as espécies que aqui trazemos têm origem australiana - mesmo falando-se pouco de eucaliptos. As preferências da horticultura portuguesa do século XIX e a exuberância da floração de muitas das plantas australianas explicam este predomínio. A Grevillea juniperina é um arbusto natural de New South Wales, no sudeste da Austrália, que aprecia solos arenosos. Tem folhas que são agulhas como as do zimbro (Juniperus communis), daí o epíteto específico; as flores não têm pétalas mas exibem periantos encaracolados que se esticam para expor os estames.

O nome do género, com mais de 250 espécies de que a mais frequente entre nós é a Grevillea robusta (muito usada na arborização das zonas de serviço em auto-estradas), homenageia Charles Francis Greville (1749-1809), um dos fundadores da Horticultural Society of London, hoje Royal Horticultural Society.

Os exemplares das fotos são do Parque Biológico de Gaia e da Quinta de Sto. Inácio.



Grevillea juniperina - variedades com flores amarelas e com flores vermelhas

10.4.06

Os passarinhos tão engraçados...

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Nesta altura do ano em que a passarada anda por aí alegremente despreocupada ... e canta, chilreia, gorgeia, pia, assobia, aqui fica a indicação de dois sítios para ajudar a sua identificação.
The birds in our gardens e Dicionário de Aves

(lembrete:
-aproveitar estar em férias para me fazer finalmente sócia da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
-continuar a acompanhar o crescimento dos melritos da Annie Hall ;-)

Recomeço



Folhas novas de tília e de camélia - Abril de 2006

9.4.06

Provérbio

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Ramos molhados são louvados.
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Hoje é Domingo de Ramos

Este post foi modificado...
«Domingo de Ramos as pessoas levam à missa, ramos de alecrim que o Sr. Padre benze. Os agricultores com esse alecrim fazem cruzes que colocam nos campos para abençoar as searas. As outras pessoas colocam raminhos desse alecrim na lapela do casaco dos amigos ou padrinhos e dizem: "Verde és, verde cheiras, ficas preso até Quinta-feira". (...) »

Hoje, aqui na freguesia de Ramalde, no Porto, os ramos eram feitos de oliveira e de alecrim ou apenas de oliveira "porque não deve ter havido alecrim que chegasse..." * . Estavam à venda à entrada de igreja e "o senhor padre lá dentro benze-os" . O da menina de cor-de-rosa era particularmente ramalhudo, e perante o meu espanto propositado, a tia, que acompanhava a miúda, achou por bem esclarecer: "É para mais três pessoas e já deixou um na campa da Avó."


E como é na sua terra? Que plantas se usam para os ramos? O que fazem (ou faziam) com eles?
Domingo de Ramos - tradições
À conversa sobre tradições da Páscoa

(*Realmente deve ser considerável, por esta altura do ano, a "razia" em oliveiras, alecrins, palmitos, etc. , e dá para se pensar um pouco sobre a bondade de certas tradições... Bem, mas não quero ser "desmancha-prazeres" e provavelmente até será uma "poda" necessária. Não se diz que "Deus escreve direito por linhas tortas"? Haja fé.).

8.4.06

Dia Internacional Contra os Transgénicos

....

Hoje, em Lisboa, na Praça da Figueira, entre as 14h e as 18h, "maniperforestação" contra os organismos geneticamente modificados (OGM), no âmbito do Dia Internacional Contra os Transgénicos.
Organização: GAIA: www.gaia.org.pt; Plataforma Transgénicos Fora do Prato: www.stopogm.net; CEM: http://www.c-e-m.org/ ; InfoNature.Org: http://www.infonature.org/

7.4.06

Bicos-de-papagaio


Lotus berthelotii

Um mau jeito ao vestir as meias ou a calçar os sapatos e ui!... lá se desarranja um músculo, antes um desconhecido, que num instante se torna essencial para se andar sem amparo. A expressão bicos-de-papagaio bem se ajusta a tais desconfortos dada a agudeza das dores que os acompanham. Mas nesta semana e até ao início do Verão há outros bicos menos penosos para apreciar: as floreiras penduradas em algumas ruas do Porto, como na Praça Carlos Alberto, têm exemplares de Lotus berthelotii, uma Leguminosae originária de Tenerife quase desaparecida no seu habitat natural porque os colibris, que as suas vistosas flores vermelhas atraíam, se extinguiram; as sobreviventes apelam hoje às abelhas para tal serviço.

Lotus é o termo latino para lódão usado para identificar algumas leguminosas; Marcelin Berthelot (1827-1907) foi um químico francês que se especializou na sintetização de substâncias orgânicas, negando o dogma de que estas podem ser apenas criadas por organismos vivos.

6.4.06

Provérbios- lenha


  • Quem me vir e ouvir, guarde pão para Maio e lenha para Abril.
  • Quem não poupa água e lenha não poupa nada que tenha.
  • Lenha verde mal se acende, quem muito dorme pouco aprende.
  • Lenha verde e velho gogo, muito fumo e pouco fogo.
  • Lenha vozeira, sinal de ventaneira.
  • Lenha verde e direita o fogo a espreita.
  • Lenha verde é que faz fumaça.
  • Lenha verde e torta o fogo a corta.
  • Quem quer fogo, busque a lenha.

Mais provérbios

5.4.06

Visita à Quinta de Santo Inácio

Campo Aberto - Ciclo Jardins 2006
Visita guiada aos jardins e bosque da Quinta de Santo Inácio de Fiães
Avintes, Vila Nova de Gaia
Sábado, 22 de Abril - 14h30
Inscrição prévia obrigatória pelo endereço electrónico paraujo(at)fc.up.pt
Limite: 40 pessoas


Azáleas na Quinta de Fiães - 10 de Maio de 2005

A Quinta e a Casa de Fiães datam possivelmente do século XVIII; já em 1789 são mencionadas na famosa Descrição da Cidade do Porto do Padre Agostinho Rebello da Costa. Propriedade da família van-Zeller a partir do último quartel de setecentos, a Quinta está ligada à história da horticultura portuense desde Francisco van-Zeller (1774-1852), responsável pela introdução oficial, entre 1808 e 1810, das camélias no nosso país, trazidas justamente para a Quinta de Fiães, onde ainda hoje podem ser admiradas.

Além das camélias, os jardins de Fiães, exemplarmente recriados há poucos anos aquando da abertura da Quinta ao público, incluem roseirais e mixed-borders no jardim formal e, no jardim romântico, uma grande colecção de azáleas e rododendros, que estarão no auge da floração por altura da nossa visita. A mata tem bonitos carvalhos, tulipeiros, azevinhos, azereiros e outras folhosas, pinheiros-mansos bicentenários e um denso sub-bosque de camélias, todas elas plantadas no século XIX ou descendendo dessas pioneiras. Na transição entre o jardim romântico e o bosque destacam-se alguns raros eucaliptos monumentais plantados por Roberto van-Zeller (1815-1868), entre eles um dos maiores Eucalyptus obliqua do nosso país.

4.4.06

«Um plano mui elegante»

«Foi, como nos descreve Carlos de Passos no seu Guia Histórico e Artístico do Porto, publicado em 1935 pela Casa Figueirinhas, "debaixo de um plano mui elegante", que no dia 4 de Abril de 1834 foi aberto ao público aquele que ainda hoje permanece como uma das jóias verdejantes da cidade do Porto: o Jardim de S. Lázaro, ou, na sua designação oficial, Jardim de Marques de Oliveira. Apesar de ter sido concluído somente em 1841, o mais antigo jardim público portuense foi inaugurado no ano em que se iniciaram as suas obras, em 1834, no dia do aniversário de D. Maria II, Rainha de Portugal. Tido durante muitos anos como local de reunião por excelência de numerosas famílias do Porto, e apesar de estar, hoje em dia, diferente dos seus anos iniciais, este aprazível recanto verde, cujo traçado se deve ao jardineiro municipal João José Gomes, conserva ainda algumas das suas frondosas espécies arbóreas, como as esplêndidas magnólias (Magnolia grandiflora), as tílias (Tilia argentea), ou as camélias (Camellia japonica), bem como outros vestígios da sua época áurea, como o lago, o coreto, e a fonte de mármore vinda do Convento de S. Domingos, pontuado ainda por várias esculturas, como a de autoria de Soares dos Reis dedicada ao pintor João Marques da Silva Oliveira (1853-1927), que dá o nome ao jardim. Com o pretexto dos seus 172 anos de existência, fica então aqui o convite para uma visita a esta magnífica obra municipal.»

Texto e fotos da Arq. Paula Morais
(... a quem muito agradecemos a lembrança e o valioso contributo. Sobre as magnólias, apenas uma nota: quando escrevemos o livro À sombra de árvores com história, a consulta de documentos camarários da época permitiu-nos concluir, sem grande margem de erro, que essas árvores foram plantadas em 1911, data em que o jardim sofreu importantes modificações.)

3.4.06

Silêncio

«Tudo cresce no silêncio. Tudo cresce em silêncio. Desde o ácer até à vulgar tradescância. Mas quem melhor se adapta são, sem dúvida, os miosótis. Depois de alguns minutos em silêncio já não te consegues mexer, com receio de os pisares.»

Jorge de Sousa Braga, Balas de Pólen (2001)


Myosotis sylvatica - Abril de 2006

2.4.06

O tempo que não passa


Araucárias-do-Brasil (A. angustifolia) na Casa do Campo, Celorico de Basto - Março de 2006

Há uma espécie de grandeza na imutabilidade aparente, que resiste às mudanças do mundo ou ao correr das estações. Na versão vegetal, os epítomes da constância são as coníferas: não é que não mudem, mas fazem-no devagar ou de um modo subtil que escapa aos olhares desatentos. Não têm floração vistosa, e todo o santo ano se vestem de impertubável verdura. Se as olharmos de perto, vemos despontar as pinhas e notamos o verde mais fresco da folhagem recente. Mas às vezes têm copas tão subidas que é impossível escrutiná-las com o olhar. Baixamos os olhos para inspeccionar os despojos que vão largando no chão: aqui um galho, mais adiante uma pinha. São sinais de vida em quem parece ter deixado de crescer, instalando-se no que é, para a nossa escala temporal, uma reconfortante eternidade.

À entrada da Primavera, solicitados pressurosamente pelas folhosas que se vão revestindo de mimosos rebentos, aqui ficam as duas mais-que-seculares araucárias-do-Brasil da Casa do Campo, em Celorico de Basto. São árvores como estas que nos alimentam a vista durante o Inverno; passam agora para segundo plano, mas sabemos onde reencontrá-las, constantes e fiéis, sempre que quisermos.

1.4.06

Camélias no Dias com Árvores

His hobby is CAMELLIA -a página de Yasunori Kanda